LOGINO curandeiro entrou.Olhou primeiro para Magnus.Depois para Evelyn.— Senhora Bellumati, Sua Majestade precisa descansar.Evelyn quase respondeu que ele já passara tempo demais descansando.Não conseguiu.Magnus soltou a mão dela.Devagar.Foi pior do que deveria.— Vá — murmurou.Ela permaneceu sentada.— Não quero.Magnus ergueu uma sobrancelha.— Depois de anos fazendo exatamente o contrário do que mandam, resolveu escolher hoje para ser sentimental?— Cinco anos.— O quê?— Você me conhece há cinco.— Parecem vinte.Evelyn soltou uma risada abafada.Magnus fechou os olhos.O sorriso ainda permanecia.Ela se levantou.A mão ficou alguns segundos apoiada na lateral da cama.— Vou voltar de manhã.Ele não respondeu imediatamente.Evelyn sentiu o medo.Então Magnus abriu os olhos.— Certo.Ela assentiu.Não disse adeus.Recusava-se.Virou e saiu.— Senhora Bellumati.Evelyn parou no corredor.A porta havia acabado de fechar atrás dela.O curandeiro saíra junto.Ela não virou imediata
Magnus assentiu.— Entre o rei que Lorian ainda não é e o reino que não pode esperar que ele se torne.O silêncio ficou profundo.— Assuma Asterion.Evelyn fechou os olhos.Magnus continuou antes que ela negasse novamente.— Governe enquanto ele aprende.— E depois?— Depois entregue.Ela abriu os olhos.— Entregue?— Quando olhar para Lorian e souber que ele consegue carregar Asterion sem você segurando o outro lado.Magnus respirou fundo.— Abdique.Evelyn ficou olhando.— Simples assim?Um sorriso cansado.— Nada envolvendo uma Coroa é simples.— Magnus.— Mas será seu direito.A certeza veio inteira.— Não quero uma dinastia, Bella. Não preciso que seu sangue governe Asterion pelos próximos quinhentos anos. Preciso que meu povo atravesse os próximos anos sem pagar pela pressa de homens que confundem linhagem com preparo.Aquilo entrou fundo.— Quando Lorian estiver pronto, dê a Coroa a ele.Magnus fechou os olhos por um instante.— E vá.Evelyn sentiu alguma coisa se mover no peit
Ele demorou alguns segundos antes de continuar.— Você teria deixado Haren no mesmo momento.— Claro que teria.— Exatamente.A voz dele saiu quase divertida.Evelyn queria bater naquele homem.— Centenas de pessoas tinham acabado de perder tudo — Magnus continuou, falando devagar para poupar o fôlego. — Você passaria todo o caminho até aqui pensando nelas. Chegaria aqui pensando nelas. Sentaria nessa cadeira pensando se Darek estava distribuindo madeira direito.Evelyn fez uma careta.— Darek nunca distribui nada direito.— Está vendo?Magnus quase sorriu.— Eu precisava que terminasse primeiro.A irritação dela vacilou.— Você podia ter morrido.A frase escapou.O sorriso dele desapareceu.Magnus sustentou o olhar dela.— Ainda posso.O quarto pareceu menor.Evelyn desviou o rosto.— Não diga isso.— Bella.— Não.— Temos idade demais para fingir que não entendemos o que está acontecendo.Ela voltou os olhos para ele.— Você tem idade demais. Eu estou ótima.O canto da boca dele se
Três dias foram suficientes para o Vale de Haren começar a respirar novamente.Não para esquecer.Aquilo levaria muito mais tempo.Talvez algumas pessoas nunca conseguissem.As cicatrizes do deslizamento ainda cortavam a encosta como uma ferida aberta. Onde antes existiam casas, havia terrenos vazios marcados com estacas. Algumas famílias ainda despertavam dentro de tendas e demoravam alguns segundos para lembrar por que não estavam nas próprias camas.Mas o caos terminara.Os últimos carregamentos de madeira haviam sido distribuídos naquela manhã. Os engenheiros da Coroa concluíram as primeiras avaliações das áreas seguras. Nenhuma construção seria autorizada perto da parte instável da encosta, e novos canais provisórios estavam sendo abertos para afastar a água caso a chuva retornasse.A enfermaria já não recebia feridos a cada hora.As cozinhas tinham horários.Os abrigos tinham responsáveis.As crianças tinham voltado a correr.Até os mortos já tinham sido entregues às famílias.E
O rei ficou tão surpreso que obedeceu.Por três segundos.— Você seria uma péssima criada.— Ainda bem que tenho outro emprego.— Vários, aparentemente.Evelyn lançou um olhar.Magnus sorriu.Então tossiu.Dessa vez não parou rápido.A primeira tosse veio seca.A segunda mais profunda.Na terceira, ele precisou inclinar o corpo e apoiar uma mão no braço de Evelyn.O sorriso desapareceu do rosto dela.— Magnus.Ele tentou levantar a mão.Não conseguiu responder.O peito trabalhava depressa demais.Evelyn segurou seu braço com as duas mãos.— Médico!Um guarda correu.Magnus finalmente conseguiu puxar uma respiração maior.Depois outra.— Não... faça escândalo.A voz saiu quebrada.Evelyn virou para ele.— Escândalo?Colocou a mão na testa.Congelou.Ele estava quente.Muito.O contraste com o ar gelado fez um arrepio atravessar o corpo dela.— Você está com febre.Magnus fechou os olhos.— O tempo está frio. Alguma coisa precisa compensar.Evelyn ficou olhando para ele.Mesmo Darek não
Magnus lançou-lhe um olhar mortal.O médico quase pareceu agradecido.— Duas horas, Majestade.— Quatro.— Duas.— Três.Evelyn entrou:— Uma.Magnus virou.— Ninguém pediu sua participação.— Duas — decidiu o médico rapidamente. — E depois retorno imediato.O rei olhou de um para outro.— Traição organizada.Evelyn apontou para fora.— Suas duas horas já estão correndo.Magnus bufou.Mas caminhou.As carroças da Coroa trouxeram mais do que alimentos.Madeira cortada para reconstrução.Pregos.Ferramentas.Remédios.Cobertores.Barracas novas.Dois engenheiros especializados em encostas.Três equipes para reparar a estrada.E uma ordem assinada pelo próprio Magnus suspendendo temporariamente parte dos impostos cobrados nas regiões atingidas até que as famílias recuperassem condições mínimas de produção.Quando um dos administradores mencionou o impacto sobre o tesouro, Magnus nem diminuiu o passo.— Quantas casas perdemos?O homem abriu o registro.— Cento e dezessete completamente, M







