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Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.
Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.
Author: CaHostins

1-Entre panelas e sonhos

Author: CaHostins
last update publish date: 2026-07-22 22:34:54

Laura tinha vinte e cinco anos e carregava nos olhos a determinação de quem aprendera cedo que os sonhos exigem muito mais do que talento.

Media um metro e sessenta e cinco de altura. Os cabelos castanho-claros, naturalmente ondulados, quase sempre estavam presos em um coque apressado durante o expediente, embora algumas mechas insistissem em escapar e emoldurar seu rosto delicado.

Cuidava do corpo sem exageros, mantendo uma boa forma que era resultado da rotina intensa e das longas horas em pé na cozinha, mais do que de vaidade.

Desde menina, encontrava felicidade entre panelas, temperos e receitas escritas à mão.

Enquanto outras crianças brincavam no quintal, ela gostava de observar a mãe preparando o almoço da família, fascinada com a forma como ingredientes simples podiam transformar um dia comum em um momento especial.

Foi esse amor pela cozinha que a levou a cursar Gastronomia. Formou-se com excelentes notas e sonhava em construir um nome na profissão.

Seu maior desejo era abrir um restaurante onde cada prato contasse uma história e cada cliente saísse levando uma lembrança inesquecível.

_

O cheiro de alho dourando no azeite já fazia parte da vida de Laura antes mesmo do sol nascer.

Todos os dias eram assim: acordava cedo, prendia o cabelo em um coque apressado e saía quase sem tomar café. No caminho para o trabalho, observava as vitrines ainda fechadas e as ruas ganhando movimento aos poucos, como se o mundo tivesse tempo para despertar — menos ela.

Laura trabalhava em um restaurante no centro da cidade. Não era seu, mas, às vezes, parecia que era ela quem carregava tudo nas costas. Organizava pedidos, ajudava na cozinha, atendia clientes quando faltava gente, resolvia problemas que nem eram dela. Era eficiente, dedicada… e completamente exausta.

— Laura, precisamos de mais dois pratos na mesa cinco! — gritou o chef, sem nem olhar para trás.

— Já vai! — respondeu, limpando as mãos no avental e correndo de um lado para o outro.

Ela fazia tudo rápido, quase automático. Sabia o ponto da carne sem precisar provar, decorava pedidos inteiros sem anotar, sorria para clientes mesmo quando os pés doíam e a cabeça estava cheia.

Mas, por dentro, havia um silêncio.

Um espaço guardado só para um sonho.

Ter o próprio restaurante.

Não era qualquer restaurante. Laura imaginava um lugar aconchegante, com luz amarela suave, mesas de madeira e plantas espalhadas pelos cantos. Um lugar onde as pessoas não fossem só comer — fossem sentir. Onde cada prato tivesse história, carinho, intenção.

Ela já tinha até nome pensado… embora nunca tivesse contado isso para ninguém.

— Você vive no automático, sabia? — comentou Ana sua amiga que trabalha como garçonete, enquanto dividiam um rápido intervalo.

Laura deu um sorriso fraco.

— Acho que nem tenho tempo pra viver de outro jeito.

Ana a observou por um instante, como se quisesse dizer algo mais, mas desistiu.

E Laura sabia o porquê.

Sonhos custam caro.

E o dela parecia distante demais para quem mal tinha tempo de sentar e respirar.

Naquela noite, ao fechar o restaurante, Laura ficou alguns minutos sozinha na cozinha. O silêncio era raro ali. Passou a mão pela bancada de inox, observou o fogão, os utensílios... e imaginou.

Imaginou aquele lugar sendo dela.

Imaginou seu nome na porta.

Imaginou, pela primeira vez em muito tempo, como seria viver — e não apenas trabalhar.

Um sorriso discreto surgiu em seu rosto, mas desapareceu tão rápido quanto veio.

Seu pensamento voou para a mãe.

Já fazia dois anos desde que o câncer a levara, e havia dias em que a saudade parecia diminuir. Mas, em noites como aquela, ela voltava com toda a força, como se o tempo não tivesse passado.

Sua mãe era a primeira pessoa para quem ela corria quando tinha um sonho, um medo ou uma conquista. Era quem sempre dizia que suas mãos tinham um dom e que, um dia, ela teria um restaurante só seu.

Laura suspirou.

Como teria sido mais fácil se ela ainda estivesse ali.

Talvez encontrasse um abraço depois de um dia difícil, uma palavra de incentivo quando o cansaço pesasse ou simplesmente alguém para dizer: "Você consegue, filha."

Às vezes, o que mais doía não era a ausência em si, mas perceber que, quando finalmente realizasse aquele sonho, a pessoa que mais acreditou nela não estaria na primeira mesa para aplaudi-la.

Ela enxugou discretamente uma lágrima que insistiu em escapar.

Respirou fundo, apagou as luzes e fechou a porta.

Porque, na manhã seguinte, tudo começaria de novo.

E os sonhos... pelo menos por enquanto... ainda precisavam esperar.

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