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CAPÍTULO 39

Author: WILZE AQUINO
last update publish date: 2025-06-11 23:59:29
RENZO ALTIERI

O relógio marcava exatas dez e quarenta da noite quando o jatinho tocou o solo do Aeroporto Internacional do Galeão. As rodas chiaram contra o asfalto quente e úmido do Rio de Janeiro, como um aviso silencioso de que a Fera havia chegado.

A cabine ainda estava em silêncio quando me levantei. Marino veio logo atrás, ajustando a gola do sobretudo escuro enquanto pegava a arma no coldre sob o paletó. O som metálico e o peso do armamento encaixando em sua cintura ecoaram como uma
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    RENZO ALTIERI Parei por um instante ao lado da cama. Lá estavam eles: minha esposa, dormindo tão tranquilamente, embalada pela paz que ela tanto merecia, com Dante abraçado ao seu lado, e Luigi recostado no travesseiro ao fundo. Eles não sabiam de nada. Estavam seguros, e iam continuar seguros. Engoli o nó seco que insistia em travar a minha garganta, inclinei-me devagar e depositei um beijo demorado e cheio de promessas na testa da minha esposa. Ela se remexeu levemente, murmurou algo sem nexo, mas continuou a dormir. Em seguida, beijei a bochecha de cada um dos meus meninos, guardando aquela imagem como um escudo no meu peito. Afastei-me da cama, caminhei até a porta e, antes de fechá-la, lancei um último olhar para o quarto. — Eu vou voltar logo. — sussurrei para mim mesmo, fechando a porta pesada com todo o cuidado para não fazer barulho. Caminhei pelo corredor em passos largos e firmes, descendo a escada principal de dois em dois degraus, com a mente a mil por hora formuland

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    RENZO ALTIERI O toque estridente e insistente do celular rasgou o silêncio da madrugada, ecoando pelao quarto. Abri os olhos de supetão, a mente saindo instantaneamente do torpor do sono para o estado de alerta máximo. Olhei para o lado. Minha esposa dormia de forma tranquila e profunda, com a respiração calma, completamente exausta da nossa noite intensa. Estando agarrado a ela, em um sono pesado, encontrava-se Dante, enquanto Luigi, dormia colado ao meu corpo, com o rostinho relaxado no meu peito. Os meninos haviam ido para a nossa cama no meio da noite.O som parou por um segundo, mas logo voltou a tocar, ainda mais irritante. Soltei um suspiro pesado, sentindo a raiva borbulhar no peito. Quem diabos ousava ligar para o meu celular particular a esta hora da madrugada?— Marvin? — chamei num sussurro seco, acionando o sistema.— Senhor? — a voz da inteligência artificial ecoou baixa, quase inaudível, respeitando o silêncio do quarto.— Quem está me ligando? — perguntei, franzindo o

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    RENZO ALTIERI — Papai, você gostou? — A gente escolheu com muito carinho! Dante e Luigi falam juntos, preocupados ao me verem chorar, aproximando-se da beirada da cama. Consegui desviar o olhar do papel por um segundo, engolindo em seco a dor e a alegria misturadas, e olhei para os dois com um sorriso rasgado no rosto molhado de lágrimas. — Eu não só gostei, meus filhos... eu amei. É o presente mais lindo e perfeito do mundo inteiro. — respondi com a voz trêmula. Larguei o bilhete e o macacão sobre a cama, joguei os braços para a frente e pulei da cama, puxando minha esposa, Dante e Luigi para um abraço coletivo, forte e esmagador. Enterrei o rosto no pescoço da minha esposa, respirando o cheiro de morango dela enquanto a apertava contra mim com toda a força da minha alma, e beijei o rosto dela repetidas vezes, sentindo as lágrimas dela também molharem a minha pele. Em seguida, abracei os meus dois meninos, puxando-os ainda mais para perto, sentindo o calor deles. — Eu amo

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    RENZO ALTIERI Depois que me casei, também cadastrei o nome da minha esposa como uma das autorizações de segurança do Marvin. Se ele algum dia tentasse enlouquecer, caísse em mãos erradas ou algo acontecesse comigo, ela poderia desativá-lo e acionar o protocolo de autodestruição. Afinal, Marvin não era uma IA qualquer. Ele tinha acesso a sistemas extremamente avançados e era capaz de invadir códigos de segurança de armas e sistemas militares. Por isso, eu não podia correr o risco de deixá-lo sem uma barreira de segurança caso alguma coisa saísse do controle. — Eu não acredito nisso! — falei entre risos, limpando uma lágrima imaginária do canto do olho. — Isso não tem a menor graça, senhor Altieri. — retrucou Marvin, adotando um tom levemente ofendido. — Estamos falando da integridade do meu sistema operacional! — Claro que tem graça! — continuei rindo, balançando a cabeça, completamente fascinado pela audácia da minha mulher. — Puta que pariu... Eu sabia que ela era perigosa, mas

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    RENZO ALTIERI A primeira sensação que me atingiu ao despertar não foi o calor habitual, mas a ausência absoluta de peso. Costumava abrir os olhos tendo o corpo macio da minha esposa enroscado ao meu, com pernas e braços dela espalhados sobre o meu peito. Não havia nem os braços e pernas do meus filhos jogados pelo meu peito e minhas pernas. Porém, ao piscar contra a claridade suave que entrava pelas cortinas, o lado esquerdo da cama estava vazio.Virei o rosto de uma vez, mas não encontrei nem minha esposa, nem os meninos. O silêncio na suíte era quase sufocante, quebrado apenas pelo som distante do vento lá fora. Sentei-me com calma, apoiando as mãos no colchão, e lancei um olhar para o relógio de cabeceira: nove e quarenta e sete da manhã.Porra!Franzi a testa, desacreditado. Eu, Renzo Altieri, nunca — em toda a minha vida — havia dormido até tão tarde. Mas a explicação veio logo em seguida à minha mente, acompanhada de um calor súbito nas veias e um sorriso involuntário que rasgo

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    RENZO ALTIERI Com movimentos precisos e controlados, passou o bisturi pela região do joelho, um corte de cada vez, sem demonstrar qualquer hesitação enquanto ela mantinha o olhar frio e concentrado. Quando terminou naquela região, ergueu lentamente a mão e deslocou o bisturi para a coxa. Dessa vez, fez a mesma coisa: cortes precisos, um após o outro, mantendo a expressão impassível enquanto o silêncio ao redor tornava tudo ainda mais perturbador. Ela não parecia ter pressa. Para ela, cada movimento era calculado. Sofia já não gritava; emitia apenas resmungos sufocados e borbulhantes de dor, com a cabeça pendurada para a frente, o tronco completamente mutilado, sem mãos, sem braços, sem pés e sem pernas. Minha esposa deu uma volta ao redor do que restava daquela carcaça, avaliando o ângulo perfeito para o corte seguinte. Com um movimento firme e puxado, ela desceu a lâmina na base do pescoço de Sofia. O sangue jorrou em um último espasmo violento quando a cabeça foi finalmente sep

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