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Correndo para a verdade

Author: Celina Pires
last update publish date: 2025-04-15 18:30:00

Casa segura – 12h19

Jordani se afastou da janela lentamente. O coração batia como o som de um tambor apressado dentro do peito.

Do lado de fora, passos. Rasteiros. Precisos.

Ela pegou o celular novamente, mas continuava sem sinal. Correu para a cozinha, abriu a gaveta — uma única faca de cozinha. Era pouco. Mas era o que tinha.

O barulho do portão sendo forçado ecoou pela casa.

Ela respirou fundo, encostada na parede.

Do outro lado da port
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    Casa segura – 5h17 da manhãJordani acordou com um calafrio. O som distante de um pássaro noturno se perdia entre as folhas lá fora. Ao lado, Lucas dormia profundamente, exausto da noite anterior.Ela se levantou devagar, pegou o celular escondido entre as roupas e viu a notificação: uma mensagem criptografada, vinda de um número desconhecido.“Rua das Sibipirunas, número 42. Sozinha. 6h.”Ela soube imediatamente quem era.Vestiu-se em silêncio, encostou a porta com cuidado e desapareceu pela lateral da casa, os passos leves, quase invisíveis.Rua das Sibipirunas – 6h01A casa parecia abandonada — portão de madeira com uma tranca frouxa, tinta descascando das paredes. Mas Jordani sabia que não estava sozinha.Entrou.Kira estava ali, encostada no batente da porta dos fundos, de braços cruzados, o cabelo preso com precisão, olhar firme.— Pensei que não viesse. — Kira disse.— Pens

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    Casa segura – 18h47O sol começava a sumir no horizonte quando Jordani entrou pela porta dos fundos, ofegante, ainda com a roupa suja da fuga. Kira estava por perto, discretamente à espreita, mas manteve distância. Tinha feito o que precisava: levar Jordani até quem poderia protegê-la — a mãe de Lucas — e agora era hora de desaparecer de novo.Lucas veio correndo da sala assim que ouviu o barulho da porta.— Você tá bem? — ele perguntou, a voz carregada de urgência.Jordani assentiu, mas seus olhos diziam outra coisa. Ela estava esgotada, suja, com os cabelos presos às têmporas de suor e o olhar distante. Ainda via o vulto do invasor na memória. Ainda ouvia o estampido do tiro que quase a atingira.— Eu… consegui fugir. — ela sussurrou.Ele a abraçou com força. Não fez perguntas — não ainda. Só a segurou, como se ela pudesse desaparecer de novo.Mas no canto da sala, alguém observava. Um dos aliados. Um dos que sabiam de

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    Casa segura – 12h19Jordani se afastou da janela lentamente. O coração batia como o som de um tambor apressado dentro do peito.Do lado de fora, passos. Rasteiros. Precisos.Ela pegou o celular novamente, mas continuava sem sinal. Correu para a cozinha, abriu a gaveta — uma única faca de cozinha. Era pouco. Mas era o que tinha.O barulho do portão sendo forçado ecoou pela casa.Ela respirou fundo, encostada na parede.Do outro lado da porta, um sussurro:— “Paciente A. Confirme o estado gestacional. Iniciar protocolo de extração.”Ela congelou.Eles estavam ali por ela.Por ele.Pelo bebê.Subsolo do laboratório – 12h21— Jin… você disse que esse projeto foi cancelado, certo? — Lucas perguntou, andando até o fundo do corredor de concreto velho.— Oficialmente, sim. Mas a verdade é que ele só foi… rebatizado. Quando o nome de um projeto muda, os rastros quase

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    Campos do Jordão os recebeu com uma neblina densa e constante, como se a própria cidade não quisesse revelar o que guardava. A estrada serpenteava por entre pinheiros altos, o silêncio cortado apenas pelo som do motor do carro e o bater ritmado da chuva fina no para-brisa.Lucas mantinha as mãos firmes no volante. Jordani, ao lado, consultava as anotações de Bruno. O nome era antigo, quase esquecido: Dr. Masato Ishikawa. Bioengenheiro-chefe. Desaparecido há mais de dez anos.— Segundo o Bruno, o endereço não aparece mais no GPS comum. Só foi achado por rastreamento de uma conta de luz antiga em nome falso. — disse ela, sem tirar os olhos do papel. — A casa foi construída como “retiro de pesquisa”. Tem gerador próprio, sistema de segurança e zero sinal de internet.— Ótimo — murmurou Lucas. — Só falta ter uma placa na entrada escrito “ENTREM E MORRAM”.Jordani riu baixo, mas o nervosismo estava ali, no canto da boca, nos olhos que varriam a pa

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