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Capítulo 3

Author: Genesis
last update publish date: 2026-08-22 16:09:53

Eu semicerrrei os olhos e tentei distinguir a figura bem à minha frente. Tudo estava embaçado, mas me forcei a aguçar o foco naquele homem de toque delicado.

Meu coração deu um salto, e minha expressão se contorceu.

No segundo em que olhei para ele, senti nojo. Ele colocou a mão sobre meu ombro e o apertou com firmeza, seus olhos preocupados me encarando.

“Você está bem? Devo chamar alguém para cuidar desses ferimentos?” Kaelen olhou para baixo, observando os machucados que eles haviam me causado. A voz dele… só alimentou ainda mais a minha raiva, e cerrei o maxilar de fúria.

O que ele estava tramando? Por que estava me olhando daquele jeito? Eu conseguia perceber que havia algum motivo por trás de ele ter aparecido ali.

A atitude dele agora entrava em completo conflito com o olhar furioso que eu tinha visto em seu rosto quando o rejeitei naquele dia.

“Porra, tire as mãos de mim, seu babaca!” rosnei para ele e tossi, sentindo minha garganta áspera e dolorida.

“Shh, eu não quero machucar você, Lyra. Vim correndo assim que descobri o que aconteceu com você. Eu sei o quanto você me odeia depois de tudo o que aconteceu naquele dia, e quero que saiba que eu não odeio você. Eu perdoei você e prometo que também vou tirar você daqui”, ele disse calmamente.

Era como se o próprio diabo estivesse sussurrando em meu ouvido enquanto falava.

Mas suas palavras apenas me deixaram ainda mais furiosa.

“O que foi que você acabou de dizer?” perguntei, minha voz rouca e meu corpo inteiro dolorido.

“Eu disse que vou libertar você das mãos dos meus pais, e você não precisa me pedir desculpas. Sei que você fez aquilo apenas por raiva e, quanto à rejeição, já perdoei você e não guardo nenhum ressentimento”, ele repetiu.

Soltei uma risada, cerrando os punhos apesar da dor.

“Você deve ser muito idiota para imaginar uma coisa dessas. Eu ouvi da primeira vez, mas só queria dizer que tanta merda em uma única frase precisava ser ouvida duas vezes”, respondi.

“O quê? Você acha que eu dou a mínima para o seu perdão?” rebati, incrédula.

“Claro, eu sei que você ainda está muito zangada comigo agora, mas quero que nós consigamos deixar tudo isso para trás.”

“Quero tirar você deste lugar porque sei que você não escolheria estar aqui”, ele disse, enquanto apertava ainda mais a mão sobre meu ombro.

Ele realmente iria me tirar daquela masmorra?

Lembrei a mim mesma de que era uma péssima ideia sequer considerar qualquer coisa que ele estivesse oferecendo, mas não conseguia afastar aquele pensamento.

Perguntei hesitante, e ele assentiu.

“Sim, vou. Mas isso tem uma condição”, acrescentou, justamente antes que eu pudesse relaxar.

“Você vai ter que ser minha novamente, Lyra. Seja meu brinquedinho, e eu vou libertar você”, ele tentou fazer aquilo soar atraente enquanto começava a desamarrar lentamente as cordas ao meu redor, mas minha raiva cresceu como fogo.

Ser o brinquedinho dele? Ele ainda tinha a audácia de dizer aquilo na minha cara.

Senti dor, vergonha e raiva. Queria esmagar meu punho contra o rosto dele e fazê-lo sentir uma dor ainda pior do que tudo o que eu havia suportado.

A fúria que eu não conseguia mais conter tomou conta de mim. Afastei sua mão e, antes que pudesse pensar, acertei um soco bem no rosto dele.

Puxei com toda a força que me restava, tentando me libertar do poste.

Kaelen avançou de repente em direção ao meu braço, mas acertei um chute certeiro em sua virilha, torci seu braço e o arremessei do outro lado da sala. Ouvi um estrondo quando ele bateu contra uma mesa.

A porta estava parcialmente aberta, e não havia nenhum guarda por perto.

Era a minha chance. Então, sem hesitar nem por mais um segundo assustador, corri até a porta, empurrei-a completamente e o ar gelado atingiu minha pele por todos os lados enquanto disparava pelo corredor em direção à minha fuga.

Minhas pernas tremiam enquanto ondas de dor atravessavam meu corpo, e eu ultrapassava todos os meus limites. Meus braços latejavam, e minhas costas doíam por causa da brutalidade que havia suportado antes.

Uma tontura começou a tomar conta de mim, mas eu ainda não podia parar.

“Peguem ela! Ela está ali. Certifiquem-se de que vão pegá-la, ouviram?” Ouvi as vozes dos guardas vindo atrás de mim, perseguindo-me.

Corri o mais rápido que conseguia, mas eles estavam se aproximando, e quanto mais eu obrigava meu corpo a continuar, menos ele me obedecia.

Senti o vento jogar meu cabelo para trás, afastando-o do rosto, e acelerei ainda mais pela floresta, conseguindo me distanciar deles.

Os passos foram ficando cada vez mais distantes atrás de mim e, bem à frente, avistei o limite da fronteira.

Aumentei a velocidade, agora determinada a atravessar aquela fronteira.

Eles não atravessariam os limites da matilha, e corri ainda mais até finalmente conseguir passar para além da fronteira da matilha.

Minha força foi desaparecendo aos poucos, minha velocidade diminuiu e lutei para conseguir respirar. Meu corpo ficou cada vez mais fraco, e quase tropecei.

Parei perto de uma árvore enorme, tentando recuperar o fôlego, mas tudo começou a girar ao meu redor. Caí atrás da grande árvore, puxando o ar profundamente, enquanto meu coração martelava dentro dos meus ouvidos.

A tontura piorou à medida que a escuridão me envolvia, e logo não consegui mais manter os olhos abertos.

Finalmente, entreguei-me à escuridão.

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