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O Último Mês Sem Donos
O Último Mês Sem Donos
Author: Bagel

Capítulo 1

Author: Bagel
Uma garrafa de champanhe sacudida explodiu acima de nós enquanto todos na sala privada entravam em frenesi.

Eles estavam celebrando o fato de o mais jovem e indomável lobo da família Corinni finalmente se livrar da coleira da namorada.

Num momento, eu era a reverenciada futura Donna da família; no seguinte, um fantasma no canto, despercebida.

Dante era rebelde por natureza. Normalmente ele zombava desse tipo de celebração vulgar, e seus homens praticamente tinham que implorar para que ele aparecesse.

Era exatamente isso que tornava o “Mês Sem Donos” anual ainda mais emocionante.

Dante e eu nos conhecemos na Colômbia. O mais jovem herdeiro da máfia e a designer mais talentosa.

A juventude é o tipo mais explosivo de perigo.

A colisão de sua selvageria bruta com minha compostura tranquila tinha sido o assunto da cidade.

Mas, com o tempo, até a atração mais potente se desgasta.

No aniversário do nosso quarto ano de namoro, eu acabara de apagar as velas.

Os longos dedos de Dante, segurando um charuto, pausaram. Ele me encarou através da fumaça.

— Aurora, depois de quatro anos dormindo ao lado do mesmo rosto, você não se sente sufocada?

Olhei para cima, atônita, apenas para ver seus olhos, profundos e escuros como um abismo.

Eles ardiam com emoções que eu não conseguia compreender.

De repente, ele me encostou na parede, seus lábios ardentes traçando minha clavícula enquanto murmurava com voz baixa e rouca:

— Para manter nosso relacionamento sempre apaixonado, a partir de hoje, me dê um mês de liberdade absoluta todo ano. Não interferimos na vida um do outro.

— Se algum de nós encontrar alguém mais empolgante, deixamos ir graciosamente. Se não, quando o mês acabar, você ainda será minha Donna.

Recuei em choque, derrubando nosso bolo feito sob medida. A cobertura colorida se espalhou pelo chão como uma pintura abstrata caótica.

Com os braços agora vazios, a mandíbula de Dante se tensionou. Ele passou o polegar sobre os nós dos dedos com aborrecimento, mas seus olhos mantinham um brilho fanático.

— Promete, vai?

Talvez fosse o choque, mas meus membros estavam dormentes.

Mas eu tinha meu próprio orgulho. Mordi as palavras:

— Está bem.

Vendo-me ceder, a tensão nos ombros de Dante relaxou instantaneamente, seus olhos brilhando com o prazer de conseguir o que queria.

Na primeira vez que entramos no Mês Sem Donos, usei contatos da família para rastrear cada movimento dele, quase me torturando.

Comparava obsessivamente cada mulher com quem ele estava comigo.

Eles se davam as mãos? Se abraçavam? Dormiam juntos?

Cada boato sórdido era uma nova ferida.

Minha sanidade se esfarelava. Acordava na nossa cama fria no meio da noite, tremendo de desespero.

Numa noite, quando não aguentei mais, liguei para ele. Ele atendeu imediatamente. Não reclamou da interrupção nem me acusou de vigiar seus passos.

Em vez disso, contou-me um conto de fadas infantil com voz suave, me embalando até dormir.

— Aurora, este mês está sendo duro demais para você?

No dia seguinte, faltando três dias para completar o mês, nos reconciliamos, encerrando o jogo.

No nosso quinto aniversário, pensei que ele não mencionaria mais. Eu estava errada.

E agora, este é o nono ano.

O mesmo drama, ano após ano.

Ele insistia em esgotar cada último segundo desses trinta dias. Um minuto a menos, e o mês não estava completo, sua liberdade incompleta.

Tornou-se o boato mais sensacional de todo o submundo criminoso. Todo ano, nesse dia, enormes somas de dinheiro fluíam para a mesa de apostas.

As chances de nos reconciliarmos eram de um para um. As chances de terminarmos de vez eram de um para cem.

Uma onda doce de perfume me envolveu quando Victoria se sentou ao meu lado com uma risada astuta.

— Aurora, em que você está apostando este ano?

Dei um leve sorriso.

— Só estou observando.

Eu menti.

Desta vez, estava apostando contra nós.
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