LOGINPOV: Maíra O silêncio que se seguiu após a discussão entre Zayan e Isadora durou três dias. Três dias em que o Alfa não voltou a me chamar de companheira destinada. Três dias em que não apareceu na cozinha quando eu levava as refeições, não perguntou sobre meus ferimentos e sequer olhou em minha direção quando cruzávamos os corredores. No início, pensei que estivesse ocupado com os assuntos da alcateia. Zayan sempre tinha reuniões, relatórios para analisar e decisões que exigiam sua atenção. Mas, no quarto dia, quando o vi passar por mim no pátio e desviar o olhar deliberadamente, compreendi que alguma coisa havia mudado. Não era indiferença. Era esforço. Eu conhecia o suficiente sobre o vínculo para reconhecer os sinais. O lobo dele ainda me procurava. Às vezes, eu sentia o puxão no peito quando estávamos próximos, uma espécie de saudade que não me pertencia inteiramente. Em outras ocasiões, quando ele se afastava, uma dor profunda se espalhava pelo meu corpo, como se algo dent
A voz dela ecoou pelo corredor. Os guardas abaixaram a cabeça. Eu permaneci imóvel, desejando desaparecer. Zayan apertou os punhos. — Não faça isso novamente. Isadora ficou pálida. — Está me dando ordens por causa dela? — Estou deixando claro que não permitirei que o vínculo seja usado para prejudicar minha companheira. Isadora soltou uma risada incrédula. — Sua companheira? O Alfa ficou em silêncio. Ela deu um passo em sua direção. — Você passou semanas afirmando que não a queria. Que pretendia romper o vínculo e permanecer ao meu lado. Mas agora a chama de sua companheira diante dos guardas? Zayan não respondeu. Isadora olhou para mim. E, naquele instante, percebi que alguma coisa havia se quebrado entre nós. A mulher que antes me tratava com formalidade agora me observava como se eu tivesse roubado algo que lhe pertencia. — Saia daqui, Maíra — ordenou ela. Zayan virou-se imediatamente. — Isadora… — Eu disse para ela sair! O Alfa ficou imóvel. Olhei para ele. E
Na manhã seguinte, o peso das novas tarefas tornou-se evidente. Helena tentou intervir quando viu a lista que Isadora havia preparado. — Minha Luna, essas atividades são excessivas para uma única pessoa. Isadora estava sentada à mesa do desjejum. — Maíra é uma das servas mais eficientes da mansão. — Não duvido disso, mas… — Então não vejo motivo para questionar a distribuição. Helena baixou a cabeça. — Como desejar, minha Luna. Eu permanecia próxima à porta, aguardando novas instruções. Isadora virou-se para mim. — Maíra, quero que os aposentos principais estejam limpos antes do meio-dia. A lavanderia deverá estar organizada até o fim da tarde, e o salão de recepção precisa estar pronto para a reunião desta noite. — Sim, minha Luna. — E cuide para que tudo esteja impecável. — Sim, senhora. Peguei a lista e saí. Helena me alcançou no corredor. — Não precisa aceitar tudo sem dizer nada. — Ela é a Luna, senhora. — E você não é uma máquina. Sorri discretamente. — Vou
Naquela noite, o conselho se reuniu novamente.Eu estava servindo o jantar quando percebi que Zayan parecia inquieto.Seu lobo estava agitado, e o vínculo transmitia uma sensação de desconforto que me fazia sentir o peito apertado.Tentei manter a concentração.Quando me aproximei para servir o vinho, uma pontada intensa atravessou meu corpo.A taça escorregou de minhas mãos.O vidro se chocou contra o chão, espalhando cacos sobre o mármore.O salão ficou em silêncio.— Maíra! — exclamou Helena, que estava próxima à entrada.Abaixei-me imediatamente.— Perdão, minha Luna. Meu Alfa.Zayan se levantou tão depressa que a cadeira caiu para trás.— Não toque nisso!Sua voz ecoou pelo salão.Parei, surpresa.Ele atravessou o espaço entre as mesas e segurou meu braço antes que eu pudesse recolher os cacos.— Você se machucou?Olhei para ele, confusa.— Não, meu Alfa.Zayan examinou minha mão.Um pequeno corte havia surgido próximo ao polegar.Uma gota de sangue escorreu pela pele.O Alfa ros
Não sei quanto tempo permaneci ali. A luz que entrava pelas cortinas mudou de intensidade, indicando que a manhã avançava. Isadora estava sentada em uma poltrona, em silêncio. Eu evitava olhar em sua direção. Não sabia o que dizer. Não sabia sequer se deveria estar naquele quarto. Quando Zayan finalmente despertou, a primeira coisa que fez foi procurar minha mão. Seus dedos se fecharam ao redor dos meus. — Maíra? — Estou aqui, meu Alfa. Ele abriu os olhos e me observou. Por um instante, sua expressão pareceu confusa, como se estivesse tentando reconstruir o que havia acontecido. Então olhou para Isadora. — O que houve? A Luna levantou-se. — Você teve outra crise. O curandeiro precisou ser chamado. Zayan passou a mão pelo rosto. — Lembro-me de parte disso. — Você perdeu o controle do lobo — respondeu ela. Ele olhou para mim. — E ela? — O curandeiro pediu que preparasse uma infusão — expliquei. — Eu a trouxe. Zayan ficou em silêncio. Seus olhos desceram até nossas
Maíra O primeiro sinal de que algo estava errado foi o silêncio. A mansão Kalycan costumava despertar antes do sol. Os empregados circulavam pelos corredores, a cozinha fervilhava com os preparativos do desjejum e os guardas trocavam de turno no pátio. Naquela manhã, porém, todos pareciam andar com cautela, como se temessem perturbar alguma coisa. Eu estava na cozinha, preparando uma infusão para Helena, quando Clara entrou apressada. — Você ainda não soube? Ergui os olhos. — Soube de quê? Ela se aproximou e baixou a voz. — O Alfa passou mal durante a madrugada. Chamaram o curandeiro às pressas. Minha mão parou sobre a chaleira. — De novo? Clara assentiu. — Dizem que o lobo dele está cada vez mais instável. Um dos guardas ouviu os rosnados vindos dos aposentos do Alfa. Senti o vínculo se contrair em meu peito. Uma pontada aguda me fez apoiar a mão na bancada. — Maíra? — Clara segurou meu braço. — Está sentindo alguma coisa? Respirei fundo. — Não é nada. — Você ficou b







