LOGINO hospital parecia pertencer a outro mundo. Depois de tantos dias na ilha, Laura quase se sentia perdida em meio às paredes brancas, às luzes fortes e ao movimento constante de médicos e enfermeiros. Assim que chegaram, Miguel foi encaminhado para a emergência. — Vamos levá-lo para fazer alguns exames — explicou uma enfermeira. Laura tentou acompanhá-lo. — Posso ir com ele? — Por enquanto, você precisa aguardar aqui. Assim que terminarmos, alguém virá falar com você. Laura assentiu, embora não gostasse da ideia de ficar longe dele. A maca desapareceu pelo corredor. E, pela primeira vez desde o resgate, Laura ficou sozinha. Sentou-se em uma das cadeiras da sala de espera e olhou para as próprias mãos. Ainda havia sujeira sob suas unhas. O cabelo estava embaraçado. As roupas estavam sujas e amassadas depois de tantos dias na ilha. Ela ainda não conseguia acreditar que tudo aquilo havia realmente acontecido. Pouco depois, uma mulher se aproximou. — Laura
Laura ainda estava ajoelhada ao lado de Miguel quando ouviu um som distante vindo do mar. Ela ergueu a cabeça. Por alguns segundos, ficou em silêncio, tentando entender o que estava ouvindo. Então o som ficou mais claro. Um motor. Laura se levantou depressa e saiu do abrigo. Correu até a praia e olhou para o horizonte. Lá estava. um barco Era pequeno e distante, mas não havia dúvida. Estava se aproximando lentamente da ilha. — Meu Deus... Laura começou a acenar com os dois braços. — AQUI! AQUI! O barco continuou avançando. — Eles viram a gente... Laura sentiu os olhos se encherem de lágrimas. O pequeno barco começou a se aproximar da ilha, enquanto ela continuava acenando. Quando finalmente chegou perto da margem, dois homens desembarcaram. — Você esta sozinha aqui? — um deles perguntou. — Não! Somos nós! — Laura respondeu, quase sem conseguir conter a emoção. — Nós vimos o sinalizador e depois a fumaça. Estávamos tentando descobrir se havia
Laura permaneceu ao lado de Miguel. Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio, olhando para o céu. A luz vermelha subia lentamente, deixando um rastro luminoso antes de começar a desaparecer entre as nuvens. — Agora eles vão nos encontrar — Laura disse, mais para convencer a si mesma do que a Miguel. Ela continuou olhando para o alto até que o sinalizador se tornasse apenas um pequeno ponto de luz. Então se levantou de repente. — A fogueira! Laura saiu correndo até o local onde haviam deixado a madeira empilhada. Sem perder tempo, começou a colocar todos os galhos secos que ainda tinham dentro das brasas. — Vamos... queima! — murmurou Laura, abanando o fogo com uma camiseta para alimentar as chamas. Aos poucos, as brasas ganharam força, e o fogo voltou a se espalhar, iluminando o pequeno abrigo. Pegou mais lenha e colocou sobre o fogo. Depois outra. E outra. As chamas começaram a crescer, alimentadas pela madeira seca, e uma coluna de fumaça subiu pelo ar. —
Laura acordou no meio da madrugada com o som de Miguel se mexendo inquieto ao seu lado. — Miguel? Ele não respondeu. Ela se virou e percebeu que ele estava tremendo debaixo da coberta. — Miguel, você está bem? Ele abriu os olhos com dificuldade. — Estou com... muito frio. Laura se aproximou e colocou a mão em sua testa. Assustou-se. Ele estava ardendo em febre. — Você está queimando! Miguel tentou se sentar, mas imediatamente levou a mão à cabeça. — Espera... — O que foi? — Minha cabeça está doendo. Laura o ajudou a se encostar. Ele respirava mais rápido que o normal e parecia confuso, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos. — Está com tontura? Miguel fechou os olhos. — Um pouco. Laura trouxe água. — Bebe devagar. Ele tentou tomar alguns goles, mas fez uma expressão de enjoo e afastou o recipiente. — Não consigo. — Está enjoado? Ele assentiu. Laura voltou a olhar para a picada. A lesão parecia ter piorado. A
O dia amanheceu tranquilo. A luz do sol atravessava as frestas entre as folhas, iluminando aos poucos o interior do abrigo. Laura foi a primeira a acordar. Enquanto preparava as frutas e castanhas que tinham para o café da manhã, observou Miguel ainda deitado, aproveitando os últimos minutos de sono. Quando ele finalmente abriu os olhos, ela sorriu. — Bom dia. — Bom dia — ele respondeu, ainda sonolento. Os dois comeram juntos antes de começar mais um dia na ilha. Miguel se levantou e começou a vestir a camiseta que havia deixado dobrada ao lado do colchão improvisado. No instante em que passou a mão pela lateral do quadril para ajeitar a roupa, sentiu uma picada forte. — Ai! Ele parou por um segundo. — O que foi? — Laura perguntou. Miguel levou a mão ao local. — Alguma coisa me picou. — O quê? — Não sei. Deve ter sido algum inseto que estava na roupa. Ele sacudiu a camiseta, olhou rapidamente para o tecido e depois para o chão. Não encontrou nada. — E
Quando chegaram ao abrigo, o céu já começava a escurecer. As primeiras estrelas surgiam entre as nuvens, e a fogueira mantinha o lugar aquecido, lançando sombras dançantes. Miguel colocou o peixe próximo ao fogo para terminar de assar e, enquanto organizava algumas frutas que haviam guardado, seus olhos encontraram as duas garrafas de vinho. Ele ficou alguns segundos olhando para elas. Então sorriu. — Laura... Ela levantou os olhos. — O que foi? Miguel pegou uma das garrafas. — Vamos fazer algo diferente esta noite. Laura franziu a testa, curiosa. — Diferente como? — Nosso dia foi bom. Conseguimos pescar, encontramos vinho, o sinalizador, temos comida e até conseguimos manter a fogueira acesa. Acho que tivemos sorte hoje. Ele olhou para o vestido que ela havia encontrado na mala. — Então pensei que poderíamos comemorar. Laura sorriu. — Comemorar como? Miguel apontou para o vestido. — Você gostou dele, não gostou? Ela assentiu. — Muito. — Então v







