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Capítulo 2

Author: Verão
Cinco anos atrás, pouco depois de Bruno se tornar o Chefão, ele sofreu uma emboscada.

Naquela época, eu acabara de sair do orfanato e, por acaso, encontrei ele ensanguentado.

Reconhecendo que ele ajudava o orfanato, não sei de onde tirei coragem, mas o conduzi para dentro de um depósito abandonado para nos esconder.

Antes que a família Soares chegasse, fomos alcançados pelos perseguidores.

Levei um tiro por ele.

A bala quase atingiu minha coluna.

Depois, fomos levados de volta para a Mansão dos Soares.

Bruno estava gravemente ferido, mas assim que acordou, ainda com febre alta, correu até minha cama.

— Devo minha vida a você. O que quiser, eu darei.

— Eu salvei sua vida... então vamos nos casar.

Ia dizer que era brincadeira, mas Bruno simplesmente concordou com um aceno de cabeça.

Os dias de recuperação foram os mais felizes que já tivemos.

Quando se recuperou, Bruno ignorou a oposição da família e insistiu em se casar comigo, uma pessoa sem nenhum apoio.

Ele dizia que eu era a única luz em sua vida e queria que eu fosse a Matriarca mais respeitada.

Mas ninguém na família Soares me respeitava.

O primo de Bruno chegou a debochar da minha origem durante o casamento.

Ele não só o castigou severamente, como também anunciou publicamente que, dali em diante, eu teria o mesmo status que ele.

Desde então, ninguém na família Soares ousou me menosprezar.

Logo tivemos Celso, mas meu parto quase me custou a vida devido a uma antiga lesão.

Bruno, com lágrimas nos olhos, disse que eu o havia assustado e passou a querer ficar ao meu lado todos os dias.

Quando Celso completou um ano, Bruno parou de me acompanhar, frequentemente passando noites fora por causa dos assuntos da família.

A proximidade que tínhamos se perdeu, e eu vivia ansiosa, temendo que ele estivesse envolvido em algo perigoso sem me contar.

Por precaução, coloquei rastreadores em seu corpo.

Foi assim que descobri que, nas noites em que não voltava para casa, ele estava cuidando de Júlia.

Júlia Dias tinha acabado de retornar ao país depois da formatura.

As famílias Soares e Dias sempre tiveram boas relações.

Se não fosse por um imprevisto anos atrás, já teriam se casado.

Eu já a havia visto antes.

No nosso aniversário de casamento, preparei com carinho um jantar à luz de velas, esperando Bruno voltar.

Ele chegou acompanhado de Júlia e a apresentou:

— Esta é minha amiga de infância, que cresceu comigo e acabou de voltar ao país. Trouxe ela para conhecer você.

Acreditei plenamente e a tratei com atenção, confiando totalmente no nosso relacionamento.

Mas a realidade me deu um tapa cruel.

Nossa primeira briga intensa aconteceu na noite do meu aniversário.

Durante cinco anos, Bruno sempre voltava para casa e preparava pessoalmente minha festa de aniversário, sem jamais falhar.

Naquele ano, porém, ele não voltou.

Ele não atendia às minhas ligações nem respondia às minhas mensagens.

Esperei até tarde da noite.

Celso já estava dormindo e ele não apareceu.

Quando o dia começava a clarear, ele finalmente enviou uma mensagem de voz:

— Clara, tive um imprevisto esta noite. Vá dormir com Celso, não me espere.

Mas no áudio, os gemidos ambíguos de Júlia tornavam a mentira ainda mais evidente.

Peguei o rastreador e segui a localização.

Ao ver os dois juntos, meus olhos se encheram de lágrimas.

Prestes a confrontar Júlia, Bruno me barrou, apertando meu pulso com frieza:

— Clara, ela é da família Dias. Você não pode mexer com ela. Se ela se machucar, o tratamento de Fátima não vai funcionar.

Fiquei paralisada. Meu sangue quase voltou para o coração.

A diretora Fátima me criou; ela era a pessoa mais importante da minha vida.

E a medicação que prolongava sua vida estava nas mãos de Bruno.

Só pude recuar, humilhada, sob o olhar arrogante e desprezível de Júlia.

A partir daquele dia, Bruno ficou ainda mais desinibido, raramente voltando para casa.

Propus o divórcio, mas ele se recusou a assinar, chegando a me ameaçar com a guarda de Celso e com a medicação de Fátima.

Eu não entendia... por quê?
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