MasukO vento bateu contra o rosto de Kael com força.Ele semicerrrou os olhos por um instante, sentindo o ar frio cortar a pele enquanto corria.— Não parem! — gritou Victor.Kael segurou Elena pela mão, mantendo-a próxima.Selene vinha logo atrás deles, acompanhada por Aldric. Os passos dos cinco ecoavam pela rua enquanto tentavam ganhar distância da casa.Atrás deles, porém, havia outro som.Passos.Mais distantes.O desconhecido.Ele havia ficado para trás.Não porque tivesse desistido.Mas porque sabia que alguém precisava atrasá-los.Kael olhou por cima do ombro.Por alguns segundos, conseguiu enxergá-lo correndo sozinho, mantendo uma distância considerável.Então percebeu o que estava fazendo.Ele estava chamando a atenção dos homens que vinham atrás.— Ele está nos ajudando — Elena disse, ofegante.Kael apertou a mandíbula.— Eu sei.— Precisamos continuar.Kael sabia.Mas havia algo naquela imagem que o incomodava.O homem tinha aparecido do nada.Sabia demais.Conhecia o arquivo.
A porta já estava aberta.Kael foi o primeiro a atravessá-la, olhando rapidamente para os dois lados do corredor.Nada.Por enquanto.— Vamos — murmurou.Elena veio logo atrás.Selene segurava contra o corpo os documentos que haviam conseguido retirar do arquivo. Victor mantinha a atenção voltada para trás, enquanto Aldric seguia em silêncio.O desconhecido foi o último a sair.Assim que colocou os pés no corredor, fechou a porta cuidadosamente.Kael olhou para ele.— Quanto tempo temos?O homem demorou um segundo para responder.— Pouco.— Isso não é uma resposta.— É a única que posso dar.Victor soltou uma risada sem humor.— Estamos fugindo de homens que cercaram a casa e você continua falando como se tivesse todo o tempo do mundo.O homem o encarou.— Se eu achasse que tínhamos tempo, não estaria mandando vocês correrem.Um ruído distante interrompeu a conversa.Passos.Vários.Kael imediatamente fez um gesto para que todos permanecessem em silêncio.O grupo ficou imóvel.As voze
A passagem era estreita.Tão estreita que Kael precisou caminhar de lado em alguns trechos para não esbarrar nas paredes.Atrás deles, os sons da casa ficavam cada vez mais distantes.Passos.Vozes.Portas sendo abertas violentamente.Eles estavam procurando.E, em algum momento, encontrariam a entrada do arquivo.— Quanto tempo temos? — Victor perguntou.O homem caminhava à frente.— Pouco.— Isso não é uma resposta.— É a única que importa agora.Victor cerrou os dentes, mas continuou andando.Elena mantinha uma das mãos apoiada na barriga.Kael percebeu.— Está cansada?— Um pouco.Ele diminuiu o passo imediatamente.— Então vamos mais devagar.— Kael...— Não vou discutir.Ela quase sorriu.Mesmo naquele momento, havia algo diferente nele.Antes, Kael teria simplesmente ordenado que ela ficasse para trás.Agora, apenas ajustava o próprio passo ao dela.Selene observou os dois em silêncio.Aquela pequena mudança talvez fosse insignificante para qualquer outra pessoa.Para ela, não.
O silêncio dentro do arquivo parecia sufocante. Do lado de fora, os sons continuavam. Passos. Galhos sendo quebrados. Vozes baixas demais para que conseguissem entender as palavras. Eles estavam cercados. E todos naquela sala sabiam disso. O homem permanecia encostado à mesa, observando os cinco à sua frente. Kael não tirava os olhos dele. — Há quanto tempo você sabia? O homem não respondeu imediatamente. — Tempo suficiente. Kael deu um passo à frente. — Então sabia que eles viriam atrás de nós. — Sabia que viriam atrás do arquivo. Aldric estreitou os olhos. — Não de nós? O homem olhou para ele. — Vocês são apenas o que aconteceu depois. Selene apertou os documentos contra o peito. — E o que eles querem? — A mesma coisa que todos os outros quiseram durante anos. — O nome — disse Kael. O homem assentiu. — O nome e tudo que vem depois dele. Victor se aproximou da porta. Parou antes de tocá-la. — Estão se movimentando. Kael virou-se. — Quantos? — Não sei.
A sombra permaneceu parada na entrada.Ninguém se moveu.Kael sentiu o corpo inteiro ficar em alerta.Sua mão continuava sobre a espada, enquanto Elena permanecia atrás dele.Victor deu um passo para o lado, bloqueando parte da passagem.Selene segurou a respiração.Aldric, porém, parecia ter reconhecido aquela presença.— Não... — murmurou.Kael ouviu.— Você conhece essa pessoa?Aldric não respondeu.A sombra finalmente avançou.Um homem entrou na sala.Era alto.Usava um casaco escuro e carregava o rosto parcialmente escondido pela penumbra do corredor.Kael ergueu a espada.— Pare.O homem parou.Por alguns segundos, apenas observou os cinco.Então seus olhos encontraram Aldric.— Você abriu o arquivo.Não era uma pergunta.Aldric apertou a mandíbula.— Você não deveria estar aqui.O homem soltou uma risada baixa.— Nem você.Victor avançou.— Quem é você?O homem ignorou a pergunta.Seus olhos passaram por Kael.Depois por Elena.E finalmente pararam em Selene.Ela recuou instint
O último degrau terminou em uma pequena plataforma de pedra.Kael foi o primeiro a chegar ao chão.Atrás dele, Elena desceu com cuidado, seguida por Selene, Victor e Aldric.O silêncio naquele lugar era diferente.Não era o silêncio vazio de uma sala abandonada.Era o silêncio de algo que havia sido escondido de propósito.Kael ergueu uma das tochas presas à parede.A chama iluminou um corredor estreito, cercado por pedras antigas.— Então era isso que estava debaixo da casa do Conselho... — Victor murmurou.Aldric não respondeu.Caminhou devagar até a parede do fundo.Passou os dedos pela pedra, procurando alguma coisa.— Aqui.Kael se aproximou.— A chave?Aldric apontou para uma pequena abertura quase invisível entre duas pedras.Kael entregou a chave.Aldric a encaixou.Por alguns segundos, nada aconteceu.Então um mecanismo antigo estalou dentro da parede.Um som pesado percorreu o corredor.A pedra começou a se mover lentamente para o lado.Selene deu um passo para trás.Do outr







