Share

Capítulo 3

Author: Pão de Morango Assado
Segui o olhar de Vincenzo até as mãos deles entrelaçadas.

Os dedos dele estavam firmemente entrelaçados aos de Sofia, como se temesse que ela sofresse o menor dano. Quanto a mim... Eu não passava de uma intrusa indesejada.

— Não será necessário. — Disse, com a voz completamente desprovida de emoção, desviando o olhar com calma. — Não posso aceitar seus parabéns.

Vincenzo ficou surpreso, provavelmente não esperando uma reação assim. No passado, não importava o quanto me ferisse, eu sempre voltava rastejando. Mas, desta vez, eu estava realmente exausta... E acabada com ele.

Sofia se mexeu levemente em seus braços.

— Vincenzo, não culpe a Isabella. Ela só está confusa agora. Isabella, por favor, não fique brava com o Vincenzo. No fundo, ele se importa com você. É só que eu não tenho estado bem, então ele precisou cuidar de mim.

Não tive paciência para trocar gentilezas falsas com ela. Apenas me agachei entre os escombros e comecei a enfaixar o ferimento de um capanga.

— Ah, poupe-me desse teatrinho. — Disse Ettore, aproximando-se e me olhando de cima, com desprezo. — Agora você se importa com os outros? Por que não pensou nisso antes, quando estava sendo patética?

— Você realmente acha que ficar grudada no Don Rizzi por 12 anos, engravidar e ainda se fazer de difícil vai fazer ele mudar de ideia?

Sem energia para discutir, continuei enrolando as ataduras no ferimento do capanga, sem sequer levantar o olhar.

— Fala alguma coisa! — Ettore ficou ainda mais irritado com meu silêncio. — Você acha que é a vítima aqui? Pois eu te digo: Não é! A Sofia é mil vezes melhor do que você.

— Ela é gentil, bondosa e está gravemente doente, então é natural que o Don Rizzi tenha escolhido ela! Mesmo carregando o filho dele, você não chega nem perto dela. Você nem é digna de amarrar os cadarços dela!

Vincenzo franziu a testa.

— Isabella, o que exatamente você quer? Por que me seguiu até aqui e está fazendo esse escândalo? Não pode simplesmente se comportar?

Sofia se apoiou fracamente no peito de Vincenzo e tossiu suavemente antes de falar:

— Vincenzo, não fique bravo. A Isabella só está de coração partido. Que tal eu conversar com ela com calma e pedir para ela voltar e descansar?

Assim que ela terminou de falar, uma explosão ensurdecedora ecoou, fazendo todo o cais tremer violentamente.

Os holofotes acima balançaram perigosamente. Dos contêineres próximos que ainda não haviam desmoronado completamente, veio o som estridente de metal se retorcendo, e uma enorme chapa metálica foi arremessada diretamente na direção dos três.

Sem hesitar por um segundo, Vincenzo me empurrou em direção à chapa que caía, enquanto ele próprio, segurando Sofia com força, recuou rapidamente para evitar o perigo.

Com um estrondo ensurdecedor, a chapa de metal se chocou contra mim.

Uma dor excruciante tomou conta de todo o meu corpo, especialmente da minha perna esquerda. Era como se tivesse sido quebrada em dois.

Minha visão escureceu, e caí no chão, minha consciência começando a se apagar.

Através da névoa, vi Vincenzo abaixar a cabeça para consolar Sofia, perguntando se ela estava machucada. Seus olhos estavam cheios de preocupação... Mas ele nem sequer olhou para mim.

Ettore também correu até ela, perguntando aflito se estava bem. No entanto, não deu a mínima atenção a mim, caída no chão e sangrando intensamente.

Então... Eu realmente não significava nada para eles.

Quando acordei novamente, estava deitada em uma cama de hospital. Minha perna esquerda estava imobilizada em um gesso grosso, e a dor queimava intensamente. Eu estava sozinha no quarto, ninguém havia vindo me visitar.

Uma enfermeira entrou e retirou a agulha do soro da minha mão.

— Você teve muita sorte. — Disse ela, aliviada. — Sofreu apenas uma fratura na perna esquerda e alguns ferimentos superficiais. Se aquela chapa de metal tivesse atingido um pouco mais perto do seu abdômen, você teria perdido o bebê.

Fiquei olhando para o teto.

— Eu nunca tive a intenção de manter esse bebê. Por favor, me ajude a agendar um aborto o mais rápido possível.

A enfermeira hesitou por um momento, depois assentiu e saiu sem dizer mais nada.

Naquele instante, o celular tocou.

Era Vincenzo.

— Isabella, o que exatamente você está tentando fazer? — Ele rugiu, furioso. — Você provocou aquela segunda explosão no cais de propósito porque não suporta me ver tratando bem a Sofia?

Não respondi. Apenas ouvi em silêncio seu ataque.

— Você tem espalhado rumores o tempo todo de que Sofia e Elena estiveram envolvidas na morte de Caterina! — O tom dele se tornou cada vez mais sarcástico. — Mas o Sr. Giordano deixou claro que Caterina tirou a própria vida porque era instável!

— E ainda assim você não largou isso, dizendo que Elena atraiu você e o Ettore para o porão para abusar de vocês. Eu já mandei investigar isso há muito tempo e nunca aconteceu nada disso!

— O Ettore me contou tudo, como foi você quem fez ele bater a cabeça e perder a memória, e como a Sofia cuidou dele depois! Eu nunca tive a intenção de me casar com você. — Disse ele, cuspindo as palavras com desprezo. — Esse bebê não passou de um acidente!

Ele continuou me acusando, jogando toda a culpa em mim.

Mas, ao ouvir aquilo, eu não senti nada... Além de um cansaço profundo.

Nesse momento, a voz da enfermeira veio da porta:

— Senhorita Giordano, estamos prontos para realizar o procedimento. Por favor, dirija-se à sala de cirurgia.

Do outro lado da linha, Vincenzo ficou completamente em silêncio.

Alguns segundos depois, ele perguntou, incrédulo:

— Você vai interromper a gravidez?

Soltei um leve suspiro e respondi com calma:

— Sim. Depois do procedimento, vamos encerrar o noivado.
Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Quando Eu Não Sou a Madre   Capítulo 9

    Três anos depois, eu me tornei a Donna mais influente da história da máfia. Os negócios da família se estendiam pelo mundo inteiro, e o poder da Snake Eye havia se tornado mais forte do que nunca.Ninguém ousava me provocar levianamente, e eu tinha incontáveis subordinados leais, dispostos a atravessar fogo e água por mim.Ettore também havia amadurecido muito. Já não era mais o tolo que foi manipulado no passado, agora, era meu braço direito mais confiável.Além de me auxiliar na administração dos assuntos da família e na resolução de crises, ele demonstrava uma maturidade firme e experiente, conquistando a confiança dos membros seniores.Numa noite, voltei para minha villa após o trabalho. Assim que desci do carro, notei uma figura parada na entrada.O homem estava irreconhecível, magro ao extremo, cabelos grisalhos, um olho perdido e o outro opaco e sem vida. Apoiado em um pedaço de madeira, mancava, vestindo roupas rasgadas que exalavam um cheiro desagradável.Franzi a sobran

  • Quando Eu Não Sou a Madre   Capítulo 8

    Vincenzo permaneceu de joelhos, murmurando repetidamente:— Eu errei... Eu errei...Mas eu nem me dei ao trabalho de olhar para ele. Um homem como aquele não merecia meu perdão, muito menos um lugar no meu campo de visão.— Levem-no e tranquem no porão. — Ordenei friamente aos meus capangas. — Deixem que ele experimente de verdade o sofrimento que eu e Ettore passamos ali todos aqueles anos.Vincenzo ergueu a cabeça, apavorado.— Isabella, não! Eu sei que errei! Por favor, me poupe!— Poupar você? — Soltei uma risada fria. — Quando eu e Ettore estávamos com fome, com frio e sendo espancados naquele porão... Quem nos poupou? Quando minha mãe foi levada à morte... Quem poupou ela? Vincenzo, isso é a retribuição que você merece.Meus homens avançaram e o arrastaram para fora. Ele se debateu e gritou, mas ninguém lhe deu atenção.Ao vê-lo sendo levado, patético e impotente, não senti a menor compaixão.Apenas a satisfação de finalmente ver a justiça sendo feita.Percebendo que a

  • Quando Eu Não Sou a Madre   Capítulo 7

    No dia da reunião dos membros seniores, Vincenzo e Sofia estavam no palco, garantindo que resolveriam a crise da família e estabilizariam o comércio de armas o mais rápido possível.Vincenzo discursava longamente sobre seus planos, enquanto Sofia permanecia ao seu lado, exibindo de vez em quando um sorriso frágil, tentando conquistar simpatia.Foi então que a porta da sala de conferências foi arrombada com um chute violento.Entrei usando uma jaqueta de couro preta e óculos escuros, seguida pela minha subchefe, Camilla Allegri, e por mais de uma dúzia de membros de elite da Snake Eye. Nossa presença dominou completamente o ambiente.— Isabella? Como você ousa voltar? — Vincenzo apontou para mim, chocado e furioso. — Sua traidora! Como tem coragem de aparecer aqui?Tirei os óculos escuros e o encarei friamente.— Traidora? Acho que os verdadeiros traidores aqui são essa "bela frágil" ao seu lado... E esse sogro traiçoeiro que você tanto confia.O rosto de Sofia empalideceu, mas e

  • Quando Eu Não Sou a Madre   Capítulo 6

    Um dia, um capanga me entregou uma gravação. Era uma conversa entre meu pai, Luigi Giordano, e um negociante do mercado negro.Nela, ele admitia claramente que, para desviar o dinheiro daquela remessa de armas, havia sabotado propositalmente a fiação do contêiner para causar a explosão e ainda planejado todo o "acidente" como cobertura.Havia também um relatório médico da minha mãe.O documento revelava que, um mês antes de sua morte, ela vinha sendo continuamente dopada com drogas alucinógenas, o que levou ao seu colapso mental... E ao seu suposto "suicídio".O médico responsável pelas prescrições era um parente distante de Elena, que desde então havia se mudado para o exterior.Depois de reunir todas essas provas, enviei tudo anonimamente para vários membros seniores da família, homens que já estavam insatisfeitos com Vincenzo há muito tempo.Eles eram veteranos que haviam lutado ao lado do meu avô, Edoardo Prodi, para construir o legado da família.Além disso, tinham grande c

  • Quando Eu Não Sou a Madre   Capítulo 5

    Depois que eu fui embora, Ettore estava arrumando o quarto de Sofia quando encontrou um carrinho de brinquedo.Era um brinquedo com o qual brincávamos juntos na infância. Na época, ele o havia perdido por acidente e chorou por dias, até que eu o ajudei a encontrá-lo.No instante em que viu o carrinho, memórias há muito enterradas vieram à tona, o porão escuro, o cheiro mofado, a fome dilacerante... E os tapas cruéis de Elena.Essas lembranças fragmentadas fizeram sua cabeça latejar intensamente. Ele balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Mas, pela primeira vez, uma rachadura surgiu em sua confiança em Sofia.Ele se lembrou das coisas que eu havia dito antes... E das dúvidas sem resposta sobre a morte da nossa mãe.Um pensamento assustador começou a se formar em sua mente e se tudo o que eu disse fosse verdade?Ele pegou o celular e ligou para Sofia.— Sofia, onde você está agora? Tem algo que eu preciso te perguntar. — Disse, em um tom investigativo.A voz dela do

  • Quando Eu Não Sou a Madre   Capítulo 4

    Deitada na mesa de cirurgia, levei instintivamente a mão ao abdômen. Era ali que uma pequena vida havia crescido. Ele deveria ter sido a prova do amor entre Vincenzo e eu... Mas agora não passava de uma lembrança amarga.Enquanto o anestesista se preparava para aplicar a injeção, passos suaves se aproximaram da porta. Não era a enfermeira com quem eu havia falado antes, mas um rosto desconhecido. Seus olhos se moviam com inquietação, e seus dedos apertavam com força uma seringa lacrada.Imediatamente, todos os alarmes na minha mente dispararam. Como esperado, Elena não conseguiu se conter. Todos esses anos, ela me viu como um espinho no caminho. Levar minha mãe à morte não foi suficiente, agora, nem mesmo o bebê em meu ventre ela pouparia.— De qual setor você é? Você não é a enfermeira com quem falei antes. — Falei devagar de propósito, enquanto, discretamente, levava a mão para debaixo do travesseiro.Ali estava um gravador de voz que eu havia preparado há muito tempo.Apertei o

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status