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Só ouvi um barulho muito forte. Meus ouvidos começaram a ouvir um zumbido, enquanto minha cabeça parecia que girava. Sangue escorria pela minha cabeça. Tentei me levantar, mas não consegui.
O que aconteceu? — me perguntava. Estávamos a caminho de casa, e eu estava sentada no banco de trás, com o cinto de segurança me apertando. Escutei vozes. Era a voz do Larry e da Letícia. Ela chorava, dizendo que estava sentindo muita dor, que seu estômago doía muito. Como assim seu estômago doía? Escutei: — Salve nosso bebê, Larry! Parecia que eu estava alucinando. Larry abriu a porta do carro, carregou Letícia em seus braços e não olhou para trás. Eu, para ele, não existia. Não olhou para o banco de trás e nem se lembrou de que eu estava no carro. Só ouvia ele falar com Letícia: — Vou te levar para o hospital. Você e o bebê vão ficar bem. Eu tentei gritar, mas minha voz não saía. Me arrastei até conseguir sair do carro. Eu tinha perdido muito sangue e estava sozinha em uma estrada escura, enquanto o homem que eu amava me deixou sozinha para morrer. Sem forças, olhei para o céu e falei que, se eu tivesse uma outra chance, faria tudo diferente. Quando meus olhos iam se fechando, eu vi o Ryan. Ele me pegou em seus braços e começou a chorar. — Não dorme, você vai ficar bem. Vou te levar ao hospital. Olhei para ele. Quando tentei pegar em seu rosto, tudo ficou escuro. Alguém estava me chamando: — Srita Patricia, você precisa de ajuda? Uma funcionária do aeroporto estava me chamando. Abri meus olhos. Eu não estava nos braços do Ryan depois do acidente de carro? O que aconteceu? Ela tentou me acalmar e disse: — Calma, senhorita. Você deve ter tido um pesadelo. Você está no aeroporto de Pequim, na China. Você acabou adormecendo. Confusa, perguntei a ela que dia era hoje. Ela me respondeu: — Dia 12 de julho de 2026. Eu renasci? Ou eu tive um sonho do futuro? Ou foi só um pesadelo? Hoje foi o dia em que Larry vinha me buscar no aeroporto. Renascida um ano antes de tudo acontecer. Do meu lado havia uma placa: Sou a Patrícia. Estou esperando por você. Agradeci à funcionária e, depois de alguns minutos, chegaram Larry, Letícia e seu amigo Ryan. Eu fiquei espantada quando vi os três. Letícia estava de azul e Larry com uma jaqueta azul. Sendo que tínhamos combinado que eu viria de rosa e branco, e ele usaria uma jaqueta preta e uma camisa branca, para combinarmos. Mas ele e Letícia estavam com cores de roupas iguais, parecendo um casal, e eu não havia notado isso. Eu nem sabia da existência dessa Letícia. Tentei esconder a placa, mas já era tarde. Eles já haviam me visto. Olhei para Ryan. Ele estava com uma jaqueta preta e uma camisa branca. Como eu não havia notado isso antes? Ele estava usando a roupa que pedi para Larry usar. Eu fiquei encarando Ryan enquanto seu rosto ficava vermelho. E senti uma mão pegar em meu braço. Era Letícia. Ela se agarrou ao meu braço, me abraçou e se apresentou: — Sou Letícia, amiga de infância de Larry. Prazer em conhecê-la. Olhei para ele apenas e me lembrei de que, na vida passada, eu tinha ficado sem graça e, por gentileza, não falei nada. Fui bem educada e pensei que ela era uma amiga. Tratei-a como se fosse uma irmã. Tirei a mão dela do meu braço com cuidado, olhei para Larry e falei: — Nossa, você nunca me falou dela. E que surpresa ela vir ao aeroporto e ser a primeira a se apresentar. Larry ficou nervoso e disse: — Não entenda errado, Patricia. Eu estava nervoso e não sabia como me comportar ao te encontrar no aeroporto, então trouxe ela e meu amigo Ryan. Ryan pegou em minha mão e eu olhei para ele. Só conseguia me lembrar do acidente, dele chorando. Parecia que dizia que se arrependia de não ter confessado o que sentia. Eu olhava para ele como se tivesse me apaixonado à primeira vista. Ryan perguntou: — Está tudo bem com você? Por que você não responde? Patricia! Larry me puxou e disse: — O que houve? Disfarcei e disse: — Estou cansada do voo e ainda não dormi. Ele me puxou e me abraçou. Olhei de canto. Letícia estava amassando os punhos, com um olhar de ódio. Ele pegou em minha mão e fomos até o carro. Quando ele abriu a porta, Letícia entrou rápido do outro lado e se sentou. Não mudou nada. Isso aconteceu, e eu tive que ir do outro lado, apertada ao lado dela, enquanto ela sentava ao lado de Larry. Apenas deixei ela entrar e, quando Larry ia entrando no carro, apenas o observava. Ele naturalmente entrou e sentou no mesmo lugar. Eu senti vontade de empurrar os dois, mas não podia fazer isso, porque eu havia investido milhões na empresa de Larry e não podia terminar assim. Eu tinha ajudado a empresa dele como um investidor misterioso. Até eu recuperar tudo, não podia jogar tudo fora. Como Letícia usava um perfume muito forte, e eu tenho sinusite, senti uma reação alérgica e espirrei. — Esse cheiro está muito forte. Posso sentar no banco do passageiro? Ryan estava dirigindo. Não perguntei duas vezes e logo abri a porta e me sentei. Ryan ficou nervoso. Fingi que não conseguia colocar o cinto de segurança, e ele tentou me ajudar. Enquanto seu rosto ficava vermelho, eu sorri e disse: — Deixa que eu consigo. No banco de trás, Letícia estava sentada com o braço dela no de Larry, parecendo um casal. Olhei pelo retrovisor do carro. E me perguntava como eu não percebi isso. Não me aguentei, virei para trás e disse: — Larry, do jeito que você e Letícia estão tão colados um no outro, parece um casal apaixonado. Larry tirou o braço dela e disse: — Não entenda errado, Paty. Eu a vejo como uma irmã. Eu sorri baixinho e repeti: — Irmã. E não falei mais nada. pLetícia tentou se explicar: — Paty, não entenda errado. Eu cresci com o Larry e o Ryan. É normal termos certas intimidades. Algo que você não vai entender. Olhei para ela e disse: — Me chame de Patricia. Não somos amigas. Conheci você hoje. Letícia tentou se desculpar e começou a chorar. Eu respirei fundo, tentando manter a calma, mas a irritação venceu: — Não precisa fazer essa cena. Eu só pedi que respeitasse os meus limites. Letícia abaixou a cabeça, enxugando as lágrimas. Larry perguntou, em tom de reprovação: — Patricia, por que você está assim? Olhei para ele, sentindo a raiva crescer. — Porque você a trouxe para me buscar sem sequer me avisar e ainda permitiu que ela se comportasse como se fosse sua namorada. — Para esse carro agora! Larry perguntou: — O que houve, Patricia? Eu disse: — Ou sai ela, ou saio eu. Todos ficaram em silêncio. Quando Larry tentou falar, eu não deixei. Olhei para Ryan e perguntei: — Você tem algum lugar para que eu possa me hospedar? Larry estava incrédulo. — Você não iria para o meu apartamento? Não era esse o combinado? Eu disse: — Combinado? Você traz a sua amiga de infância, de quem eu nunca ouvi falar, e ela é quem está sentada do seu lado, parecendo um casal. E esse não era o combinado? Só falta você me falar que ela também vai morar no seu apartamento. Larry não sabia o que falar, porque eu já sabia a resposta. Na vida passada, Letícia foi morar no apartamento com a desculpa de que, por eu não conhecer a cidade ou para não dar o golpe da barriga e engravidar, era melhor ela morar lá para vigiar nós dois. Só assim os pais de Larry ficariam tranquilos.Rodrigo fez como Ryan havia ordenado: espalhou as informações pelos jornais e sites de fofoca. O empresário Vicente era suspeito de trabalho escravo, lavagem de dinheiro e de participar de um incêndio na casa do empresário Ryan. Essas notícias ficaram entre os assuntos mais comentados e permaneceram em destaque durante semanas. Vicente começou a perder investimentos e aliados, que não queriam seus nomes envolvidos nesses escândalos, pois também poderiam se tornar alvo de investigações. Com o passar dos meses, Vicente tentou apagar algumas provas e acabou sendo pego. Sua prisão foi decretada, mas não sabíamos se ele ficaria preso por muito tempo. A vida de Fabia na cadeia não estava boa. Ela era pressionada por outras presas por dinheiro e, desesperada, implorou para que Ryan fosse visitá-la. Enviou vários recados, até que o último chamou a atenção de Rodrigo, que logo o repassou: — Sr. Ryan, Fabia enviou outro recado. — Rodrigo, deve ser mais uma tentativa desesperada dela de pe
Ryan e a Sra. Lauren não estavam entendendo como havia provas se a investigação ainda não tinha sido concluída. Ryan foi perguntar aos policiais sobre mais informações a respeito do mandado de prisão. Um vislumbre de esperança surgiu no rosto de Fabia, que pensou que ele estava tentando defendê-la. Ela exclamou: — Ryan, eu sabia que você não ia me abandonar! Eu sou inocente, acredita em mim e me ajuda! Ryan olhou para ela, ignorou-a e se voltou aos policiais, que apenas responderam: — As provas foram enviadas pela família de uma das vítimas. Ele, então, pegou o celular e ligou para Gustavo. Ligando... Vivi perguntou a Gustavo se ele não atenderia à ligação. Ele atendeu: — Alô! — Foi você que conseguiu as provas para o mandado de prisão da Fabia? — Ryan perguntou imediatamente. — Claro! Se fôssemos esperar por você, essa assassina e criminosa ainda estaria solta. Não me ligue mais. Eu fiz isso pela Patrícia, e não vamos parar. Se você quiser ajudar a Fabia, vamos passar até po
A vida de Fabia estava decolando, tudo estava indo como ela planejava. Ninguém a perseguia ou exigia que ela desse satisfação. Gustavo e Vivi já tinham preparado tudo: todas as provas contra Fabia e como eles sairiam do país sem que Ryan soubesse. A única opção era revelar o escândalo de Fabia estar envolvida no incêndio. Contrataram mais advogados para que o mandado de prisão fosse expedido contra Fabia e enviaram todas as provas, desde a visita dela à cadeia para falar com Leticia até seus encontros com Vicente no hotel e o teste de DNA comprovando que o filho não era dela. Ela havia roubado de Patrícia o bebê. A única ponta solta eram os assassinatos, que não foram registrados no boletim de ocorrência. Apenas foram registrados como tentativa de homicídio e outros crimes. Com o escândalo do envolvimento direto dela no incêndio, Ryan ficaria focado e ocupado. Assim, conseguiriam fugir na UTI móvel, levando Patrícia em um jato particular adaptado para UTI até outro país. Patricia con
Ryan estava devastado com aquelas últimas imagens. Ele se perguntava como tudo aquilo poderia ter acontecido debaixo do seu nariz. Como eles conseguiram agir sem que eu percebesse? Patrícia esteve em perigo o tempo todo? Eu a coloquei em perigo dentro da minha própria casa? O remorso e o arrependimento ecoavam em sua mente, enquanto a dor da perda se misturava à culpa. Agora estava confirmado: o incêndio não havia sido um acidente. Tudo fora premeditado. Uma dúvida surgiu em sua mente. Será que Fabia está envolvida? A casa estava sendo vigiada. Assim que Patrícia ficou sozinha, aqueles homens agiram. O alvo era Patrícia. Isso já estava comprovado. Agora, precisava encontrar os verdadeiros culpados e fazer com que cada um respondesse pelos seus atos. Ryan olhou para Rodrigo. — Verifique as imagens dos outros dias, semanas e até meses atrás, se for necessário. Precisamos descobrir há quanto tempo esses homens estavam monitorando a casa e como sabiam exatamente onde ficava o qua
Ryan chegou ao local do funeral. A Sra. Lauren estava vestida com um vestido preto, um chapéu na cabeça e um véu. Ryan levou a urna com as supostas cinzas de Patrícia. Ele abraçou a Sra. Lauren e colocou a urna perto da urna de Rave. Foram feitas as reverências. Havia poucas pessoas presentes, apenas alguns funcionários que não eram da família. Um silêncio estarrecedor tomou conta do local. Ryan permanecia em silêncio, enquanto a Sra. Lauren chorava. As horas foram passando, até que Fabia chegou ao local. Ela estava usando um vestido preto, um véu e um chapéu. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela atuava, desempenhando o papel de uma mãe sofrida que acabara de perder o filho. Todos estavam em silêncio, e Fabia começou a falar: — Rave, você era tão pequeno, e eu não tive a oportunidade de te criar e estar ao seu lado. Eu pensava em você todos os dias. Imaginava você crescendo, tornando-se um homem feito. Você seria o único homem que me amaria e me defenderia de tudo e de tod
Fabia estava na sua suíte, esperando o tempo passar para tentar entrar na suíte de Ryan. — Eu tenho que entrar de qualquer jeito e aproveitar que o Ryan está bêbado para tentar engravidar. Fabia foi até a recepção e chamou o gerente. — Olá! Eu sou a Fabia, mãe do filho do Ryan, que está hospedado na suíte 1. Estamos brigados, e ele bebeu demais. Eu já apertei a campainha, mas ele não me responde. Você poderia me dar o cartão reserva de acesso para eu entrar e verificar como ele está? Ele pode ter caído no banheiro de tão bêbado que estava. A culpa foi minha. Nós brigamos, ele bebeu demais e não tivemos tempo de nos reconciliar. O gerente ficou suando frio. Não sabia o que fazer. Fabia percebeu e entregou-lhe um envelope. — Aqui tem 500 mil, apenas para você ajudar um casal a se reconciliar. Estou preocupada e só quero cuidar dele neste momento. O gerente pegou o dinheiro e, logo em seguida, entregou o cartão de acesso a Fabia. Fabia pulou de alegria. Tudo estava indo como ela ha







