FAZER LOGIN💬 NOTA DA AUTORA Há poucos dias, Gaby tinha um futuro inteiro planejado. Agora, tem um emprego, uma pequena quitinete e uma vida que começa a construir sozinha. Pode parecer pouco. Mas, pela primeira vez, é tudo dela. E vocês: qual foi o passo mais importante desse recomeço de Gaby? 💜 Comentem e não esqueçam de votar na história. Nos vemos no próximo capítulo! Nelma de Paula
Dezembro chegou trazendo uma expectativa diferente.Pela primeira vez, Gaby passaria o Natal longe de Minaçu. Mas não passaria longe dos pais.Glória e Ivan haviam decidido ir a Goiânia para passar a data com a filha. Seria também a primeira oportunidade de conhecerem a vida que ela construíra desde que deixara a cidade.Durante meses, Gaby falara com os pais pelo telefone. Contava sobre o trabalho, sobre a quitinete, sobre a aprovação em Administração e respondia às perguntas da mãe sobre alimentação, dinheiro e segurança.Mas falar era uma coisa.Mostrar era outra.Na manhã em que os pais chegariam, Gaby acordou cedo e arrumou a quitinete com um cuidado quase exagerado.Guardou roupas.Limpou o banheiro.Organizou a pequena cozinha.Arrumou a cama.Depois olhou ao redor.Continuava pequena.Não havia muito que pudesse fazer a respeito disso.Era o que conseguia pagar.E era sua.Quando finalmente encontrou os pais, todo o esforço para parecer adulta e perfeitamente adaptada desaparec
Nos primeiros dias depois de guardar a caixa no fundo do armário, Beto descobriu que aceitar o fim não tornava as coisas mais fáceis.Talvez tornasse tudo pior.Enquanto acreditava que Gaby voltaria, ainda havia alguma coisa pela qual esperar.Uma ligação.Uma notícia.O portão dos Monteiro se abrindo.Gaby atravessando a calçada.Agora não havia nada.Ela não voltaria.E Beto não sabia o que fazer com aquela certeza.Começou a sair mais.No início, porque ficar em casa era pior.Depois, porque descobriu que algumas horas fora tornavam mais fácil não pensar.Começou a andar com uma turma sempre pronta para uma bebida, uma farra ou qualquer programa que terminasse tarde demais.Com eles, ninguém fazia perguntas.E era disso que Beto precisava.Bebia mais do que deveria.Voltava tarde.Dormia mal.Acordava pior.Alice reclamava.Pedro observava.Beto dizia que estava bem.Não estava.***As férias acabaram.Fred voltou para a universidade.Beto deveria ter feito o mesmo.Não voltou.No c
As primeiras semanas em Goiânia ensinaram a Gaby uma coisa importante: liberdade custava caro.Aluguel.Água.Energia.Comida.Transporte.Tudo parecia pequeno quando visto separadamente. Junto, consumia o salário com uma facilidade assustadora.Por sorte, ela ainda tinha boa parte do dinheiro que recebera no aniversário. A quantia que antes seria usada para comprar um carro agora tinha outra finalidade.Garantir que não precisasse voltar para Minaçu.Gaby controlava cada gasto.Anotava o que pagava, calculava quanto ainda tinha e evitava comprar qualquer coisa que não fosse realmente necessária. A quitinete continuava com pouco mais que o básico, mas não se importava.Tinha uma cama.Um lugar para guardar as roupas.Alguns utensílios.E uma porta que podia fechar sabendo que aquele espaço era seu.Era suficiente.Pelo menos por enquanto.***A rotina também começou a ocupar os dias.Gaby acordava cedo, trabalhava, voltava para casa cansada e descobria, aos poucos, como cuidar sozinha
Em Minaçu:Nos primeiros dias, Beto continuou esperando.Esperava ouvir o portão dos Monteiro se abrir.Esperava ver Gaby atravessando a calçada.Esperava o telefone tocar.Nada disso aconteceu.Gaby não voltou.Beto continuou ligando para o celular dela mesmo depois de perceber que as chamadas já não completavam como antes. Tentava pela manhã, à tarde, à noite.Nada.Também passou mais de uma vez pela casa dos Monteiro.Glória e Ivan não tinham notícias que quisessem dividir com ele.Diziam apenas que ela estava bem.Nada além disso.Beto já não sabia.No começo, insistiu.— Ela ligou?— Não temos nada para dizer a você — Ivan respondeu.— Padrinho...— Beto, respeite o espaço dela.Era uma resposta que começava a odiar.Espaço.Quanto espaço Gaby precisava?Um dia?Dois?Uma semana?Tinham uma vida inteira juntos.Ela não podia simplesmente apagar tudo aquilo de uma hora para outra.Podia?Na rua, as coisas também estavam diferentes.Minaçu era pequena demais para que o que acontecer
Segunda-feira, em Goiânia:Gaby acordou antes que o despertador tocasse.Por alguns segundos, estranhou o teto.Então se lembrou.Goiânia.A pensão.Beto.Jane.Sentou-se na cama e respirou fundo.Dormira pouco. O corpo estava cansado, mas ficar ali não resolveria nada.Precisava conhecer a região.Precisava descobrir como se virar naquela cidade.E, acima de tudo, precisava encontrar trabalho.A quantia que recebera dos pais no aniversário lhe dava alguma segurança, mas não poderia viver daquele dinheiro indefinidamente. Não sabia quanto tempo levaria para conseguir emprego, quanto gastaria com moradia ou quanto custaria a vida que decidira construir.Era uma quantia considerável, já que deveria ter sido usada na compra de um carro, mas Gaby sabia que precisaria administrá-la com cuidado.Até poucos dias antes, aquele dinheiro tinha outro destino.A casa que dividiria com Beto.Os móveis.A lua de mel.Agora teria que comprar sua independência.Escolheu uma roupa, arrumou os cabelos,
Dois dias depois, Jane descobriu que algumas cenas continuavam produzindo efeitos muito depois de terminarem.— Seu pai quer falar com você no escritório.Jane ergueu os olhos.A empregada já se afastava quando ela perguntou:— Agora?— Agora.Jane fechou a revista que estava lendo e se levantou.Desde o fim de semana, praticamente não saíra de casa.Não porque estivesse arrependida.A pequena marca na testa já começava a mudar de cor, embora ainda doesse quando tocava nela.Beto também não a procurara.Isso a incomodava mais do que gostaria de admitir.Desceu as escadas e caminhou até o escritório do pai.Quando abriu a porta, encontrou Luiz Gustavo sentado em uma das poltronas.Parou.O irmão ergueu os olhos para ela, mas não disse nada.O pai estava atrás da mesa.Sério.— Fecha a porta, Jane.Ela obedeceu.— O que foi?— Senta.Jane olhou novamente para Luiz Gustavo antes de ocupar a outra poltrona.O pai permaneceu alguns segundos em silêncio.— Eu fiquei sabendo do que você fez.







