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A escolha da Lua.

Penulis: Aldenise Silva
last update Tanggal publikasi: 2026-08-03 12:07:11

Maelis Vaelor…

O último murmúrio desaparece quando Ysara ergue o cajado, a ponta branca toca o centro do altar, e um som grave atravessa o Pavilhão do Limiar. As cinco chamas acesas diante dos pilares se inclinam ao mesmo tempo e ninguém se move.

Zairon solta o braço de Lyra e avança até o círculo cerimonial. Ela fica parada na primeira fileira, com o queixo erguido e as mãos unidas diante do corpo, como se já ocupasse o lugar reservado à futura Luna.

Antes de subir os degraus, Zairon olha para mim, seus olhos descem até o vestido azul e a tensão em seu rosto diminui por um instante.

Meu coração aperta, ele realmente olhou para mim, não acredito! Então Thane toca o ombro do filho, e Zairon volta a atenção para o altar.

— Zairon Draven, Alfa de Dorenva — anuncia Ysara. — Ajoelhe-se diante do Selo do Instinto.

Ele obedece, dois auxiliares retiram a tampa de uma caixa de pedra, no interior, uma joia negra pulsa sob a luz da lua.

A vibração alcança meus pés, levo a mão ao medalhão escondido sob o meu vestido, sinto o metal quente, embora não o suficiente para queimar.

Cinco homens entram no círculo, os Alfas Territoriais de Varneis se posicionam ao redor de Zairon e retiram os mantos escuros.

O primeiro abandona a forma humana, o estalo dos ossos rompe o silêncio, um lobo enorme ocupa seu lugar, seguido pelos outros quatro, pelagens negras, cinzentas e castanhas brilham sob o teto de vidro.

As feras cercam Zairon, uma mulher segura a criança sentada ao seu lado, alguns convidados recuam, minha mãe aperta meus dedos.

Zairon não abaixa a cabeça, os cinco lobos avançam um passo, a pressão atravessa o salão, as tochas vacilam, um copo desliza sobre uma mesa e se parte no chão, mas ninguém olha.

Zairon ergue o rosto, seus olhos escurecem, um rosnado nasce em sua garganta e cresce até vibrar nas colunas do pavilhão, os cinco lobos param, por um segundo, nenhum deles cede, então o primeiro baixa a cabeça, o segundo dobra as patas dianteiras, um após o outro, os Alfas encostam o ventre no chão.

Uivos explodem do lado de fora, punhos batem contra peitos, e os representantes de Varneis se levantam.

Eu continuo olhando para Zairon, ele permanece ajoelhado no centro das cinco feras curvadas, como se o poder reunido ao redor dele não pesasse nada.

Ysara b**e o cajado uma vez, o salão se cala.

— A força reconheceu seu comando.

Os cinco lobos recuperam a forma humana e deixam o círculo, em seguida, quatro autoridades se aproximam dos pilares das outras linhagens, uma mão toca Serelis, outra repousa sobre Nevessa, Ruveria e Solenira respondem depois.

As chamas crescem diante de cada juramento e se inclinam na direção de Zairon. O meu medalhão esquenta novamente, desta vez, o calor atravessa o tecido, prendo a respiração e o afasto da pele. Ysara vira o rosto, seus olhos encontram minha mão fechada sobre o colar, o cajado dela escorrega alguns centímetros entre seus dedos antes que ela o segure com mais força, mas o ritual continua.

— Você colocará a proteção de Varneis acima de seus desejos? — Ela pergunta.

— Sim.

— Defenderá suas alcateias mesmo que isso lhe custe aquilo que mais valoriza?

O silêncio de Zairon dura apenas uma respiração.

— Defenderei.

Thane não pisca.

Lyra sorri e do fundo do pavilhão, um rosnado baixo interrompe a cerimônia, um guerreiro fecha os punhos, garras atravessam as pontas de seus dedos antes que ele consiga recolhê-las.

Outro lobo rosna perto da entrada, depois outro, cabeças se viram, alfas endireitam os ombros, tentando conter as próprias feras. Uma mulher leva a mão ao peito, e seus olhos ganham um brilho dourado.

— Controle-se. — ordena o homem ao lado dela.

Ela balança a cabeça.

— Não sou eu.

O vento atravessa o pavilhão, as portas continuam fechadas, as chamas se curvam na minha direção, meu medalhão queima ainda mais intenso aperto a corrente, mas o calor aumenta, dou um passo para trás e encontro o lago através das colunas abertas.

A lua toca a superfície escura a água sobe sobre minha cabeça, meus pés procuram o fundo e não encontram nada, bato os braços, engulo água e tento gritar, mas apenas bolhas escapam da minha boca.

A luz da lua se afasta acima de mim meu peito arde, os movimentos ficam fracos, uma sombra mergulha, dedos envolvem meu pulso e me puxam para cima.

O ar rasga minha garganta, tussu, engasgo e sinto mãos firmes virarem meu rosto.

— Maelis, olhe para mim.

Abro os meus olhos e vejo Zairon ajoelhado na margem, com os cabelos prateados grudados na testa. Água escorre por seu rosto enquanto ele segura minhas bochechas.

— Respira.

Puxo o ar e começo a tossir novamente, ele fecha os olhos por um segundo e solta uma respiração trêmula, como se também tivesse acabado de escapar do lago.

Quando volta a me encarar, não existe frieza em seu rosto, apenas alívio.

— Você está segura agora.

Seus dedos afastam os fios molhados presos ao meu rosto.

— Eu vou manter você segura.

— Maelis…

Pisco atordoada, minha mãe está diante de mim.

— Você está bem?

O pavilhão volta de uma ve, as colunas, as chamas, os rosnados e o medalhão queimando contra meu peito.

Assinto, embora minhas pernas tenham perdido a firmeza, um estrondo sacode o teto de vidro, a lua brilha com tanta força que sombras desaparecem do chão.

Os cinco pilares se acendem, não apenas Varneis. Todos de uma só vez.

Uma anciã deixa a bengala cair, um Alfa se levanta abruptamente. Thane dá um passo em direção ao altar, mas Ysara ergue o cajado, impedindo sua aproximação.

Lyra perde o sorriso, Zairon leva a mão ao peito, seu corpo se curva por um instante, como se algo invisível o tivesse atingido, o mesmo golpe atravessa o meu corpo, meu coração dispara.

Não… Não é apenas meu coração, outro ritmo pulsa por baixo dele, forte e distante. Zairon levanta a cabeça, nossos olhos se encontram.

O cheiro de pinheiros, chuva e madeira queimada invade meus sentidos, embora ele esteja do outro lado do salão escuto sua respiração.

Sinto a força com que seus dedos apertam o próprio peito, uma luz escarlate surge ao redor de seu pulso e a mesma luz envolve o meu, ela atravessa o espaço entre nós e se fecha como um fio vivo.

Um homem deixa escapar uma única palavra.

— Companheiros predestinados!

Lyra recua, minha mãe cobre a boca com as mãos, as feras silenciam e abaixam a cabeça, todas. Por um instante, nenhuma humilhação importa, nem os risos, nem o vestido rasgado, nem a porta da suíte.

A Deusa escolheu a mim, olho para Zairon com lágrimas queimando meus olhos, ele não sorri, a cor abandona seu rosto, seus dedos tremem ao redor do fio escarlate, e sua respiração falha.

Então ele dá um passo para trás, como se a pior coisa que poderia acontecer naquela noite tivesse acabado de encontrá-lo.

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