LOGINEu já nem sabia mais o que queria. Primeiro, desejei que ela assumisse a culpa e aceitasse a prisão. Porém, nos últimos tempos, aquilo já não me parecia uma opção. A prisão não faria mal a ela, não lhe daria uma lição e não a obrigaria a se arrepender.Mas continuar sendo seu carcereiro também já não parecia certo. Porque, assim como todas as pessoas que viram alguma coisa e depois desviaram o olhar, eu também começava a ter dúvidas... dúvidas que, até então, nunca existiram.Eu não sabia se realmente acreditava que havia uma mínima possibilidade de Paige não ser culpada ou se tentava enganar a mim mesmo. Porque, no fundo, desejava ardentemente que ela não estivesse envolvida em nada daquilo, apesar de todos os indícios de que eu não estava enganado.Paige n&atil
POV AlessandroEu já não sabia mais o que pensar, como agir ou o que sentir. Minha cabeça estava dando um nó.De forma quase insana, comecei a arremessar tudo o que havia naquele escritório contra as paredes, destruindo cada objeto que passava diante dos meus olhos. Mas nada acalmava meu corpo. Tampouco meu coração ou minha alma.Depois de observar em silêncio o caos que eu tinha criado, fui até o cofre e retirei os documentos. A pasta preta carregava o nome de Paige Bellini.Na época em que tudo aconteceu, eu não tinha dinheiro nem poder para investigar. Era apenas um homem pobre, destruído pela morte do irmão, tentando entender porque o processo não avançava e porque Rafael Bellini oferecia dinheiro para que minha mãe desistisse de buscar justiça.As poucas informações que consegui chegaram tarde demais
— Talvez... só esteja preocupado com o colesterol — respondi, tentando não criar falsas esperanças.— O senhor Alessandro não se preocupa com nada que não considere importante — ela afirmou. — Se mudou toda a alimentação depois de conversar com a senhorita, existe um motivo.— Um motivo muito específico — sussurrei para mim mesma.As cozinheiras me observavam, esperando por uma explicação que eu jamais daria. Elas não precisavam saber que Alessandro estava comendo abacaxi para tentar transformar o gosto do próprio esperma em calda de sorvete.Aquela informação poderia causar uma demissão coletiva.— Está vendo? — perguntou uma das mulheres. — Ele ouve a senhorita.— Só quando falo sobre coisas realmente relevantes — suspirei.— E fez o que a
Madame Samovar segurou meu rosto entre as mãos e o virou levemente para um lado e depois para o outro, como se analisasse uma peça muito rara.— Talvez o senhor Alessandro tenha imaginado que a senhorita ficaria mais bonita com os cabelos curtos.Afastei as mãos dela e expliquei, já sem lágrimas:— Ele cortou enquanto eu dormia. Não pediu minha permissão. Também não permitiu que eu fizesse um teste computadorizado para descobrir se realmente ficaria bom.— Ele fez isso porque sabia que a senhorita não permitiria se estivesse acordada — explicou uma das cozinheiras.— Mas talvez tenha agido com uma boa intenção — Madame Samovar manifestou-se em defesa da Fera.— Alessandro não tem boas intenções. Ele tem dinheiro, traumas e uma quantidade assustadora de ternos pretos. Boas intenções n
Eu o empurrei e saí correndo. No corredor, dei apenas três passos antes que minhas pernas perdessem as forças. Encostei-me na parede e levei a mão à boca, tentando não gritar.A ameaça, o relatório, a polícia e todos os crimes que inventei permaneceram dentro do escritório. Do lado de fora, restava apenas eu, tentando desesperadamente não perder também a última parte de mim que Alessandro ainda não tinha conseguido arrancar.Não sei se foi coincidência ou se o meu bule mágico, Madame Samovar, estava ali o tempo todo, preparada para me amparar caso eu desabasse.E foi exatamente o que fiz. Desabei nos braços dela.Madame Samovar não disse nada. Apenas permitiu que eu a abraçasse e chorasse até acreditar que já não restava nenhuma lágrima dentro de mim. Em seguida, passou um braço ao red
enti minhas mãos tremerem e preferi pensar que era por causa do frio.Alessandro apoiou uma das mãos no espelho, ao lado da minha cabeça.— Continue falando, Paige.— Continuarei. Pretendo denunciar você à polícia, às organizações de direitos humanos, à vigilância sanitária, a alguma associação internacional de proteção aos idosos e, talvez, à sociedade protetora dos animais.Alessandro levou a mão até uma das pontas irregulares do meu cabelo. Assim que seus dedos tocaram o fio, afastei o rosto:— Não toque em mim.Olhei para o chão porque já não conseguia sustentar aquela máscara. As lágrimas voltaram a se acumular em meus olhos, e pisquei várias vezes, tentando fazê-las desaparecer.— Você já fez o bastante &mdash







