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Capítulo 3

Author: Verão
Desde que vi Bruno e Júlia juntos, meu espírito desabou completamente, e minhas antigas doenças ressurgiram.

Acabei desmaiando em casa.

Bruno ficou pálido ao receber o telefonema.

Segurou minha mão e, chorando, disse:

— Fui um idiota, por favor, não me deixe! Contanto que você fique bem, não quero mais nada!

Quando me recuperei, ele parecia ter voltado a ser como antes, sem mais encontros com Júlia.

Acreditei que nossa vida retornaria ao normal e que poderíamos ser felizes, os três juntos.

Até alguns dias atrás, quando fui visitar Fátima no asilo, passei por um parque e vi aquela cena.

Júlia segurava Celso, sorrindo feliz no carrossel.

Bruno, com o celular na mão, olhava para eles com ternura, registrando cada momento.

Celso deu um beijo no rosto de Júlia e disse, com sua voz infantil:

— Mamãe, você é a melhor! Eu te amo demais!

Naquele instante, eles pareciam uma família feliz.

Eu estava escondida atrás de uma árvore, tremendo de frio.

Meu próprio filho, pelo qual tanto lutei, chamava Júlia de mãe.

Voltei para casa em estado de choque, perdida em pensamentos.

À noite, quando o motorista trouxe Celso de volta, estendi os braços para abraçar ele, mas ele se afastou com desgosto:

— Você cheira a remédio, que nojo! Júlia cheira bem... queria que ela fosse minha mãe!

Celso já havia reclamado antes, dizendo que eu não o levava para passear como outras mães.

Sempre me culpei, culpando minha saúde frágil, achando que devia algo a ele.

Agora entendi: ele me comparava a Júlia.

Para ele, eu não era suficiente.

Apertei o coração e, agachada, olhei para ele:

— Eu te carreguei por nove meses dentro de mim!

Mas Celso respondeu com desdém:

— Eu não gosto de você! Papai disse que você só fica cuidando de mim. Júlia é quem realmente me ama! Quero que ela seja minha mãe!

Mesmo vendo Bruno me trair, nada me devastou tanto quanto aquilo.

Este é o filho que trouxe ao mundo com minha vida!

Olhei para o rosto de Celso, tão parecido com Bruno, e forcei um sorriso amargo.

— Tudo bem. Já que você não me reconhece, então não serei mais sua mãe.

Entrei no banheiro e deixei a água fria lavar minhas lágrimas.

Naquela noite, tive febre alta.

Entre sonhos confusos, ouvi André ligando desesperado para Bruno:

— Chefão, a Matriarca está com febre alta! Volte rápido para cuidar dela!

Do outro lado da linha, ouvi a voz fofa de Júlia:

— Bruno, anda logo, não consigo esperar...

Em seguida, veio a resposta impaciente de Bruno:

— Clara está de novo encenando? Da última vez ela gostou, agora se viciou? Se ela gosta de atuar, que atue à vontade! Quando ela realmente morrer, você me liga!

Ele desligou o celular.

Naquela noite, o médico da família precisou me levar às pressas para a emergência.

Quase não sobrevivi.

Quando amanheceu, Bruno voltou para trocar de roupa, com marcas de beijo frescas no pescoço.

Ao notar meu olhar, apertou os lábios e me repreendeu com raiva:

— Usar essas encenações de doença para me forçar a voltar? Acha que sou idiota? Suas manobras só me fazem te odiar mais! Como punição, o remédio de Fátima será suspenso.

Então ele pegou o celular e ligou para o asilo.
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