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Capítulo 4

Penulis: Triplo
— Aquelas fotos e aquelas conversas, quem mais teria acesso a tudo isso além de você?

Ele segurou meu pulso:

— Mariana, se acalme!

— Como quer que eu me acalme?

Gritei:

— Se alguma coisa acontecer com o meu pai, eu mato você!

A porta do quarto se abriu.

O médico saiu e retirou a máscara.

— Sinto muito. Fizemos tudo o que podíamos.

Naquele instante, meu mundo desabou.

O funeral aconteceu três dias depois.

Minha mãe não me deixou entrar.

— Vá embora. — Disse ela do outro lado da porta. — Seu pai não queria ver você.

Fiquei ajoelhada diante da porta desde a manhã até o anoitecer.

À tarde, Rafael e Camila chegaram.

Eles deixaram uma coroa de flores e prestaram suas homenagens.

Na faixa da coroa estava escrito: "Em memória do Sr. Paulo. Com pesar, Rafael Azevedo e Camila Nogueira."

Ao me ver, Camila falou suavemente:

— Meus sentimentos.

Olhei para Rafael como se quisesse matá-lo.

O rosto dele estava pálido.

Camila puxou sua manga:

— Vamos embora.

Os dois se viraram e partiram.

Minha mãe finalmente abriu a porta.

Ela me encarou com os olhos cheios de ódio.

— Está satisfeita agora? Seu pai morreu. Era isso que você queria?

Avancei de joelhos e abracei suas pernas.

— Mãe...

— Não toque em mim!

Ela me empurrou:

— Eu não tenho uma filha como você!

Caí de bruços no chão, com a testa encostada nos azulejos gelados.

No sétimo dia após a morte do meu pai, recebi uma ligação da empresa.

— Mariana Duarte, você está demitida.

A pessoa do departamento de RH falou com frieza:

— O motivo é uma grave violação da ética profissional. Durante o Projeto Valdora, você manteve relações impróprias com vários colegas de trabalho.

Corri para a empresa e invadi o departamento de RH.

— Onde estão as provas?

O supervisor jogou uma pilha de fotos na minha frente.

Eram fotos minhas trabalhando com colegas no canteiro de obras, mas alguém havia acrescentado legendas obscenas.

— Isso é difamação!

— Onde há fumaça, há fogo.

O supervisor me encarou:

— A empresa não pode tolerar uma funcionária como você.

Fui procurar Rafael.

A secretária dele me impediu de entrar:

— O Sr. Rafael está em uma reunião.

Esperei até anoitecer.

Quando ele finalmente saiu da sala de reuniões e me viu, hesitou por um instante.

— Eu sei o que você vai dizer.

Ele continuou:

— Foi uma decisão da empresa. Não posso fazer nada.

— Rafael, você armou tudo isso contra mim.

— Não fui eu.

Ele franziu a testa:

— Camila disse...

— E você acredita em tudo o que Camila diz?

Avancei em sua direção:

— Ela matou o meu pai e agora quer acabar comigo. Você ainda vai ajudar ela?

Ele recuou um passo:

— Mariana, se acalme.

— Estou muito calma.

Olhei para ele:

— Só quero saber uma coisa: você consegue dormir tranquilo à noite?

Ele não respondeu.

Virei-me e fui embora.

Quando desci, fui cercada por sete ou oito pessoas segurando cartazes.

— Destruidora de lares!

— Vagabunda!

— Vá embora desta cidade!

Alguém jogou alguma coisa em mim.

Era tinta vermelha.

Ela escorreu da minha cabeça até os pés.

Fiquei parada, com todo o corpo pingando vermelho.

O carro de Rafael saiu do estacionamento subterrâneo e parou junto à calçada.

Ele desceu e mandou aquelas pessoas pararem.

Depois, olhou para mim e suspirou.

— Mariana, por que você não consegue agir com dignidade? Precisava mesmo deixar tudo chegar a esse ponto?

Passei a mão pelo rosto.

A tinta vermelha escorreu entre meus dedos.

— Dignidade?

Soltei uma risada:

— Como espera que eu mantenha alguma dignidade depois de tudo isso?

Ele não respondeu.

Entrou no carro e foi embora.

Voltei ao apartamento que havia alugado e descobri que a fechadura tinha sido trocada.

Minha bagagem estava jogada do lado de fora.

O proprietário colocou a cabeça para fora da porta:

— Já arrumei todas as suas coisas. Vá embora logo.

— Por quê?

— Recebi reclamações dizendo que você não tem moral e está prejudicando a imagem do condomínio.

Ele fez um gesto impaciente:

— Não vou mais alugar o apartamento para você.

Agachei-me ao lado da mala.

Era a mesma mala que eu levara para Valdora cinco anos antes e que agora trouxera de volta.

Nada havia mudado.

Tudo havia mudado.

Passei a noite inteira sentada em uma loja de conveniência.

A cidade despertou sob a luz da manhã.

Era linda.

Mas eu já não queria permanecer ali nem por mais um instante.

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