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Capítulo 96: Frágil e Forte

last update publish date: 2026-09-10 10:49:52

Donatella

Durante muito tempo, achei que força fosse não chorar.

Era engolir a dor, levantar a cabeça e continuar caminhando como se nada tivesse acontecido.

Naquela manhã, descobri que estava errada.

Às vezes, força era admitir que estava com medo.

E continuar mesmo assim.

Acordei antes do sol nascer.

Por alguns segundos, não reconheci o quarto. O teto alto, as cortinas pesadas, o silêncio quebrado apenas pelo ruído distante dos homens que vigiavam a propriedade.

Então minha mão encontrou meu
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    Raphael Toda guerra começa muito antes do primeiro tiro.Começa quando alguém decide que já perdeu o suficiente.Eu havia chegado a esse ponto.Alexandra teve oportunidades para desaparecer. Poderia ter saído do Rio, abandonado seus homens, enterrado os próprios rastros e passado o resto da vida olhando por cima do ombro.Ela escolheu ficar.Escolheu Donatella.Escolheu meu filho.Então escolheu a guerra.E eu seria o homem que terminaria aquilo.— Fechem as saídas.Lorenzo ergueu os olhos do mapa sobre a mesa.— Todas?— Porto, aeroportos, contatos privados. Quero gente observando cada rota que ela possa usar.Estávamos reunidos no escritório da propriedade. Cinco homens da família ocupavam a sala. Alguns tinham vindo da Itália comigo. Outros eram contatos antigos dos Moretti no Brasil.Todos permaneciam em silêncio.— E os aliados dela? — Lorenzo perguntou.— Cortem dinheiro, transporte e comunicação.— Isso vai chamar atenção.Apoiei as mãos sobre a mesa.— Essa é a intenção.Lore

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    Donatella Durante muito tempo, achei que força fosse não chorar.Era engolir a dor, levantar a cabeça e continuar caminhando como se nada tivesse acontecido.Naquela manhã, descobri que estava errada.Às vezes, força era admitir que estava com medo.E continuar mesmo assim.Acordei antes do sol nascer.Por alguns segundos, não reconheci o quarto. O teto alto, as cortinas pesadas, o silêncio quebrado apenas pelo ruído distante dos homens que vigiavam a propriedade.Então minha mão encontrou meu ventre.E tudo voltou.Raphael.Dante.Alexandra.O tiro contra a janela.A gravidez.Meu bebê.Fechei os olhos e respirei profundamente.— Bom dia, meu amor — sussurrei.Minha voz quase falhou.Era estranho conversar com alguém que ainda nem podia me ouvir. Ou talvez pudesse. Eu não sabia.Mas precisava acreditar que, de alguma maneira, ele sentia que não estava sozinho.Porque eu sabia exatamente como era se sentir assim.Sozinha.Esquecida.Esperando alguém que não vinha.E meu filho jamais

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    Raphael O beijo de Donatella deveria ter sido suficiente. Ela havia me beijado. Por vontade própria. Dissera a Dante que não o amava como me amava. Permitira que eu tocasse seu ventre, onde meu filho crescia. Durante alguns minutos, tive nas mãos tudo aquilo que pensei ter perdido. Então por que eu ainda queria quebrar o rosto do meu irmão? Talvez porque ciúme não obedecesse à lógica. E o meu tinha o rosto de Dante. Às seis da manhã, eu já estava no escritório. Não dormira. Sobre a mesa estavam fotografias de Alexandra, relatórios dos homens de Lorenzo e informações sobre o ataque. Eu deveria estar pensando nela. Na inimiga. Na mulher que ameaçava Donatella e meu filho. Mas minha cabeça continuava voltando à noite anterior. Eu teria ficado. As palavras de Dante estavam cravadas em mim. Ele esteve presente. Eu não. Era isso que me enlouquecia. Não o medo de Donatella amá-lo. Era saber que eu mesmo havia criado espaço para que outro homem se aproximasse dela. E ess

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    Donatella Eu não dormi naquela noite.Como poderia?Toda vez que fechava os olhos, via Raphael segurando Dante pela camisa. Via o ódio nos olhos dos dois. O ciúme. A mágoa. Aquela linha fina que separava irmãos de inimigos ficando cada vez mais frágil.E, no meio deles, estava eu.Deitada naquela cama enorme, mantive uma mão sobre o ventre enquanto observava as sombras no teto.Meu filho ainda era tão pequeno.Tão inocente.E já carregava o peso do sobrenome Moretti antes mesmo de nascer.— Me desculpa — sussurrei.Não sabia exatamente pelo quê.Talvez por ter escolhido um homem como Raphael para amar.Talvez por não conseguir deixar de amá-lo.Ou talvez porque, pela primeira vez, eu estivesse realmente com medo do mundo em que meu filho nasceria.Levantei devagar.A casa estava silenciosa, embora eu soubesse que havia homens armados em cada corredor. A Cosa Nostra tinha um jeito estranho de transformar proteção em prisão.Saí do quarto.Precisava de ar.Mas quando cheguei à cozinha,

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