登入O silêncio que se abateu sobre o armazém industrial após o estampido do tiro era denso e sufocante, cortado apenas pelo som da respiração trémula e ofegante de Matteo Moretti. O meu ex-noivo estava de joelhos sobre o cimento frio, segurando a mão ensanguentada onde o projétil de Arthur destruíra os seus planos de fuga e a sua arma.Enquanto a equipa tática de Ramos algemava os dois capangas restantes e os empurrava para fora do galpão, a atmosfera no interior do espaço transformou-se num território de pura dominação.Apoiei Beatriz, que ainda tremia levemente pelo trauma do cativeiro, enquanto Sofia a abraçava com força, ambas recostadas contra uma estrutura metálica segura. A minha melhor amiga olhou para mim com os olhos marejados de lágrimas, mas carregados de uma gratidão infinita.— Perdoa-me, Clara... por tudo o que aconteceu... — sussurrou Beatriz com a voz embargada.— Está tudo bem, minha amiga. O pesadelo acabou. Tu estás em casa — respondi, acariciando os cabelos dela antes
O som estrondoso da porta metálica do galpão a desabar sob a carga explosiva da nossa equipe tática ecoou como um trovão pelas docas desertas do porto de Santos. O impacto fez o chão vibrar sob os nossos pés, mas o meu coração nem sequer vacilou. Ao lado de Arthur, cujos olhos cinzentos faiscavam com uma fúria fria e mortal, avancei para o interior daquela armadilha de ferro e poeira.O espaço era imenso, mal iluminado por lâmpadas industriais penduradas por fios precários que oscilavam com a corrente de ar frio vinda do mar. No centro daquele cenário decadente, cercado por dezenas de caixotes e dois capangas armados até aos dentes, estava Matteo Moretti.O meu ex-noivo vestia um terno claro que agora exibia vincos de suor e desespero, mas o sorriso sádico e distorcido que ele trazia nos lábios continuava o mesmo de anos atrás. Amarradas a cadeiras metálicas debaixo de um foco de luz crua estavam Beatriz e a sua namorada, Sofia. Ambas tinham marcas evidentes de exaustão e lágrimas sec
O comboio de três SUVs pretas com vidros fumês e blindagem pesada cortava a Rodovia Anchieta em altíssima velocidade em direção ao porto privado de Santos. Dentro do veículo principal, o ar-condicionado estava gélido, mas a atmosfera interna era de uma tensão suffocante e incandescente. O trajeto até o litoral paulista parecia uma corrida contra o tempo, onde cada minuto contado poderia significar a diferença entre a vida e a morte para a minha melhor amiga.Arthur mantinha o seu braço forte, firme e possessivo ao redor dos meus ombros, colando o meu corpo ao dele com aquela necessidade visceral de me proteger que sempre o caracterizou. Com a outra mão, ele segurava um tablet tático de alta precisão que exibia a planta tridimensional do complexo de galpões abandonados da zona portuária. Os seus olhos cinzentos, duros como diamante, varriam a tela com a frieza cirúrgica de um homem preparado para a guerra.— Ramos, qual é a posição exata da equipe de cerco? — a voz grave de Arthur ress
O clima dentro da suíte presidencial era de pura eletricidade. O nome de Matteo Moretti e as acusações de fraude pairavam sobre nós como uma ameaça iminente, mas a fúria e o ciúme possessivo de Arthur mantinham a sala sob uma tensão sufocante.Enquanto o meu marido caminhava de um lado para o outro diante da parede de vidro, articulando com a equipe de segurança a retaliação contra o meu ex-noivo, o meu celular pessoal — cujo número apenas três pessoas no mundo conheciam — começou a vibrar silenciosamente sobre a mesa.Coloquei a mão sobre a tela. O número era desconhecido, encriptado através de uma linha de emergência de Cingapura.— Arthur... — chamei, a minha voz saindo num tom baixo e alerta.O CEO parou imediatamente os seus passos. Os seus olhos cinzentos e atentos fixaram-se em mim no mesmo segundo em que deslizei o dedo para atender, colocando a chamada no viva-voz.— Clara... por favor... não desliga... — a voz do outro lado veio num sussurro entrecortado, abafado por acessos
A calmaria em que vivíamos era apenas a calmaria que antecede uma tempestade perfeita.Estávamos no nosso escritório privativo na cobertura dos Jardins. As luzes da cidade de São Paulo cintilavam através da imensa parede de vidro. Eu estava sentada na ponta da mesa de jacarandá, analisando os relatórios de expansão para a Europa, quando senti a aproximação de Arthur.Ele não usava paletó, apenas a camisa social preta com as mangas dobradas até os cotovelos. O seu caminhar era o de um predador vigilante. As suas mãos grandes e quentes pousaram nos meus ombros, e os seus lábios tocaram a curva do meu pescoço, arrancando-me um suspiro involuntário.— Você trabalha demais, minha rainha — murmurou a sua voz grave e aveludada, roçando a minha pele e enviando uma onda de calor diretamente para a minha espinha.— Alguém precisa garantir que o nosso império continue a crescer para o Thomas, Sr. Vance — respondi, inclinando a cabeça para trás para encarar os seus olhos cinzentos e profundos.Ar
Dois anos depois.A brisa suave que vinha do mar de Angra dos Reis agitava as cortinas de linho branco do nosso refúgio particular. Da varanda privativa da suíte master da mansão, a vista panorâmica para as águas cristalinas do litoral fluminense parecia uma pintura emoldurada pelo luxo e pela absoluta privacidade.No entanto, a verdadeira obra-prima da minha vida estava no centro daquele ambiente de paz.Sentado no carpete de algodão egípcio do quarto, o pequeno Thomas, agora com dois anos de idade, brincava com uma miniatura de jato executivo. Ele trazia a mesma penugem escura de cabelos do pai e os mesmos olhos cinzentos e marcantes que, desde o primeiro segundo, denunciavam quem era o legítimo herdeiro do Grupo Vance.— Thomas, devagar com esse avião, meu amor — disse, ajeitando a fenda do meu vestido leve de seda amarela e sorrindo ao ver a determinação séria no rostinho do meu filho.— Vruum, mamãe! — respondeu ele com uma risadinha gostosa, erguendo o brinquedo no ar com o mesm







