FAZER LOGIN— Casamento aberto? — Elisa piscou várias vezes, sequer entendia direito o que César estava dizendo.
Ele levantou-se, colocou a cueca naturalmente, como se tudo não passasse de um mal-entendido, como se Elisa não sentisse seu coração despedaçado. — Amor, eu já volto — ele piscou para Olívia, enquanto se dirigia para fora do quarto. — Já volta nada! Quero que tire essa mulher desta casa agora mesmo! — Elisa estava inconformada e chegou a se beliscar para ter certeza de que não estava dormindo e de que aquela cena era só um pesadelo. — Pare de fazer cena, Elisa. Quando nos casamos, eu te falei que esse seria um casamento aberto. Não pode ser tão ingênua a ponto de acreditar que, em três anos de casamento, eu não faria sexo com ninguém. Eu sou homem, e essas coisas são como comida e água para um homem, são uma necessidade básica. — Mas você é o meu marido. Se precisava tanto de sexo, por que não... não fez comigo? As bochechas de Elisa ficaram vermelhas. Sentia-se a pior mulher do mundo por se oferecer dessa forma para César. — Já te disse! Não sou um gigolô! Sua família me comprou pra você como se eu não passasse de um lixo. Não consigo olhar pra você sem me sentir humilhado. — E como acha que eu me sinto ao te ver transando com uma mulher na nossa casa? O sorriso no rosto de César vacilou por um breve momento. — Não dê tanta importância pra isso. Agora que Olívia voltou e que é maior de idade, posso finalmente ficar com ela. Quero que ela se sinta à vontade na nossa casa... Elisa nunca teve temperamento forte, mas não conseguiu se conter e levantou o braço para estapear César. Ele, porém, segurou seu braço no ar. — Não vou deixar você me bater, porque, se fizer isso, terei o direito de devolver, e sei o quanto isso te deixaria arrasada. — Eu quero o divórcio! — Elisa gritou na cara dele. Isso ela podia fazer. — Tem certeza? Tem certeza de que quer voltar para a casa da sua família? Posso não ser o melhor marido, mas sempre mantive a palavra e nunca te agredi. Quer voltar a ser o saco de pancadas daquela sua família maluca? Elisa balançava a cabeça freneticamente. César era esperto, não teria se dado bem nos negócios se não fosse. Ele a tinha nas mãos. — Seja boazinha e lembre-se, nesse casamento, eu posso ficar com quem eu quiser. Isso é um relacionamento aberto! Não imaginei que você fosse tão ingênua a ponto de não saber o significado de "casamento aberto". — E eu? Elisa queria perguntar se ela também podia sair com outros homens. Mas o marido não lhe deu ouvidos, estava com pressa de voltar para Olívia. E, sinceramente, de que isso importava? Elisa passou anos desejando um único homem. César. Mas ele estava disposto a ir para a cama com qualquer mulher, menos com ela. Não queria continuar ouvindo os gritinhos de Olívia que vinham do quarto, então pegou um casaco grosso, colocou-o por cima do vestido que ainda estava usando, calçou os sapatos de salto alto, pegou a bolsa e saiu. Chamou um carro de aplicativo. Estava muito nervosa para dirigir. — Me leve para a melhor balada da região — pediu ao motorista. — A melhor? — O homem deu um sorriso de quem entende do assunto. — Sim! A melhor! Elisa estava tão imersa na própria dor que não se deu conta de que eles haviam se afastado do centro da cidade e estavam entrando em um bairro periférico, muito diferente do bairro nobre onde ela morava. Quando o motorista estacionou em frente ao lugar, conteve a vontade de voltar para o carro e pedir para o homem levá-la novamente para casa. Via as notícias nos jornais e reconheceu a região. Aquele era um lugar perigoso, dominado pelo crime organizado, mas a fachada da balada era impressionante e a fez lembrar de um lugar onde foi com César em Nova York, quando viajaram em lua de mel. Apesar de não ter sido como ela esperava, César e ela se divertiram na viagem, mas essas lembranças a deixaram ainda mais triste. Decidida, pagou o motorista e finalmente entrou na Balada Guerra. Nome estranho para uma danceteria, mas não ligou. Por dentro, o lugar era tão elegante quanto a fachada. Envergonhada, Elisa caminhou até o bar e pediu um drinque qualquer do cardápio. Desde que tivesse álcool, ela aceitava qualquer coisa. Um homem se aproximou dela para tirar o casaco e simplesmente o levou embora. Mesmo assim, comparada às outras mulheres, Elisa estava muito vestida. Ela jamais seria tão ousada quanto elas, pensou. Estava no terceiro ou quarto drinque quando começou a balançar o corpo discretamente, tentando acompanhar o ritmo da música. Foi quando percebeu que estava sendo observada. Sob o efeito da coragem do álcool, começou a se soltar ainda mais na dança. Apesar de o lugar estar cheio, Elisa teve certeza de que alguns homens olhavam para ela descaradamente. Colocou a taça vazia sobre o balcão, sinalizando para o garçom lhe servir mais um drinque. O garçom, que já estava preparando outra taça todo sorridente, de repente interrompeu o movimento no ar e se afastou apressado. — Chega de drinques pra você! Primeiro, Elisa escutou a voz grossa e rouca em seu ouvido, um comando feroz e autoritário. Depois, sentiu a mão firme em sua cintura, agarrando-a com força. Tentou virar o corpo, mas se deparou com outro homem ao seu lado. Esse deslizou o polegar pela boca dela. Mas o que era aquilo? Tinha um homem a agarrando por trás, com as mãos cravadas em sua cintura, enquanto outro alisava sua boca? Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, sentiu o metal gelado por cima do tecido fino do vestido. — Venha conosco! — o terceiro homem rosnou do outro lado, e ela o sentiu esfregar o metal gelado ainda mais contra seu corpo. Isso é uma arma? O desespero finalmente a atingiu, e ela foi arrastada pelos três homens para uma sala reservada.Elisa estava sentada no sofá, enquanto os três irmãos permaneciam em pé, ansiosos, com as mãos enterradas nos bolsos das calças.Tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Elisa ficava impressionada quando olhava para os três tão juntos assim.— Então, o que você quer de nós, bichinho? — Ettore iniciou.— Quero... — Ela olhou para os próprios pés, criando coragem para dizer o que precisava. Quando levantou os olhos, Ettore estava com o maxilar tensionado e o olhar sombrio. — Os três.Os outros dois irmãos não olhavam para ela de maneira diferente. Todos os três estavam com aquele olhar carregado. Eram homens intimidantes.— Um de cada vez? — Ettore prosseguiu.— Sim.— E o seu marido? — Ethan perguntou, com os olhos azuis fixos nos dela.— Nosso casamento é... é de fachada. Ele não tem nenhum interesse em mim.— Mas ele tentou te forçar. — Ethan se aproximou dela, mas Elisa continuou sentada, olhando para o homem enorme que a interrogava com altivez.— Ethan... Aquilo foi... foi um m
Elisa deu um pulo da cama, sentindo-se animada como não se sentia havia muitos dias.Colocou um vestido discreto lilás por cima da lingerie rosa. O modelo era justo ao corpo, mas comprido e de mangas longas. Estava uma noite fria.Calçou botas que iam até os joelhos. Dessa vez, não se importou que o marido pudesse ouvi-la sair. Ela havia se transformado em um fantasma naquela casa. Uma mulher invisível para César. E ele deveria estar muito satisfeito consigo mesmo para se importar com o que ela fazia.Pegou o celular para enviar o endereço da nova casa, já que havia se mudado recentemente, mas, antes que pudesse apertar a tecla de enviar, uma mensagem brilhou na tela.[Estamos aqui fora!]Elisa foi até a janela e viu a caminhonete estacionada em frente à sua casa. Não entendia como eles conseguiam fazer aquilo, como conseguiam ter acesso a essas informações.Mas não ficou pensando muito nisso. Colocou uma jaqueta por cima do vestido e saiu de casa.Do lado de fora, estava chovendo uma
— Olha o que a sua amante nos causou!Elisa estava com muita raiva naquele momento, e César apenas esboçava uma expressão séria, indecifrável.— Olívia deve ter ficado com raiva porque eu disse que nunca mais falaria com ela novamente. Que você me fez prometer isso.— Você foi falar com aquela mulher para dizer que não iria mais falar com ela? — A voz de Elisa soou estridente, mais aguda que o normal.— Achei que devia explicar, assim ela entenderia por que eu não estava respondendo às suas mensagens ou atendendo às ligações.Elisa deu um sorriso amargo.— Você criou toda essa confusão de casamento aberto, César. Dê um jeito nisso.— O seu pai quer nos ver — ele avisou, seco. — Temos que voltar agora mesmo.Elisa e César deixaram a casa de praia pouco depois do telefonema. A seguradora havia enviado outro carro para eles, já que o carro de César não tinha conserto.Elisa assumiu o volante, porque César não podia dirigir por causa do braço machucado.Não pararam em casa, foram direto p
Elisa retornou para a casa de praia sozinha, em um táxi. Foi necessária muita discussão para os irmãos aceitarem não levá-la, mas a vida já estava complicada demais e ela não podia correr o risco de ser descoberta pelo marido.César não era um bom marido, não era mesmo. Mas, se descobrisse que ela o traiu, ela nem podia imaginar o que aconteceria.Sabia que ninguém iria se importar quando ela dissesse que ele levou uma mulher para dentro da casa dela e que a traiu diante dos seus olhos. Ela teria a vida destruída, enquanto César sairia disso como vítima.A sociedade é assim. As mulheres que traem os maridos são tratadas como lixo, mas, se o homem trair, ele apenas teve um momento de fraqueza.Quando entrou em casa, estranhou o silêncio. Imaginou que César ainda não tinha retornado, mas levou um susto quando entrou no quarto.César estava bastante machucado, com uma faixa envolta da cabeça e o braço imobilizado.— O que aconteceu com você?— Foi um acidente de carro... Um motorista lou
Elisa se encolheu na cama e puxou o lençol para se cobrir. Depois de tudo, sentia vergonha. Os trigêmeos estavam olhando para ela, com uma expressão de preocupação e mais alguma coisa que ela não conseguiu nomear.— Está arrependida? — Ethan quebrou o silêncio.— Não — respondeu depressa. — Eu quero sair daqui. Não quero estar aqui quando César retornar.Os trigêmeos levaram Elisa para o apartamento deles. Ela estava exausta e não quis conversar sobre o que aconteceu. Eles entenderam que ela estava sobrecarregada e, por isso, a deixaram dormir.Elisa acordou tarde. O corpo estava dolorido, mas profundamente relaxado. Então, o orgasmo era isso, pensou consigo mesma. O orgasmo era perder o controle do próprio corpo.Estava com vergonha de Ettore, Ethan e Estefan. Desejou os três homens, desejou com tanta loucura que demonstrou isso abertamente.Nunca nenhum deles exigiu que ela escolhesse apenas um, mas Elisa não sabia o que diria se eles lhe pedissem isso.Demorou para sair do quarto e
A chegada dos trigêmeos não foi silenciosa, discreta ou cautelosa. Foi como um furacão que invade sem pedir permissão, porque sabe que não existe porta diante deles que eles não sejam capazes de abrir... Ou melhor, arrombar. Ethan foi o primeiro a se aproximar, dos três, era o que demorava uns segundos a mais para explodir. — O que aconteceu aqui? — perguntou, baixinho. Elisa não conseguiu responder, apenas se jogou nos braços de Ethan e começou a chorar compulsivamente, o corpo inteiro tremendo no colo dele. Ela estava mais calma quando Estefan também se aproximou da cama. — O que aquele bastardo fez com você? Ele te forçou, Elisa? Ele te fodeu contra a sua vontade? — Eu... ele... — Responde o que Estefan perguntou, porra! — Ettore gritou da porta, furioso. — Sim ou não? — Não. Elisa respondeu isso primeiro porque sabia que dizer que sim colocaria um alvo nas costas de César, e muito provavelmente ela não poderia impedir os irmãos de cometer um crime. — Não foi assim... Eu d







