FAZER LOGINAquela mulher era a mesmo uma mistura perversa de esnobe com um toque de sensualidade, que conseguiu me irritar além do esperado. Eu era conhecido por ser paciente e ter um bom humor, mas ver Elizabeth chegando e surtando com as mudanças que fiz conseguiu me tirar do sério.
Eu entendia que ela estava com medo, assustada com as coisas que podiam acontecer e sentisse uma necessidade de ter o controle de tudo. Mas ela deveria manter em mente que tinha insistido para que eu aceitasse trabalhar pessoalmente com ela justamente por eu ser o melhor. Não colocaria sua vida em risco e com toda certeza não ficaria esperando por sua aprovação antes de fazer o meu trabalho. O fato dela ter tentado me lembrar do meu lugar, como um funcionário que deveria apenas obedecer, deixou claro a megera que ela era e me lembrou a razão para eu não aceitar trabalhar diretamente. As pessoas com dinheiro tinham uma tendência a serem esnobes e eu detestava profundamente pessoas assim. — Pode aceitar o trabalho com os Mancini. — Foi a primeira coisa que falei assim que Isaac atendeu ao celular. — Tem certeza? Não vamos acabar ficando sem pessoal? — Vamos, mas estou sentindo que o trabalho aqui vai terminar antes do esperado, então teremos muitos homens disponíveis para trabalhos individuais. — O que aconteceu? Você estava tão engajado em fazer o melhor plano de defesa para a chefinha. O que te deu que não durou um dia? Bufei pensando em quanto tempo havia gastado fazendo toda a escala dos seguranças, tudo pensado e planejado para devolver a ela a liberdade de ir e vir dentro da sua propriedade sem parecer que era vigiada a todo instante. Tinha feito tudo de forma impecável e até mesmo havia entrado em contato com a secretária para organizar a mudança dela de andar. Mas ser recebido com grosserias e soberba me fizeram questionar a promessa que eu havia feito sobre protegê-las. — As coisas não saíram como planejado, a senhora Bianchi e eu não nos entendemos direito. — Já até imagino o que aconteceu, ela bancou a rainha Cleópatra e você se emputeceu. — Ele gargalhou do outro lado, me fazendo revirar os olhos, porque era a mais pura verdade. — Faça o que eu falei idiota. — resmunguei, desligando o celular e encarando a tela à minha frente com a foto dela no relatório. Ela conseguia ser prepotente e sexy ao mesmo tempo, vê-la falando comigo de forma altiva sem nenhuma razão me fez desejar tê-la embaixo de mim, implorando por mais e gemendo meu nome, ao mesmo passo que pensei em vê-la cavalgando em cima de mim me dominando completamente, usando apenas aquele salto que quase me acertou. O problema é que por mais sexy que ela fosse, eu não suportava pessoas que tentavam diminuir os outros apenas por terem um pouco de poder em suas mãos. Tinha sido criado cercado de homens assim, meu pai em especial, e isso só me fez desejar ser o total oposto. No começo da empresa não podia ficar escolhendo meus clientes nem nada do tipo, mas a partir do momento que consegui essa autonomia eu passei a me recusar a proteger boçais, qualquer um que destratasse um empregado não era digno da minha proteção. — Será mesmo que errei em relação a você? — questionei a tela, encarando os olhos castanhos sempre tão sérios. — Posso entrar ou interrompo alguma coisa? — A voz de Elizabeth soou atraindo minha atenção direto para a porta. Não a esperava ali antes das oito, mas lá estava ela, vestindo um conjunto de seda preto, com os cabelos molhados, o olhar penetrante e ainda sem nenhum resquício de sorriso. — Pode entrar, a casa é sua. — Fiz questão de lembrar assim como ela havia feito comigo. Sem esboçar nenhuma reação, ela entrou no pequeno escritório e se sentou à minha frente. — Esse é o plano de ação que projetei para sua segurança. Elizabeth pegou o tablet das minhas mãos e começou a passar os olhos enquanto eu explicava mais detalhadamente. Era muita coisa para ler e eu duvidava que ela tivesse tempo e paciência para saber todos os pormenores. — E onde estão todos esses homens por quem eu estou pagando que estão listados aqui? Semicerrei os olhos, querendo realmente só anunciar que ela deveria procurar outra empresa pela manhã porque eu não trabalharia com ela e pagaria feliz a multa contratual, mas me contive e me levantei dando a volta até estar atrás dela. Deslizei a tela para o lado mostrando o desenho do posicionamento de cada um dos meus homens. Vi o instante que ela franziu os lábios observando a planta de sua casa e os arredores onde eles estavam. — Isso aqui é... — Um atirador de elite? Sim. — respondi antes mesmo que ela terminasse a pergunta. — Se passar para o lado vai ver a mudança de turno de cada um deles e na próxima vai encontrar as informações dos homens que a acompanharam fora da casa. — Achei que você me acompanharia fora daqui? — Ela ergueu os olhos rapidamente me questionando. O vinco entre as sobrancelhas era a primeira demonstração de expressão sincera que ela esboçava desde que entrou ali. Não sei porque Elizabeth mantinha essa armadura, uma máscara dura e fria, tentando se mostrar indiferente a tudo quando eu sabia que não era a verdade. Os olhos dela eram a parte mais expressiva de seu rosto, o que ela não conseguia camuflar com tanta perfeição quanto o resto do corpo. Eu tinha visto o medo assim como o alivio tomarem seus olhos no seu escritório, só não compreendia porque ela se mantinha tão presa naquela personagem inabalável mesmo ali, onde estava segura, e não se permitia mostrar ao menos um pouco da verdade. — E eu vou, o tempo todo! — garanti a ela, tentando passar firmeza em minhas palavras para que ela confiasse ao menos minimamente em mim. — Mas se caso algo acontecer comigo temos que garantir que você ainda vai estar segura. Ela se levantou colocando o tablet na mesa e andou, fugindo do meu olhar e da proximidade, mas não conseguiu se afastar o suficiente no espaço pequeno. Elizabeth se manteve de costas, evitando totalmente o contato visual. Mas aquilo deixou claro que meu olhar direto e minhas palavras sinceras a tinham atingido de certa maneira. As palavras dela de mais cedo voltaram a minha mente “Eu não posso me dar ao luxo de confiar”, por mais que ela quisesse acreditar em minhas palavras e confiar no que eu dizia, seu medo a impedia, a paralisava completamente, a obrigando a manter distância para não correr os riscos de acreditar nas pessoas novamente. — Se caso algo acontecer com você? — A voz soou um tanto incerta. — Se algo acontecer com você eu já estarei morta, como isso vai me dar alguma segurança? — Não sei qual era a prioridade dos seus outros seguranças, mas a minha e da minha equipe é garantir que você esteja a salvo sempre. Se cairmos vai ser protegendo você e sua filha, então sim, posso morrer garantindo sua segurança e meus homens estarão logo atrás para completar o trabalho. Ela se virou parecendo surpresa e me olhou com as mãos unidas na frente do corpo. Seus olhos demonstrando toda a desconfiança, o descredito nas minhas palavras. — Está falando sério quando diz que morreria tentando garantir minha segurança e a da minha filha? O senhor por acaso foi do exercito ou algo do tipo, Senhor Miller? — Algo do tipo. — Ela não gostaria de saber onde aprendi sobre lealdade. — O que você tem que ter em mente é que eu usarei meu corpo como escudo se for preciso, tudo para manter vocês duas a salvo! Uma risada forçada escapou de sua boca e, mesmo que ela estivesse debochando, eu me questionei como seria o som do seu riso de verdade. — Me desculpe se não acredito nisso, então vai ser um pouco difícil manter em mente algo que eu não tenho fé. — Ela colocou as mãos atrás do corpo, estufando o peito em um claro desafio para provar que eu estava errado. — Vamos trabalhar nisso. Vou ganhar a sua confiança, e a senhora vai acreditar em cada palavra que sair da minha boca. Vou fazer disso a minha missão de vida! — Os lábios dela se entreabriram em uma mínima demonstração de surpresa. Eu só não sabia se era por minhas palavras ou minha ousadia, talvez os dois. — Mas até lá quero que a senhora aprenda a se defender. — Como disse? — ela questionou e pelo tom de voz já parecia pronta para a discussão. Elizabeth era boa de briga, seria fácil ensinar ela como derrubar algum desgraçado que ousasse se aproximar, mesmo que eu não fosse permitir que isso acontecesse. Tinha falado sério ao dizer que minha nova missão de vida seria fazê-la confiar em mim, podia até ter ligado para Isaac cogitando desistir do trabalho, mas ela havia acabado de mudar meus planos mais uma vez. O que essa mulher complicada tinha que estava me fazendo ceder tão rápido? — Você foi impressionante enfrentando um "invasor" com aquele salto, mas tenho certeza de que sua confiança vai aumentar quando aprender a lutar de verdade. Quando você souber que consegue derrubar uma ameaça sozinha. E então, o que me diz, vai me deixar te ensinar a se defender, senhora Bianchi?UM ANO DEPOIS— Vocês podem andar logo com isso? A última coisa que eu quero aqui é receber a surpresa de que nada está pronto na hora que certa.— Elizabeth, tem certeza que tudo isso é mesmo necessário? — Emily chegou por trás de mim, tentando me policiar, mas isso não ia acontecer hoje, ninguém iria me convencer do contrário.— Não, mas é como eu quero então vai continuar assim! Jane já chegou? — o sorriso dela me deu a resposta que eu precisava. — Eu juro que se ela não passar por aquela porta nos próximos vinte minutos eu vou matar o Adam.— Sem assassinatos hoje, lembra? É a comemoração, o senhor Miller detestaria que qualquer coisa estragasse um momento tão feliz.Eu suspirei fechando os olhos e indo até à janela encarando o quintal da casa refúgio. Levou um ano para reconstruí-la depois da bomba que Michael explodiu e eu tinha certeza de que Cris iria gostar de como melhoramos o que ele já amava no lugar.Ouvi passos na entrada da frente e a empolgação de Angel mostrou que nos
Eu segurei Lizzie pela cintura, torcendo para que se eu saísse vivo dessa noite ela me perdoasse por isso, e sem querer ela esperasse eu a joguei no lago. Isaac segurou seu corpo antes que afundasse completamente na água.— Não posso deixá-lo vivo novamente, mia bella. Já cometi esse erro uma vez, não vou cometê-lo de novo, vocês duas merecem viver em paz sem ter que passar o resto dos dias olhando sobre o ombro. — me virei mesmo com Lizzie me chamando e não consegui evitar o sentimento de que aquilo era uma despedida, mesmo que eu não desejasse isso.Corri com a arma em punho, mantendo os olhos atentos a qualquer coisa se movendo nas sombras e os ouvidos atentos a qualquer barulho além dos tiros incessantes. Estava há dois metros da casa e avistei um grupo de três homens andando e atirando para qualquer lado, vendo se acertariam algo além das árvores.Aproveitei a minha posição e fiz a mira certeira, atingindo um a um, até que todos estivessem no chão.— Estamos aqui, chefe! — a voz
Aquilo não podia estar acontecendo de verdade. Nunca teríamos paz nessa vida? Depois de finalmente conseguir me abrir com Lizzie e saber que ela me amava apesar de tudo, eu acreditei que continuaríamos naquela calmaria.Não demorou para eles chegarem depois que Lizzie pegou no sono. Todos tagarelando, animados com o filme que foram ver e eu achei mesmo que tudo estava voltando a ser como era antes. Ajudei Angel a escovar os dentes e ela se deitou comigo e com a mãe, dormindo rapidamente de tão cansada que estava depois do dia de hoje.Mas eu fui acordado duas horas depois com um dos alarmes da propriedade disparando. Eu corri para a sala de controle, onde estavam as câmeras, todo o sistema de defesa, assim como o que precisaríamos para enfrentar invasores.— Já chamei reforços. Isso está mesmo acontecendo? — Isaac entrou correndo na sala com o celular na mão.— Aqui! — apontei para o lugar por onde tinham entrado, tinham encontrado uma forma de cortar a cerca elétrica e passaram para
Eu ainda estava tentando recuperar meu fôlego com a cabeça deitada no peito de Cris deslizando os dedos no peito dele que subia e descia rapidamente como o meu. Cris sempre foi insaciável na cama, mas hoje ele tinha levado a outro patamar, me mostrando um lado selvagem que eu não conhecia.— Porque pegou aquela arma? — ele questionou quebrando o silêncio da noite.Emily tinha arrastado todos para fora de casa, me dizendo que nos dariam duas horas, mas com certeza já havia passado mais do que isso desde o meu desastre na cozinha.Arrastei meus dedos no meio do peito dele, seguindo o desenho da cicatriz enquanto tentava montar uma resposta que fizesse sentido, quando nem eu mesma sabia o que havia me dado para fazer aquilo.Enquanto Cris me tomava, minha mente começou a montar uma imagem dele se afastando, indo embora no meio da noite. Talvez fosse medo por conta do que aconteceu na cabana, temia que ele continuasse a dizer que não era bom o bastante e fugisse de nós mais uma vez. E se
Subi os degraus com calma, o nosso quarto era o único aberto e iluminado, então firmei a arma abrindo a porta com o pé. Lizzie estava deitada na cama, usando apenas um conjunto de lingerie vermelha me encarando como se quisesse me levar a loucura.— Que porra você estava pensando sumindo desse jeito? — rosnei sentindo o medo deixando meu corpo, enquanto frustração e excitação tomavam seu lugar.— Oh querido eu te assustei? — ela caminhou em minha direção com um olhar falsamente inocente. — Seu coração parece que vai sair pela boca, tudo isso porque pensou que havia me perdido. Achei que você entenderia rápido qual seria sua sobremesa essa noiteSuas mãos deslizaram por meu peito e continuaram descendo por minha pele enquanto eu sacudia a cabeça em negação ainda não conseguindo acreditar no que ela tinha feito.— Você quer me matar do coração, foi a única coisa que eu entendi. — mas ainda sem se importar com minhas palavras ela ficou na ponta do pé e mordiscou meu lábio inferior, traze
Estanquei no meio do quarto quando ouvi a música vinda do andar de baixo me alcançou, a melodia sensual não era o que eu esperava que todos estivessem escutando reunidos antes do jantar. Alguém estava aprontando.Tinha acabado de sair do banho, mas tratei de jogar a toalha que secava os cabelos na cama e arranquei a outra da minha cintura. Enquanto pulava dentro de uma calça eu torci para que fosse Lizzie fazendo alguma surpresa lá em baixo, e não Adam tentando conquistar Jane, ou eu ia quebrá-lo ao meio para que aprendesse a ficar longe daquela garota inocente.O som ficou ainda mais alto quando alcancei o último degrau, mas eu não imaginava que iria encontrar aquilo quando entrei na cozinha. Lizzie estava de costas para mim, concentrada no fogão, usando um vestido preto apertado em suas curvas, atraindo uma atenção especial para os contornos da bunda perfeitamente redonda.Eu estava adorando o que tinha se tornado nossos últimos dias, era o paraíso comparado ao meu último ano e eu d







