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last update Fecha de publicación: 2022-09-24 11:33:23

A visão da parte de cima não me impressiona menos que a da parte de baixo. O quarto dele está muito diferente. Não. Dizer que está diferente é um eufemismo. Está completamente diferente.

— Amor... meu Deus, você mudou a casa inteira.

Toda a pintura é igual ao quarto que eu tenho no apartamento. A cama dele é outra. Agora é uma com dossel e com barras de madeira em ambos os lados. O piso de madeira está coberto por partes antiderrapantes e parece que o espaço em si é maior. Minhas estantes de livros e filmes também estão aqui.

— Adaptei o quarto pra ficar o mais acessível pra você.

— Você mudou a sua casa inteira por mim? E quando eu for embora?

Olho pra ele e o vejo com o rosto sério. Ele então se abaixa de joelhos na altura dos meus olhos e tira do bolso uma caixinha vermelha.

— Nick... — Não pode ser o que eu estou pensando.

— Eu estava mesmo querendo falar com você sobre isso.

Por favor, que não seja o que eu estou pensando. É cedo demais.

— Você tem que ficar comigo por enquanto Ellen. Sabe durante a sua recuperação.

— Eu sei. Não acho que posso ficar sozinha por enquanto. — respondo sentindo meu pulso acelerar.

— Mas mesmo depois que você estiver melhor daqui a alguns meses, eu quero que você continue morando comigo. Eu quero você comigo o tempo todo.

Ele abre a caixinha e para o meu alívio não é um anel. É uma chave. A chave da casa dele. Uma chave que eu já tenho.

— Nicholas Hoffman você está ne pedindo em casamento? — pergunto mordendo os lábios para não rir.

Ele franze a sobrancelha e olha para sua posição de joelhos, então sorri. Ele sorri como se até agora não tivesse se dado conta de como isso pareceu.

— Oh não. Eu... ahm... Não que eu não queira, mas eu acho que por enquanto é muito cedo. Por enquanto eu só quero que moremos juntos.

Ele parece meio desconfortável. Acho que ele pensa que eu realmente esperava o pedido.

— Que bom que não é isso então. — eu digo para voltarmos ao clima de antes — Eu também acho que é muito cedo.

Ele respira audivelmente e põe a chave na minha mão. É um pouco diferente da que eu tenho. Essa tem nossas iniciais gravadas e o chaveiro não parece ser de metal. É de prata? Uau. É de prata. Um maldito chaveiro de prata.

— E então, você aceita? — ele pede com os olhos ansiosos.

— É claro que eu aceito. Eu vou morar com você. Seria o inevitável próximo passo na nossa relação não é?

— Isso. — ele ri como se fosse um menino de... quantos anos mesmo? Vinte e três? — Que bom que aceitou. Eu estava com medo que dissesse não.

— E por que eu faria isso? Sou a garota mais sortuda do mundo. — eu ponho a mão em seu rosto e ele fecha os olhos — Acho que roubei a lâmpada do Aladim e os meus três desejos foram conhecer você, amar você e ser amada por você. E o gênio me concedeu.

Ele sorri largamente e me beija. Ah, como eu tenho sentido falta desses lábios nos meus. Quase não nos beijamos desde o acidente. O beijo dele é tão bom. Tão gostoso. Mas ele logo se afasta e por mais que me doa, eu sei exatamente por que.

Mas não vou pensar em nada disso agora. Então... Olho pra chave com carinho e a beijo. Ponho nos lábios dele e ele a beija também.

— Amei o pedido Nick, mas acho que foi meio desnecessário você me dar a chave da sua casa como se eu já não tivesse uma.

Ele sorri timidamente.

— Tecnicamente eu ainda não te dei a chave daqui.

— Claro que deu.

— Não desta nova casa. Eu mandei trocar as portas se você não percebeu.

Não seguro a gargalhada. Eu não acredito nisso.

— Você mandou trocar as portas da sua casa só para poder me dar a chave outra vez?

— Mas é claro. — ele fala rindo — Eu mandaria derrubar a casa inteira se fosse preciso, o que são algumas portas?

Será possível amá-lo mais?

— Agora vem. — ele se levanta e me estende a mão — Você precisa ver o resto.

Ele me mostra como o banheiro mudou. A banheira maior. Barras de ferro ao lado da pia e do vaso sanitário. Piso emborrachado no box. A parte da academia e piscina não mudou muito. Apenas um tatame enorme no chão muda o ambiente.

— Obrigada por tudo amor.

Ele ergue as sobrancelhas e sorri.

— Já disse que não tem que me agradecer. — quando ele passa as mãos pelos cabelos castanhos, seus bíceps se flexionam enchendo meus olhos com a delícia que é o seu corpo moreno — Você é minha namorada e eu faria qualquer coisa por você.

Ele é um amor. Pergunto-me o que dá na cabeça de uma mulher pra deixar alguém tão doce, inteligente e extremamente gostoso como esse. Acho que agora sei exatamente como ele era quando estava com ela. E pensar que eu não sou a primeira a quem o Nick amou me dói. Eu sei que é loucura e que eu não deveria, mas não consigo evitar o pensamento ruim de saber que tudo o que ele faz por mim, ele aprendeu fazendo por outra mulher.

— Tudo o que eu quero que faça por mim agora é me levar até essa piscina maravilhosa e me deixar segurar em seu pescoço enquanto flutuamos na água.

— Eu não acho que seja uma boa ideia, Ellen. — de repente ele volta a ficar sério.

— Tudo bem, Nick. Eu confio em você.

Com olhos pidões eu consigo convencê-lo a nadar um pouco comigo. Sorrindo ele tira a camisa sobre a cabeça de uma forma que sempre gostei de ver. Depois tira o calção e ficou apenas em sua boxer. Eu o imito e tiro a blusa e o sutiã. Meu shortinho eu deixo que ele tire. Eu gostaria de estar sentindo suas mãos nas minhas coxas enquanto ele me toca pra terminar de tirar a minha roupa.

— Sinto falta das suas mãos no meu corpo. — digo baixinho. Ele encosta a testa no meu joelho e vejo a sua respiração acelerar.

— Sua pele ficou mais branca durante esse tempo que você esteve longe do sol. — vejo quando ele beija minas pernas.

Estou só de calcinha agora. Ele está mais uma vez de joelhos e olhando para o meu corpo quase todo nu. Ele traça os dedos pelas minhas pernas e eu não sinto, é claro. Quando chega aos meus quadris, eu já consigo sentir um pouco. E na cintura eu o sinto normalmente.

— Nick...

— Quer mesmo ir nadar? — ele me olha nos olhos.

— Quero estar perto de você.

Com isso ele me pega nos braços e nos leva para a piscina. Com a água no seu peito, ele me escora em uma das laterais enquanto eu o abraço.

Deixo o meu nariz na curva do seu pescoço sentindo seu cheiro. Ele beija o meu. Depois beija minha clavícula e eu mordo sua orelha.

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Último capítulo

  • Recomeço    Epílogo

    Quando Nicholas e Ada saíram da bela casa em Miami Beach, não viram que Asher os espreitava perto de uma árvore. Assim que o casal entrou no táxi, Asher sacou o celular e fez uma ligação interurbana.— Ele está saindo. — disse ao homem que atendeu sua chamada.— Ele está sozinho? — o homem perguntou, curioso.— Não. Está com uma loira. Acredito que seja a tal ex-noiva.— Com certeza é ela. — o homem do outro lado da linha disse com um sorriso — Ela me disse com todas as letras que só iria embora depois que soubesse que não tinha mais chance de ser a futura senhora Hoffman.— Eles passaram um bom tempo lá dentro. — Asher soltou um sorrisinho frio — Acho que não é difícil imaginar o que estavam fazendo.— Ótimo. Mesmo sem saber, ela me fez um grande favor ao ir procurá-lo. E quanto à tal da Ellen?— Ela saiu pouco tempo antes deles. Estava chorando. Acho que não receberá mais cartões do dia dos namorados do Nicholas.— Perfeito. — o homem disse muito satisfeito.— Então acho que isso li

  • Recomeço    78

    Tudo bem, não sou hipócrita ao ponto de não admitir que rolou um clima naquela noite, mas não aconteceu nada. Eu logo o afastei. Porém, vendo essas fotos dessa forma, qualquer um entenderia isso errado. Posso ver nos olhos do Nick a pergunta que ele ainda não fez, mas que está se coçando pra fazer. E de repente, um novo calafrio percorre o meu corpo.— Nick, eu posso explicar tudo isso.— Tenho certeza que sim, mas por que eu acreditaria em uma única palavra sua?— Por que tudo o que sempre disse a você é verdade.— Sabe, houve um tempo em que eu olhava dentro desses olhos verdes e acreditava no que você dizia pra mim. Pra falar a verdade, eu realmente achei que existiria uma explicação razoável para essas fotos, mas devido aos novos fatos que eu presenciei...O quê? Que fatos? Meu Deus, o que aconteceu em Nova Iorque que virou a cabeça do Nick desse jeito?— Nick, o que está dizendo? — peço com pavor. Não quero acreditar que ele está duvidando de mim. Ele tem que me deixar explicar.

  • Recomeço    77

    Atravesso as portas duplas da boate e saio com a cara para cima, tomando um pouco de ar fresco. É incrível como está quente lá dentro. A brisa vinda dos mar, quarteirões à frente, me atinge em cheio. Embora existam prédios e casas entre o mar e a boate, aqui ainda dá pra sentir os efeitos dele e a brisa sempre foi minha favorita. Como a brisa que invadia o quarto do Nick quando dormíamos com as portas de vidro abertas.— Mas podemos não beber, se quiser. Por que não vamos ao cinema? — ele me traz de volta ao agora com uma pergunta — Se tivermos muita sorte podemos conseguir um ingresso para aquele filme que você tanto fala.— Qual? — pergunto confusa. Não me lembro de ter falado em nenhum filme ultimamente.— Cinquenta tons de cinza. Você só falava nele desde que soube que lançaria esse ano. Hoje é a estreia.Ah claro. Cinquenta tons de cinza. Eu fiz planos no ano passado de assistir esse filme com o Nick. Não poderia de jeito algum vê-lo agora com outra pessoa. Principalmente com o A

  • Recomeço    76

    Fico pensando bastante na minha conversa com o Oliver ainda por várias horas depois que desligo o celular. E a cada dez minutos, ligo para o Nick e deixo mensagem na sua caixa postal. Tenho plena certeza de que ela já está totalmente lotada, mas eu não me importo. Preciso falar com ele. Mas quando o Benny acorda, pouco depois do meio dia, eu ainda não consegui ouvir a sua voz. Pelo menos não a voz real. Apenas sua voz eletrônica típica, dizendo que está ocupado no momento e para ligar depois. Para me distrair, e também é claro pelo fato de eu não cozinhar muito bem, proponho sairmos para comer fora.Quando chegamos ao Joe's, faço-o pedir o ensopado de lula e polvo que é um dos pratos mais famosos do restaurante. Meio desconfiado, ele segue minha sugestão, mas só por precaução, peço uma porção de camarões à milanesa e arroz branco para mim porque se ele não gostar do ensopado, podemos trocar de prato e eu sei que ele adora camarão. Porém, quando o garçom serve os nossos pedidos, ele de

  • Recomeço    75

    — Vocês se mudaram? — ele pergunta olhando pelo vidro e apontando o polegar para trás, onde a casa ficou distante.— Eu me mudei. — respondo meio séria.Benny analisa a minha resposta por um tempo e após uma aceno de cabeça, me questiona quando não dou maiores explicações.— Eu vou querer saber o motivo?— Quando chegarmos em casa.Depois de contar tudo ao Benny sobre as mais recentes coisas que eu descobri, ele senta-se ao meu lado na cama e me abraça forte. Mais forte do que jamais o fez. Eu não posso resistir à sua demonstração de paternidade e choro em seus braços até ficar aos soluços. Achei que não tinha mais lágrimas depois de todo esse tempo, mas obviamente elas ainda estão aqui. Só precisavam de alguém para fazê-las sair.Ele não sabe, mas deve imaginar pelo quê eu estou passando. Estaria mentindo se dissesse que esse aborto não me afetou mais do que qualquer outra perda que eu já tive. O choque inicial quando eu soube não chega nem perto do que realmente tem se passado no me

  • Recomeço    74

    — Fico imensamente feliz em saber que você já está pronta pra outra, Ellen. — Terry me diz com um sorriso reconfortante ao me readmitir no meu antigo emprego.Não diria que totalmente pronta pra outra, mas certamente, pronta pra deixar o passado pra trás e focar no futuro.— É claro que será um honra tê-la de volta à minha equipe no clube.— Obrigada, Terry. Eu estava ficando louca por não ter o que fazer.Uma semana depois da partida do Nick para Nova Iorque, eu acordei com uma vontade renovada de conseguir de volta tudo o que eu tinha antes, começando pelo meu emprego. É verdade que tirar umas férias, passar algum tempo sem fazer nada é bom, mas chega uma hora em que a vida tem que voltar à sua velha rotina.— Eu imagino que sim. Por mim, você já poderia começar hoje mesmo, mas acho melhor vir só segunda.— Também acho. Preciso ver bem direitinho como vai ficar a minha rotina daqui pra frente.Afinal de contas, não é só o emprego que voltará à minha vida, eu serei estudante novament

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