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CAPITULO 3

Author: M.R. PEREIRA
last update publish date: 2026-06-29 18:56:55

— Se ela passar mais um dia sem comer, vai acabar morrendo.

Alexandra estava ao lado de Dimitra, em silêncio. Ela apenas segurava uma bacia com água para que a sacerdotisa molhasse as compressas que colocava na testa da garota, que continuava desacordada. Alex não parava de pensar em como ela ainda estava viva; embora os ferimentos estivessem visivelmente melhores a cada dia, a febre alta não dava trégua. Já tinham se passado dois dias e nada de ela acordar. Se sobrevivesse a tudo aquilo, com certeza era muito abençoada pelos deuses.

— Bom, vamos fazer um revezamento para cuidar dela. Você fica aqui enquanto eu vou preparar as oferendas para a deusa Atena com as meninas. Vamos pedir para que ela tenha piedade dessa jovem.

— Tudo bem — limitou-se a dizer Alex.

Dimitra era a mais velha entre todas as mulheres do Partenon, o templo de Atena. Ela dedicava a vida a servir à divindade e a ensinar as outras garotas a seguirem sua devoção como discípulas. Sua jornada tinha começado bem cedo, já que desde nova tinha visões com a deusa. Com o tempo, seu dom cresceu, e agora ela era a responsável por escolher quem entraria para o templo.

A sacerdotisa tinha o olho clínico para enxergar quem realmente tinha nascido para servir Atena e, ao contrário das antigas líderes, ela nunca tinha errado em uma escolha; todas as suas discípulas eram superdedicadas.

Quer dizer, na verdade tinha rolado um único erro há muito tempo, mas ninguém tocava no assunto. Ninguém nem ousava contestar o castigo que a garota recebeu na época, já que a punição foi aplicada pela própria Atena. De qualquer forma, o que quer que tenha acontecido nunca mais se repetiu.

O tempo passava devagar e Alex já estava entediada. As outras meninas estavam superocupadas e o Nicolas tinha saído para patrulhar. Sem nada para fazer para distrair a mente — e com seus livros esquecidos no outro quarto —, ela estava quase cochilando no parapeito da janela. Foi aí que ouviu um suspiro forte.

Alex olhou assustada para a cama, levantou-se num pulo e se aproximou.

— Ai... — a garota reclamou, levando a mão à cabeça enfaixada. Ela abriu os olhos devagar, piscando contra a luz e olhando em volta. — O que aconteceu? Onde eu tô?

Alexandra quase pulou de alegria ao vê-la desperta, mas tentou manter a calma para não assustá-la:

— Oi! Eu sou a Alexandra. Você está no templo de Atena. Que alívio que você finalmente acordou!

A garota continuou olhando ao redor, franzindo a testa, confusa.

— Como assim "finalmente"? Eu dormi por quanto tempo? — perguntou, tentando se situar. — E como eu vim parar aqui?

— Meu amigo e eu te encontramos desmaiada e superferida no meio de uma tempestade. Você está dormindo há dois dias, mas não se preocupa, você está segura aqui — confortou Alex, tentando passar tranquilidade. — Qual é o seu nome?

A garota tentou puxar pela memória, mas o esforço foi em vão. O pânico começou a surgir em seu rosto.

— Eu não sei... Eu não lembro.

Pronto, agora elas tinham um problemão. A jovem simplesmente não lembrava do próprio nome. O que quer que tivesse acontecido na tempestade, tinha apagado a mente dela.

— Mas você não lembra da sua família? Nem de qual cidade você é? — Alex insistiu, preocupada.

— Não... — A garota olhou para ela, completamente desolada, com os olhos já cheios de lágrimas.

O coração da discípula apertou. Além de acordar cercada por estranhos, a garota não fazia a menor ideia de quem era; aquilo devia ser uma tortura psicológica horrível.

— Ei, a gente vai te ajudar, não fica assim — disse Alex, tentando acalmá-la. — Fica aqui quietinha que eu vou chamar a sacerdotisa, tá?

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