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Capítulo 4

Author: Verão
— Não! Bruno, você não pode fazer isso! Fátima depende do remédio para viver! Se parar, ela vai morrer!

Ignorando a dor que queimava nas costas da mão, tentei agarrar a mão dele, lutando para segurar ele.

Fátima era a única pessoa que realmente me amava neste mundo; eu não podia perder ela.

Bruno sacudiu minha mão com força e ordenou que o asilo interrompesse a medicação.

Impassível, se afastou, deixando o desespero tomar conta de mim.

Reunindo todas as forças, fui até o salão de reuniões da família, determinada a implorar para que ele retomasse o remédio de Fátima.

Mas ao entrar, encontrei Júlia novamente, sentada no lugar à direita de Bruno, o meu lugar.

Esse assento havia sido criado especialmente para mim, em reconhecimento à minha dedicação à família Soares.

As palavras que Bruno me disse naquela época voltaram à minha mente: “Clara, eu coloquei este assento para que você pudesse participar das decisões da família. Queria que todos vissem o quão incrível você é!”

Agora, porém, outra mulher ocupava aquele lugar.

Bruno, ao me ver trêmula, demonstrou uma ponta de preocupação misturada com irritação.

Júlia lançou um olhar levemente repreensivo e, abraçando seu braço com afeto, disse:

— Não pode ceder, viu? Aquela fúria da Clara me assustou demais!

Bruno me lançou um olhar irônico e comentou:

— Ouviu? Pedir para mim não adianta, peça para ela. Se você conseguir acalmar a Júlia, eu renovo o remédio de Fátima.

Ele se recostou na cadeira, esperando minha reação.

Apertei os punhos, hesitei por um instante e, finalmente, tirei o anel que simbolizava minha posição como Matriarca.

Em seguida, me inclinei para entregar o anel a Júlia.

— Desculpe. Foi meu erro. Não quero mais o assento de Matriarca, só peço que você se acalme.

Júlia olhou para o anel, deu uma risadinha e, diante de mim, abraçou Bruno pelo pescoço e lhe deu um beijo.

Só então falou, em tom lento:

— Isso é um pedido de desculpas ou está tentando jogar a culpa em mim? Eu não ousaria aceitar seu anel. Mas vou te dar uma chance: deite no chão, rasteje até meus pés latindo feito um cachorro e implore perdão. Talvez eu pense em te perdoar. O que acha?

Bruno acariciou a testa dela, murmurando algo brincalhão, como se concordasse com aquilo.

Naquele instante, meu coração morreu de vez.

Com lágrimas nos olhos, me ajoelhei no chão em humilhação.

Rastejei até os pés de Júlia como um cachorro, batendo a testa no chão e implorando pelo perdão dela.

Bruno finalmente não suportou mais e franziu o cenho:

— Chega, já basta.

O sorriso no rosto de Júlia se apagou, mas parecia ainda não satisfeita.

Aproveitei para agradecer rapidamente e me levantei, saindo.

Bruno me olhou, surpreso, percebendo que algo em mim havia mudado.

Mas minha mente só pensava em Fátima; enquanto ela estivesse bem, tudo estaria bem.

Eu estava enganada.

No caminho, o médico me informou que, devido à interrupção da medicação, a condição de Fátima piorou rapidamente.

Pouco antes, todos os esforços de reanimação haviam falhado.

Ela havia falecido.

Em estado de choque, cuidei sozinha dos preparativos para o funeral e, segurando suas cinzas, fui até o orfanato.

Mas, ao chegar, o que vi foi um verdadeiro inferno em chamas.
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