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Capítulo 4

作者: Cocojam
— Confiar em Lilah? — Uma risada fraca e vazia arranhou minha garganta ressecada.

Os ferimentos em minhas costas se abriram novamente. O sangue quente encharcou as bandagens, mas eu não sentia dor.

— Tarde demais, Julian. — Ergui os olhos e o encarei calmamente. — Seu filho já era.

Julian franziu a testa.

Um pânico absoluto atravessou seus olhos.

— Você enlouqueceu de vez. Está amaldiçoando o próprio filho por causa de um ciúme mesquinho?

Quando o coração esfria, nem sentir raiva faz sentido.

— Não é uma maldição. — Minha voz era indiferente. — Foi o atentado no salão. Estilhaços de prata envenenados atravessaram minhas costas. A prata contaminou meu sangue e chegou ao meu útero. O bebê morreu envenenado.

Julian congelou.

A arrogância em seu rosto começou a desmoronar.

— Impossível. — Sua voz tremia. — Você já estava prestes a dar à luz. Carrega metade da minha essência. Sua força vital não é tão frágil assim.

Nem me dei ao trabalho de explicar.

Apenas arranquei o cobertor.

Sob a camisola larga do hospital, minha barriga, antes volumosa, agora estava completamente lisa.

O sangue fresco atravessava a grossa camada de gaze.

Eu havia perdido sangue demais.

Minha força vital estava esgotada.

Não havia mais como salvar o bebê.

Quando o curandeiro retirou os coágulos do meu útero, os ossos da criança já estavam completamente formados.

Julian parecia ter sido atingido por um raio.

Instintivamente, soltou Lilah e cambaleou em minha direção.

No momento em que estendeu a mão trêmula para tocar minha barriga, Lilah gritou de repente:

— Não dê ouvidos às mentiras dessa louca, Julian!

— Eu não queria dizer nada, mas... não posso deixar que ela engane você outra vez.

— Sabe por que eu implorei para que viesse comigo ao baile? Porque eu morria de medo de sair sozinha. Peguei Elena bebendo sangue de animais mortos escondida pelas suas costas e até se envolvendo com vampiros renegados. Se você não estivesse me protegendo, ela já teria encontrado um jeito de me matar para me calar.

— Ela só perdeu o bebê porque estava se entregando a outros homens e consumindo a própria essência vital. Foi por isso que a criança morreu.

Julian ficou completamente atordoado.

Então, a dor lancinante da suposta traição distorceu seu rosto em uma expressão aterrorizante.

— Então era isso... Não é à toa que você não deixava eu tocar em você nesses últimos oito meses. Você estava com outro homem pelas minhas costas. Preferiu desperdiçar sua própria força vital alimentando o bastardo de outro em vez de salvar nosso filho. Era essa a verdade, não era?

Olhei para seu rosto paranoico e cheio de falsa convicção.

O último vestígio de esperança que ainda existia em meus olhos desapareceu por completo.

— Julian, o Progenitor sofreu um atentado hoje. E você, como Capitão de sua guarda, levou todos os guardas de elite que deveriam protegê-lo apenas para acompanhar Lilah.

Fechei os olhos cansadamente.

Minha voz era apenas um fio, mas fria até os ossos.

— Se você não tivesse abandonado seu posto, meu bebê não teria morrido...

Mas Julian, cegado pelo ciúme e pelo próprio ego, recusava-se a acreditar em uma única palavra.

Para garantir que Lilah não fosse incomodada durante o baile, ele havia silenciado o sistema de comunicação de emergência de mais alto nível do Sindicato.

Ele não fazia ideia de que o caos havia tomado conta do lado de fora.

Realmente acreditava que o alerta crítico enviado pelo curandeiro fazia parte de mais uma encenação minha para atraí-lo.

Ele arrancou uma estaca afiada de prata e, em um borrão, surgiu ao lado da minha cama.

Agarrou meu pescoço e me prensou violentamente contra a cabeceira.

A ponta afiada da estaca encostou diretamente sobre meu coração.

— O Progenitor? Acha que sou idiota? — disse entre os dentes. Seu belo rosto estava completamente distorcido, e lágrimas vermelhas de raiva enchiam seus olhos. — Essa história é só uma desculpa para proteger seu amante renegado. Como alguém como você conseguiria sequer chegar perto do Progenitor?

A estaca perfurou minha pele.

Um fio de sangue escorreu.

Eu sequer estremeci.

Apenas o encarei com olhos mortos, cheios de pena.

Esse foi o homem que amei na minha vida passada.

Que completo idiota.

— Onde está esse renegado? — As veias nas mãos de Julian saltavam. Ele afundou a estaca mais um pouco, tremendo violentamente. — Diga o nome dele. Ou vou jogá-la na Cela da Luz Solar agora mesmo e reduzi-la a cinzas.

Então virou a cabeça e rugiu para o vazio, como um homem completamente enlouquecido pelo desespero:

— Eu vou encontrá-lo. Juro que vou despedaçá-lo membro por membro.

A estaca gelada de prata penetrava cada vez mais fundo em meu peito.

Mas não chegava nem perto da frieza do desespero que havia em meu coração.

Naquele instante, uma pressão avassaladora da antiga linhagem de sangue envolveu todo o quarto.

O ar congelou por completo.

— Você é realmente muito ousado, Julian.

Uma névoa negra começou a se condensar rapidamente no centro do quarto.

Lucius saiu das sombras.

O verdadeiro Progenitor do Sindicato olhou para Julian de cima, com seus olhos carmesim frios e letais.

— Eu sou esse "renegado" de quem você está falando. Agora me diga... como exatamente pretende me despedaçar?

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