FAZER LOGIN365 dias. Um casamento. Um homem que esconde mais do que deveria. Sofia Moretti nunca imaginou que uma proposta de casamento pudesse mudar sua vida em apenas um dia. Quando Alexander Blackwood, um dos homens mais poderosos do país, oferece a ela um contrato de um ano, as regras parecem simples: ser sua esposa, manter as aparências e não fazer perguntas. Sofia aceita acreditando que, depois de 365 dias, estará livre. Mas quanto mais tempo passa ao lado de Alexander, mais percebe que aquele casamento talvez nunca tenha sido apenas um acordo. E algumas verdades são perigosas demais para serem descobertas antes do fim do contrato.
Ver maisSofia Moretti saiu do prédio pouco depois das seis da tarde, ajeitando a alça da bolsa no ombro enquanto descia os últimos degraus. O turno tinha terminado havia alguns minutos, mas a sensação de cansaço já estava presente. Não era exatamente o trabalho que a deixava assim. Eram as horas, as contas e a preocupação constante de saber que, no fim do mês, o dinheiro que receberia não seria suficiente.
Ela parou por um instante na calçada e respirou fundo. Precisava encontrar alguma coisa melhor, ou outra coisa além daquela. O emprego de meio período tinha sido uma solução quando conseguiu a vaga, mas agora começava a ficar evidente que não bastava. O salário cobria uma parte das despesas, e só. O restante continuava esperando por ela no fim do mês. Talvez procurasse outro emprego depois daquele turno. Alguma coisa à noite, um segundo trabalho durante algumas horas. Não seria fácil, mas também não podia continuar esperando que as contas simplesmente deixassem de existir. Pegou o celular para conferir as horas e encontrou uma mensagem da mãe. Mãe: Você vem jantar hoje? O Marco está aqui. Fiz comida demais, como sempre. Sofia sorriu ao ler a mensagem. Teresa nunca admitia que fazia comida demais de propósito. Digitou enquanto caminhava, desviando de algumas pessoas que passavam apressadas pela calçada. Sofia: Vou sim. Só vou passar em casa antes. A resposta chegou quase imediatamente. Mãe: Não precisa trazer nada. Só vem. Sofia guardou o celular com um pequeno sorriso ainda nos lábios. Era uma coisa pequena, mas naquele momento pareceu boa. A mãe não sabia dos problemas financeiros. Seu irmão, Marco, também não, e ela pretendia continuar assim. Não porque não confiasse neles. Era justamente o contrário. Conhecia os dois o suficiente para saber que, se contasse, tentariam ajudá-la. Teresa provavelmente faria contas que não podia fazer e tentaria cortar coisas de casa para sobrar algum dinheiro. Marco procuraria uma maneira de conseguir mais horas de trabalho, mesmo que isso significasse chegar em casa ainda mais tarde. Sofia não queria isso. Tinha começado a trabalhar justamente para não precisar pedir ajuda. O problema era que ainda não estava conseguindo. Ela atravessou a rua e diminuiu o passo ao passar diante de uma vitrine. Um segundo emprego. Talvez fosse essa a resposta. Não gostava da ideia, mas poderia procurar alguma coisa que começasse depois daquele horário. Se conseguisse algumas horas por noite, talvez conseguisse complementar o salário e colocar as contas em ordem. O pensamento ainda estava se formando quando percebeu um homem parado alguns metros adiante, próximo à entrada de um edifício comercial, segurando um telefone em uma das mãos. Não parecia estar com pressa, nem esperar por um carro. Sofia continuou andando, mas sua atenção permaneceu nele por alguns segundos. Quando passou por ele, ouviu: — Senhorita Moretti? — chamou o homem, guardando o celular depois de se dirigir a ela. Sofia parou e virou-se devagar. Ele já a observava. Era mais velho do que ela, provavelmente perto dos quarenta, vestia um terno escuro impecável e tinha uma aparência discreta. Nada nele chamava atenção além do fato de saber exatamente quem ela era. — Sim? — respondeu, mantendo uma das mãos presa à alça da bolsa. O olhar dela passou rapidamente pelo homem, tentando entender de onde poderia conhecê-lo. — Desculpe abordá-la dessa maneira. Meu nome é Nathan Cole — apresentou-se, mantendo uma distância respeitosa. A maneira profissional como falou não diminuiu a cautela de Sofia. Ela permaneceu onde estava, sem demonstrar intenção de continuar a conversa até entender o motivo daquela abordagem. — Nós nos conhecemos? — perguntou, estreitando levemente os olhos. — Não — respondeu Nathan, com simplicidade. A resposta veio tão direta que Sofia esperou em silêncio pela continuação, e ele percebeu imediatamente a expectativa em seu rosto. — Sou advogado e trabalho para Alexander Blackwood — explicou, observando a reação dela. O nome fez Sofia franzir levemente a testa. Ela conhecia Alexander Blackwood, como praticamente todo mundo conhecia. CEO da Blackwood Group, empresário bilionário, presença constante em revistas de negócios e notícias econômicas. Mas não fazia ideia do que o advogado dele queria com ela. — Certo... — murmurou, sem esconder a estranheza. Seus olhos permaneceram sobre Nathan por alguns segundos, esperando que aquela informação finalmente trouxesse algum sentido à situação. Nathan tirou um cartão do bolso interno do paletó e estendeu para ela. — O senhor Blackwood gostaria de conversar com você — disse, mantendo o cartão entre os dedos até que Sofia o pegasse. Ela olhou primeiro para o cartão e depois para ele. — Comigo? — perguntou, apontando levemente para si mesma, como se ainda não estivesse convencida de que havia entendido corretamente. — Sim — confirmou Nathan. O tom tranquilo não oferecia nenhuma explicação adicional, o que só aumentou a curiosidade dela. Sofia baixou os olhos para o cartão mais uma vez antes de voltar a encará-lo. — Por quê? — perguntou, agora mais cautelosa. Havia algo naquela situação que simplesmente não parecia se encaixar. Nathan sustentou o olhar dela por um instante antes de responder. — Ele prefere explicar pessoalmente — disse, sem acrescentar mais nada. A resposta fez Sofia permanecer em silêncio por alguns segundos, claramente insatisfeita com a falta de detalhes. Ela olhou novamente para o cartão. Nome, número, escritório. Tudo parecia profissional demais para ser uma brincadeira. Ainda assim, havia uma pergunta que continuava incomodando. — Como você sabe quem eu sou? — perguntou, erguendo os olhos novamente. A dúvida tinha permanecido desde o instante em que ele a chamou pelo sobrenome. Nathan não respondeu imediatamente. Seu silêncio durou apenas alguns segundos, mas foi suficiente para Sofia perceber que aquela pergunta havia tocado em alguma coisa que ele preferia não explicar. — O senhor Blackwood pediu que eu a procurasse — respondeu por fim, mantendo a expressão discreta. Sofia soltou um pequeno suspiro, segurando o cartão entre os dedos. — Isso eu entendi — disse, com uma leve inclinação da cabeça. O olhar dela continuava firme sobre ele. — Mas não explica como ele chegou até mim. Nathan pareceu considerar a observação por um instante antes de responder. — Imagino que tenha outras perguntas — comentou, e um pequeno sorriso apareceu no rosto dele antes de desaparecer rapidamente. Sofia guardou o cartão na bolsa, ainda sem parecer convencida. — Algumas — admitiu, fechando a bolsa depois de colocar o cartão no compartimento interno. — Ele poderá responder melhor do que eu — respondeu Nathan, mantendo o mesmo tom profissional. A maneira como ele evitava oferecer informações só deixava Sofia ainda mais curiosa. Ela ficou alguns segundos em silêncio antes de perguntar: — E onde seria essa conversa? — quis saber, ajeitando a bolsa no ombro. Se fosse realmente apenas uma conversa, ao menos queria saber onde estava sendo chamada. Nathan informou o endereço e o horário. Era um restaurante discreto, conhecido por receber executivos e pessoas que preferiam reuniões longe dos olhos do público. Amanhã, às oito da noite. Sofia ficou em silêncio. Tinha acabado de sair de um trabalho que mal pagava o suficiente para manter suas próprias contas em dia. Estava pensando em procurar um segundo emprego e, de repente, um dos homens mais ricos do país tinha mandado um advogado encontrá-la na rua. Não fazia sentido. Ela olhou para Nathan por mais alguns segundos antes de tomar uma decisão. — Eu vou pensar — disse, sem prometer que apareceria. Ainda não sabia o que Alexander Blackwood queria com ela e não pretendia aceitar um convite daquele tipo sem ao menos considerar a situação. Nathan assentiu, recebendo a resposta sem insistir. — Claro — respondeu, com um movimento discreto da cabeça. Não tentou convencê-la, o que Sofia considerou um pouco menos estranho do que teria sido se ele insistisse. Ela começou a se afastar, mas parou depois de alguns passos. Alguma coisa ainda não a deixava ir embora completamente. Virou-se e olhou para trás. — Ele sabe alguma coisa sobre mim? — perguntou. A pergunta saiu antes que pudesse reconsiderá-la. Nathan pareceu considerar a resposta. Por um instante, seus olhos se desviaram para o movimento da rua antes de retornarem a ela. — O suficiente para querer conhecê-la — respondeu, sem alterar o tom. Sofia ficou parada por alguns segundos, encarando-o. Aquilo não esclarecia absolutamente nada. Talvez fosse justamente a intenção. — Certo — murmurou, mais para si mesma do que para ele. A expressão de Nathan não mudou, e Sofia percebeu que não conseguiria arrancar mais informações daquela conversa. Voltou a caminhar. O cartão parecia pesar dentro da bolsa. Ela não sabia por que Alexander Blackwood queria falar com ela, não sabia como ele tinha chegado até seu nome, muito menos o que poderia ter interesse em discutir com alguém que trabalhava meio período e estava tentando descobrir como pagaria as próprias contas no mês seguinte. Mas também não conseguia simplesmente jogar o cartão fora. Talvez fosse apenas uma oportunidade profissional. Talvez fosse alguma coisa relacionada ao trabalho. Ou talvez fosse algo completamente diferente. Sofia olhou para o celular outra vez. Havia uma nova mensagem da mãe. Mãe: Você está vindo mesmo, né? Ela sorriu sem perceber. A preocupação com Alexander Blackwood e aquela conversa estranha pareceu, por um instante, ficar um pouco distante. Sofia: Estou. Já estou indo. Guardou o telefone e continuou andando. O jantar com a mãe e Marco ainda a esperava. As contas também. E, agora, uma reunião com Alexander Blackwood. Sofia ainda não fazia ideia de que aquela reunião seria o início de um acordo que mudaria sua vida pelos próximos 365 dias.Ao descer os degraus de mármore da escadaria principal, Sofia tentava fixar na mente as cláusulas que havia assinado. Repetiu para si mesma que aquilo era apenas um negócio, uma transação financeira com prazo de validade determinado. Mas, ao pisar no andar de baixo, a frieza dos papéis perdeu o efeito. O silêncio sepulcral da mansão, os passos discretos dos funcionários e a presença imponente da segurança nas áreas externas lembravam a Sofia, a cada segundo, o tamanho do mundo onde estava se trancando. E, acima de tudo, o peso do nome Blackwood. Ela ajeitou o caimento da roupa e entrou na sala de jantar. Alexander já estava à mesa. O celular repousava ao lado do prato. Ele ergueu os olhos no mesmo instante, acompanhando sua aproximação em silêncio, com aquele hábito cirúrgico de quem analisa cada detalhe antes de emitir qualquer julgamento. — Espero não estar atrasada — disse Sofia, puxando a cadeira oposta com firmeza. — Não está. O espaço entre os dois assentos parecia uma distâ
Dois dias depois, Sofia parou diante do portão da residência de Alexander Blackwood com duas malas ao lado do corpo e a estranha sensação de que estava prestes a cometer o maior erro de sua vida. Ou talvez o maior acerto. Ainda não sabia. O carro havia parado diante de uma propriedade cercada por muros altos e árvores cuidadosamente podadas. A casa não era apenas grande; era imponente, construída em linhas modernas de pedra, vidro e concreto, com janelas enormes refletindo a luz do fim da tarde. Não havia ostentação exagerada ou qualquer detalhe feito apenas para impressionar visitantes. O luxo estava na arquitetura sóbria, no jardim impecável e na segurança discreta espalhada pelo perímetro. Sofia respirou fundo antes de atravessar o portão. Era ali que viveria pelos próximos trezentos e sessenta e cinco dias. Um funcionário a recebeu na entrada e se ofereceu para levar as malas, mas ela recusou com um gesto educado. — Obrigada. Eu consigo — respondeu, firmando o passo. — A senh
As três semanas passaram mais rápido do que Sofia gostaria de admitir.Depois da assinatura do contrato, sua rotina continuou praticamente igual durante os primeiros dias. Acordava cedo, ia para o trabalho, voltava para o apartamento e tentava não pensar demais no fato de que, em pouco tempo, estaria dividindo a vida com um homem que conhecia havia poucas semanas. O problema era que o casamento deixou de parecer uma ideia distante assim que os preparativos começaram.Dois dias depois da assinatura, Nathan entrou em contato para avisar que uma equipe cuidaria dos documentos, das medidas e dos detalhes da cerimônia. Sofia respondeu que estava tudo bem, embora ainda achasse estranho ter pessoas organizando tantos detalhes da sua vida por causa de um contrato.Pelo menos ninguém tentou decidir por ela.As opções eram apresentadas e Sofia escolhia. Vestido, flores, convidados, cerimônia. Quando recusou dois modelos de vestido, outros foram apresentados sem insistência. Quando deixou claro
Sofia passou a noite com o contrato sobre a mesa. Não conseguiu simplesmente esquecê-lo depois que chegou em casa. Tentou tomar banho, preparar alguma coisa para comer, assistir a um episódio de uma série que costumava gostar, mas sua atenção sempre acabava voltando para a pasta preta. Trezentos e sessenta e cinco dias. Dez milhões de dólares. Um casamento. A combinação parecia absurda demais para pertencer à vida de uma mulher que, até pouco tempo antes, estava preocupada em descobrir como faria o salário daquele mês durar até o próximo. Abriu o contrato mais uma vez e, dessa vez, leu tudo com calma. Não havia nada que a obrigasse a abandonar a própria família, deixar o trabalho ou permitir que Alexander controlasse sua vida. Teria que morar com ele, acompanhá-lo em determinados compromissos e manter a aparência de um casamento verdadeiro durante o período estabelecido. Também havia cláusulas sobre privacidade, separação e encerramento do acordo. Era estranho, muito estranho, mas nã


















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