LOGINROXANYA
Zack desceu a mão até o bolso da jaqueta, retirando dali o celular. A claridade da tela projetava sombras intensas nas linhas do seu rosto, realçando seus traços de uma maneira quase ameaçadora, conferindo-lhe uma aura sombria e inquietante. Ele não desviou o olhar de mim enquanto procurava um nome específico em sua agenda. Havia uma determinação silenciosa no olhar dele, como se quisesse me preparar para o que estava por vir. Era nítido que algo ruim estava prestes a acontecer, e que ele era a peça-chave.
— Damon — disse com voz firme e implacável, assim que a ligação foi atendida do outro lado da linha.
Um arrepio percorreu minha espinha instantaneamente diante daquele nome, trazendo à tona toda a tensão e o medo que eu tentava ignorar até aquele momento.
— Zack... — murmurei, a voz embargada pela apreensão crescente que invadia meu peito.
Ele não respondeu com palavras, apenas ergueu um dedo indicador que ordenava que eu ficasse em silêncio. E confesso que, naquele momento, tive vontade de quebrar aquele dedo.
— Traz o presentinho de término da Roxanya — ele instruiu com uma calma assustadora na voz.
No instante em que aquelas palavras atingiram meus ouvidos, meu coração deu uma batida irregular, como se soubesse o que viria a seguir e tentasse nos preparar para o impacto.
— Que tipo de presente? — perguntei, com uma mistura de medo e irritação.
Sem dizer mais nada, Zack encerrou a ligação. O silêncio que seguiu foi pesado e desconcertante, tão denso como se tivesse sido lançado sobre aquela rua como uma sombra sufocante. Foi então que, ao longe, ouvi algo inconfundível: o estrondo vibrante de vários motores roncando como um trovão.
Antes mesmo que eu pudesse ver o que se aproximava, o chão sob meus pés começou a vibrar. Lentamente, os faróis começaram a surgir na esquina, como olhos de predadores que estavam prestes a atacar. Um a um, os veículos emergiram, preenchendo a rua com um ruído ensurdecedor e uma presença ameaçadora, quase como uma maldição sobre rodas. Eram os Rust Devils, reconhecíveis pela combinação característica de suas motos cromadas e pelo ronco agressivo que anunciava sua chegada a quilômetros de distância.
Senti meu peito apertar, mas me recusei terminantemente a dar qualquer passo para trás. Damon estava à frente do grupo, exibindo um sorriso cruel e divertido, como se estivesse chegando para presenciar um espetáculo sangrento e terrível. Atrás dele, os demais pilotos fecharam completamente a rua, formando um semicírculo quase impenetrável.
Não demorou para que Ravenna surgisse na varanda de casa. A presença dela era como um veneno silencioso; ela mal conseguia disfarçar a satisfação perturbadora ao ver minha vida desmoronar sob os olhos dos vizinhos.
Com calma, Zack guardou o celular no bolso da jaqueta.
— Você quer terminar? — ele perguntou, sua voz firme e penetrante. — Então vamos fazer isso direito e do meu jeito.
— Você está me expondo, me fazendo passar vergonha na frente de todo mundo e diante dos meus próprios vizinhos — respondi, a indignação e o constrangimento borbulhando em minhas palavras.
— Não. — Ele balançou a cabeça lentamente, negando com convicção. — Eu estou garantindo que você entenda as verdadeiras consequências dos seus atos.
Não consegui conter uma risada incrédula diante daquela declaração absurda.
— Consequências? Você quer dizer por que recusei voltar para você?
O olhar dele escureceu repentinamente, como se uma sombra tivesse passado por dentro dos seus olhos.
— Por achar que podia simplesmente me rejeitar, cuspir na minha cara e sair andando sem pagar o preço — ele disse, com um tom grave que fez meu corpo inteiro estremecer.
Damon soltou uma risada baixa atrás dele; automaticamente as minhas mãos se fecharam ao lado do corpo e Zack deu um passo em direção a mim, tão próximo que pude sentir o odor forte e característico de cigarro impregnado em sua roupa.
— Soube que você pretende se inscrever na seletiva dos novos pilotos dos Saints & Sinners — anunciou Zack, seu tom carregado de desprezo e uma pitada de desafio.
Meu estômago deu um nó de ansiedade e surpresa. Como diabos ele descobriu? Aquela informação era sigilosa, e o fato de Zack estar a par dela só aumentava minha sensação de vulnerabilidade naquele momento.
— Sério mesmo? — continuou Damon, com aquele sorriso maléfico, saboreando cada palavra como se fosse a melhor parte de um espetáculo. — Achou mesmo que ia poder entrar no circuito dos nossos piores inimigos correndo para outra equipe?
— Eu não preciso da sua autorização para nada — repliquei, tentando manter a voz firme, embora a insegurança começasse a fermentar por dentro.
O sorriso no rosto dele desapareceu tão abruptamente quanto surgiu, substituído por uma expressão dura e ameaçadora.
— Algo me diz que, a partir de agora, você vai precisar.
A frase de Damon, foi como uma gota que faz o copo transbordar, porque a voz de Zack, na sequência, soou possessiva, como uma advertência cruel e definitiva.
— Você está banida de todos os circuitos — anunciou Zack. — Se houver apostas, corridas ilegais, qualquer evento desse tipo, seu nome será impedido de passar pela porta.
Senti o chão se fechar sob meus pés, o ambiente se estreitar, como se minha existência fosse diminuída à medida que aquelas palavras me acertavam em cheio.
— Você não pode fazer isso — argumentei impotente, tentando manter a dignidade enquanto encarava aquela sentença injusta.
— Eu posso e vou — ele sorriu novamente, dessa vez com uma intensidade assustadora. — Vou garantir pessoalmente que todas as portas se fechem para você, antes mesmo de você sequer pensar em entrar.
— Zack... — comecei, desesperada, mas ele não parecia interessado em ouvir.
— Nenhum trabalho, nenhuma corrida, nenhuma oportunidade — disse lentamente, como quem saboreia cada instante de vingança. — Vou assegurar que você não consiga nada, que cada tentativa sua seja esmagada.
A raiva borbulhou dentro de mim com tanta força que quase sufocou meus sentimentos.
— Você é um filho da puta — explodi. O ódio queimando minha garganta.
— Pode até ser, mas ainda sou o filho da puta que decide se você corre ou rasteja — replicou, com um sorriso cruel que refletia seu controle absoluto sobre minha vida.
Os Rust Devils soltaram risadas zombeteiras, e senti o fogo da humilhação e do ódio subindo ao meu rosto. Naquele momento, a vontade de destruir algo com minhas próprias mãos era quase insuportável.
Quando Zack inclinou o rosto na minha direção, adotou um tom baixo, quase íntimo, que me fez estremecer.
— Quer brincar de ir embora? Então vai, meu amor. Quero ver quanto tempo essa sua pose de fodona aguenta quando o aluguel vencer e ninguém quiser te contratar. — A frase foi lançada como uma faca bem no centro do meu peito e, ao perceber o impacto, Zack continuou. — Quando isso acontecer, quando você estiver na merda, sem corrida, sem trabalho, sem saída, talvez eu considere aceitar você de volta.
Furiosa, cuspi no chão entre nós, um gesto carregado de desprezo e indignação.
— Eu prefiro morrer como uma prostituta antes de rastejar de volta pra você.
As palavras ainda ecoavam enquanto Zack desviava o rosto em direção a Damon.
— Damon, agora você tem autorização para brincar. Pode ir pegar — ordenou Zack, frio e implacável.
Meu sangue gélido denunciou meu pavor, enquanto Damon esboçava um sorriso que continha a promessa de algo ruim que estava por vir.
— Com prazer — respondeu Damon com aquele tom sombrio, como se fosse um convite para o desastre que se anunciava.
— Pegar o quê? — perguntei, mas minha voz já soava fraca, quase sufocada pelo medo que estava crescendo em mim.
Zack não respondeu, apenas continuou me encarando, seus olhos implacáveis não deixando espaço para dúvidas sobre suas intenções. Damon caminhou em direção à lateral da casa, acompanhado por dois dos Rust Devils, o cenário se preenchendo de uma tensão quase palpável.
— Não — sussurrei, a palavra quase um apelo desesperado que mal saiu dos meus lábios.
Zack inclinou a cabeça, como se aquela reação fosse exatamente o que ele esperava e desejava ver.
— Zack, por favor, não faça isso — tentei implorar, com o coração apertado e a mente lutando contra a inevitabilidade da situação.
Eu tentei me afastar, passar por ele, mas a mão firme de Zack agarrou meu braço e me prendeu no lugar, imobilizando qualquer tentativa de fuga.
— Você não quis o meu amor, Roxy... — ele murmurou com uma frieza quase dolorosa, as palavras carregadas de um ressentimento enterrado profundamente.
— Me solta! — gritei, tentando me desvencilhar, o desespero crescendo a cada segundo.
— Então agora, assiste... — ele concluiu ameaçador, com um olhar que sugeria que aquilo seria apenas o começo do que estava por vir.
AGRADECIMENTOSSe você está lendo isso agora, por favor, pare um instante e respire fundo comigo. Sei exatamente como você deve ter se sentido ao virar a última página desta história. Imagino sua mente fervilhando de emoções contraditórias: talvez raiva, confusão, questionamentos a mil e, quem sabe, até alguns xingamentos direcionados a mim. Se eu consegui provocar tudo isso, significa que cumpri meu papel à altura. Aposto que você está desesperadamente ansiosa(o) para descobrir o que vem a seguir, o que acontecerá com nossos personagens e seus destinos entrelaçados.Escrever esta história foi como entrar em uma corrida sem linha de chegada. Em alguns dias eu tive certeza de que sabia exatamente para onde estava indo e, em outros, foram os próprios personagens que tomaram o volante e decidiram o caminho por mim.A Red, nossa protagonista, nunca foi uma personagem simples ou fácil de lidar. Ela é tudo, menos calma e racional, uma mistura explosiva que tem o hábito pouco saudável de tra
EpílogoVIOLET RAGE – LEXIEO leve som do clique da maçaneta ressoou pela sala, e imediatamente meus olhos se ergueram da fotografia que eu segurava quando a porta se abriu lentamente, quase como se alguém tivesse escolhido esse momento com precisão. Alguém entrou e, por um instante, meu cérebro hesitou, demorando alguns segundos preciosos para reconhecer aquele rosto que assumia formas familiares diante de mim. Não havia mais o sorriso debochado, aquele que passava seus dias rodeado por secadores de cabelo, esmaltes coloridos e clientes tagarelando sobre a vida alheia. O Mustafá, que atravessava silencioso a sala naquele exato instante, caminhava com os ombros erguidos, emanando uma presença tão intensa que parecia, quase sem esforço, alterar o próprio ar em seu entorno.Então, meu olhar foi recuando lentamente para a jaqueta de couro preta que ele trajava e, nesse instante, senti um arrepio distinto, gelado, percorrendo toda a minha espinha. Ali, costurado de forma precisa sobre o p
Capítulo 70LEXIEEu deveria ter me levantado imediatamente, mandado Summer para a casa do caralho sem olhar para trás, atravessado aquela porta com determinação e tentado esquecer para sempre que aquele lugar havia existido em minha vida. Mas, por alguma razão inexplicável, eu simplesmente não conseguia. O silêncio pesado que pairava entre nós era quase sufocante, carregado de tensão e expectativa, dificultando qualquer pensamento racional. Foi então que ela, sem dizer nada, simplesmente empurrou um tablet na minha direção, interrompendo o silêncio.— É por sua conta e risco… — ela avisou, sua voz carregada de um misto de advertência e algo que eu não consegui identificar direito.Minha mão tremeu por uma fração de segundo, hesitando antes de alcançar o tablet que ela me oferecia. Uma parte de mim queria rejeitar aquilo, empurrar aquela merda para longe, mas havia outra parte, uma centelha de curiosidade que insistia em se agarrar com unhas e dentes à possibilidade de existir uma úni
Capítulo 69SUMMERO relógio marcava um pouco mais de quatro horas desde que Lexie veio comigo por “livre e espontânea vontade” quando o celular vibrou sobre a mesa. Já sabia quem era e, como não queria perder tempo, atendi antes mesmo do segundo toque.— Espero que tenha um bom motivo para me ligar tão cedo.Do outro lado da linha, a voz permaneceu calma.— Duquesa, está tudo sob controle, exatamente como você planejou.Inclinei a cabeça, encarando a parede de vidro da sala.— E ele, o alvo? Deu algum trabalho?— Mais do que o esperado — admitiu a voz do outro lado.Isso trouxe uma mistura de satisfação e impaciência dentro de mim, então um sorriso sutil e quase desdenhoso se formou em meu rosto.— Avisei que meu Ethan não costuma facilitar a vida de ninguém — relembrei com certa ironia.— Ainda assim, ele permanece exatamente onde deveria estar, não é verdade?Instintivamente, tamborilei os dedos contra a superfície da mesa feita de madeira escura, aquele som ritmado parecendo marca
Capítulo 68RED – ROXANYABom, agora, depois de sessenta e sete capítulos, você já sabe exatamente quantas decisões idiotas, irresponsáveis e absolutamente questionáveis eu precisei tomar para acabar aqui e, quando eu digo aqui, quero dizer literalmente sentada no centro de uma gaiola, usando uma coleira de um milhão de reais, com os dizeres: "Propriedade dos The Cove Boys", enquanto quatro psicopatas milionários discutem meu futuro em algum lugar da casa como se eu fosse um problema administrativo.Não é exatamente o tipo de situação que eu imaginei quando pensava nos meus planos para essa vida. Mas o universo tem um senso de humor perverso e eu aparentemente tenho um talento sobrenatural para tomar a pior decisão disponível sempre que surge uma oportunidade. Se isso parece uma péssima ideia para você, fique tranquilo, agora também parece mil vezes pior para mim.Eu me deixei cair contra a parede da gaiola e fechei os olhos por alguns segundos, tentando organizar os pensamentos. O pr
Capítulo 67RED – ROXANYAPor um instante brevíssimo, meu cérebro simplesmente travou, recusando-se a aceitar e processar a informação que acabara de ouvir. Era como se uma névoa densa e pesada tivesse invadido minha mente, bloqueando qualquer reação lógica ou emocional. Minha visão pareceu congelar naquele momento, incapaz de assimilar o absurdo da situação que se desenrolava diante de mim.— Você realmente perdeu a porra da cabeça por completo — disse, tentando me recuperar, com a voz carregada de incredulidade e raiva, como se aquilo tudo fosse uma piada de mau gosto que eu não conseguiria rir.— Anotado — respondeu Max, com uma calma quase irritante de quem fingia levar tudo aquilo numa brincadeira, enquanto mexia distraidamente no celular, digitando alguma coisa que nem me dei ao trabalho de tentar decifrar.A gargalhada estrondosa e vibrante de Oliver rompeu o silêncio que se formou no ambiente da garagem, intensificando ainda mais o clima de humilhação e desespero que me envolv







