Masuk~~ Jade ~~Os dias foram passando e Eleanor não voltou a aparecer na empresa, nem a procurar Giovanne. Apesar de manter sua pose habitual de durão, eu sabia que essa situação doía e que ele estava triste.Mas existia uma pessoa que sempre era capaz de arrancar sorrisos dele: a minha mãe.Era sexta-feira, nós havíamos acabado de pousar em Nova York junto a Edward e Valentina, e nos acomodamos na suíte do hotel em Midtown Manhattan. Sempre que a minha mãe ligava, fazia questão de falar com Giovanne também, e os dois já estavam de papo no viva-voz há pelo menos meia hora.— Sua mãe é uma figura — ele falou rindo, ao desligar o aparelho.— Ué, ela desligou sem nem se despedir de mim? — resmunguei de brincadeira, cruzando os braços.Giovanne soltou uma risada gostosa, puxando-me para o seu colo e cobrindo meu rosto de beijos estalados:— Sem ciúmes, tá?— Imagina, está tudo bem. Daqui a pouco ela começa a ligar só para você.Ele riu ainda me adulando, enquanto no fundo meu peito se aquecia
~~ Jade ~~Enquanto caminhávamos pelos corredores, notei que a notícia havia se espalhado com uma rapidez assustadora. Os funcionários cochichavam discretamente pelos cantos, e outros me cumprimentavam com reverência, como se eu carregasse a mesma autoridade gélida do próprio Giovanne.Assim que pisei no laboratório, senti o ambiente congelar. Alguns pesquisadores ficaram rígidos em suas bancadas, enquanto outros acenaram com respeito imediato. Ao contrário do que imaginei, ninguém ousou sequer soltar uma risadinha maliciosa. Já que eu estava ali, reuni a equipe e passei orientações pontuais sobre o que considerava relevante na pesquisa dos novos peptídeos, conduzindo um alinhamento breve e técnico.Já havia se passado um bom tempo desde que Giovanne havia ficado a sós com a família. O aperto no meu peito falou mais alto, e decidi procurá-lo para ver como ele estava. Valentina ficou cuidando das pendências no laboratório, e caminhei a passos calmos, sentindo os olhares curiosos ainda
~~ Giovanne ~~Esperei até que o último investidor cruzasse a soleira da sala de reuniões. O som das portas se fechando em um estalo seco pareceu cortar o oxigênio restante.Virei-me com calma para onde Jade ainda estava sentada. Ao lado dela, Edward e Valentina aguardavam com posturas tensas. Inclinei-me suavemente, tocando o ombro da minha noiva com o polegar, desenhando um carinho leve sobre o tecido do seu terninho para tranquilizá-la:— Jade, meu amor… vá para o laboratório com a Valentina — pedi em tom baixo. — Edward, acompanhe as duas, por favor. Eu preciso de cinco minutos a sós com a minha família.Ela ergueu a mão, apertando os meus dedos com firmeza, me dando em silêncio a força que eu precisava antes de se levantar. Edward assentiu com um olhar cúmplice e conduziu as duas para fora.Ficamos apenas nós quatro. O silêncio que se instalou era pesado, quase asfixiante.— Que humilhação deplorável foi essa diante do conselho, Giovanne?! — Eleanor explodiu de imediato, quebrand
~~ Jade ~~O reflexo no espelho do closet da cobertura mostrava uma mulher completamente diferente daquela que havia desabado em prantos na noite anterior.Eu vestia um terninho de alfaiataria rosê com corte impecável, blusa de seda marfim e saltos finos. Meus cabelos estavam presos em um coque elegante e firme, sem um único fio fora do lugar. A maquiagem cobria qualquer vestígio de olheiras, destacando apenas um olhar decidido que eu mesma desconhecia.Olhei para o meu dedo anelar direito, suspirando ao observar a aliança de ouro que brilhava sob a iluminação do teto.— Você está deslumbrante, meu amor — a voz grave de Giovanne ecoou atrás de mim.Virei-me e o encontrei terminando de abotoar o paletó grafite. Ele parecia ter recuperado toda a sua aura de CEO intocável, o mesmo homem imponente que me fazia estremecer no início. Giovanne caminhou até mim, segurou minha cintura e levou a minha mão direita aos lábios, beijando exatamente sobre a aliança.— Nervosa? — ele sussurrou contra
~~ Jade ~~Giovanne abaixou a cabeça, nitidamente constrangido com a minha pergunta, o que para mim já serviu como confirmação.— Isso não é verdade, é? Você se aproximou de mim pela fórmula? Porque eu ameacei ir embora?— Claro que não é verdade! Eu me apaixonei, rescindi o nosso contrato para te provar isso, deixei você escolher se queria ir ou ficar…Mantive os olhos fixos nos dele, buscando qualquer sinal de inverdade, qualquer vacilo, mas não havia, ou ele era um ator de primeira.— Mas eu falei, sim. No dia em que ela nos flagrou no laboratório eu falei, mas não por mim, e sim por você! Porque você me pediu para não deixar que os outros soubessem e…— Mudei de ideia — falei de forma firme, erguendo-me do chão.Giovanne também se levantou, ficando de pé na minha frente, aguardando que eu concluísse minha fala.— Vamos assumir o que temos e você vai falar para aquela asquerosa da sua mãe toda a verdade! — me emocionei, minhas lágrimas, que já haviam cessado, ameaçando voltar.— Eu
~~ Jade ~~O trajeto de volta foi um borrão de luzes distorcidas pelas lágrimas que eu já não tentava conter. Quando a porta da cobertura se abriu, o ar familiar daquele lugar não me trouxe conforto algum, parecia impregnado pelo cheiro da traição e de cada promessa falsa que ecoava pelas paredes.Arranquei o casaco pesado, jogando-o sobre o encosto do sofá, e marchei em passos duros direto para o closet. Valentina vinha logo atrás, fechando a porta com um estrondo.— Jade, amiga, respira um segundo… — a voz dela soava entrecortada, oscilando entre o choque e a fúria.— Eu não consigo respirar… Eu não posso! Preciso sumir daqui, Val! — Minha voz falhou, rasgada por um soluço seco enquanto eu puxava duas malas grandes de dentro do closet e as jogava abertas sobre a cama.Comecei a abrir as gavetas com violência, arrancando cabides, blusas e calças sem a menor ordem, atirando tudo para dentro das bolsas. Minhas mãos tremiam tanto que os zíperes emperravam, alimentando ainda mais o deses







