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Capítulo 3

Penulis: Triplo
Eu segurava uma taça de champanhe.

— Parabéns.

— Obrigada.

Ela acariciou a barriga.

— Consultei uma pessoa, e ela disse que é menina. Rafael ficou radiante. Disse que a filha tem que puxar à mãe.

Camila olhou para mim e, de repente, abaixou a voz:

— Quer saber? Rafael disse que, se não tivesse mandado você embora naquela época, teria levado muito tempo para se decidir.

— O que você quer dizer?

— Quero dizer... — Ela abriu um sorriso doce. — Obrigada por ter aberto o caminho para nós. Sem o seu sacrifício, não teríamos a vida que temos hoje.

Minha mão começou a tremer.

Algumas gotas de champanhe transbordaram da taça e caíram sobre o meu vestido.

— Camila... — Encarei-a nos olhos. — Você sabia que, enquanto você estava grávida do primeiro filho, eu trabalhava em um canteiro de obras em Valdora? Minha febre chegou a quarenta graus, e eu quase morri.

Ela piscou:

— E daí?

— Liguei dezessete vezes para Rafael, mas ele não atendeu.

— Era o nosso aniversário.

Ela sorriu:

— Ele estava comigo, escolhendo o meu vestido de noiva.

Respirei fundo.

Camila acrescentou:

— Um modelo de edição limitada da Vera Wang, com pérolas bordadas na cintura.

Eu experimentara aquele mesmo vestido cinco anos antes.

Na época, Rafael dissera:

— Quando nós nos casarmos, vou comprar este vestido.

Então, o “nós” nunca se referira a mim e a ele.

Coloquei a taça sobre a mesa e me virei para ir embora.

Não sabia havia quanto tempo Rafael estava parado atrás de mim.

Ele me observou com um olhar indecifrável:

— Mariana...

— Não diga meu nome.

Olhei para ele:

— Que nojo.

Saí do salão de festas.

Chovia lá fora.

Parei sob a marquise e observei a cortina de chuva transformar a cidade em um borrão.

Ouvi passos atrás de mim.

Rafael havia vindo atrás de mim.

Ele estendeu o guarda-chuva que segurava:

— Fique com ele. Você pode pegar um resfriado.

— Isso não é problema seu.

Ele permaneceu em silêncio por alguns instantes:

— Eu sei que você me odeia.

— Eu não odeio você.

Olhei para ele:

— Só acho que desperdicei cinco anos da minha vida com um canalha.

— Aqueles cinco anos...

— Aqueles cinco anos... — Eu o interrompi. — Trabalhei dezesseis horas por dia no sertão árido de Valdora. Fiquei três meses sem menstruar e perdi tufos de cabelo. Aguentei tudo porque acreditava que, quando voltasse, nós nos casaríamos.

O rosto dele perdeu a cor.

— Enquanto você... — Soltei uma risada amarga. — Passou aqueles cinco anos se casando e tendo um filho. Agora já está esperando o segundo.

— Me desculpe.

— E para que serve o seu pedido de desculpas?

Encarei-o:

— Rafael, eu nem consigo odiar você. Você me faz sentir como se eu fosse uma piada.

A chuva ficou ainda mais forte.

Ele abriu o guarda-chuva e tentou incliná-lo sobre mim.

Afastei sua mão e caminhei para a chuva.

A água estava gelada e logo encharcou todo o meu corpo.

Uma semana depois, recebi uma ligação da minha mãe.

Ela chorava do outro lado da linha:

— Mariana, seu pai foi internado!

Corri para casa.

Meu pai, que já sofria de uma doença cardíaca, estava deitado em uma cama de hospital, com o rosto pálido e acinzentado.

Minha mãe segurou minha mão:

— Alguém mandou uma carta para o seu pai dizendo que você... você era amante de um homem casado e destruiu a família dele.

— Isso não é verdade!

— Mandaram até fotos!

Minha mãe enxugou as lágrimas.

— Também havia cópias das suas conversas com Rafael e depoimentos de pessoas da sua empresa.

Arranquei o envelope das mãos dela.

As fotos eram montagens, e as conversas tinham sido forjadas.

Mas tudo parecia extremamente convincente.

— Pai, deixe eu explicar...

Meu pai abriu os olhos e me observou por um longo tempo.

— Eu acredito em você.

Então, ele fechou os olhos.

O monitor cardíaco disparou um alarme estridente.

Os médicos correram para socorrê-lo.

Fui retirada do quarto.

Do lado de fora, Rafael estava parado com uma cesta de frutas nas mãos.

— Vim visitar o Sr. Paulo.

Uma enfermeira passou por nós e comentou em voz baixa:

— O Sr. Rafael é mesmo uma boa pessoa. Veio até visitar o pai da ex-namorada.

Olhei para ele e, de repente, avancei e lhe dei um tapa com toda a força.

A cesta caiu no chão, espalhando frutas por toda parte.

— Foi você!

— Eu não sei...

— Não sabe?

Agarrei ele pelo colarinho.

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