Compartir

6

last update Fecha de publicación: 2022-11-15 02:58:18

David

Duda e Caio tiveram um namoro que durou quase um ano. Naquela época o cara era um bom moço, comportando e acreditem ou não, era do tipo que levava flores para ela. Entretanto, desde que o namoro acabou, Caio caiu literalmente de cabeça nas farras e no meio das pernas da mulherada.

Assim que entro na enorme e bem iluminada sala de visitas, decorada com o requinte de uma rainha, encontro praticamente toda a família e assim que ponho os meus pés no cômodo, sou abraçado por todos eles, e no final, recebo um forte abraço do meu tio Luís Renato Alcântara e depois do meu pai e do meu tio Marcos Albuquerque. Esses três me ensinaram muita coisa sobre empreendimentos e se hoje me tornei um grande empresário, foi graças a eles também.

— Como você está, filho? — Meu coroa pergunta, segurando firme os meus ombros e me olha nos olhos.

— Estou bem! — respondi com um tom de desdém, porque não quero que perceba que estou frágil, ou que de alguma forma me sinta abalado. Kevin me sorrir orgulhoso e tira do bolso traseiro da calça social um jornal enrolado. Ele o abre e me mostra uma manchete.

D.C. TECNOLOGICAL DEVELOPMENTS O MAIS NOVO DESTAQUE NO MEIO EMPRESARIAL.  

Abro o maior sorriso que posso, quando percebo um brilho orgulhoso em seus olhos.

— Parabéns, meu filho! Mas, me conta, como andam as coisas em Massachusetts? E o coração, como está? — Ele me puxa para um canto onde os homens estão reunidos e eu me aprofundo nos assuntos da empresa, pois não estou preparado para me abrir sobre os problemas do coração.

***

— Bom dia! — Escuto o som animado da voz da minha mãe e em seguida um forte flash de luz invade o meu quarto. Contrariado, resmungo qualquer coisa e levo um travesseiro para o meu rosto.

— Que horas são?

— Já passam das dez da manhã. — Ela diz animada demais. Ergo um pouco o travesseiro e encontro um par de olhos azuis me encarando com diversão.

— Está me dizendo que apaguei por quase vinte horas? — rosno exasperado, mas ri do meu desespero.

— É normal, filho. São os efeitos do fuso horário. Está pronto? — pergunta em seguida. Uno as sobrancelhas em confusão.

— Pronto para quê? — Sento-me na cama, mantendo os lençóis em minha cintura, pois estou usando apenas uma cueca box.

— Nós vamos sair um pouco, David.

— A doutora Lilian Alcântara não vai trabalhar hoje? — ralho, saindo da cama, puxando os lençóis junto comigo.

— Está brincando? Faz sete anos que não vejo o meu filho! Tirei o dia de folga para curtir o meu filhote.

— Mãe?! — A repreendo, mas ela simplesmente dá de ombros e me abraça por trás.

— Sem reclamações, filho. Quero passar esse dia com você. — Ela beija carinhosamente as minhas costas e se afasta. — Tome um banho e coma algo. Estarei te esperando lá embaixo — avisou e sai do quarto. Respiro fundo e fito a pequena bandeja de inox, largada em cima de uma mesinha, perto de uma janela. Um pequeno bule de porcelana branca, provavelmente com leite quente, uma xícara de café preto, algumas torradas frescas, um pequeno pote com requeijão e uma pequena banda de mamão.

Ela não muda nunca. Penso, abrindo um sorriso e vou para o banheiro.

Minutos depois, estou descendo as escadas e me preparo para um dia de compras e de muita conversa com a dona Lilian. Com certeza ela vai tentar arrancar algumas coisas de mim. Conheço bem a minha mãe e não é à toa que ela é a melhor psicóloga desse país. Embora muitas pessoas usem o termo "CASA DE FERRO, ESPETO DE PAU", isso não inclui a Senhora Lacerda. Lilian sempre cuidou BEM dos filhos em todos os sentidos que a medicina lhe permitiu e como eu e a Duda somos adotados, ela sempre teve cuidado com o nosso lado emocional.

— David? — Dominik, minha irmã caçula fala assim que entra na sala, saltando literalmente em meu pescoço. Seguro firme a sua cintura, colando o seu corpo ao meu e a giro no meio da sala, ouvindo o som gostoso da sua risada.

— Nossa, como você cresceu! — retruco, colocando-a de volta no chão e beijo várias vezes o seu rosto. Recentemente minha irmã fez dezenove anos e confesso que ela se tornou uma linda mulher.

— Eu cresci, e você nem estava aqui como prometeu — cobra, segurando o meu rosto entre suas mãos e olha em meus olhos, perdendo seu lindo sorriso de repente. — Não vejo aquela alegria em seus olhos — comenta com um tom baixo demais. Tento manter o meu sorriso intacto, seguro as suas mãos e beijo cada palma demoradamente.

— Que besteira é essa, Nick? É claro que estou feliz! — Sorrio ainda mais, porém, ela dá de ombros.

— Me leva para o cursinho hoje? — pede com empolgação na voz.

— Hum, pensei que tivesse de carro novo — resmungo. Ela dá de ombros outra vez, abrindo um sorriso presunçoso.

— E estou, mas não é todo dia que o meu irmão mais velho está em casa — ralha e rio do seu comentário. Volto a abraçá-la, fazendo algumas cócegas nela. Nick ri e se contorce em meus braços.

— Para seu maluco, eu não sou mais a sua criancinha, sabia? — Protesta ainda rindo sonoramente e consegue fugir dos meus braços. Ela se recompõe e pegar o seu material que está em cima da mesinha de centro.

— Eu te deixo no cursinho, querida. Até porque o seu irmão e eu vamos sair. — Mamãe informa, entrando na sala com uma bolsa de grife apoiada em seu ombro.

Help! — peço para a minha irmã sem emitir som, juntando minhas mãos diante dela. A danada apenas ri, levando uma mão a boca. Mamãe me dá um tapa na nuca e eu gemo um ai, rindo da sua atitude em seguida.

***

Algumas horas depois...

Quase um dia inteiro dirigindo para minha mãe e ouvindo-a contar as histórias divertidas sobre o seu dia a dia no trabalho e os encontros com suas amigas. Não vou mentir, senti muita falta disso também! Em nossa família temos o hábito de falar sobre o nosso dia a dia e pelo jeito isso não mudou com o tempo. Após passarmos algumas horas dentro de um shopping, entrando e saindo das lojas, saímos para tomarmos um chá da tarde com alguns biscoitos que a minha mãe adora, em uma das cafeterias mais conceituadas aqui na cidade do Rio de Janeiro. E quando já é final de tarde e dona Lilian finalmente se cansa de fazer compras, resolvemos entrar no carro e ir para casa. Em algum momento quando paro o carro no sinal vermelho, ela me j**a uma pergunta que eu não esperava.

— Quando vai me falar sobre ela, filho? — Lanço lhe um olhar confuso.

— Do que está falando, dona Lilian° — Ela respira fundo, sorri de boca fechada e acaricia os meus cabelos.

— Acredito que ainda não esteja pronto, mas quando tiver, espero que me procure para conversarmos. Adoraria lhe aconselhá-lo. — Sem dizer uma palavra, apenas viro o meu rosto e olho pela janela do carro. Os meus olhos param fixos em um casal que está na calçada, do outro lado da rua, segurando as mãos de uma menina, usando um casaco cor de rosa com capuz da mesma cor, cobrindo a sua cabeça. Engulo em seco quando percebo que se trata de Yaidis e Júlio. Meu maior medo acabou de tornar-se realidade. Eles realmente se casaram e construíram uma família.

— David? — Desperto ao ouvir a minha mãe me chamar e respiro fundo antes de olhá-la.

— O que foi? — questiono aturdido.

— O sinal já abriu, filho. — Só então percebo as buzinas irritantes atrás de mim. Dei partida no carro, mas antes de sair dali, volto o meu olhar para a calçada, porém, eles já não estão mais lá.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Rastros do Passado   Epílogo

    YaidesNão dá para ir contra o seu destino e a prova disso é que exatamente agora estou andando em cima de um estreito tapete vermelho que trilha o meu caminho para um pequeno e lindo altar improvisado, onde o homem da minha vida está me aguarda ansioso. E bem na minha frente a nossa filha caminha com passos lentos iguais os meus, usando um vestido idêntico ao meu. É um vestido simples, ombro a ombro, rendado e com uma saia longa de musseline. Enquanto Maya joga as delicadas pétalas ao vento aproveito para apreciar a bela vista bem atrás do meu noivo. Como havia prometido, David escolheu o Prospect Mountain, em Lake George, Nova York, e eu devo dizer que a visão desse lugar é realmente de tirar o fôlego!Solto um suspiro baixo, porém, profundo quando ele sorrir para mim e tenho vontade de correr para os seus braços, mas continuo fazendo a lenta marcha nupcial, contradizendo com toda a ansiedade que explode dentro de mim.— Eu te amo! — sibilo sem emitir som algum, porém, não contenho

  • Rastros do Passado   38

    YaidesEle começa a rir, de uma forma tímida e indecisa, e logo depois ele puxa a respiração umas duas vezes, soltando o ar pela boca e se põe a chorar.— Um filho?! — Sua voz soa trêmula. Confirmo mais uma vez com a cabeça, e depois de esfregar suas mãos no jeans, ele me abraça e me beija de uma forma louca e emocionada, e quando se afasta, segura a nossa menina nos braços e grita enlouquecidamente, girando-a no ar, a fazendo rir alto, se divertindo a com a atitude do pai. — Eu vou ser pai outra vez! — Mais um grito e ele para, para abraçar a nós duas ao mesmo tempo.***— Senhora, o Senhor Lacerda pediu para avisar-lhe que precisa de você no escritório. — Live, nossa empregada avisa assim que entra em nosso quarto. Era estranho David me chamar no escritório da casa, pois ele nunca faz isso.— Obrigada, Live! Irei assim que terminar aqui.— Desculpe, Senhora! Ele disse que é urgente. — Semicerro os olhos para a garota e suspiro.— Tudo bem! — Largo o notebook em cima da cama, onde fa

  • Rastros do Passado   37

    Yaides Alguns meses depois... — Papai, olha o que eu sei fazer! — Minha filha grita, feliz me fazendo sorrir. Há alguns meses achei que isso não seria possível. Deus, ela passou por tanta coisa, que chegou a despedaçar o meu coração. Sua perda foi quase irreparável. Lembrar daquela fatídica manhã ainda me machuca muito por dentro, mas é algo que eu nunca conseguirei apagar da minha memória... Nunca! Ainda dói, sangra, maltrata. _ Vem Papai, vem brincar comigo! _ Minha garotinha volta a gritar, deitada no chão gelado, com seus braços e pernas abertos, abrindo e fechando, formando um lindo anjo na neve. Meu sorriso se espalha ainda mais pelo meu rosto. ... Me perdoe, Yaides, eu não queria... Aquelas malditas palavras sussurradas e sôfregas ainda ecoam dentro dos meus ouvidos, assim como o som da bala que atingiu violentamente o seu peito. Eu temi tanto, que perdi o controle do meu próprio corpo e achei que perderia os meus sentidos naquele instante. Olhar para aq

  • Rastros do Passado   36

    Yaides— Yaides, por sete longos anos, eu fui um grande tolo e não sei se sou merecedor dessa segunda chance, mas, ela veio para mim e agora, eu não quero correr o risco de ela fuja para bem longe de mim outra vez. Amor, eu te amo, amo tanto que ficar longe de você e da nossa menina, não é mais uma condição. Eu sei que você já me disse sim, mas dessa vez, eu preciso que o mundo saiba, que eu sou seu e que você é minha.— Ai, meu Deus! — sussurrei.— Aceita ser a minha esposa, Yaides Velásquez?— Sim. Sim. Sim. Eu aceito ser sua esposa! — Um sorriso lindo se abriu no seu rosto, e David se pôs de pé, mas não para pôs o anel no meu dedo. Ele me puxou para os seus braços e me beijou ardentemente. E só nos afastamos quando escutamos os aplausos de todos dentro do restaurante, só então percebi que sua família e alguns amigos estavam presentes também.— Parabéns, meus amores! — Lilian se aproximou para nos abraçar e na sequência, os outros membros fizeram o mesmo. O jantar seguiu com uma ani

  • Rastros do Passado   35

    YaidesOlho para os cômodos da casa simples, já sentindo uma saudade quase sufocante. Apesar de sua simplicidade e de tudo o que houve, tenho boas lembranças desse lugar. Foi aqui que descobri minha gravidez, a Maya cresceu nesse lugar e foi aqui que descobri minha paixão pelos livros e iniciei meu primeiro trabalho. Embora Júlio tenha feito algo tão cruel comigo, ele também me deu coisas que eu não conseguiria ter sem a sua ajuda e fez com que Maya tivesse uma família, de alguma forma.Sentirei saudades. Penso.— Mãe, posso levar meus bichinhos de pelúcia? — Minha filha pergunta, entrando no meu quarto, abraçada aos seus bichinhos.— Claro, filha. — Forcei um sorriso para ela.— Por que está chorando? — Ela larga todos eles e vem para perto de mim.— Não se preocupe, filha, é de felicidade. — Ela me abraça. É um abraço longo e carinhoso.— Quando vamos contar para tio Júlio, que vamos viajar para os Estados Unidos? — indaga com sua costumeira ansiedade infantil. Sem saber como falar

  • Rastros do Passado   34

    David— Pode me fazer um favor, Rute, prepare uma bandeja com um café da manhã reforçado, quero eu mesmo acordá-la.— Sim, Senhor, prometo caprichar nesse café da manhã da Senhorita.— Obrigado, Rute! — Observei a empregada sair do escritório, enquanto tomava mais um gole do meu café e logo depois fui para perto de uma janela, para ver minha filha rindo e correndo pelo jardim, enquanto se divertia com os cães correndo atrás de uma minúscula bola. Não pude evitar um sorriso de satisfação. Maya tem tudo de mim, não só na aparência, mas também em algumas atitudes. E por isso l, sei que ela é inteligente o suficiente para entender o certo e o errado, para distinguir o bem e o mal. Sei que ela é apenas uma criança e que sua mãe a quer proteger, mas não acho certo de que a minha filha idolatre o homem que machucou a sua mãe. O problema é; conto para ela o que ele fez ou a deixo em sua bolha cor de rosa? Suspiro audível.— Senhor David, a bandeja já está pronta. — Rute avisa e eu assinto, de

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status