FAZER LOGIN— Ai, Selene… essa madre te criou tão mal. O problema dessa velha é fazer tudo parecer um mar de rosas, que o mundo é lindo e com purpurina para essas crianças melequentos que nem você. Mas bem-vinda a Marselha, onde em cada esquina há segredos escondidos com beleza e luxúria.
Mathias a contemplou como se observasse um brinquedo quebrado. Havia algo de lento e calculado naquele sorriso que se insinuou no canto da boca dele.
— Se eu soubesse que você era uma maldita criminosa podre…
— Pois é, mas fique sabendo que foi você minha porta de entrada para me interessar e indicar esse lugar ao chefe. Eu ganhei um bônus por isso, ele gosta da ideia, e por isso fez com que esse lugar entrasse em uma crise, tirando os investidores e doadores de circulação, levando esse lugar ao que é hoje.Selene travou com a informação e se sentiu ainda mais culpada.
— Desde quando você está envolvido com isso?— Sempre estive envolvido com a máfia — respondeu seco. — Eu que ajudei esses “homens” a conseguirem esse lugar. Foi conveniente. É bom ter um lugar onde conseguir mercadoria quando preciso.
A confusão e o horror estampado no rosto dela o divertiam. Selene, tomada por uma raiva irracional, bateu no rosto dele com a palma da mão, um gesto pequeno e desesperado.
Mathias, impassível, agarrou-a com ambas as mãos pelo cabelo, forçando seu rosto a ficar a poucos centímetros do dele. O ar entre os dois ficou tenso, espesso.
— Você tem sorte — rosnou ele, a voz tão baixa que parecia uma ameaça de morte — de eu precisar que você esteja inteira para entregar. Se não fosse assim, já teria quebrado seus ossos por ter ousado me tocar.Selene gemia por causa da dor, o couro cabeludo latejando entre os dedos dele. As lágrimas misturavam-se ao sangue do lábio; a vergonha queimava ainda mais que a dor. Ela tentou puxar-se para trás, mas os braços dele eram uma prisão.
Nesse instante, o som distante de um motor cortou o silêncio. Um carro se aproximava, mas ainda não tinha visto a confusão; seus olhos estavam na grande construção murada ao redor do orfanato.
— Será que é esse o lugar? O novo mercado de Omar? — o homem perguntou, com um olhar inexpressivo ao analisar a estrutura desbotada. — Pode ser. O bairro parece até mesmo abandonado; não seria difícil para ele levar todas as meninas sem levantar suspeitas. — Só tem meninas? — Sim, em torno de sessenta delas. — Oh… isso pode render bilhões para ele, já que estão sempre chegando mais crianças, não é? — Parece que eles estão com planos de usar o lugar para receber estrangeiras também, para ficar aí até certo período de idade. Bem conveniente. — Até parece. Eles não se importam com idade. — O que pensa em fazer? — Vamos dando uma olhada sem interferir. Qualquer negócio do Omar, para mim, é um pretexto e uma chance para encurralá-lo. — Ora essa, será que é aquela garota? — o homem dirigindo o carro comentou com o outro, que sorriu de forma sóbria ao ver a cena.Enquanto o carro se aproximava, Mathias parou, o corpo tenso, escutando o motor. Seus olhos estreitaram-se num olhar expectante, como se aquele som pudesse determinar o próximo passo.
O carro freou lentamente, sua presença preenchendo a rua com a promessa de algo ainda pior, mesmo estando do outro lado da rua, a alguns metros deles.
Selene, encostada no chão, tentou erguer o corpo enquanto tremia de medo e dor. O coração batia descompassado, e a única certeza que teve ao ver aquele homem no carro era que deveria correr.
— É bom manter a discrição! — Axel alertou Adon, jogando um chapéu na cabeça dele antes que fosse reconhecido.Adon e Axel desceram do carro quase ao mesmo tempo, o motor roncando baixo enquanto a tarde morna iluminava os muros descascados do orfanato. Ele permaneceu encostado no vidro, observando a cena com uma frieza que não tentava disfarçar.
Os olhos de Adon seguiram o movimento: uma moça encolhida no chão.
Axel riu, gostando do quadro. — Essa não é mesmo a sua suposta virgem? Tá prestes a virar mercadoria de novo.Adon ficou em silêncio por um longo segundo. Não havia humor no rosto dele, apenas a linha tensa de alguém acostumado a calcular danos e resultados.
Aproximou-se vagamente o vento, mexendo o brim do chapéu que o parceiro lhe ofereceu.
Adon puxou o chapéu, cobrindo parcialmente o rosto. — Não deixe ninguém te reconhecer — reforçou Axel, baixando a voz. — Essa área pode estar vigiada por Omar.Seus passos eram medidos, cada um com o peso de alguém que havia atravessado campos de batalha e negócios sujos. Uma pistola discreta à mão, mas a arma parecia mais um adereço do que uma necessidade; Adon era perigoso mesmo sem ela.
— Se levante como se tivesse sido um acidente e vamos sair daqui! — Mathias asseverou, só para Selene ouvir. Mas ela tentou se recusar, e ele a pegou pelo braço com força. — Que merda, Selene, apenas obedeça!
— Você não deveria bater em damas, não é? — a provocação de Adon era morna, quase um sussurro.Mathias gargalhou, arrogante, tratando o homem de forma mais casual do que deveria.
Cap. 164 encerramento.Finalmente era dia que antecedia o casamento de atila e Katleia.A noite que antecedia o casamento trouxe consigo uma calmaria rara e quase sagrada para a mansão que atila tinha comprado para viver com Katleia.Longe dos relatórios de guerra de Adon e das estratégias institucionais de Selene, o andar superior estava imerso em um silêncio reconfortante. Na sala da noite — um ambiente íntimo, banhado pela luz mansa e dourada de um abajur de canto —, Katleia estava sentada no centro do grande sofá de veludo. Ela vestia um robe de seda clara, as mãos repousando sobre os joelhos. Embora seus olhos transmitissem a paz de quem finalmente encontrara um porto seguro, havia uma leve sombra de preocupação em seu semblante.A porta se abriu devagar e Átila entrou. vestia apenas uma calça escura e uma camisa de algodão leve com as mangas dobradas até os antebraços.Seus olhos focaram instantaneamente em Katleia, e toda a rigidez que ele sustentava diante do mundo desmoronou
Cap 163: A Única PonteAdon voltou para casa, Selene estava na cozinha, o cheiro de café pairava pela cara, mas adon seguiu para seu escritório.O escritório particular da mansão principal estava imerso em uma penumbra densa, quebrada apenas pela luz fraca da lua que filtrava pelas cortinas semiabertas.Adon Felix não havia dormido. Os avisos de Omar no hospital e as palavras sombrias de seu próprio pai ecoavam em sua mente como um tambor de guerra.O problema diante de seus olhos não era uma disputa territorial comum; não se tratava de rotas de contrabando ou carregamentos de armas interceptados. Era uma podridão que ia muito além das regras e dos limites da máfia tradicional. Uma rede internacional de tráfico humano e prostituição infantil estava usando as artérias de sua cidade, e a pressão da polícia federal começava a sufocar as fronteiras.Se ele atacasse sozinho com os homens dos Felix, derramaria o sangue de seus soldados em uma guerra de atrito que destruiria a estabilidade r
Cap 162: A Coroa de EspinhosO vento gelado do fim de tarde cortava as frestas dos arranha-céus da capital, fazendo o tecido do terno sob medida de Adon Felix tremular de leve.Ele estava de pé na calçada, ajustando as abotoaduras de prata nos pulsos. Seus movimentos eram calculados, mas a rigidez em sua mandíbula entregava o turbilhão interno.Ao seu lado, William mantinha a postura impecável de um soldado veterano, os olhos atentos a qualquer movimentação suspeita na avenida movimentada.Eles estavam prestes a dar o passo definitivo. Não havia mais espaço para recuos; a partir daquela noite, o destino da família Felix estaria selado sob o comando de Adon.Logo à frente, guardando a entrada imponente de um grande prédio empresarial espelhado cuja fachada de vidro refletia o céu cinzento, duas figuras conhecidas os aguardavam.O Don Alex Felix, vestindo um sobretudo escuro que lhe conferia um ar de patriarca intocável, mantinha os braços para trás. Ao seu lado, Willy Forges, seu conse
Cap. 161POV ÁTILAEu sou o vice-líder da maior organização criminosa deste lado do continente.Eu sou o homem que faz os cobradores de impostos do submundo tremerem e que limpa a sujeira que ninguém mais tem coragem de tocar.Mas ali, sob o sol forte das duas horas da tarde, olhando para uma horda de trinta pequenos seres humanos hiperativos e barulhentos, eu percebi que a verdadeira definição de inferno tinha sido atualizada, aqui? Eu não sou nada além de alguém prestes a fugir na primeira oportunidade.Tudo por culpa da Selene. E do meu irmão, claro. Aquele traidor, eu já nem trato mais Selene como minha irmã, pra mim... ela é a vilã de toda a minha historia, não me deixa em paz nem um segundo, mesmo depois que Katleia me perdoou, ela não perdoa ninguém.No dia anterior, após eu me livrar da pena do Estado com um suborno gordo, Selene entrou no meu escritório com um sorriso que faria o próprio diabo dar um passo para trás. “Você achou que ia se safar de devolver algo para o mundo,
Cap.160Mansão Felix.A mesa de carvalho escuro do escritório central da mansão parecia maior agora que a poeira das últimas batalhas havia assentado. Átila estava de pé, observando os monitores que exibiam o mapeamento digital das fronteiras de seu antigo território.Após quase quatro meses de renúncia, de ter aberto mão de cada centavo e título de sua herança para blindar os Felix das investigações que o cercavam, ele finalmente recuperava o domínio completo do Segundo Corvo.Ver as telas brilhando com os relatórios operacionais trazia uma sensação estranha de familiaridade. Aquele submundo sempre fora seu ecossistema, o império que ele mesmo erguera com punhos de aço.Adon entrou no escritório sem bater, jogando uma pasta de couro preta sobre a mesa. Ele puxou a cadeira da frente e desabou nela, soltando um suspiro pesado de puro cansaço.— Pronto. Está tudo atualizado no sistema do Conselho — Adon começou, cruzando as pernas e encarando o irmão mais velho. — Você está oficialmente
Cap.159Atila saiu do hospital no mesmo dia e agora estavam todos reunidos na mansão ponte novamente.O silêncio na sala de estar da mansão ainda carregava parecia que atila tinha dado a todos uma missão para conseguir cumprir sua meta de se casar tão rápido, mas naquele momento, parecia um momento para respirar um pouco, tinha outra coisa que ele queria conversar.Átila estava sentado na borda do sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas, encarando o tapete felpudo.Ele já não vestia as roupas táticas usava algo mais leve, mas seus ombros ainda pareciam carregar o peso de um mundo inteiro enquanto seus pensamentos estavam borbulhando.Katleia aproximou-se devagar, sentando-se ao lado dele.O movimento do seu corpo ainda era contido, um lembrete físico da curetagem realizada há poucos dias, mas seus olhos mostravam uma lucidez calma..Átila soltou um suspiro longo, daqueles que parecem vir do fundo da alma, e virou o rosto para encará-la.— Antes de qualquer c







