INICIAR SESIÓNOrion
Meu corpo ardia depois de horas de treinamento militar intenso. O suor escorria pelo peito nu enquanto eu terminava de derrubar mais um guerreiro no chão lamacento do pátio de treino. Kael, meu lobo, rosnava satisfeito dentro de mim. — Bom treino, Adrian — falei, batendo no ombro do meu melhor amigo. Adrian sorriu, limpando o sangue do lábio. — Você está cada dia mais forte, futuro Alfa. Estávamos voltando para o castelo quando Gamma Darius apareceu, sério como sempre. — Orion, seu pai quer falar com você, agora, no salão privado. Senti um peso no peito. Meu pai nunca me chamava no meio do dia sem motivo grave. Entrei no salão particular da família. Meu pai, Alaric Kingsley, o Alfa da Lua de Prata, estava sentado na grande cadeira de carvalho, imponente e frio. Seus olhos prateados me analisaram como se eu fosse um soldado qualquer. — Sente-se. Obedeci. Kael já andava inquieto dentro de mim. — Pai, o que aconteceu? Alaric foi direto, sem rodeios: — Você vai se casar com Seraphine, o casamento será em três dias. O mundo parou. Levantei-me num salto, o sangue fervendo. — O quê?! Eu não vou casar com ela! Meu pai bateu a mão na mesa com tanta força que a madeira rachou. — Você vai sim e vai agradecer por ter essa oportunidade. — Eu já encontrei minha companheira destinada! — explodi. — É a Jady! Ela é minha! O rugido de Alaric ecoou pelo salão inteiro. Seus olhos brilharam com fúria lupina. — Uma empregada?! Uma escrava?! Você, herdeiro da Casa Kingsley, quer manchar nosso sangue com uma criada qualquer?! Isso é absurdo! Kael uivava dentro de mim, querendo rasgar tudo. — Ela não é qualquer uma! Ela é minha companheira! O laço é real, pai. Eu sinto ela na minha alma! Alaric se levantou, imenso e ameaçador. — Seraphine foi criada como filha desta casa, o pai dela, o Beta Supremo, morreu protegendo minha vida na última grande guerra. Temos uma dívida de sangue e honra, casar com ela é o mínimo que podemos fazer. Eu balancei a cabeça, desesperado. — Isso não é só sobre dívida, o que vocês realmente querem? Meu pai estreitou os olhos. — A Lua de Prata guarda um dos Fragmentos da Lua, três alcateias rivais estão rondando nossa fronteira, se você romper o tratado de aliança casando com uma qualquer em vez de Seraphine, elas vão romper a aliança, teremos guerra, Orion. Milhares de lobos vão morrer, o equilíbrio dos Doze Domínios vai ruir. Ele deu um passo à frente, a voz dura como aço: — O casamento com Seraphine foi anunciado oficialmente, acontecerá em três dias, não há mais discussão. Saí do salão batendo a porta com tanta força que as paredes tremeram. Tentei de tudo. Fui até o Conselho, falei com os anciãos, expliquei que Jady era minha companheira destinada. Eles me olharam com pena e desprezo. — Uma criada não pode ser Luna, não insista nisso, Orion. Corri até minha mãe, Luna Eleonor. Ela estava bordando no jardim de inverno. Quando terminei de falar, ela apenas suspirou. — Meu filho… às vezes o dever pesa mais que o coração. Seraphine é o que esta casa precisa. Jady é… passageira. Cada palavra era como uma faca no peito. Voltei para meus aposentos e bati a porta. Kael gritava dentro de mim, furioso, desesperado: “Nossa companheira! Jady é nossa! Não traia ela!” Eu me sentei na cama, passando as mãos pelo cabelo. Três dias. Em três dias eu teria que rejeitar publicamente a mulher que eu amava. A mulher que eu tinha prometido proteger, a mulher que eu marcava com meu cheiro todas as noites. Eu a amava, de verdade, mas como escolher entre o amor da minha vida e o destino de milhares de lobos?JadyYanka não me poupava mais. De manhã cedo, sob a névoa fria do pátio externo, ela me fazia repetir sequências até os músculos arderem, quedas, esquivas, golpes de mão vazia, combate corpo a corpo. Eu caía, levantava, caía de novo. O suor escorria pelo rosto e misturava com a respiração ofegante, mas eu não pedia para parar, cada hematoma era uma prova de que eu estava deixando para trás a criada frágil da Lua de Prata.— De novo — ordenava Yanka, os olhos sérios. — Você carrega o sangue Lakis. Mostre isso e eu mostrava.Depois de algumas semanas, Isaac começou a treinar comigo também. Diferente de Yanka, ele era mais técnico, mais preciso. Ensinava-me a ler o oponente, a sentir o peso do corpo antes do ataque, a usar a própria força do inimigo contra ele. Quando treinávamos, o silêncio entre nós era denso. Suas mãos me corrigiam a postura com firmeza cuidadosa. Às vezes nossos olhares se encontravam por tempo demais. Zara se agitava, inquieta, mas eu fingia não notar.Foi
JadyO tempo na Lua Negra continuava a deslizar como a névoa.As semanas se acumularam sem que eu percebesse de verdade. Raika já se sentava sozinha, balbuciava sons que eu insistia em transformar em palavras e sorria toda vez que ouvia a voz do avô. Eu a carregava menos no colo e mais no coração. A maternidade, que no começo me assustava, agora se tornava o eixo do meu dia.Yanka se tornou quase uma extensão de mim.Não era apenas minha guarda, era a pessoa com quem eu dividia silêncios confortáveis e conversas longas demais. Treinávamos juntas no pátio externo quase todas as manhãs, ela me corrigia a postura, eu a fazia rir quando errava algum movimento por causa do cansaço. Às vezes, depois do treino, sentávamos no chão frio de pedra, suadas, e falávamos sobre tudo e sobre nada, sobre a Guarda Real, sobre cicatrizes antigas, sobre o medo de falhar com quem amamos. Yanka nunca pedia detalhes sobre meu passado na Lua de Prata, mas quando eu mencionava alguma coisa, ela apenas es
Nury Eu já havia cuidado dos ferimentos do Alfa inúmeras vezes ao longo dos anos, cortes de treinamento, marcas de patrulhas, hematomas de confrontos antigos. Vernon Lakis nunca foi um homem que se poupava, mas desde a noite em que Erykhan Noctis o desafiou diante de toda a matilha, algo dentro de mim mudou. Ele não recuou, não hesitou. Mostrou, com a frieza e a força que só um verdadeiro Alfa possui, por que a Lua Negra ainda se ajoelhava diante dele e eu, que já o admirava em silêncio há décadas, me vi ainda mais rendida.Depois que limpei os ferimentos dele naquela noite, algo sutil se alterou entre nós.Nos dias seguintes, os olhares se alongaram.Quando eu entrava na sala dele para entregar relatórios ou chá, seus olhos azul-gelo demoravam um segundo a mais nos meus. A forma como ele dizia meu nome também mudou. Já não era apenas “Nury”, dito com a indiferença de quem chama uma subordinada de confiança. Agora havia uma suavidade baixa, quase íntima, que fazia meu estômago
JadyOs dias seguintes à expulsão de Erykhan Noctis foram estranhamente silenciosos.A Lua Negra parecia respirar aliviada, mas também mais atenta, os olhares de desconfiança que eu ainda sentia em alguns corredores diminuíram. Ninguém ousava questionar abertamente a decisão do meu pai, a demonstração de força dele havia sido clara: a proteção à sua filha e neta não era negociável.Raika, alheia a tudo, continuava crescendo no meu colo.Já sorria com mais frequência, seus olhinhos claros me seguiam pela suíte e, às vezes, eu jurava que ela tentava imitar os sons que eu fazia. O peso dela contra o meu peito se tornou meu lugar mais seguro. Eu a amamentava olhando a névoa pela varanda, cantarolava baixinho as canções que Nury me ensinara.Yanka, tinha se tornado presença constante, acompanhava-me nos corredores, treinava no pátio enquanto eu observava com Raika no colo, e à noite costumava ficar perto da porta do meu quarto até eu dormir, nossa conversa ia além de segurança, falávamo
JadyAs semanas se transformaram em meses.Raika crescia rápido, já sustentava melhor o pescoço, abria os olhos com mais frequência e sorria quando me reconhecia, seus cabelos escuros estavam mais densos, e às vezes eu jurava ver o mesmo brilho azul-gelo do meu pai quando a luz batia neles de certo ângulo. Eu a carregava quase o tempo todo. O peso quente dela contra o peito se tornou a coisa mais natural do mundo.Isaac se aproximava aos poucos.No começo eram apenas olhares prolongados nos corredores. Depois, ele começou a aparecer com mais frequência perto de nós, oferecia ajudar a carregar o berço quando eu mudava de aposento. Perguntava, em voz baixa, se Raika havia dormido bem. Nunca ultrapassava limites, mas sua presença se tornou constante. Seus olhos escuros me seguiam com uma intensidade quieta que eu fingia não notar… embora Zara, dentro de mim, se agitasse levemente toda vez que ele estava perto.Nury se tornou ainda mais presente.Ela não era apenas a governanta, era
JadyO final da gravidez chegou sem aviso, as dores começaram de madrugada, profundas, ritmadas, inevitáveis. Nury foi a primeira a entrar no quarto, seguida de Yanka. Logo atrás vieram as criadas que mais cuidavam de mim: Sienna, Maelis e Filipa. A curandeira da Lua Negra, uma mulher de cabelos brancos chamada Elderin, chegou pouco depois com sua bolsa de ervas e instrumentos simples. O parto seria natural, como todos os da Casa Lakis.Meu pai não saiu do meu lado.Vernon segurou minha mão durante cada contração. Eu gritava, suava, tremia, mas ele permanecia firme, a voz baixa e constante:— Estou aqui, filha. Você consegue.As horas se arrastaram, a dor era avassaladora. Yanka apertava minha outra mão. Nury enxugava meu rosto. As criadas se moviam em silêncio, trocando panos quentes, preparando água, sussurrando palavras de incentivo. E então, depois de uma última onda de dor que pareceu rasgar o mundo, Elderin anunciou com calma:— É uma menina.O choro fino e poderoso pree







