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Capítulo 34: O Abismo do desespero

last update Date de publication: 2024-07-16 01:56:34

Raphael

Estava sentado ao lado da cama de Donatella, observando seu rosto pálido e inerte. A luz suave do quarto do hospital lançava sombras fracas, tornando o ambiente ainda mais sombrio. Cada bip do monitor ao lado da cama parecia ecoar na minha mente, um lembrete constante da fragilidade da vida. 

Donatella estava ali, imóvel, sua respi

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    Raphael Existem decisões que um homem toma.E existem decisões que arrancam alguma coisa dele.Eu estava prestes a tomar uma dessas.O escritório permanecia cheio de homens, mapas, telefones e armas. Lorenzo falava com nossos contatos no Rio enquanto outro homem atualizava informações vindas de Palermo.Eu ouvia tudo.Mas não conseguia realmente escutar nada.Meu pai estava numa mesa de cirurgia.Donatella estava nas mãos de Alexandra.Meu filho estava com ela.E eu estava parado no meio de dois continentes tentando decidir qual parte da minha família merecia que eu corresse primeiro.Passei a mão pelo rosto.Porra.Eu queria a Itália.Queria entrar naquele hospital, olhar para meu pai e exigir que ele sobrevivesse.Queria descobrir pessoalmente quem havia ousado atacar a villa Moretti.Queria sangue.Mas então meus olhos encontravam a fotografia sobre a mesa.Donatella amarrada.Assustada.A mão protegendo o ventre.E tudo dentro de mim mudava.— Don Raphael.Levantei os olhos.Lore

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    Dante Existem notícias que mudam o rumo de uma guerra.Aquela quase acabou comigo.Ainda estávamos dentro da propriedade quando o telefone de Lorenzo tocou. Raphael examinava novamente as imagens das câmeras, procurando qualquer detalhe que pudesse nos levar até Donatella.Eu estava ao lado dele.Havia sangue no chão.Homens mortos.E o celular destruído de Donatella ainda permanecia perto da parede.Cada vez que meus olhos passavam por ele, sentia alguma coisa apertar dentro do peito.Eu deveria ter ficado.Talvez, se estivesse ali...— Não.Murmurei para mim mesmo.Culpa não encontraria Donatella.Raphael já estava carregando culpa suficiente por nós dois.— Volta quatro segundos — ele ordenou.Lorenzo não respondeu.— Lorenzo.Olhei para ele.Estava imóvel, telefone junto ao ouvido.Seu rosto havia perdido a cor.— O que aconteceu?Ele levantou os olhos para nós.— É Palermo.Meu estômago se contraiu.Raphael também percebeu.— Fale.Lorenzo engoliu em seco.— A villa foi atacada.

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    Raphael O silêncio foi a primeira coisa que me assustou.Uma propriedade protegida pelos Moretti nunca ficava em silêncio.Sempre havia alguém no portão. Passos nos corredores. Comunicação nos rádios. Homens vigiando cada entrada, cada janela, cada ponto cego.Naquela noite, não havia nada.— Pare o carro — ordenei.O motorista freou antes de chegar ao portão.Dante olhou para mim.Ele também havia percebido.— Raphael...— Eu sei.O portão estava parcialmente aberto.Não deveria estar.Peguei minha arma.Dante fez o mesmo.— Lorenzo, pela lateral. Dois homens com ele. Dante está comigo.Saí do carro antes que alguém respondesse.Meu coração batia rápido demais.Donatella.Tentei ligar para ela novamente.Chamou.Uma vez.Duas.Três.Nada.— Atende... — murmurei.Nada.Comecei a correr.— Raphael! — Dante chamou.Ignorei.Encontrei o primeiro homem próximo à entrada.Caído.Sangue escurecia sua camisa.Abaixei-me rapidamente e toquei seu pescoço.Nada.Morto.Meu estômago se contraiu

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    Raphael Toda guerra começa muito antes do primeiro tiro.Começa quando alguém decide que já perdeu o suficiente.Eu havia chegado a esse ponto.Alexandra teve oportunidades para desaparecer. Poderia ter saído do Rio, abandonado seus homens, enterrado os próprios rastros e passado o resto da vida olhando por cima do ombro.Ela escolheu ficar.Escolheu Donatella.Escolheu meu filho.Então escolheu a guerra.E eu seria o homem que terminaria aquilo.— Fechem as saídas.Lorenzo ergueu os olhos do mapa sobre a mesa.— Todas?— Porto, aeroportos, contatos privados. Quero gente observando cada rota que ela possa usar.Estávamos reunidos no escritório da propriedade. Cinco homens da família ocupavam a sala. Alguns tinham vindo da Itália comigo. Outros eram contatos antigos dos Moretti no Brasil.Todos permaneciam em silêncio.— E os aliados dela? — Lorenzo perguntou.— Cortem dinheiro, transporte e comunicação.— Isso vai chamar atenção.Apoiei as mãos sobre a mesa.— Essa é a intenção.Lore

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