Home / Romance / Protegida Pelo CEO Bilionário / Capítulo 6: Ravi Bonetti

Share

Capítulo 6: Ravi Bonetti

Author: Laura Ricci
last update publish date: 2025-06-18 21:26:16

Três meses depois...

O tempo tem um jeito estranho de passar quando a gente está tentando esquecer.

Cinco meses. Cento e cinquenta dias. Milhares de tentativas falhas de apagar da memória o gosto de um beijo, o som de uma risada baixa no meio da madrugada, o calor de um corpo que nunca mais encontrei. Cinco meses desde que ela desapareceu da minha vida como se nunca tivesse existido — deixando apenas uma pulseira fina no chão do meu quarto, como prova de que aquela noite não foi um delírio meu.

Mas, de certo modo foi, porque depois daquela madrugada, nunca mais a vi. Nenhum sinal, nenhum nome, nenhuma pista. Era como tentar encontrar um fantasma em Londres. Eu sequer sabia o sobrenome dela e a verdade é que eu não procurei de verdade. Parte de mim dizia que foi melhor assim. Que foi só um momento fora da curva. Que eu estava bêbado, vulnerável, quebrado demais.

Havia algo naquela garota que me despertou um interesse que há muito tempo estava adormecido, mas aceitei que era apenas o alcool falando tão alto em meus ouvidos a ponto de aceitar a primeira mulher que consegui levar para a minha cama. Não tenho tempo para isso.

Qualquer coisa que não seja meu trabalho e depois dessa recaída, foquei apenas nisso. Claro que manter minha cama vazia nunca foi uma opção, porém continuo sem saber seus nomes, é mais fácil assim, não dar esperanças a nenhuma das mulheres que meu melhor amigo me apresenta quando saímos juntos. 

Contudo ainda existe uma parte acorda às vezes no meio da noite, jurando sentir o cheiro do cabelo dela no travesseiro.

Suspirei, esfregando o rosto com as mãos antes de puxar o paletó para frente e sair do elevador, terminando de responder um email no celular. Estávamos a caminho de mais uma reunião informal com investidores. Pedro achou uma cafeteria nova, dizia que era charmosa e discreta. Ideal para conversas rápidas e reuniões mais leves.

O negócio de hoje nos renderia um lucro atrativo demais para ser perdido, e não existe nada melhor para agradar os clientes do que um café bem feito. Embora Pedro insista em manter o tom informal, que sempre me assusta.  

— Não adianta fazer essa cara de velório, Ravi — Pedro murmurou ao meu lado enquanto caminhávamos pela calçada. — É só uma reunião e depois te levo para almoçar. Prometo que não é nenhum pub.

— A última vez que você me prometeu isso, acordei com dor de cabeça e sem dignidade — murmurei, cruzando os braços. — Você se lembra?

Ele riu alto.

— Aquele dia foi uma exceção. E você estava precisando. Fazia tempo que eu não te via beber tanto.

— Talvez porque no dia seguinte precisavamos viajar para o Japão?

— Mas nós fomos, e você ficou com aquela modelo, como é mesmo o nome dela?

— Você sabe que eu não sei o nome dela. — reviro os olhos e guardo o celular no bolso. 

— Uhum, só quero ver até quando isso vai durar, já que disse que Julia quer uma amiga.

— Sua esposa já tem amigas demais.

— E você precisa de uma.

Não respondi. Porque ele tinha razão. Eu não sorria. Não de verdade. Desde Emma. 

A cafeteria era de esquina, com uma fachada simpática e janelas grandes. Um aroma forte de café fresco escapava pela porta quando entramos, e por um breve momento, aquele cheiro me transportou para outro lugar. Um lugar mais leve. 

— Senta ali que eu vou pedir — Pedro apontou para uma das mesas próximas à janela.

Assenti e me acomodei, abrindo o celular por reflexo, mas sem realmente ver o que fazia. Abri o notebook sobre a mesa e comecei a procurar os dados que precisariamos apresentar assim que os clientes chegassem e enquanto o arquivo abria, passei meus olhos pelo ambiente claro e aconchegante.

Um ruído sutil chamou minha atenção. O som de uma risada suave e feminina.

Levantei os olhos e o mundo parou.

Ela.

Estava atrás do balcão, com um avental claro amarrado na cintura, os cabelos presos de forma despretensiosa, e ainda assim, tão linda que minha respiração falhou por um segundo. Estava de costas, arrumando xícaras, quando se virou eu perdi o ar.

A garota do bar.

Meu coração deu um solavanco, como se tivesse lembrado que existia. Eu demorei a levantar, pois minhas pernas pareciam travadas ao ver um fantasma. Mas, quando finalmente me aproximei do balcão, ela ergueu os olhos e nossos mundos colidiram outra vez.

— Posso... ajudar? — ela perguntou, a voz firme, mas com um leve tremor que talvez só eu tenha notado.

— Um expresso duplo, por favor — respondi, a única coisa que consegui pensar. 

Ela assentiu, virando-se para preparar o pedido. E eu fiquei ali observando seus movimentos por cima do balcão de vidro que me deixava ver apenas seus ombros e o corpo entre os doces expostos, tentando entender se ela realmente estava ali, ou se meu cérebro finalmente tinha surtado.

— Você trabalha aqui? — perguntei, tentando soar casual, mas minha voz saiu mais baixa do que eu queria. — Não te encontrei mais no bar. 

Ela hesitou por um segundo, mas respondeu:

— Sim. Comecei faz uns meses. Infelizmente eles não me acharam mais uma boa funcionária.

— Sinto muito por isso. Você sumiu.

As palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las. Ela travou, por um instante, mas continou de costas trabalhando na máquina de café atrás do balcão.

— Não sabia que precisava avisar.

A garota se virou e percebeu que eu estava na parte mais baixa de madeira, onde os pedidos eram entregues, e hesitante se aproximou com a minha xícara. Meu olhar caiu, instintivamente, para o avental amarrado ao redor do corpo dela e então vi. Um volume discreto, mas visível. A curva suave que não estava ali antes.

Meu coração disparou.

As mãos dela tremiam levemente enquanto colocava a xícara sobre o balcão, e por um segundo que pareceu uma eternidade, nossos olhos se encontraram. Nos dela, vi algo que me arrancou o ar dos pulmões: pavor.

— Ravi! — Pedro cutucou meu ombro, sua voz me puxando de volta. — Vem logo, o pessoal da Venture chegou!

Olhei de volta para Manu, mas ela já estava se afastando. Deu um passo para trás, depois outro, como se estivesse fugindo. Sem dizer uma palavra, virou-se e correu para dentro da cozinha.

Deixando para trás o cheiro de café e uma dúvida que agora gritava mais alto do que qualquer coisa.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Protegida Pelo CEO Bilionário   Capítulo 65: Ravi Bonetti

    O hospital cheira a pureza e medo ao mesmo tempo. Aquele cheiro de antisséptico que sempre me lembrou a morte hoje tem outro significado: vida. Vida que está prestes a explodir em cor, som e movimento bem diante dos meus olhos.Manu está deitada na maca, as pernas apoiadas, respirando fundo enquanto mais uma contração a atravessa. Eu seguro sua mão com força — talvez mais do que deveria — mas ela não solta. Pelo contrário: ela aperta de volta. Como se dissesse que também precisa de mim para se manter de pé. Ou melhor… para trazer nossas filhas ao mundo.Nossas filhas.A palavra ainda é nova, ainda é mágica. Gêmeas. Eu demorei horas para acreditar quando o médico sorriu para nós no último ultrassom e disse: “Parabéns, vocês têm duas guerreirinhas aqui dentro.”Dois milagres. Duas razões para agradecer todos os dias por não ter desistido quando tudo desabou.Mais uma contração vem, e Manu geme, seu rosto se contorcendo em dor. Eu passo a mão em seu cabelo, ao mesmo tempo em que tento nã

  • Protegida Pelo CEO Bilionário   Capítulo 64: Ravi Bonetti

    A vista da cobertura sempre parece diferente quando Manu está aqui.O céu fica mais claro, a cidade mais silenciosa, o ar mais leve.Ou talvez seja apenas eu — pela primeira vez em muitos anos, completamente presente, sem dor corroendo a nuca, sem a sombra de Helena me puxando para o fundo.Hoje era o dia que eu nunca achei que veria acontecer.Roger estava preso.Manu estava livre.E nós… nós estávamos aqui, juntos, vivos.Daniel falava alguma coisa sobre prazos e formalidades jurídicas, mas minha mente não conseguia se fixar. Eu apenas observava Manu rindo baixinho com Lourdes, as mãos acariciando a barriga já arredondada, o brilho nos olhos iluminando a sala inteira.— Você está muito calado — Daniel comentou, enquanto eu servia vinho para ele.— Estou processando — respondi. Processando que tudo acabou. Que ela está segura.Que posso respirar.— E agora? — ele perguntou.Agora?Agora era a primeira vez que eu me permitia pensar em futuro.Lourdes voltou da cozinha com os pratos li

  • Protegida Pelo CEO Bilionário   Capítulo 63: Manoela Ferraz

    Eu achava que estava pronta.Mas, quando o carro parou diante do tribunal, minhas mãos ficaram frias, meu estômago embrulhado e minhas pernas tremeram de um jeito que denunciam mais do que qualquer palavra poderia dizer.Ravi me ajudou a descer, sua presença firme ao meu lado. Daniel vinha logo atrás, com uma pasta tão pesada quanto a responsabilidade que ele carregava.— Vai dar tudo certo — Ravi murmurou, segurando minha mão.Eu assenti… mas não acreditei de verdade.As portas do tribunal se abriram e o som ecoou, um estalo violento que correu pelos meus ossos. O corredor parecia interminável. Cada passo aumentava a pressão no meu peito. Quando entramos na sala de audiência, eu o vi.Roger.Sentado, de terno escuro, barba por fazer, olhar frio. Ele não sorriu, não debochou… mas aquela serenidade falsa fez meu estômago virar do avesso. Ele parecia calmo demais. Perigoso demais.“Você nunca vai se livrar de mim”, era o que aqueles olhos costumavam dizer. Ali, mesmo sem palavras, dizia

  • Protegida Pelo CEO Bilionário   Capítulo 62: Ravi Bonetti

    A porta do quarto se fechou com um click suave, isolando o mundo e seus perigos do universo que existia apenas para nós dois. O ar ainda carregava o cheiro doce do shampoo que ela usara horas antes, um aroma de jasmim e segurança que agora se misturava à eletricidade do desejo. Ela estava em meus braços, leve como uma pena, mas pesando como todo o meu mundo. Seus olhos, ainda um pouco úmidos, não paravam de me encarar, desafiadores e vulneráveis ao mesmo tempo.— Você é linda — a frase saiu de mim como um fato, uma verdade absoluta que não precisava de embelezamento.Ela não respondeu com palavras. Em vez disso, enterrou os dedos no meu cabelo e puxou meus lábios para os dela novamente. Era um beijo diferente agora – menos hesitante, mais faminto. Era a fome de quem tinha passado tempo demais na seca e finalmente encontrava o oásis.Com uma delicadeza que eu nem sabia possuir, a deitei sobre o edredom de algodão, a cama cedendo sob nosso peso combinado. Meu corpo cobriu o dela, mas im

  • Protegida Pelo CEO Bilionário   Capítulo 61: Ravi Bonetti

    O elevador parecia demorar uma eternidade para chegar ao último andar. O som metálico do motor, o reflexo da minha expressão tensa nas paredes de aço — tudo me fazia sentir como se estivesse preso dentro de um pesadelo que eu não conseguia acordar. Carlos havia me ligado há menos de meia hora, e desde então, a única coisa que ecoava na minha cabeça era a palavra flores.Quando as portas se abriram, caminhei pelo corredor largo da cobertura com o coração martelando no peito. O apartamento estava iluminado, a voz de Lourdes ecoava vinda da sala de jantar, e por um instante, aquela cena simples — risadas contidas, o som de xícaras sobre o pires — me fez lembrar que ali dentro havia vida, havia calor.Mas bastou eu cruzar a porta para o instinto tomar o controle.Manu estava sentada à mesa, o rosto ainda pálido, as mãos entrelaçadas sobre a barriga. Carlos estava ao lado, em posição de alerta, e Lourdes tentava disfarçar a tensão servindo chá. Assim que ela me viu, os olhos marejaram — e

  • Protegida Pelo CEO Bilionário   Capítulo 60: Roger Delavega

    O turno na delegacia tinha terminado, mas o verdadeiro trabalho só começava quando as luzes frias da repartição se apagavam. É nas sombras que se encontra o que a justiça nunca alcança — e, naquele dia, eu estava decidido a alcançar Manoela.Dirigi até o bairro nobre de Londres, o mesmo endereço que eu já havia decorado, graças ao relatório que consegui com meu contato. O nome Ravi Bonetti ainda pulsava na minha cabeça como uma ofensa pessoal. Um homem de posses, influência, poder. E agora, o novo “herói” da minha esposa.Encostei o carro do outro lado da rua, num ponto discreto, de onde podia observar o portão da cobertura. A segurança era absurda — câmeras, vigilantes, carros de luxo entrando e saindo. Era o tipo de lugar que nem o vento entrava sem ser anunciado.Esperei quase uma hora até vê-los saírem. Ela, Rosa — aquela velha intrometida — e um homem grande, claramente o segurança particular.Quando Manoela apareceu, meu corpo reagiu antes da mente.O vestido claro moldava a cur

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status