FAZER LOGINGustavo
Parte 1 - Naquele Dia Quando, naquele dia em meados de abril, liguei para Mel pedindo que fosse até Angra para um jantar com um possível cliente — e que levasse mais alguém — eu não fazia ideia do que aquilo ia desencadear. Ela disse que só conseguiria alguém para companhia, nada além. Na hora, pensei em cancelar. Eu conhecia o tipo de cliente. Sabia exatamente o que ele esperava. Precisaria deixGustavoParte 3 — Um Casamento, Duas Vezes MaiorUma ideia começou a tomar forma na minha cabeça enquanto observava Gabriel ainda recebendo abraços por todos os lados.Havia algo no ar daquela tarde — todo mundo anunciando novidades, celebrando ao mesmo tempo — que me fez pensar que talvez não precisássemos separar tanta felicidade em datas diferentes.— E se a gente fizesse o casamento junto? — Sugeri, olhando de Gabriel para Larissa e depois para Mel — Eu e você, Gabriel. Larissa e Mel.Larissa arregalou os olhos, um sorriso enorme se formando antes mesmo de ela conseguir falar.— Eu amo essa ideia! — Disse, apertando minha mão com força.— Eu achei perfeita! — Confirmou Gabriel, animado, e eu já imaginava a cena. — Gustavo, seria perfeito! — Mel, era pura felicidade.Diogo e Felipe, ainda sentados conosco, trocaram um olhar cúmplice antes de erguer as próprias taças.— O amor está no ar hoje, com certeza. — Brincou Diogo, sorrindo largo. — Um brinde à felicidade de vocês dois — ou
GustavoParte 2 — Notícias Que Não Cabiam Mais no SilêncioA provocação de Pedro ainda ecoava na minha cabeça quando decidi que aquele era, sim, o momento certo, de contar o que havia decidido fazer sozinho.Larissa, ao meu lado, ainda tinha as bochechas coradas de emoção, o anel novo brilhando no dedo cada vez que a luz das velas o alcançava, e eu sabia que não conseguiria esperar mais nem um minuto para dividir aquilo com todo mundo.— Já que estamos falando nisso. — Comecei, levantando-me da cadeira, sentindo todos os olhares da mesa se voltarem para mim. — Eu preciso confessar uma coisa.Larissa me olhou, sabendo exatamente o que estava por vir. Sua felicidade transbordava de seus olhos e sorriso.— Eu já pedi a Larissa em casamento. — Anunciei, o sorriso brotando antes que eu conseguisse contê-lo. — Lá na beira do açude, há pouco.Um silêncio de surpresa tomou conta da mesa por um segundo, seguido de exclamações emocionadas de todos os lados.— E peço desculpas por ter sido só en
PedroParte 1 — A Lembrança Que a Tarde TrouxeEu sabia o que era viver aquele momento, a pouco tempo era eu e Luiza casando, confesso que para um homem, que tem na essência a dominação, não esperava ter sentido tanta emoção como senti enquanto Luiza caminhava em minha direção no altar.Sentado ali, entre os convidados do casamento de Diogo e Felipe, observando os dois trocarem votos que arrancavam lágrimas de todo mundo ao redor, senti a lembrança do meu próprio casamento subir com uma força que me pegou de surpresa.Luiza, ao meu lado, apertava minha mão a cada palavra que Diogo dizia, os olhos já marejados, e eu sabia exatamente o que estava passando pela cabeça dela — os mesmos filmes que passavam pela minha.Fechei os olhos por um instante, e o dia inteiro voltou como se tivesse acontecido ontem.Aquele dia foi inesquecível.***Estávamos todos sentados numa mesa grande — Luiza ao meu lado — o rosto radiante depois da cerimônia — quando ela ficou pálida de repente, a mão subindo
Fabrício(Música - "Beautiful Things" - Benson Boone)Parte 4 — A Margem Que Nos AproximouCaminhamos devagar pela margem do açude, as mãos ainda entrelaçadas sem que nenhum de nós comentasse sobre isso, como se qualquer palavra pudesse quebrar aquele fio invisível que havia se formado entre a gente.O céu acima de nós continuava mudando de cor, o rosa cedendo lugar a um roxo profundo que anunciava a chegada da noite, e as primeiras estrelas já começavam a espiar tímidas entre as nuvens.— Sabe — Comecei, sentindo a necessidade de preencher o silêncio, mas sem pressa nenhuma de fazê-lo — eu nunca tive muita paciência com relacionamentos. Sempre parecia mais fácil evitar do que arriscar.— Por quê? — Perguntou Carlos, os olhos fixos no caminho de terra à nossa frente.— Medo, eu acho. — Admiti, surpreso com a própria sinceridade. — De tudo ficar grande demais e me sufocar, ou por esconder ou por precisar assumir. Medo de me entregar e descobrir que não era suficiente. De repetir os mes
CarlosParte 3 — Pedras e EspinhosSentamos os dois no tronco de madeira à margem do açude, o som da água quebrando suave contra as pedras, o céu já mudando de dourado para tons mais suaves de rosa e roxo.— Você ouviu o que o juiz de paz disse durante a cerimônia? — Perguntei, ainda com aquelas palavras ecoando na minha cabeça. — Aquilo sobre o destino, sobre pedras e espinhos.Fabrício assentiu, os olhos fixos na água.— Fiquei pensando nisso o casamento inteiro. — Admitiu. — Que às vezes a gente sofre tanto por um caminho que parece errado, e só depois entende que era exatamente por ali que precisava passar.— Você acredita nisso? — Perguntei, curioso. — No destino, eu digo. Que a gente já nasce com um caminho traçado, mesmo que demore para descobrir qual é.Fabrício ficou em silêncio por um instante, os dedos brincando distraidamente com uma pedrinha que havia pegado do chão.— Acredito que a gente carrega dentro de si uma verdade que insiste em aparecer, cedo ou tarde. —
GustavoParte 2 — A Mulher da Nossa VidaOuvir Diogo falando tudo aquilo, ainda com o coração cheio da cerimônia linda que tínhamos acabado de testemunhar, me fez acreditar que aquele momento era perfeito.Sem luxo.Único e natural.Ali, em Serra — a cidade dela — às margens do açude que Diogo disse que ela amou conhecer, o lugar certo simplesmente havia aparecido diante de mim, graças a ajuda de Diogo, como havia pedido ontem em nossa conversa no mirante.Mesmo quando ele citou o réveillon — aquela noite que, por muito tempo, me trouxe ciúme e insegurança só de ouvir falar — naquele instante, estranhamente, me trouxe paz.Porque, de certa forma, aquele réveillon não foi especial só para Larissa e Diogo.Foi por causa dele que eu estava ali também.Se não fosse a gravidez de Rafael, talvez nada daquilo tivesse acontecido —talvez, eu nunca conhecesse o verdadeiro amor, talvez eu nunca tivesse conhecido Larissa, não teria Rafael como filho, nem encontrado meu lugar dentro dessa família







