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Rejeitada pelo Alfa: Pai da Minha Filha
Rejeitada pelo Alfa: Pai da Minha Filha
Author: Mia Bianchi

Capítulo 01

Author: Mia Bianchi
last update publish date: 2026-07-22 10:25:01

Jady

O sino tocou antes do amanhecer, cortando o silêncio como uma lâmina enferrujada.

Ainda estava escuro.

A neve caía fina e constante lá fora, cobrindo os jardins impecáveis da Lua de Prata.

Dentro do quartinho apertado das criadas, o frio entrava pelas frestas da madeira como se quisesse nos matar devagar.

— Criadas! Levantem-se! — a voz rouca da governanta ecoou pelo corredor.

Eu ouvi o barulho de corpos mexendo.

O ranger das camas velhas.

Os passos apressados, mas eu não me movi.

Meus músculos doíam tanto que parecia que alguém tinha me espancado durante o sono.

Ontem eu havia limpado o salão principal até depois da meia-noite porque “a Luna Eleonor queria o chão brilhando para a visita importante”.

A porta do nosso quarto se abriu com violência.

Eu nem precisei abrir os olhos para saber quem era.

Seraphine.

Senti o cheiro dela antes mesmo de vê-la: perfume caro de rosas e algo podre por baixo, como veneno disfarçado.

Não ouvi palavras.

Só o som de metal arrastando no chão, então veio o choque.

Um balde inteiro de água gelada caiu sobre mim como uma avalanche.

A água estava tão fria que queimou minha pele.

Meu corpo deu um solavanco violento, o ar fugiu dos meus pulmões e eu acordei gritando, tossindo, com o coração prestes a explodir.

— Levanta, vadia — disse Seraphine com a voz doce, quase carinhosa. — Ou quer que eu jogue outro?

Eu me levantei cambaleando, encharcada, tremendo tanto que meus dentes batiam.

A camisola fina grudava no corpo como uma segunda pele gelada.

As outras criadas olhavam para o chão.

Nenhuma ousava me ajudar.

Elas sabiam que, se fizessem isso, seriam as próximas.

Seraphine deu um passo para trás, admirando seu trabalho.

Seus lábios pintados de vermelho se curvaram num sorriso satisfeito.

— Olha só o que você fez… Ainda está molhando meu chão, sua porca, limpa isso, agora.

Eu peguei o pano velho que ela chutou na minha direção.

Ajoelhei-me no chão de pedra gelado, ainda molhada, e comecei a esfregar, cada movimento fazia minhas mãos rachadas arderem.

O frio entrava pelos ossos.

Lágrimas de raiva queimavam meus olhos, mas eu não deixei cair.

Não na frente dela.

Seraphine ficou me observando por longos minutos, como quem assiste um animal se humilhando.

— Você nasceu para isso, vadia, para servir, para limpar a sujeira dos que realmente importam. — Ela inclinou a cabeça. — Às vezes eu me pergunto se você é tão feia e inútil porque sua mãe era uma puta qualquer que abriu as pernas para o primeiro lobo que apareceu.

Eu cerrei os dentes com tanta força que senti gosto de sangue.

Quando terminei de secar o chão, ela me mandou limpar o castelo inteiro ainda molhada.

Os corredores intermináveis, as escadas, os banheiros.

As mãos começaram a sangrar de verdade depois da terceira hora.

O sangue misturava com a água suja no balde.

Ninguém ligava, ninguém oferecia um pano limpo ou um chá quente.

Quando o café da manhã dos nobres terminou, nós, as criadas, fomos finalmente comer o que sobrou.

Só restavam migalhas, um pedaço de pão duro, um pouco de sopa fria com gordura solidificada.

Eu estava faminta, mal sentei no banco quando Seraphine passou novamente, acompanhada de duas lobas que riam baixinho.

Ela parou na minha frente.

Olhou para o meu prato com nojo.

Então, com um sorriso angelical, pegou o pedaço de pão da minha mão e jogou no chão, bem na frente dos cães de caça da família Kingsley.

Os animais devoraram em segundos.

— Você pode esperar até o jantar — disse ela, olhando nos meus olhos. — Se é que vai sobrar alguma coisa. Cachorros comem primeiro, sabia? Eles são mais úteis que você.

O silêncio no refeitório das criadas era ensurdecedor.

Eu levantei o olhar lentamente e encarei Seraphine.

Meu corpo tremia de frio, fome e raiva contida.

— Eu sirvo porque preciso — falei, a voz baixa, mas firme. — Não porque você vale mais do que eu, senhorita Seraphine. Um dia… você vai descobrir isso da pior forma.

Por um segundo, algo brilhou nos olhos dela.

Surpresa, raiva ou medo?

Depois ela riu alto, jogando a cabeça para trás.

— Sonha, ratinha. Enquanto Orion não te escolher, você continuará sendo exatamente o que é: nada.

Ela virou as costas e saiu, deixando o eco da risada pelo corredor.

Eu fiquei olhando para o prato vazio, o estômago roncando, o corpo dolorido e gelado, mas dentro do peito, algo queimava mais forte que o frio, ódio e uma promessa silenciosa.

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Comments (1)
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Maria Gomes
Força guerreira ......
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