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06

Autor: CANLI
last update Data de publicação: 2025-11-28 22:14:18

TARYN

Caius abriu a boca, e tentei ouvir o que ele dizia, mas suas palavras soaram distantes, quase irreais. Meu coração disparou ao perceber que ele falava de mim, e finalmente consegui distinguir algumas palavras.

— Você está sendo acusada de… — começou ele, a voz firme mas carregada de incredulidade. — De matar Ronan e ter um caso com ele.

— O quê? — consegui dizer, mesmo atordoada.

A confusão me esmagou como pedras. Tudo parecia um pesadelo tão vívido que eu não sabia se estava acordada ou perdida em algum tipo de realidade distorcida. A dor latejante na minha cabeça tornava impossível pensar com clareza.

— Não… não fui eu! — tentei gritar, a voz tremendo, rouca e desesperada. — Foi Kalinda! Ela fez tudo. Eu não tive nada a ver com isso.

Os olhos deles se estreitaram, e senti o peso do julgamento, suspeita, cada acusação não dita. Meu coração se partia em mil pedaços, e pela primeira vez desde que podia me lembrar, senti-me verdadeiramente sozinha.

— Pai? — olhei para o rosto do homem que sempre cuidou de mim, porque nada disso parecia real. Não podia ser. Ele acreditaria em mim.

— Desculpe, não...não posso fazer isso. —sussurrou, se desculpando não comigo, mas com os outros homens.

O olhei se afastar, até que a voz de Caius me chamou de volta. Seus olhos verdes, brilhavam com fúria e decepção.

— Eu não entendo o que está acontecendo.

— Kalinda nos contou tudo,ela disse que te ouviu falando com meu primo no jantar e descobriu sobre a fuga de vocês. Então ela foi até lá para impedi-la, mas era tarde. Você tinha matado Ronan e tentou atacá-la também.

Maneio a cabeça horrorizada.

Minha voz soou fraca, frágil, como se nem tivesse saído de mim. O silêncio ao redor pareceu vibrar, denso, cheio de algo terrível prestes a explodir. Caius me observava com atenção mortal, o maxilar travado, as mãos cerradas ao lado do corpo.

— Taryn… — ele respirou fundo, como quem tenta segurar a própria raiva. — Kalinda voltou transtornada. Ela estava ferida. Havia sangue nela. E parecia… parecia destruída. Ela mal conseguia falar seu nome sem chorar.

Um arrepio gelado percorreu minha espinha.

— Ela se machucou quando tentou me libertar — sussurrei, sentindo o desespero escorrer pelos meus ossos — Ela não fugiu porque eu a impedi.

As palavras travaram quando realizei o que ia admitir. Kalinda. Minha irmã. A pessoa por quem eu teria dado a vida, e que agora me culpava com a mentira mais cruel.

Caius deu um passo à frente, e pela primeira vez, vi sua expressão vacilar. Não era só raiva. Era medo.

— Então explique — disse ele, a voz baixa, quase pedindo. — Diga o que aconteceu, Taryn. Porque a única história que temos agora… é a dela.

Eu engoli seco, a garganta queimando. Minha mente girava, tentando juntar palavras.

— Kalinda estava fugindo com Ronan — consegui dizer, cada sílaba pesada como pedra. — Ela queria deixá-lo, Caius. Deixar você.

Ele piscou, mas não recuou. Apenas endureceu.

— Continue.

As lágrimas ardiam nos meus olhos. Eu não queria machucá-lo. Nunca quis. Mas a verdade era afiada demais para ser carregada com cuidado.

— Ela… ela disse que nunca te amou. Que não suportava a vida que tinha com você. Que iria embora de qualquer jeito.

Caius fechou os olhos, apenas por um instante, mas foi o suficiente para perceber o vacilar ao redor dele.

— E você estava lá por quê? — ele perguntou, a voz um fio tenso.

Eu respirei fundo, lutando contra o tremor.

— Porque eu descobri. E fui atrás dela para impedir.

Ele me encarava como se pudesse me ver por dentro. E talvez pudesse.

— E Ronan? — sua voz ficou mais áspera. — Por que ele estava morto quando chegamos?

O flash da cena explodiu na minha cabeça.

O som da pancada.

O corpo caindo.

O sangue.

Kalinda com o bastão nas mãos.

Minhas mãos prenderam-se ao ar, vazias, tremendo.

— Porque… — eu tentei falar, mas o chão parecia girar. — Porque ele ia me matar. E ela… ela o atingiu.

As palavras saíram em sussurros desesperados.

— Ela me salvou. Mas depois… depois se desesperou.

— Como você ousa?! — Edmond Windmere deu um passo à frente, o rosto vermelho de indignação, as mãos trêmulas de fúria e… vergonha. — Acusar sua irmã dessa forma vil? Fabricar tamanha mentira? Eu devia saber que isso aconteceria. Devia ter ouvido minha esposa quando ela disse para nunca trazer você para casa!

Meu coração parou.

Caius virou o rosto para ele, surpreso com a explosão, mas Edmond não estava olhando para mais ninguém além de mim.

Eu senti uma fisgada tão profunda que pensei que minhas pernas fossem ceder.

— Pai… — murmurei, ainda tentando respirar. — Eu estou dizendo a verdade.

Ele riu. Um som seco. Cruel e amargo.

— Você não tem o direito de me chamar assim.

As palavras atravessaram meu peito como uma flecha em chamas, enchendo meus olhos de mais lágrimas. Minha irmã armou contra mim, e meu pai não me amava o suficiente para acreditar nas minhas palavras.Eu estava sozinha, sem ninguém para chamar de família. 

Fechei os olhos, recordando o rosto da minha mãe. A única que me amou verdadeiramente. Ela disse que eu ficaria bem, que teria tudo aquilo que ela nunca teve e encontraria um bom marido, que ser uma Windmere me salvaria.

Era tudo mentira. 

Eu nunca pertenci a essa família.

— Pai, por favor. — implorei, estendendo o braço através das grades.

Edmond deu um passo para trás, o rosto contorcido em um careta desgostosa. A testa estava franzida,os lábios apertados.

— Você é uma renegada a partir de hoje, Taryn. Não vou permitir que carregue o nome Windmere para a lama. Será julgada e pagará pelos seus crimes. 

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Último capítulo

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  Depois do fim

    TARYNUm mês.Fazia exatamente um mês desde que deixamos as ilhas para trás.Às vezes ainda parecia impossível.Eu havia passado dezenove anos acreditando que aquele lugar era o meu mundo. Conhecia cada rua de pedra, cada casa, cada jardim cercado por grades de ferro. Sabia quais famílias se cumprimentavam apenas por obrigação e quais sussurravam umas sobre as outras atrás das portas.Conhecia o cheiro das manhãs frias.O som das carruagens.As badaladas do sino.Conhecia até os olhares, principalmente os olhares.Durante muito tempo, achei que precisava aprender a suportá-los.Hoje percebo que nunca deveria ter precisado.Aproximei-me da janela do quarto e afastei um pouco a cortina.Eu não queria voltar para a ilha onde cresci.Não depois de tudo.Aquelas pessoas haviam me julgado, humilhado e desejado minha morte. Mesmo depois de tudo que acontecera, eu sabia que jamais conseguiria chamar aquele lugar de lar novamente.Caius percebeu antes mesmo que eu dissesse.Ele simplesmente ab

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  118

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    TARYNCaius se afastou de mim.Eu o observei atravessar o pátio em direção a Ekran, e, apesar de conseguir sentir a força que havia retornado ao corpo dele, não consegui impedir o medo de apertar meu peito.Ele estava curado.Eu sabia disso.Sentia através da nossa ligação que seu coração batia forte e que a prata já não estava corroendo seus órgãos. Sentia a força percorrendo seus músculos novamente, mas ainda assim havia alguma coisa dentro de mim que gritava para que eu o impedisse de ir.Talvez fosse porque eu já o havia visto morrer uma vez naquela noite.Talvez porque, depois de descobrir que éramos companheiros, a ideia de perdê-lo tivesse se tornado ainda mais insuportável.Caius continuou caminhando.Ekran estava caído alguns metros adiante, tentando se levantar.Foi quando percebi o fogo.A tocha que ele havia deixado cair continuava queimando no chão.As chamas haviam alcançado a madeira espalhada pelo pátio e crescido rapidamente, alimentadas pelo vento. Em poucos segundos

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  115

    TARYN— Não pode ser...A voz de alguém atravessou o silêncio.Um homem mais velho, que eu reconheci como um dos moradores mais antigos de Noverbrook, avançou alguns passos, olhando de mim para Caius como se estivesse tentando compreender o que acabara de testemunhar.— Eles são companheiros.As palavras provocaram uma nova onda de murmúrios.— Companheiros? — alguém repetiu.O homem assentiu lentamente.— Companheiros de alfa.— Isso não existe mais — respondeu Gerald Fenwick, com evidente desprezo.— Talvez exista, sim.O homem olhou para Caius.— Minha avó me contava histórias quando eu era menino. Dizia que, muito antes de as famílias se dividirem, existiam alfas que podiam assumir a forma de animais. Lobos que protegiam as florestas, que viviam entre os seus e que possuíam companheiras destinadas a eles.Algumas pessoas riram nervosamente.Outras fizeram o sinal de proteção que costumávamos usar diante de histórias sobre bruxaria.— São apenas lendas — alguém disse.— Talvez foss

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  114

    TARYNNão tive tempo de pensar.Os guardas agarraram Caius pelos braços e o arrastaram para fora do salão. Eu ainda estava presa pelas mãos de outro homem, tentando me soltar, tentando alcançá-lo, mas cada vez que eu gritava seu nome, era como se minha voz desaparecesse no meio da confusão.— CAIUS!Ele tentou se manter de pé, mas a lança de prata havia deixado seu corpo fraco demais. Seus pés arrastavam-se pelas pedras enquanto o sangue escorria por sua barriga.Foi então que senti.Uma dor aguda atravessou meu peito.Levei a mão até o coração, assustada.Não era minha dor.Eu sabia.De alguma maneira que não conseguia explicar, eu sabia que aquela dor vinha dele.Caius também parou por um instante.Seus olhos encontraram os meus.E, mesmo de longe, vi a mesma mão que segurava seu ferimento apertar o próprio abdômen.A prata estava queimando-o por dentro.— Tirem essa coisa dele! — gritei.Ninguém me ouviu.Ou ninguém quis ouvir.As grandes portas foram abertas e fomos levados para o

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