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Capítulo 2

Autor: Peachy
No instante em que a porta se abriu, a temperatura do quarto caiu dez graus.

Killian Blackwood entrou a passos largos.

Seus ombros largos pareciam ainda mais imponentes dentro do terno sob medida.

Seus olhos cinzentos e profundos varreram cada canto do quarto, como um predador à procura da presa.

Cada movimento dele exalava autoridade absoluta. O mundo parecia feito para se curvar à sua vontade.

Quatro seguranças o seguiram, todos de ternos pretos, com expressões vazias.

Vi as mãos deles descansando próximas à cintura.

Armas.

Todos estavam armados.

— Onde estão as crianças? — a voz de Killian era plana, desprovida de emoção.

Graças a Deus eu havia enfiado os filhotes em um saco de resíduos médicos…

O ar estava pesado com o cheiro de sangue, antisséptico e algo mais… algo selvagem.

Era um cheiro estranho. Como uma floresta profunda. Como almíscar selvagem.

Forcei-me a parecer fraca e indefesa, com a voz trêmula.

— Que criança?

Seus olhos imediatamente se tornaram perigosos.

Eu já tinha visto aquele olhar antes.

Em um zoológico, bem antes de um leão atacar sua presa.

— Não se faça de desentendida comigo, Chloe — ele disse, a voz ficando mais grave. — Já se passaram nove meses. Onde estão os meus herdeiros?

Minha mente disparou.

Eu precisava de uma história. Uma boa. Algo em que ele pudesse acreditar.

Mas o que poderia explicar uma mulher grávida por nove meses e, de repente, não ter um bebê?

Apontei com o dedo trêmulo para a parteira desacordada no chão.

— Ela disse… disse que eu nunca estive grávida.

— O quê?

A tensão no quarto aumentou drasticamente. A mão de um dos seguranças se moveu em direção à arma.

— Foi uma gravidez psicológica — soltei, meu cérebro se esforçando para construir aquela mentira absurda. — Minha barriga estava tão grande por causa de um acúmulo severo de líquidos. Agora há pouco… tudo o que saiu foi o líquido.

Eu mesma não acreditava nisso.

Mas não tinha outra escolha.

O rosto de Killian estava assustadoramente sombrio.

O maxilar dele estava travado, uma veia pulsando na têmpora.

— Acúmulo de líquidos? — ele rosnou, caminhando lentamente em direção à minha cama. — Você me acha idiota?

— É verdade! — falei, a voz rouca de medo. — A parteira desmaiou depois de me examinar. Ela percebeu que me diagnosticou errado por nove meses! É um erro médico gigantesco!

Apontei novamente para a parteira.

— Olhe para ela! Ela ficou tão chocada com a descoberta que desmaiou! Um erro de diagnóstico de nove meses, é inédito!

Os seguranças trocaram um olhar.

O mais jovem franziu a testa. Ele estava realmente considerando aquilo.

Mas o mais velho claramente não estava convencido.

A mão dele foi para a arma.

Meu coração estava prestes a saltar para fora do peito.

O saco de resíduos médicos estava em um carrinho bem ao lado da cama. A apenas um metro de Killian.

Se aquelas coisinhas fizessem qualquer som agora…

Se sentissem qualquer cheiro…

Lembrei-me de Killian dizendo uma vez que o olfato dele era desumano de tão apurado.

“Negócios são uma caçada”, ele dissera. “Eu sinto o cheiro de traição e mentiras.”

Achei que fosse apenas uma metáfora.

Agora, não tinha tanta certeza.

— Martha. — Killian não se virou, mas a governanta imediatamente ficou rígida. — Explique.

O rosto de Martha estava branco como giz, suor brotando em sua testa. As mãos tremiam levemente, mas ela lutou para manter a voz firme.

— Sim… sim, senhor. A senhorita Chloe não… deu à luz. Foi apenas uma grande expulsão de líquido. A sala de parto está coberta de… líquido.

Ela estava mentindo por mim.

Por quê?

Ela mal me conhecia.

Por que arriscaria a própria vida por uma completa estranha?

Os olhos cinzentos de Killian perfuravam os meus, tentando enxergar através de mim.

O olhar dele era como um raio-X, descascando pele e ossos, procurando minha alma.

Ele se inclinou lentamente, o rosto chegando cada vez mais perto do meu.

Eu podia senti-lo. Aquele cheiro selvagem e primitivo.

— Você sabe qual é o preço de mentir? — a voz dele foi um sussurro demoníaco ao meu ouvido. — Na minha casa, pessoas que mentem para mim…

— Eu não estou mentindo — forcei as palavras a sair, com a garganta seca como um deserto.

De repente, ele estendeu a mão e segurou meu queixo.

A pressão era leve, mas me mantinha imóvel.

A mão dele era quente, mas aquele calor só me deixou ainda mais apavorada.

Então ele fez algo que eu jamais esperava.

Ele puxou o ar profundamente, cheirando de forma lenta e deliberada ao meu redor.

Os olhos dele se estreitaram. Uma emoção estranha, que eu não consegui identificar, cintilou em suas íris cinzentas.

— Você está mentindo — ele disse, com a voz mais fria que o gelo. — Eu sinto o cheiro do medo. E… de outra coisa.

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