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6 | O hospital de vidro

Author: G.V.STELLARIS
last update publish date: 2026-01-29 05:08:09

POV SCARLETT

O ar dentro do carro-forte estava pesado, carregado com o cheiro de café preto e o perfume amadeirado de Klaus. Mantive os olhos fixos na janela, observando os arranha-céus de vidro da Moscou moderna se erguerem como adagas prateadas contra o céu cinzento. No meu pescoço, o peso dos rubis era um lembrete constante da minha realidade: eu era prisioneira do luxo.

Klaus não disse uma palavra desde que saímos da mansão, mas eu podia sentir seu olhar sobre mim, analisando cada gesto meu.

"Você gosta do que vê, Scarlett?" Perguntou de repente, quebrando o silêncio com sua voz profunda.

"Vejo uma cidade linda governada por um monstro", respondi sem olhar para ele. É uma pena.

Klaus soltou uma risada curta, quase imperceptível.

"Esse monstro construiu o hospital para onde você vai." Você deveria demonstrar um pouco de gratidão. O Centro Médico Vetrovski é o mais avançado da Europa Oriental. Mesmo em Londres você não veria a tecnologia que disponibilizei para você.

"Você não fez isso por filantropia, Klaus. Você fez isso para me manter sob controle. Um hospital é só mais um quarto na sua mansão, só que este tem salas de cirurgia.

O carro parou em frente a um imponente prédio de aço e vidro azulado. Parecia uma fortaleza de saúde. Guardas armados, vestidos com uniformes discretos, mas com olhos de predadores, guardavam a entrada principal.

"Sai de cima", ordenou Klaus, abrindo a porta.

Ao sair, o frio me atingiu, mas foi a magnitude do prédio que me tirou o fôlego. Klaus pegou meu braço, me conduzindo até a entrada. A equipe do hospital parou de repente ao vê-lo passar. Médicos de impecáveis jalecos brancos se curvavam levemente; As enfermeiras baixaram o olhar. Ele era o dono do lugar, e todos sabiam que um erro na sua frente não terminava em demissão, mas sim em desaparecimento.

"Doutor Ivanov," Klaus chamou para um homem mais velho, de cabelos grisalhos e expressões severas, que nos esperava no corredor.

"Sr. Vetrovsky", cumprimentou o homem com um leve nervosismo. Está tudo pronto. A Srta. Dawson tem seu escritório particular e sua equipe designada.

"Ela não é 'Srta. Dawson' para você, Ivanov," Klaus corrigiu, apertando ainda mais minha cintura. É a Dra. Scarlett. E a palavra dele aqui tem o mesmo peso que a minha. Se ela pede algo, é dado a ela. Se ela decidir que um protocolo deve mudar, ele é alterado. Está claro?

"Perfeitamente, senhor.

Klaus me virou para olhar para ele. Seus olhos azuis brilhavam com um claro aviso.

"Eu vou te dar seus brinquedos, Scarlett. Vou te dar seus bisturis e seus pacientes. Mas não esqueça quem paga cada gota de anestesia que você usa. Você está aqui para salvar meus homens e para que eu possa ver você trabalhar. Não tente entrar em contato com ninguém. Todo computador, celular e cada enfermeira deste prédio me reporta.

"Você é um maníaco do controle," eu sibilei, tentando escapar do toque dele.

"Sou um homem que cuida do seu investimento", respondeu, me dando um beijo rápido e possessivo na têmpora diante de toda a funcionária. Passo para te buscar às seis. Se você tentar sair mais cedo, o hospital entrará em lockdown e ninguém, absolutamente ninguém, sairá vivo.

Ele se virou e saiu com sua escolta, me deixando sozinha no meio do corredor. Suspirei, sentindo que finalmente podia respirar um pouco de ar além do dele. O Dr. Ivanov me olhou com uma mistura de pena e respeito.

"Venha comigo, doutor", disse Ivanov. Temos um caso urgente na emergência. O Sr. Vetrovski disse que queria que você assumisse o comando imediatamente.

Caminhamos por corredores reluzentes. O equipamento era, de fato, de última geração. Mas o que vi quando entrei na emergência me deu um ventre de cabeça. Três jovens, não mais velhos que eu, estavam deitados em macas. Eles tinham ferimentos por bala e queimaduras. Eles eram os soldados da noite anterior.

"Por que eles não foram intervindos?" Perguntei, me aproximando daquele que parecia mais sério.

"Estávamos esperando sua chegada", respondeu uma enfermeira. O czar deu ordens para que ninguém os tocasse até que você estivesse aqui.

"Isso é loucura!" Eles poderiam ter morrido de infecção ou choque hipovolêmico! Gritei, lavando as mãos furiosamente e vestindo um robe estéril.

Me aproximei do primeiro paciente. Era o mesmo guarda que ele tentou salvar na mansão. Os olhos dele se arregalaram quando me viu.

"Obrigado," ele sussurrou com dificuldade. "Economize energia," disse, checando suas constantes. Você vai para a sala de cirurgia agora.

Pelas próximas cinco horas, esqueci do Klaus. Esqueci dos rubis no meu pescoço e do contrato que me ligava à máfia. Na sala de cirurgia, eu era o responsável. Minhas mãos se moviam com a precisão que anos de estudo me deram. Extraí balas, suturei artérias e parei hemorragias que teriam matado homens mais fracos.

A equipe me observava maravilhada. Passei de ser "a esposa do chefe" para ser uma cirurgiã brilhante aos olhos dele.

Quando terminei a última cirurgia, saí para o corredor esfregando o pescoço. Eu estava exausto, mas pela primeira vez em dias, me senti eu mesmo. No entanto, a realidade me esperava sentado em um banco em frente à sala de cirurgia.

Klaus estava lá, com as mangas da camisa arregaçadas, me encarando através do vidro com uma expressão que eu não conseguia decifrar.

"Você salvou os três", disse, levantando-se.

"É meu trabalho, Klaus. Mesmo que sejam assassinos que trabalham para você, ainda são seres humanos.

—Para mim, eles são atributos. Para você, são vidas. É uma diferença interessante," ele veio até mim, e dessa vez eu não desviei o olhar; Eu estava cansado demais para lutar. Você está coberta de suor e olheiras, Scarlett. E ainda assim, você nunca esteve tão bonita.

"Não comece com seus elogios vazios," o interrompi. Me leve para a mansão. "Ainda não," ele disse, pegando minha mão e levando-a aos lábios. Seus olhos escureceram. Antes de irmos, tem alguém que quer te ver. Alguém que não seja um dos meus soldados.

Ele me levou para a ala pediátrica. Parei em frente a uma sala decorada com desenhos de nuvens. Lá dentro, uma garotinha, com não mais que cinco anos, dormia pacificamente conectada a um monitor cardíaco.

"Quem é ela?" Perguntei, sentindo um nó na garganta.

"Ela é filha de Sergei, o homem que matei no jardim", respondeu Klaus com uma frieza que gelou meu sangue. Você tem um defeito cardíaco congênito. O pai dele me traiu para conseguir o dinheiro da operação.

Eu congelei. A crueldade de Klaus não conhecia limites. Ele matou o pai e agora manteve a filha em seu hospital.

"Por que está me mostrando isso?" "Estou te mostrando porque você vai fazer uma cirurgia na próxima semana, Scarlett", ele disse, virando-se para mim para olhar para ele. Se der certo, vou lhe dar uma vida de luxo e uma educação no exterior. Se der errado... Bem, ela vai se reunir com o pai.

"Você não pode colocar essa pressão em mim!" Gritei com ele, sentindo as lágrimas de raiva. É uma menina! Klaus agarrou a nuca dele, aproximando o rosto do meu até nossos narizes se tocarem.

"Eu te disse, Scarlett. Você veio aqui para curar minha alma ou para queimar comigo. Essa garota é seu primeiro teste de verdade. Se você conseguir salvá-la, talvez haja esperança para nós. Se não... você vai entender por que me chamam de Czar.

Ele me soltou e caminhou até a saída do hospital, me deixando ali, olhando para a inocente garotinha cuja vida agora dependia das minhas mãos e da misericórdia de um homem que não conhecia a palavra.

Naquele momento, entendi que o hospital não era meu refúgio. Foi o campo de batalha mais cruel que Klaus projetou para mim.

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