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Lorenzo
Vê-la naquele vestido vermelho me fez imaginar coisas, sou homem e não sou de ferro, mas isso não significa que vá rolar algo entre nós, é somente contrato e não passará disso, eu preciso me controlar com esses pensamentos intrusos. Tenho que confessar, Liza era maravilhosa, seu cheiro parecia ter ficado impregnado em mim, podia sentir que estava desconfortável com minha mão em sua perna, mas precisamos parecer reais e o toque é essêncial enquanto estivermos em público.
Seu telefone tocou e imaginei que fosse notícias de seu pai, ela se afastou ficando de costas, permaneci com as mãos no bolso, dando seu espaço, quando percebi que ela desligou e olhou para cima, me aproximei, tocando em seu ombro e fui surpreendido com um abraço. Respirei fundo, sem saber como reagir, percebi um carro chegando e alisei suas costas, beijando o topo da sua cabeça, ouvi um soluço.
— Era noticias do seu pai? - Ela se afastou, seu rosto estava vermelho, a maquiagem um pouco borrada.
— Sim, ocorreu tudo bem na cirurgia. - Desviei o olhar, vendo meus pais descendo do carro. — Obrigada por ter pagado o hospital e ter permitido isso.
A encarei, ela tentava limpar a maquiagem, tirei um lenço do bolso e a ajudei, segurando em seu rosto, passando delicadamente para tirar o borrão de baixo dos seus olhos, ela me olhava com a testa franzida, talvez pelo meu ato mas estamos sendo observados.
— Eu só fiz o que prometi para você no contrato, agora preciso da sua ajuda. - Retirei do bolso uma caixinha de veludos, abrindo e revelando um colar prata, com pedras de diamantes. — Isso irá deixar você ainda mais deslubrante e destacar a cor dos seus olhos.
— Lorenzo... eu... não posso aceitar. - Revirei os olhos, segurei em seu ombro e a virei de costas, passando o colar para frente e o colocando em seu pescoço. Aproximei minha boca do seu ouvido.
— Entenda que como minha esposa, você terá acesso e direito dos luxos a hora que quiser, isso faz parte do acordo.
Depositei um beijo em seu ombro e deslizei minha mão para os seus braços, sentindo sua pele se arrepiar, ela se virou encontrando com meus olhos e logo abaixou.
— Minha maquiagem deve estar horrível.
— Não, nem borrou tanto assim, consegui limpar e está impecável. Agora podemos ir?
Ela assentiu com a cabeça, passei meu braço para trás apoiando em suas costas, a conduzindo andar, meus pais permaneciam parados na entrada, olhando para nós dois. Apertei sua cintura ao se aproximar, minha mãe abriu um sorriso gentil.
— Boa noite! Que supresa, eu não sabia que você vinha acompanhado. - Ela me abraçou e logo se afastou, desviando o olhar para Liza.
— Boa noite! Mãe, pai, essa é Liza. Liza esses são meus pais, Elizabeth e Mason.
Ela me olhou, fiz sinal com a cabeça, seus olhos desviaram para eles, meu pai me olhava desconfiado, talvez por lembrar da garota na empresa ou não, porque até então para mim, ela era uma desconhecida, o que continua sendo.
— É um prazer conhecer vocês.
— O prazer é todo nosso querida. Olha para você, é uma mulher encantadora. - Disse minha mãe dando uma piscada de olho para mim.
— Eu tenho impressão que a conheço de algum lugar. - Soltou meu pai, Liza me olhou desesperada.
— Bom, vamos entrar? Daqui a pouco os noivos chegam e não vão querer encontrar os convidados aqui fora.
Desconversei, como eu não tinha pensado nessa posibilidade? Pelo que vi em seu cadastro, Liza trabalha há três anos na empresa, mas, pouco tinhamos contato, lembro dela somente servir meu café, não sei se faria o mesmo com meu pai, mas o que importa também? A conheci na empresa, o que torna a história mais fácil.
— É com lincença, eu gostaria de usar o banheiro.
— Ah queria, claro. É por ali. - Minha mãe apontou para a porta, Liza me olhou e sorri, assentido com a cabeça. — Lorenzo você não nos falou que vinha acompanhado.
— Mãe, porque eu deveria falar? Liza será minha futura noiva, afinal não era isso que vocês queriam? Que eu arranjasse alguém para casar?
— Essa garota não trabalha ne empresa meu filho? - Suspirei.
— Sim, ela trabalha.
— Eu sabia que lembrava dela. - Disse ele. — É uma garota gentil, muito educada, tenho recordações, ela é secretária, não é?
— É pai, a conheci na empresa.
— E o que estava acontecendo lá fora, vocês estavam brigando? - Questionou minha mãe.
— Não, o pai dela passou por uma cirurgia delicada essa tarde e ela só recebeu a notícia de que ocorreu tudo bem. Olha não quero vocês me julgando ou a julgando, ok? Ela me ajudou enquanto eu tava no fundo do poço, enquanto vocês estavam ai passando a mão na cabeça do Mattew. Eu também fui alicerce dela nesses meses que seu pai esteve doente, nos aproximamos muito e acabamos nos envolvendo, criando sentimentos, eu acho que... - Fiz uma pausa, dando um sorriso de canto, precisava ser convicente. — O que eu sinto por Liza, nunca senti pela Jhulia.
— Até dois dias atrás você estava surtando com o convite de noivado do seu irmão.
— Mãe isso eu nunca irei aceitar pela traição que os dois fizeram comigo. Agora vou solicitar o meu noivado e vocês não poderão tirar a empresa de mim.
— Você casando sabe que a empresa será sua Lorenzo, em momento nenhum quero passar para seu irmão ser o CEO daquele lugar, sei que ele colocará tudo a perder o que eu batalhei com meu próprio suor para sermos o que somo hoje, mas são regras da família.
— Pois eu vou me casar e ele não tocará um dedo naquele lugar.
Liza voltou e o assuntou terminou ali, minha mãe começou fazer perguntas e meu pai não parava de elogiar, lembrando do seu trabalho na empresa, deixando a garota completamente sem jeito. Não demorou muito para ser anunciado a entrada dos noivos, todos ficaram de pé, Liza estava em minha frente, levei minha mão para sua cintura e a trouxe para perto de mim, apertando com força seu corpo ao ver os dois entrando de mãos dadas, com sorrisos estampado no rosto como se não tivessem feito nada de errado, traidores, se acham que irão conseguir o que querem, estão muito enganados.
O silêncio que agora habitava a mansão Monett não guardava mais o peso dos segredos ou a sombra das velhas disputas de poder. Era um silêncio necessário pela calmaria de um recomeço que, anos atrás, parecia impossível.Quem vê Lorenzo e Liza hoje, caminhando de mãos dadas pelo jardim enquanto o riso dos filhos ecoava ao fundo, apenas se lembraria de como essa história havia começado. Tudo nascerá sob a frieza de papéis, assinaturas e um contrato falso de casamento, uma aliança de concessão moldada para erguer barreiras e proteger interesses. Naquela época, Lorenzo era u
(...)LizaAbsorvi as palavras sobre o falecimento de Mattew, levando um leve susto. Não sinto alegria, nem uma vontade de celebrar. O que me envolveu foi uma onda avassadora de rompimento, um peso invisível que finalmente foi retirado dos meus ombros após anos de medo constante.Encostei a cabeça no peito dele, ouvindo o ritmo firme do seu coração. O tique-taque do relógio do escritório parecia marcar o início de uma nova era. Minha mão espalmou-se contra o peito dele e, em um gesto que vinha repetindo em segredo nas últimas semanas, desceu lentamente até pousar sobre o meu próprio ventre.Desta vez, eu não me afastei. Não mudei de postura quando notei que ele olhou para a minha mão. Olhei para cima, encontrando o
(...)LorenzoO calor daquela ilha era completamente diferente do abafamento sufocante de Dallas. Nos dias que se seguiram, um ritmo calmo que aos poucos tentava desacelerar os batimentos do meu coração.Sentado na varanda, observando Amabily correr pela areia enquanto o avô a vigiava de perto, senti uma gratidão que há um tempo não visitou meu peito. Eu havia passado uma vida inteira lutando, achando que o poder era a única armadura possível. Mas a verdadeira paz estava ali, na fragilidade daquela rotina silenciosa que eu quase fiz evaporar outra vez.No entanto, mesmo no paraíso, os velhos instintos de proteção não dormiram. E os meus olhos estavam sempre atentos a Liza.&n
(...)LizaO som das hélices cortando o ar começou como um eco distante sobre o oceano, mas foi o suficiente para fazer meu coração disparar. Da varanda da casa naquela ilha isolada, o refúgio que servira de abrigo e prisão emocional pelas últimas semanas, olhou para o céu nublado.Mais de trinta dias de silêncio absoluto. Alimentando Amabily com histórias de que o pai estava em uma viagem importante, enquanto por dentro eu me afogava no medo de que Lorenzo não voltasse. Cada barco que chegava ao continente falava sobre o fim dos Monett, mas eu me recusava a aceitar. Eu acreditava na promessa dele.O helicóptero preto finalmente surgiu na linha do horizonte, aproximando-se da área de pouso gramada nos fundos da pro
(...)O sol nasceu em Dallas trazendo uma névoa densa que parecia relembrar o estado da empresa de Monett. A transição do Lorenzo "fantasma" para o Lorenzo "presidente do conselho" traz frieza calculada. Antes de trazer Liza e Amabily de volta, eu primeiro garantiria que o terreno onde elas pisariam estivesse limpo de qualquer ameaça.Entrei na empresa usando um terno sob medida, com o braço ainda na tipóia, emocionado com o efeito exato que eu planejeiva: choque absoluto. Os funcionários paravam nos corredores, as sugestões se espalhavam como pólvora e os rostos dos secretários empalideciam.A porta da sala do conselho foi aberta sem aviso. Os sete pilares da empresa, homens que controlavam as ações e que já articulavam a partilha dos bens após a notíc
(...)LorenzoTrinta dias.Para o mundo, eu estava morto, enterrado sob o peso de manchetes sensacionalistas. Para Liza e Amabily, eu era um fantasma que elas esperavam que retornasse. Mas para mim, eu era um prisioneiro da minha própria estratégia.Manter-me afastado delas foi a parte mais difícil de todo o plano. Cada parte do meu ser gritava para pegar o telefone, para ouvir a voz de Liza ou o riso de Amabily, mas eu sabia que Mattew era um animal ferido. E animais feridos farejam qualquer rastro de esperança. Um sinal de cel







