Beranda / Lobisomem / Rejeitada pelo Supremo agora ele IMPLORA MEU PERDÃO / Capítulo 6 — Do Outro Lado da Rejeição

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Capítulo 6 — Do Outro Lado da Rejeição

last update Tanggal publikasi: 2026-09-01 18:23:00

Theron atravessou a porta lateral do salão sem olhar para trás.

Conseguiu dar cinco passos.

No sexto, o ar deixou seus pulmões.

Ele parou no meio do corredor, apoiando uma das mãos contra a parede de pedra, enquanto alguma coisa se rasgava dentro de seu peito. Não era apenas dor. Era o vínculo tentando sobreviver ao golpe que ele mesmo havia desferido.

O lobo se lançou contra sua consciência.

Furioso.

Insano.

Chamando por ela.

Nyra.

Theron apertou os olhos.

Ainda podia ouvi-la.

Não a voz que o vínculo carregara durante tantos anos. Não o riso que invadia sua mente quando ela queria distraí-lo durante uma reunião. Não o sussurro sonolento que o procurava nas madrugadas.

Apenas aquela súplica.

— Theron... por favor.

Ele cravou os dedos na pedra.

Seu corpo inteiro tremia.

Dentro dele, o lobo avançou outra vez, tentando tomar o controle, tentando obrigá-lo a voltar ao salão, arrancar Nyra das mãos dos guardas e destruir qualquer um que ousasse ficar entre eles.

Theron conteve a criatura por mais alguns segundos.

Não podia voltar.

Já havia pronunciado a rejeição.

Já havia retirado dela o lugar ao seu lado.

Já havia condenado os Everhart ao exílio.

Voltar agora não apagaria o que vira.

O cheiro daquele vampiro sobre ela.

O corpo dele envolvendo o dela.

Os documentos espalhados pelo chão da cabana.

As rotas de patrulha.

Os pontos vulneráveis das fronteiras.

A mesma passagem usada pelos inimigos para atacar Valcrest naquela manhã.

Theron soltou um som rouco.

O lobo rompeu a última barreira.

A transformação veio brutal.

Os ossos se deslocaram antes que ele conseguisse alcançar a saída da fortaleza. Músculos se romperam e se reconstruíram sob a pele. As mãos atingiram o chão, já se transformando em patas, enquanto um rosnado de agonia atravessava o corredor.

Dois guardas recuaram diante dele.

Theron não os enxergou.

Não enxergava nada além da necessidade de correr.

Atravessou o pátio como uma sombra negra. Passou pelos portões antes que os homens percebessem que deveriam abri-los por completo. Seu corpo lupino colidiu com uma das folhas pesadas, empurrando-a com força suficiente para fazer o ferro ranger.

Então alcançou a floresta.

Correu.

Os galhos rasgaram seu pelo.

Pedras feriram suas patas.

O ar frio queimou seus pulmões.

Nada era suficiente.

Quanto mais rápido corria, mais a dor o acompanhava.

O vínculo rompido parecia uma corrente presa ao peito, arrastando-o de volta para Nyra. Ele sentia a distância crescendo entre eles a cada passada, mesmo sem saber onde os guardas a haviam levado depois do salão.

Seu lobo sabia.

Ela ainda estava dentro da fortaleza.

Ferida.

Chamando por ele em algum lugar que agora permanecia fechado.

A criatura rosnou outra vez.

Theron tentou empurrar a imagem para longe.

Não conseguiu.

Nyra ajoelhada no mármore.

Nyra segurando o peito.

Nyra procurando seus olhos como se ainda acreditasse que encontraria o homem que a amava.

A menina.

A mulher.

A Luna.

Tudo havia se transformado em nada dentro de uma única noite.

Ele correu mais depressa.

Mas a noite anterior não foi a lembrança que veio primeiro.

Foi a manhã.

Aquela maldita manhã.

A luz atravessava as cortinas quando Theron abriu os olhos.

Nyra dormia ao lado dele, deitada de bruços, com os cabelos espalhados sobre o travesseiro e uma das pernas presa entre as dele. O lençol cobria apenas parte de suas costas.

O quarto ainda guardava o cheiro dos dois.

Da noite que haviam passado juntos.

Do corpo dela sob o dele.

Dos sussurros que Nyra tentara abafar contra seu ombro.

Theron permaneceu alguns instantes observando-a.

Havia dias em que o peso de Valcrest começava antes mesmo que ele deixasse a cama. Reuniões. Relatórios. Disputas entre Casas. Fronteiras que nunca permaneciam seguras por tempo suficiente.

Naquela manhã, nada disso existira por alguns minutos.

Havia apenas Nyra.

Sua companheira destinada.

A mulher que crescera ao lado dele e que, em poucos dias, receberia diante de todo o domínio a coroa que já lhe pertencia.

Ela já era sua Luna.

A cerimônia apenas faria com que todos se ajoelhassem diante daquilo que Theron soubera desde criança.

Nyra havia nascido para caminhar ao lado dele.

Ela se mexeu sob o lençol, aproximando-se ainda mais.

— Está me encarando — murmurou, sem abrir os olhos.

Theron quase sorriu.

— Está dormindo.

— Estava.

Ela ergueu o rosto lentamente.

Os cabelos caíram sobre seus olhos. Nyra tentou afastá-los, mas Theron segurou seu pulso e fez isso por ela.

— Que horas são?

— Cedo.

— Então volte a dormir.

— Tenho compromissos.

Nyra franziu a testa.

— Cancele.

— Sou o Supremo Alpha.

— E eu sou sua Luna.

O orgulho divertido na voz dela fez o sorriso escapar.

— Ainda não recebeu a coroa.

— Isso nunca impediu ninguém de me dar trabalho de Luna.

Theron passou o polegar por sua bochecha.

Nyra fechou os olhos diante do toque.

— Além disso — continuou ela —, uma Luna pode ordenar que seu Alpha volte para a cama.

— Não pode.

— Pode quando ele passou metade da noite impedindo que ela dormisse.

Theron inclinou-se sobre ela.

— Não ouvi nenhuma reclamação.

— Eu estava ocupada demais.

Ela sorriu quando ele aproximou a boca da sua.

O beijo começou lento.

Familiar.

Sem a urgência da noite, mas carregado daquela intimidade que só existia porque eles conheciam cada reação um do outro. Nyra passou os braços ao redor do pescoço dele. Theron a puxou pela cintura, trazendo-a sobre seu corpo.

Dentro dele, o lobo se aquietou.

Em paz.

Completo.

Então a chamada atravessou o elo mental.

Meu senhor.

Theron endureceu imediatamente.

Nyra percebeu.

— O que foi?

Ele não respondeu de imediato.

A voz tornou a surgir, agora entrecortada por ruídos de batalha.

Ataque na fronteira norte. Vampiros. Eles atravessaram dois pontos de defesa. Precisamos do senhor.

Theron afastou Nyra com cuidado e deixou a cama.

— Theron?

— Estamos sob ataque.

Ela se sentou, prendendo o lençol contra o peito.

O sono desapareceu de seu rosto.

— Onde?

— Fronteira norte.

Nyra levantou-se no mesmo instante.

Não tentou detê-lo. Nunca fizera isso. Sabia quem ele era e o que Valcrest exigia dele.

Enquanto Theron vestia as calças e procurava as botas, ela apanhou a camisa caída perto da cama.

— Quantos?

— Ainda não sei.

— Foi uma invasão?

— Pode ser uma tentativa de abrir passagem.

Nyra aproximou-se e o ajudou a vestir a camisa. Seus dedos trabalharam rapidamente nos fechos, mas Theron sentiu um leve tremor neles.

— Vou retornar antes do anoitecer — prometeu.

Ela ergueu os olhos.

— Não prometa aquilo que uma batalha pode impedir.

— Voltarei para você.

— Isso é diferente.

Theron segurou seu rosto entre as mãos.

Nyra permanecia envolta apenas pelo lençol, os cabelos desarrumados, a pele ainda marcada pelos beijos dele.

Nenhuma imagem poderia estar mais distante da que encontraria horas depois.

— Vou voltar — repetiu.

Ela assentiu.

— Eu sei.

Theron encostou a testa na dela.

Por um momento, o chamado dos guerreiros, o peso do cargo e a ameaça nas fronteiras desapareceram.

— Eu te amo — disse ele.

Nyra abriu os olhos.

A ternura em seu rosto não carregava hesitação.

— Eu também te amo.

Ela o beijou.

Não foi um beijo longo.

Mas foi o último que Theron recebeu da mulher que acreditava conhecer.

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