LOGINThorian
“O que está acontecendo?” Algumas pessoas na sala de reuniões pararam e perguntaram quando as vozes dos guardas vindas do corredor ecoaram pelo salão. “Eu não sei…” alguém começou a responder quando a porta foi empurrada de repente, e um guarda entrou apressado. Ele abaixou a cabeça enquanto relatava o problema ao beta que estava sentado conosco. “Beta, a garota que você trancou na masmorra escapou, e o lorde Kaelen ficou gravemente ferido por ela”, informou ele. Todos soltaram uma exclamação de surpresa, mas eu mal conseguia entender o que quer que estivesse acontecendo entre eles e, sinceramente, eu não dava a mínima. Fosse o que fosse, não tinha nada a ver comigo. Eu só havia vindo até ali por um único motivo, e precisava resolver aquilo antes de voltar. “Alfa, o problema lá fora é grave? Se não for, eu recomendaria interrompermos a reunião para que todos possamos voltar aos nossos postos e o beta possa cuidar completamente da situação”, sugeri depois de perceber a mudança na expressão do beta. Pelo olhar dele, era óbvio que queria se levantar e seguir aquele guarda imediatamente para procurar a garota que ele havia mencionado. “Você tem razão, Alfa Thorian. Vamos continuar com a reunião”, concordou o Alfa, e prosseguimos. Lançando alguns olhares discretos para o beta, percebi que ele lutava para manter a compostura enquanto se remexia inquieto, apenas esperando a reunião terminar para poder sair correndo. Para nossa sorte, ela terminou pouco depois. Ao sair da sala de reuniões, franzi a testa ao notar que toda a matilha estava em completo caos, com guardas correndo de um lado para o outro. Mas eu não poderia me importar menos com aquela agitação. Em vez disso, saí da casa da matilha e entrei na floresta densa, onde meu lobo começou a agir de maneira inquieta do nada. Eu conseguia senti-lo tentando desesperadamente se libertar dentro de mim. Era como se minhas entranhas estivessem se contorcendo. Era a primeira vez que algo tão estranho me atingia, e fiquei parado enquanto aquela sensação aumentava cada vez mais quanto mais eu tentava ignorá-la. Tinha que haver algum perigo por perto; só podia ser por isso que ele estava tão agitado, concluí ao finalmente me concentrar naquela sensação de inquietação. “Qual é o problema?” perguntei. “Companheira… nossa companheira está aqui, e ela está em perigo. Ela está ferida”, meu lobo me informou. Companheira? Eu tinha uma companheira, e ela estava ali? Olhei ao redor em completa confusão. Eu sempre acreditara que não tinha uma companheira, e aquela revelação inesperada me fez parar para tentar entender o que realmente estava acontecendo. Minha companheira estava ali e estava ferida? Onde ela estava? Levantei a cabeça e farejei o ar em busca de algum cheiro. Qualquer coisa que pudesse despertar meu lobo naquele momento ajudaria, e, com certeza, misturado aos odores dos arbustos e da terra, captei um aroma único que nunca havia sentido antes. Segui o cheiro imediatamente enquanto avançava pela floresta densa. Já estava escurecendo, com o sol desaparecendo abaixo do horizonte e lançando um brilho alaranjado sobre a floresta. Parei de repente quando avistei algo no chão… ou seria alguém? Semicerrrei os olhos, mas a luz que desaparecia tornava difícil descobrir quem era. Quando me aproximei, percebi que era uma garota linda. Ela estava na minha fronteira. O cheiro vinha dela e, conforme me aproximei, o odor de sangue se misturou àquele aroma incrível. Ajoelhei-me, sentindo meu lobo arranhar novamente o interior do meu peito. O que havia acontecido com ela? Ela parecia completamente espancada e machucada. Quem havia feito aquilo com ela? Seu rosto estava coberto de manchas de sangue, e sua pele exposta estava marcada por ferimentos enquanto ela permanecia nua no chão. Ela parecia estar entre a vida e a morte, completamente indefesa. Havia algo na maneira como ela estava que me fez cerrar o maxilar de raiva. Tirei meu casaco, envolvi-o ao redor dela e a peguei nos braços sem perder tempo. Ela precisava de cuidados imediatamente, pois seus batimentos cardíacos estavam diminuindo lentamente. Através do elo mental, entrei rapidamente em contato com meu irmão. “Soren, preciso de você no meu quarto agora. Acabei de encontrar minha companheira”, disse a ele pelo elo enquanto voltava apressadamente para a casa da matilha. Os guardas próximos olharam preocupados para o corpo dela em meus braços, e alguns se ofereceram para ajudar, mas presumiram que ela fosse apenas uma desconhecida encontrada na floresta, sem saber que era minha companheira. Eu não podia culpá-los por pensar assim, já que era bastante incomum me ver carregando outra mulher nos braços daquela maneira. Depois de atravessar o corredor mal iluminado e silencioso, cheguei ao meu quarto e a coloquei delicadamente sobre a cama. Onde ele estava? Enviei-lhe outra mensagem pelo elo no mesmo instante em que a porta se abriu e Soren entrou. “Qual é o problema, Thorian?” perguntou Soren enquanto entrava apressadamente no quarto. “Você disse que encontrou sua companheira.” Ele parecia confuso, mas avançou rapidamente em direção à cama para começar a examiná-la. Porém, parou de repente, fixando nela um olhar intenso. O que havia de errado com ele? Por que não estava examinando-a como deveria? “O quê? Tem alguma coisa errada? A condição dela está tão grave assim?” perguntei, tentando interpretar sua expressão atônita. “Ela está morta?” Meu coração parou por um instante quando aquele pensamento passou pela minha cabeça. Não, eu ainda conseguia sentir seus batimentos cardíacos, então ela estava viva. Mas por que ele estava olhando para ela daquele jeito? Eu começava a perder a calma, mas ele se virou para mim tranquilamente. “A-a garota. Sua companheira. Ela também é minha companheira”, revelou ele, deixando-me em choque quando aquelas palavras me atingiram em cheio. Minha companheira também era a companheira dele? Como aquilo era possível? A porta do quarto foi empurrada de repente, e Vaelin entrou. “Irmão, o que está acontecendo? Vim imediatamente quando soube que você tinha chegado”, disse ele enquanto caminhava em direção à cama, mas parou a poucos passos de distância ao olhar para ela. Seus olhos se arregalaram de choque, e seu rosto inteiro ficou tomado pela surpresa. “Companheira?”Minha mente não conseguia se acalmar. Dúvidas e medos continuavam girando, cada um alimentando o seguinte — e se eu não conseguisse carregar o peso de ser Luna? E se eu cometesse erros que custassem caro à matilha? E se eu perdesse a confiança deles antes mesmo de conseguir conquistá-la completamente?Mas então a presença de Nyssa passou por mim, silenciosa e firme, suavizando as bordas de tudo aquilo em que eu estava me perdendo. “Você é capaz, Lyra”, sua voz veio suavemente. “Você tem um coração forte e uma alma compassiva. Sim, você vai cometer erros — mas é assim que aprendemos. É assim que crescemos. E eu estarei bem ao seu lado, a cada passo.”Algo dentro de mim relaxou com suas palavras. Pela primeira vez, permiti-me realmente imaginar aquilo — eu sendo Luna. Vi a mim mesma intervindo em discussões, oferecendo orientação, sendo uma presença firme para os membros da matilha que precisassem de alguém a quem recorrer. Vi a matilha prosperando sob esse tipo de cuidado, e aquela ima
Meus olhos se desviaram do rosto esperançoso de Thorian e encontraram Vaelin, parado um pouco mais afastado, olhando para o chão. Sua carranca era profunda, as sobrancelhas franzidas em evidente desagrado. Meus lábios se curvaram para cima ao perceber a expressão em seu rosto.Apesar de tudo o que havia acabado de acontecer entre nós, havia algo na expressão emburrada de Vaelin que eu achava estranhamente engraçado. Eu nunca o tinha visto parecer tão derrotado — tão completamente, honestamente humano. Algo dentro do meu peito deu um pequeno salto quando percebi que, na verdade, eu gostava de estar perto dele, mesmo agora, mesmo daquele jeito. Talvez fosse porque a última coisa que eu queria era que houvesse uma ruptura duradoura entre os três.Os olhos de Vaelin se ergueram e encontraram os meus. Por um momento, nenhum de nós se moveu — minha diversão estampada abertamente em minha expressão, enquanto a frustração dele ainda fervilhava em seu olhar. Então seu rosto ficou fechado e ele
Thorian não estava recuando, e agora os três estavam no campo de treinamento. Havia algo feroz e determinado em seus olhos. Seu corpo era forte e sólido, e ele se movia com uma agilidade natural — desviando e escapando dos ataques de Vaelin como se fosse algo instintivo.Seus punhos estavam cerrados e prontos, sem baixar a guarda nem por um segundo.Vaelin, por outro lado, não era alguém fácil de derrotar. Era mais esguio, com um corpo magro e resistente que não parecia grande coisa até ele se mover — rápido e preciso de uma maneira que pegava qualquer um de surpresa. Seus olhos ardiam enquanto circulava Thorian, paciente e calculista, procurando o momento certo para desferir um golpe que fizesse diferença.Os dois ficaram frente a frente na clareira, ambos respirando com dificuldade, ambos tensos de expectativa. Os instintos de Alfa de Thorian haviam assumido completamente o controle, todos os seus sentidos aguçados enquanto observava o irmão à sua frente. Vaelin, por sua vez, quase
Thorian e Soren fizeram tudo o que podiam para tentar fazer Vaelin recobrar o juízo, mas ele não cedia.“Vaelin, pense com cuidado no que está dizendo”, disse Thorian, sua voz calma, mas carregando um peso por baixo dela. “Somos uma matilha. Uma família. Tudo é compartilhado entre nós — incluindo nossas companheiras.”A expressão de Vaelin permaneceu exatamente como estava.“Eu não me importo. Não vou compartilhar Lyra.”Soren tentou abordar a situação de outra maneira.“Mas, Vaelin, nós a amamos juntos. Somos melhores assim — mais fortes.”“Não estou interessado em ser mais forte”, retrucou Vaelin. “O que me interessa é ter Lyra só para mim.”Thorian e Soren se entreolharam, e o que passou entre eles já dizia o suficiente. Nenhum dos dois jamais havia visto Vaelin daquela maneira — tão teimoso, tão decidido.“Vaelin, por favor”, disse Thorian, sua voz ficando mais suave agora. “Não siga por esse caminho. Não seja aquele que nos separa.”“Eu não estou destruindo nada”, disse Vaelin. “
Quando a ligação finalmente terminou, o alívio que percorreu meu corpo foi imediato. Eu ainda estava abalada — as ameaças dele haviam mexido com algo profundo dentro de mim — mas a maneira como os três haviam intervindo sem hesitar me fez sentir que nada poderia realmente me alcançar ali.Thorian, Soren e Vaelin se aproximaram de mim imediatamente, seus rostos tensos de preocupação. Thorian me puxou para seus braços e me abraçou com força, sua voz baixa junto ao meu ouvido.“Você está segura agora, Lyra. Nós cuidaremos de você.”A mão de Soren passou pelos meus cabelos, lenta e tranquilizadora.“Ninguém nunca mais vai machucar você. Estamos falando sério.”Os olhos de Vaelin ainda ardiam de intensidade quando ele me encarou.“Você é nossa agora, Lyra. Vamos defendê-la com nossas vidas, se for preciso.”Algo se formou em minha garganta enquanto eu olhava para eles — cada um deles, a certeza em seus rostos, a maneira como realmente queriam dizer cada palavra. A proteção deles me envolvi
Meus olhos se abriram no instante em que o toque do telefone rasgou meu sono. Peguei o celular sem sequer olhar para a tela, sonolenta demais para pensar em verificar quem estava ligando. Imaginei que fosse alguém da matilha, talvez um amigo querendo saber como eu estava. Mas, no segundo em que a ligação foi atendida e aquela voz surgiu, desejei nunca ter atendido.“Lyra, sua traidora.” O rosnado veio lento e deliberado. “Eu deveria ter imaginado que você fugiria como a covarde que é.”Meu coração despencou imediatamente. Reconheci o Alfa da minha antiga matilha. Eu tinha esperado, realmente esperado — que nunca mais precisaria ouvir aquela voz.“O que você quer?” Tentei manter a voz firme, mas meu coração já batia rápido demais.“Você acha que pode simplesmente ir embora e se juntar a outra matilha?” O desprezo em sua voz era inconfundível. “Você é uma vergonha, Lyra. Vai pagar pela sua traição.”O medo atravessou meu corpo — agudo e familiar. As lembranças de tudo o que eu havia sup







