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Capítulo 7

Author: Verão
Bruno levou meu corpo de volta para nosso quarto.

Ele me colocou na cama, ajeitando cuidadosamente os lençóis:

— Feche as cortinas, Clara tem medo de luz para dormir.

Falou com os empregados em tom tão baixo que parecia temer me acordar.

Sentou à beira da cama, imóvel, olhando para mim como se, quanto mais tempo me observasse, eu de repente abrisse os olhos e viesse brincar com ele.

— Clara, você sempre dizia que queria provar meu bife, não é? Hoje eu cozinhei. Levante e experimente, vai ser bom
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  • Quando o Amor se Torna Morte   Capítulo 9

    Meu funeral foi o mais grandioso da família Soares em cem anos.Toda a Mansão dos Soares estava coberta de rosas brancas, minhas flores favoritas, que nunca recebi em vida.Bruno estava ao lado do caixão de cristal, que havia custado uma fortuna para fazer, sem ter fechado os olhos por dias, exausto e irreconhecível.O padre recitava passagens da Bíblia com devoção.Nesse momento, um subordinado entrou apressado, segurando um documento:— Chefão, o advogado da Matriarca trouxe o testamento dela. Ele disse que a Matriarca exigiu que fosse lido durante o funeral.Bruno arrancou o papel das mãos dele, ansioso, e começou a folhear, fixando os olhos na letra familiar. Era o último grande presente que eu lhe havia deixado antes de morrer.Enquanto lia, a cor foi sumindo de seu rosto até ficar completamente pálido, morto.O subordinado se aproximou; no papel havia apenas duas frases curtas. Ele respirou fundo e começou a ler as cartas:— Último desejo da Matriarca Clara: após a morte, crema

  • Quando o Amor se Torna Morte   Capítulo 8

    Quando os dois seguranças arrastaram Júlia para dentro, ela ainda gritava:— Me soltem! Eu sou da família Dias! Sou a futura Matriarca da família Soares!Bruno estava sentado no sofá, exalando uma aura aterrorizante, como um demônio que emergiu do inferno.— Futura Matriarca da família Soares? — Riu, sem qualquer calor na voz. — Júlia, você se aproveitou da minha confiança para machucar, às escondidas, a pessoa que eu mais amo. Se sente realizada, não é?Júlia estremeceu, mas forçou a compostura e deixou escapar algumas lágrimas:— Do que você está falando? Celso deve ter contado alguma coisa! As marcas no braço dele são de brigas com outras crianças. Ele teve medo de te deixar bravo, por isso me culpou!Um tiro ecoou, a bala raspando a bochecha de Júlia e quebrando um objeto atrás dela. Ela caiu no chão, sentindo o ardor do impacto no rosto.Bruno puxou Celso para perto, levantou a manga do garoto e mostrou as marcas de beliscões bem nítidas:— Uma briga de crianças deixa isso?Em se

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    Bruno levou meu corpo de volta para nosso quarto.Ele me colocou na cama, ajeitando cuidadosamente os lençóis:— Feche as cortinas, Clara tem medo de luz para dormir.Falou com os empregados em tom tão baixo que parecia temer me acordar.Sentou à beira da cama, imóvel, olhando para mim como se, quanto mais tempo me observasse, eu de repente abrisse os olhos e viesse brincar com ele.— Clara, você sempre dizia que queria provar meu bife, não é? Hoje eu cozinhei. Levante e experimente, vai ser bom, tá?Eu apenas o observava friamente, ouvindo ele falar sozinho.No meu último aniversário, esperei até tarde da noite, e ele nunca voltou para preparar minha festa. Em vez disso, presenciei a intimidade dele com Júlia na cama. E agora, diante de um corpo inerte, ele ainda tinha disposição para cozinhar?De repente, a porta foi arrombada. André entrou correndo, segurando um grosso diário.— Bruno, olha isso! Encontrei enquanto organizava os pertences da Matriarca. Sei que ela não queria que

  • Quando o Amor se Torna Morte   Capítulo 6

    Júlia caminhou de salto alto, cobrindo o nariz com a mão. Olhou para mim na maca, franziu o cenho com desgosto, mas um lampejo de satisfação brilhou em seus olhos:— Bruno, eu disse que a Clara estava atuando. Com certeza ela arranjou uma substituta. Para te amolecer, ela é capaz de tudo. Que mulher cruel!Bruno pareceu acordar de repente, girou e fixou os olhos nela com intensidade assustadora:— Certo, é falso. Ela tem medo de dor, como ousaria atirar em si mesma? Chamem o legista imediatamente!Eu não pude deixar de rir friamente. É verdade, antes eu tinha medo de dor. Mesmo um pequeno corte no dedo exigia que ele viesse me curar. Mas comparado à dor de um coração partido, o disparo de uma bala na cabeça parecia nada.O legista chegou rapidamente. Sob o olhar aterrorizante de Bruno, ele coletou as amostras com as mãos trêmulas e comparou tudo aos registros dentários.Cada segundo parecia durar uma eternidade.Bruno andava de um lado para o outro, inquieto, como uma fera presa.

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    No dia seguinte, André apareceu desesperado, procurando Bruno, que segurava Júlia nos braços.— Chefão, aconteceu uma tragédia! O orfanato pegou fogo ontem à noite! Nos escombros, encontramos o corpo da Matriarca...O ar da sala congelou com aquelas palavras. Bruno, ainda segurando a mão de Júlia, ficou imóvel.Alguns segundos depois, pareceu ouvir a maior piada do mundo e começou a rir com escárnio:— Clara está cada vez mais ousada. Agora até fingir a própria morte ela consegue? Realmente sem limites.Júlia tapou a boca fingindo surpresa, mas a satisfação nos olhos não podia ser escondida:— Ela perdeu completamente a noção! Como alguém coloca fogo no lugar onde cresceu só para chamar atenção?A frase acendeu a fúria de Bruno. Ele pegou um copo de vinho sobre a mesa e o lançou ao chão, estilhaçando o vidro.— André, diga a Clara que esse truque não funciona comigo! Ela gosta de fingir a morte? Então que fique deitada nos escombros até se cansar! Quando se tocar, que volte e peça de

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    — Não! Bruno, você não pode fazer isso! Fátima depende do remédio para viver! Se parar, ela vai morrer!Ignorando a dor que queimava nas costas da mão, tentei agarrar a mão dele, lutando para segurar ele.Fátima era a única pessoa que realmente me amava neste mundo; eu não podia perder ela.Bruno sacudiu minha mão com força e ordenou que o asilo interrompesse a medicação. Impassível, se afastou, deixando o desespero tomar conta de mim.Reunindo todas as forças, fui até o salão de reuniões da família, determinada a implorar para que ele retomasse o remédio de Fátima.Mas ao entrar, encontrei Júlia novamente, sentada no lugar à direita de Bruno, o meu lugar. Esse assento havia sido criado especialmente para mim, em reconhecimento à minha dedicação à família Soares.As palavras que Bruno me disse naquela época voltaram à minha mente: “Clara, eu coloquei este assento para que você pudesse participar das decisões da família. Queria que todos vissem o quão incrível você é!”Agora, porém, o

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