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Capítulo 2: A Jaula Dourada

Autor: ARYO
last update Data de publicação: 2026-06-24 02:11:43

Valeria deu um passo atrás, afastando-se dele o máximo que o vasto espaço do penthouse permitia. Suas costas colidiram contra o encosto de um elegante sofá de couro negro, frio e imponente. O coração batia tão forte dentro do peito que ela temia que Alejandro pudesse ouvir cada batida desesperada, como um tambor anunciando sua rendição.

— Eu não vou ficar aqui — declarou ela, com a voz trêmula, mas tentando soar firme. — Você não pode me reter contra a minha vontade. Existem leis neste país.

Alejandro soltou uma risada baixa e perigosa enquanto, com movimentos deliberadamente lentos, tirava os abotoaduras de ouro da camisa. Cada gesto dele transbordava poder absoluto e um controle quase sobrenatural, como se estivessem discutindo algo tão trivial quanto o tempo lá fora.

— Leis… — repetiu ele, saboreando a palavra com desdém. — As leis são escritas para as pessoas comuns, Valeria. Não para homens como eu.

Ele se aproximou novamente, encurtando a distância que ela havia tentado criar. Sua altura era intimidadora, sua presença preenchia todo o ambiente, sugando o ar ao redor. Valeria sentia o calor que irradiava dele mesmo a metros de distância.

— Você mudou — observou Alejandro, percorrendo o corpo dela com um olhar lento e possessivo, como se a estivesse avaliando. — Está mais magra. Tem olheiras profundas. Diga-me… exatamente quanto tempo você passou fugindo de mim?

Valeria ergueu o queixo, tentando manter um resquício de dignidade, embora suas pernas tremessem.

— Cinco anos, dois meses e dezessete dias. E eu não estava fugindo de você. Estava fugindo do que você representa.

Alejandro arqueou uma sobrancelha escura, claramente intrigado. Seus olhos negros brilhavam com uma mistura de curiosidade e fome.

— E o que exatamente eu represento para você, querida?

— Controle. Obsessão. Uma jaula dourada disfarçada de amor.

O silêncio que se seguiu foi tão denso e carregado que Valeria conseguia sentir a tensão elétrica no ar. Alejandro a observava como um lobo faminto estuda sua presa — analisando cada microexpressão, cada respiração irregular, cada tremor sutil.

De repente, ele deu meia-volta e caminhou até uma mesa de mogno próxima. Serviu dois copos generosos de whisky âmbar e estendeu um para ela. Valeria balançou a cabeça, recusando.

— Beba — ordenou ele, com aquela voz grave que não admitia desobediência. — Vai ajudar a acalmar seus nervos.

— Eu não quero nada que venha de você.

Alejandro suspirou, quase com paciência, deixou o copo de lado e sentou-se no sofá à frente dela, cruzando uma perna com elegância aristocrática.

— Vamos estabelecer algumas regras básicas a partir de agora, para que não haja mal-entendidos entre nós.

Valeria sentiu um calafrio percorrer sua coluna vertebral.

— Regra número um — continuou ele, com tom frio e autoritário. — Você não tentará escapar. Cada vez que tentar, haverá consequências. E acredite em mim, Valeria, você não vai gostar delas.

— Regra número dois. Nunca vai mentir para mim. Se eu descobrir que está escondendo algo, toda a confiança que estou disposto a te dar vai desaparecer instantaneamente.

— Regra número três… — Os olhos dele escureceram perigosamente, tornando-se quase negros. — Seu corpo é meu. Quando eu quiser te tocar, eu vou tocar. Quando eu quiser te ter, eu vou ter. Sem discussões. Sem resistência.

Valeria sentiu o sangue ferver nas veias.

— Eu prefiro morrer a deixar você me tocar novamente.

Alejandro sorriu pela primeira vez com genuína diversão, um sorriso lento e predatório que revelou dentes perfeitos.

— Que boca mais perigosa você tem. Isso também vai ter que mudar.

Ele se levantou do sofá com graça felina e caminhou em sua direção mais uma vez. Valeria tentou recuar, mas não havia mais espaço. Suas costas bateram contra o vidro frio da enorme janela panorâmica. A cidade lá embaixo brilhava indiferente ao seu sofrimento.

Alejandro colocou uma mão de cada lado da cabeça dela, aprisionando-a completamente entre seus braços fortes. Inclinou-se até que seus lábios ficassem a meros centímetros dos dela, o hálito quente misturando-se ao dela.

— Eu te dei tudo, Valeria. Tudo o que uma mulher poderia sonhar. Riqueza, proteção, luxo, paixão… E mesmo assim você escolheu fugir. Escolheu acreditar nas mentiras de outros em vez de confiar em mim.

Valeria sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos, ardendo como ácido, mas se recusou a deixá-las cair. Não daria essa fraqueza a ele.

— Eu vi as fotos, Alejandro. Eu vi você com ela naquela noite.

— Fotos manipuladas — respondeu ele, com a voz endurecendo como aço. — Fotos que alguém preparou com muito cuidado para nos separar. E você caiu como uma idiota inocente.

Valeria fechou os olhos com força, sentindo todo o seu mundo desmoronar mais uma vez. A dor antiga voltou com força total.

— Quem? — sussurrou ela, a voz quase inaudível. — Quem seria capaz de fazer algo assim?

Alejandro inclinou-se ainda mais, os lábios roçando levemente a orelha dela, enviando arrepios involuntários por todo o corpo.

— Isso é algo que você vai descobrir muito em breve… — murmurou ele, a voz baixa e carregada de promessas sombrias. — Só precisa entender uma coisa: você já não é livre. E não será por um longo, longo tempo.

Valeria virou o rosto, tentando escapar do calor de seu hálito, mas ele segurou seu queixo com dois dedos firmes, obrigando-a a encará-lo novamente.

— Me solte — pediu ela entre dentes cerrados.

— Não — respondeu Alejandro com uma calma aterradora. — Eu não vou te soltar nunca mais.

Seus olhos negros desceram lentamente até os lábios dela e permaneceram ali por vários segundos carregados de tensão. O ar entre eles estava tão denso que parecia prestes a explodir.

De repente, o telefone de Alejandro tocou. Ele praguejou baixinho e se afastou, atendendo a chamada com voz fria e cortante:

— O que foi?

Enquanto ele falava ao telefone, Valeria aproveitou o momento para se afastar vários passos, olhando desesperadamente ao redor em busca de qualquer saída possível. As janelas não abriam. O elevador exigia biometria ou código. Ela estava completamente presa no topo da cidade.

Alejandro encerrou a ligação rapidamente e voltou o olhar para ela, mudando completamente o tom para algo quase… preocupado.

— Você parece exausta — disse ele. — Venha, vou te mostrar seu quarto.

— Eu não quero dormir no seu quarto — respondeu ela rapidamente, em pânico.

Alejandro soltou uma risada suave, quase carinhosa.

— Não se preocupe. Por enquanto, você terá seu próprio quarto… embora eu duvide que vá usá-lo por muito tempo.

Ele a segurou pelo braço com firmeza possessiva e a guiou por um longo corredor elegantemente iluminado. Abriu uma porta dupla e acendeu as luzes.

O quarto era impressionante. Uma cama king size com lençóis de seda negra, um closet enorme repleto de roupas novas ainda com etiquetas de grifes de luxo, e um banheiro privativo que parecia saído de uma revista de design. Tudo perfeitamente preparado, como se ele tivesse passado anos planejando exatamente este momento.

— Este será seu quarto… por agora — disse Alejandro da porta, observando-a com intensidade. — As roupas são todas do seu tamanho. Tudo é novo, escolhido especialmente para você.

Valeria se virou para ele, incrédula e horrorizada.

— Há quanto tempo você planeja isso?

— Desde o dia exato em que você desapareceu — respondeu ele sem hesitar, com absoluta sinceridade. — Eu sempre soube que, mais cedo ou mais tarde, você voltaria para mim.

Valeria sentiu um nó apertado se formar em sua garganta.

— Você está doente.

— Talvez — admitiu ele com um meio-sorriso sombrio. — Mas você é a única cura que eu desejo.

Ele se aproximou lentamente. Valeria recuou até que suas pernas batessem contra a borda da cama.

— Esta noite eu vou te deixar descansar — disse Alejandro, parando a apenas um passo de distância. — Mas amanhã começaremos a conversar sério. Temos muito o que esclarecer, você e eu.

Antes de sair, ele parou na porta e a olhou uma última vez, com aquela intensidade que fazia seu sangue gelar.

— Ah, e Valeria… não tente nada estúpido. Há câmeras em todos os cômodos. Se você tentar escapar, eu saberei antes mesmo que dê o primeiro passo.

A porta se fechou com um clique suave, mas definitivo.

Valeria ficou sozinha no meio daquele quarto luxuoso que mais parecia uma jaula dourada.

Ela se deixou cair sobre a cama macia, abraçando os joelhos contra o peito. As lágrimas que havia segurado por horas finalmente transbordaram, escorrendo silenciosas por seu rosto.

Cinco anos fugindo.

Cinco anos tentando reconstruir uma vida normal.

E em apenas um dia, tudo desabou.

Alejandro Montenegro a havia encontrado.

E desta vez, parecia que ele não tinha nenhuma intenção de deixá-la escapar novamente.

Enquanto chorava em silêncio, uma única pergunta girava sem parar em sua mente atormentada:

Como vou sobreviver a ele desta vez?

Valeria se levantou da cama com as pernas fracas e caminhou até a janela panorâmica. A cidade brilhava lá embaixo, indiferente ao seu sofrimento, como um mar de luzes frias e distantes. Ela encostou a palma da mão no vidro gelado e fechou os olhos, sentindo o peso esmagador da realidade.

Não havia escapatória.

Estava presa no topo da cidade, aprisionada pelo homem que mais havia amado… e que mais havia odiado em toda a sua vida.

Uma única promessa ecoava em seu peito enquanto as lágrimas continuavam caindo:

Desta vez eu não vou me render.

Eu vou sair daqui.

Mesmo que seja a última coisa que eu faça na vida.

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