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Capítulo 2

Author: Bagel
Victoria foi a mulher do primeiro "Mês Sem Donos" de Dante. Durou apenas vinte e sete dias.

Ela era uma civil que havia tropeçado no nosso jogo distorcido, e a verdade a deixou amarga.

Dante a trouxe para dentro da família como compensação.

Após anos nessa vida, a garota civil antes discreta foi moldada em uma mulher elegante e marcante.

Ergui o copo de uísque à minha frente e brindei a ela.

— Não apostei em nada.

Um dos homens da família, arrastando as palavras em um “vida longa à liberdade”, passou por mim piscando.

— Nossa futura Donna deve estar rezando para que o chefe não seja fisgado por alguma sirigaita por aí, para que ele volte rastejando para você.

— Certo, Aurora?

Victoria o espantou e então voltou a me aconselhar:

— Ele está se divertindo, então você também deveria. Por que se prender a um só homem?

— Você deveria ir se divertir também. Há muitos homens em Nova York.

Girei o gelo no copo e me inclinei para perto do ouvido dela.

— Se quiser ganhar alto, aposte comigo. Você não vai se arrepender.

A cabeça de Victoria virou de repente, seus olhos brilhando de espanto.

Mas antes que ela pudesse perguntar, um coro de gritos e assobios explodiu do centro da pista de dança, abafando nossa conversa.

— Uau!

O holofote focou em um ponto, onde Dante dançava um tango, o braço envolto na cintura fina e pálida de uma garota.

Eu podia sentir a química crua vibrando entre eles.

— Só se passaram cinco minutos e Dante já escolheu alguém. Parece um pouco arriscado para você de novo, Aurora. Talvez eu devesse mudar minha aposta? Ainda dá tempo?

— Espera, o rosto dela parece familiar.

Quando alguém disse isso, eu também percebi. Aquele rosto era de fato familiar.

Scarlett. Ela foi a amante dos trinta dias do ano passado.

Scarlett era um incêndio, o completo oposto de mim.

Ela usava uma saia de couro extremamente curta, selvagem, indomável, cheia de energia primitiva.

Era algo que eu nunca poderia oferecer a ele.

Para mim, um mês eram apenas trinta noites comuns. Dante me acompanhava a exposições de arte e degustações de vinho, repetidamente.

Mas para ela, era um caleidoscópio de cores.

Ela levou Dante para mergulhar e saltar de paraquedas, fazendo tudo que fosse cheio de adrenalina e perigoso. Para o grande final, ela o convenceu a fazer algo insano.

Ela comandava um clube de corridas clandestinas e provocou Dante a cruzar a linha até o Brooklyn, território de uma família rival, para participar de uma corrida ilegal à meia-noite.

Quando ouvi a notícia, fiquei doente de preocupação, incapaz de dormir. Mas Dante rejeitou todas as minhas ligações.

Larguei meu trabalho e fui atrás deles, usando recursos da família para bloquear à força as duas extremidades do viaduto.

No vento frio da noite, forcei o Aston Martin rugindo a parar.

— Você não tem experiência. Não pode participar de uma corrida de rua.

Dante brincou com as chaves do carro, indiferente.

— Você está ultrapassando os limites, Aurora. Este é o meu tempo livre. Além disso, Scarlett vai me proteger.

Scarlett, sentada no banco do passageiro mascando chiclete, me lançou um olhar provocador.

— Ora, se não é a babá estraga-prazeres do Dante.

As palavras ficaram presas na minha garganta, cada uma um estilhaço de gelo doloroso.

Senti como se tivesse perdido a capacidade de falar, apenas encarando Dante diretamente.

Ele evitou meu olhar.

Afastei-me em silêncio para deixá-los passar. A risada triunfante de Scarlett atravessou o rugido do motor, atingindo meus ouvidos.

Enquanto eu dirigia embora, pensei: finalmente acabou. Finalmente estou livre.

Mas dez minutos depois, Dante me alcançou.

— Aurora, eu faço o que você disser. Não vou correr.

Mais tarde naquela noite, Scarlett foi sozinha para a corrida e sofreu um acidente.

No momento em que Dante recebeu a notícia, sua expressão mudou. Ele me lançou um olhar duro e então se virou e correu para o hospital.

O próprio Dante empurrou a maca de Scarlett.

Ela havia quebrado a perna, a panturrilha estava torcida em um ângulo grotesco.

Ela segurou minha mão, sua voz um lamento fraco.

— Aurora, eu não te culpo, mas vocês dois terminaram agora. Estou te implorando, pare de se agarrar a ele.

Olhares de desprezo, desdém e repulsa recaíram sobre mim. Eu estava tão envergonhada que queria desaparecer.

Depois de nove anos de namoro, eu tinha me tornado a outra mulher.

Depois que ela foi hospitalizada, Dante esvaziou o melhor centro médico privado da família para ela, negligenciando os negócios da família e sua própria saúde para ficar ao lado dela dia e noite.

Por três meses inteiros, Dante quebrou completamente as regras do Mês Sem Donos. Ele não voltou uma única vez.

Durante esse período, o estresse da aliança familiar e sua traição desencadearam uma grave hemorragia estomacal em mim.

Eu estava deitada na UTI, cercada pelo bip frio das máquinas. Ele nem sequer ligou.

— Desde quando ela aprendeu a fingir doença? Além disso, ela tem todos vocês para cuidar dela. Scarlett só tem a mim.

Todo o submundo de Nova York já dizia que a futura Donna da família Corinni estava prestes a ser substituída.

Eu mesma acreditei nisso.

Mas, justamente quando todos estavam prestes a rir da minha cara, ele abriu a porta do meu apartamento novamente.

Aparentemente, ele e Scarlett tiveram um rompimento repentino e explosivo. Ele insistiu em voltar para mim, mesmo quando Scarlett ameaçou a própria vida.

Tarde da noite, ele me segurou nos braços, sua respiração um sussurro quente contra minha orelha.

— Aurora, aquilo foi apenas eu pagando uma dívida com ela.

— Você é a única Donna da família Corinni. Isso nunca vai mudar.

Vi a marca vermelha suave na clavícula dele, e o ácido no meu estômago revirou novamente.

A luz da lua lá fora derramava-se como prata líquida. Eu disse, em voz baixa,

— Nesse caso, vamos nos casar imediatamente.

A expressão terna no rosto de Dante congelou. Ele me soltou, virou-se em silêncio e foi até o bar servir um uísque.

O som agudo do gelo batendo no copo era ensurdecedor.
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