LOGINDois anos haviam se passado desde a última vez que nos vimos, mas era impossível não reconhecer aqueles olhos dourados.
Ele estava diferente.
Mais alto, mais forte, com músculos ainda mais definidos sob a roupa perfeitamente ajustada ao seu corpo.
Seus cabelos estavam ligeiramente mais escuros, realçando suas feições afiadas e ainda mais marcantes.
Ele me olhou de cima a baixo, com seus olhos percorrendo meu corpo por um instante a mais antes de balançar a cabeça.
Então, aquele olhar de desprezo tomou conta de seu rosto.
— O que você está fazendo aqui? — Sua voz saiu firme, carregada de desdém.
Engoli em seco, mantendo minha postura. Respirei fundo e respondi com o respeito que lhe era devido.
— O Alfa me pediu para vê-lo. Vim tratar do banquete para a visita do Rei Cedric.
Lucius franziu o cenho e fez uma careta, claramente descontente com minha resposta.
— Meu pai confiou algo tão importante a você? — Ele riu baixo, cruzando os braços. — O que ele tem na cabeça?
Eu poderia deixar que suas palavras me afetassem, como fiz tantas vezes no passado, mas não mais.
Eu havia aprendido a selecionar o que realmente merecia espaço dentro de mim.
Apenas mantive a expressão neutra, segurando firme a pasta em minhas mãos.
Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, uma voz cortante interrompeu a conversa.
— O que essa cadela está fazendo aqui? — Safira apareceu ao lado de Lucius, o encarando antes de desviar seu olhar carregado de ódio para mim.
Ela continuava a mesma, mas agora exalava ainda mais confiança.
Seus cabelos loiros estavam impecavelmente arrumados, e sua postura era de alguém que acreditava já ter tudo o que queria.
Eu apenas respirei fundo, pronta para ignorá-los e seguir para minha reunião, mas neste momento, a porta do escritório do alfa se abriu.
— Camila. — A voz firme do alfa ecoou pelo corredor.
Imediatamente, fiz uma leve reverência e pedi licença a Lucius e Safira.
— Com sua permissão. — Minha voz saiu educada, sem um traço de emoção.
Lucius permaneceu imóvel, me encarando com um olhar indecifrável, mas eu apenas mantive minha compostura e segui o guarda até a sala do alfa, sem olhar para trás.
Assim que entrei no escritório do Alfa, inspirei fundo, mantendo minha postura firme.
O Alfa Edgar estava sentado atrás de sua grande mesa, examinando alguns papéis, mas ergueu os olhos assim que o guarda anunciou minha chegada.
— Camila, entre — sua voz era grave, mas havia uma certa gentileza em seu tom.
— Obrigada por me receber, Alfa — respondi respeitosamente, me aproximando.
Ele gesticulou para que eu me sentasse na cadeira à sua frente, e assim fiz.
Coloquei minha pasta sobre a mesa e a abri, tirando as folhas onde eu havia planejado detalhadamente o menu e a logística do banquete.
Ele observou em silêncio enquanto eu organizava tudo, e então comecei minha apresentação.
O Alfa pegou os papéis e analisou tudo com atenção, seus olhos percorrendo as informações.
Meu coração batia forte enquanto aguardava seu veredito.
— Impressionante — ele disse por fim, colocando os papéis sobre a mesa. — Você fez um trabalho excelente com o planejamento, Camila. Se você se esforçar como fez no meu aniversário este ano, tenho certeza de que tudo sairá perfeito.
Senti um calor inesperado no peito diante de seu elogio.
Não era comum receber reconhecimento, ainda mais do Alfa em pessoa.
Mantive minha postura formal, mas permiti um pequeno sorriso.
— Obrigada, Alfa. Vou dar o meu melhor para garantir que o banquete seja um sucesso.
Ele assentiu, satisfeito.
— Além disso, seu esforço será recompensado. Não só pelo trabalho, mas pelo compromisso que está demonstrando. Certamente será algo justo pelo que você está proporcionando para a matilha.
Arqueei ligeiramente as sobrancelhas, surpresa com aquela informação.
Eu esperava apenas cumprir o que me foi pedido, então a menção de uma recompensa era inesperada.
— Agradeço muito, Alfa. Não esperava por isso — respondi com honestidade.
Ele sorriu de leve, mas logo mudou de expressão, como se se lembrasse de algo importante.
— Antes que vá... Como está sua mãe?
A pergunta fez meu peito apertar. Suspirei, desviando o olhar por um breve momento antes de respondê-lo.
— Ela está muito fraca. O médico da matilha disse que pode ser a qualquer momento... — Minha voz falhou um pouco, mas eu me recompus rapidamente. — Estou tentando ficar o máximo possível com ela, mas sei que não há muito mais que eu possa fazer.
O Alfa ficou em silêncio por um instante, sua expressão demonstrando um raro vislumbre de empatia.
— Sinto muito, Camila. Sei que é difícil perder alguém tão próximo. Se vocês precisarem de qualquer coisa, não hesitem em me procurar. A matilha pode ajudar no que for necessário.
Olhei para ele, surpresa por sua consideração. Era onde eu via a diferença entre ele e seu filho.
— Agradeço muito, Alfa. Isso significa muito para mim e para minha família.
Ele assentiu, sinalizando que nossa conversa havia terminado. Levantei-me e fechei minha pasta, pronta para sair.
— Faça um bom trabalho, Camila. Estou contando com você — ele acrescentou antes que eu alcançasse a porta.
— Farei o possível para não decepcioná-lo, Alfa — respondi antes de sair da sala.
Enquanto caminhava pelo corredor, sentia um misto de sentimentos dentro de mim.
O encontro tinha sido mais tranquilo do que eu esperava, e pelo menos eu tinha a aprovação dele para seguir com o planejamento do banquete.
Mas esse alívio durou pouco.
Antes que eu pudesse dar mais alguns passos pelo corredor, uma mão firme agarrou meu braço e me puxou bruscamente.
Um pequeno grito de surpresa escapou da minha garganta, mas antes que pudesse reagir, fui puxada para dentro de um quarto escuro.
Meu coração disparou, e quando tentei gritar, uma mão quente e forte tampou minha boca.
— Fica calada! — a voz grave e irritada sussurrou contra meu ouvido.
Um arrepio percorreu minha espinha, e meu peito se apertou com uma mistura de medo e incredulidade. Eu conhecia aquela voz.
Era Lucius.
Erick chegou primeiro. Jackson veio logo depois, ainda ajeitando a manga do casaco.Fechei a porta da sala de mapas e passei a chave.— Sentem.— Eu prefiro ficar de pé — disse Jackson.— Eu mandei sentar.Ele sentou e Erick também.— O que aconteceu? — perguntou Erick. — O soldado disse que era urgente.— O Bóris vai viajar hoje.— Viajar para onde?— Para o casamento do filho de um tal Alfa Roderick. Ele e a Thayla.Er
[Cedric]— Repete o que você disse — falei.Thayla cruzou os braços, parada no meio do meu quarto.— Eu disse que as criadas estão falando. Dizem que você anda muito perto da cozinheira.— Criada fala demais.— Elas disseram que você jantou no quarto dela. — Ela inclinou a cabeça. — Você nunca jantou no quarto de ninguém, Cedric.— Eu jantei onde quis.— E por quê?— Porque eu sou o rei. Não preciso te explicar nada.Thayl
Puxei o ar com dificuldade, trincando os dentes para engolir a dor aguda que latejava nas minhas costelas.Cravei os olhos nos dela, sustentando o olhar com todo o ódio que eu guardava.— Nove dias é muito tempo para quem canta vitória antes da batalha, Thayla — devolvi com a voz firme, mesmo com o peito parecendo estar em chamas.A mulher fechou a cara na mesma hora, a arrogância vacilando por um segundo diante da minha falta de medo.— Como você ousa falar assim comigo?!— Eu falo como eu bem entender — dei um passo à frente, obrigando-a a recuar meio centímetro. — Você pode vestir ouro da cabeça aos pés e trazer os
Apertei o passo e me enfiei no meu quarto, batendo a porta atrás de mim com força.Joguei a bandeja na mesinha lateral e sentei na beirada da cama com um solavanco, afundando o rosto nas palmas das mãos frias.Minha respiração saía curta, entrecortada pela raiva e pelo pânico que me consumiam.O cheiro de pinho e tempestade ainda parecia impregnado na minha memória.Eu tinha dormido nos braços dele. Pior… tinha me aninhado no colo daquele homem como se o peito dele fosse o lugar mais seguro do mundo.— Idiota... burra, fraca — xinguei a mim mesma em um sussurro engasgado, esfregando os olhos com força.
— Cuide da segurança externa do quarto dela por enquanto — instruí com a voz saindo quase como um rosnado reprimido. — E garanta que Jackson mantenha os olhos cravados em cada passo que Thayla der por aqueles corredores. Se aquela mulher tentar cruzar o caminho de Camila de novo, ela vai aprender da pior maneira o que acontece com quem mexe no que é meu.— Entendido, meu Rei — Erick bateu o punho fechado contra o peito em continência. — Vou pessoalmente organizar os arquivos e reforçar os vigias da ala sul agora mesmo.— Faça isso imediatamente, Erick — respondi, virando as costas para ele e encarando os mapas antigos sobre a parede.Assim que os passos de Erick sumiram pelo corred
Erick franziu a testa, dando um passo à frente:— Não é?.— É magia antiga misturada com maldição de sangue — apontei com o queixo para a pilha de pergaminhos. — Essa coisa reage ao vínculo entre companheiros. Ela se alimenta da energia da loba dela e da minha própria força quando ficamos perto.O comandante arregalou os olhos, o queixo caindo devagar:— Se isso for verdade, Majestade... a garota está carregando uma bomba viva dentro do castelo.— Exatamente — afirmei, com a voz saindo mais dura do que o aço da minha espada. — E &eacu







