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Capítulo 3

مؤلف: Cocojam
Vi Ana se aproximando da minha cama.

O ódio que senti fez meu corpo tremer incontrolavelmente.

Ela pensou que eu estava tremendo de culpa e medo. E o seu sorriso ficou ainda mais arrogante.

— Capitão Julian mandou dizer que basta. Pare de passar vergonha.

Ana cruzou os braços e revirou os olhos com desprezo.

— Se você acha que fingir dor e derramar algumas lágrimas vai fazê-lo voltar, está completamente enganada. Tudo o que importa para ele agora é a Srta. Lilah. Ele nem quer ouvir o seu nome.

Então, o olhar de Ana pousou sobre Lucius, que permanecia em um canto do quarto.

O Progenitor estava em um estado lamentável.

Sua camisa branca estava completamente encharcada do meu sangue e coberta pela fuligem negra deixada pela prata da explosão. Suas roupas estavam rasgadas.

O forte cheiro da fuligem de prata mascarava temporariamente sua aura de sangue puro.

E uma serva de baixo escalão como Ana jamais havia visto o Vampiro Progenitor Original antes.

Ela apontou para Lucius e caiu na gargalhada.

— Nossa, Elena, seu gosto está cada vez pior! — Ela ria como se tivesse descoberto toda a verdade. — Você realmente trouxe um vagabundo qualquer para o seu quarto?

Seus olhos se encheram de maldade.

— Se o Capitão Julian descobrir que você está grávida e mesmo assim está se envolvendo com um lixo desses...

Ela cuspiu a ameaça.

— Ele vai jogar você na Cela da Luz Solar e queimá-la viva!

Lucius não disse uma única palavra.

Nem sequer olhou para ela.

Apenas soltou um riso frio, capaz de gelar os ossos.

A temperatura do quarto despencou instantaneamente.

Dois guardas de elite surgiram do nada e a jogaram no chão.

A lâmina gelada de uma espada de prata foi pressionada contra sua garganta.

Os olhos de Ana se arregalaram de puro terror.

Só então ela percebeu que havia provocado a pessoa errada.

Lucius saiu das sombras.

Sua voz era fria como o gelo.

— Quebrem as pernas dela. Joguem-na na masmorra.

Dois estalos nauseantes ecoaram pelo quarto.

Ana soltou um grito abafado de dor e desmaiou.

— Tirem uma foto e enviem para Julian.

Os olhos de Lucius estavam completamente desprovidos de emoção.

— Digam para ele trazer aquele traseiro até aqui.

Os guardas arrastaram Ana para fora como se fosse um saco de lixo.

Lucius voltou seu olhar para mim.

— Descanse, Srta. Vance.

Srta. Vance.

Percebi imediatamente a escolha de suas palavras.

Eu já não era mais "a companheira de Julian Thorne".

Eu era "Srta. Vance".

Era exatamente isso que eu queria.

Aos olhos do Progenitor, a linha havia sido traçada.

Eu era sua salvadora.

Julian não passava de um traidor à espera da execução.

A enfermeira tratou cuidadosamente dos meus ferimentos.

— Srta. Vance, o atentado contra o Progenitor alarmou todo o Alto Conselho. Ele voltou para resolver a situação. — Disse ela em voz baixa.

— Antes de sair, ordenou que a senhora descansasse tranquilamente aqui. Disse que virá visitá-la pessoalmente assim que tudo estiver resolvido.

Assenti.

Pelo que eu lembrava, aquela emboscada abalou completamente o mundo sobrenatural.

Todas as facções de caçadores envolvidas foram exterminadas.

Na minha vida passada, Julian só foi promovido a Conselheiro depois que toda aquela crise terminou.

Com tantas responsabilidades, já era surpreendente que o Progenitor ainda se lembrasse de mim.

Tudo o que eu precisava fazer agora era esperar.

Mas, no instante em que finalmente relaxei, uma névoa escura começou a se espalhar pelo quarto.

Julian havia chegado.

Seu rosto estava pálido de raiva.

Mas, quando viu meu semblante cadavérico e sentiu o forte cheiro de sangue no ambiente, um lampejo inegável de pânico atravessou seus olhos.

Contudo, esse pânico logo foi substituído por uma possessividade doentia e uma fúria desenfreada.

Ele arremessou no chão as bolsas de sangue ao lado da minha cama.

Os preciosos reabastecedores de sangue se espalharam por toda parte.

— Sua desgraçada maluca! — Rugiu, o peito arfando. — Só porque Lilah foi ao baile, você resolveu fazer esse teatrinho para me manipular? Foi capaz de se machucar só para me obrigar a voltar?

— Lilah viu a foto das pernas quebradas de Ana e não para de chorar desde então. Está satisfeita agora?

Olhando para todo aquele sangue espalhado pelo chão, não entrei em desespero para me defender como fiz na minha vida passada.

Não contei o que havia acontecido comigo.

Não contei que nosso bebê já estava morto dentro de mim.

A morte brutal da minha vida anterior e a humilhação desta vida pesavam tanto sobre meu peito que eu mal conseguia respirar.

Mesmo assim...

Eu não conseguia derramar uma única lágrima.

Apenas limpei lentamente o sangue do meu rosto, ergui os olhos e o encarei como se ele fosse um completo desconhecido.

— É mesmo? — Minha voz estava rouca, mas absolutamente calma. Sem vida. — Então vamos romper o vínculo de companheiros.

Julian ficou completamente imóvel.

Ele me encarou.

Por um breve instante, uma expressão de devastação absoluta atravessou seu rosto.

Foi justamente naquele silêncio mortal que Lilah apareceu.

— Julian... por favor, não...

Lilah apoiou-se debilmente na moldura da porta.

Enquanto chorava, a gola de sua roupa escorregou levemente.

Eu vi com toda clareza.

Duas fileiras de marcas recentes de mordidas, seladas pelo veneno vampírico, bem sobre sua clavícula.

Somente companheiros destinados podem beber o sangue um do outro.

E o meu companheiro havia acabado de beber o sangue de outra mulher.

— Elena, a culpa é toda minha. — Lilah choramingou, fingindo ser a maior das vítimas. — Eu posso deixar o Sindicato. Só quero que vocês dois sejam felizes. Por favor, parem de brigar por minha causa...

Assistindo àquela encenação, senti um enjoo tão forte que meu estômago revirou.

— Cale a boca, Lilah. Você não vai a lugar nenhum.

Julian imediatamente se virou e puxou Lilah com delicadeza para seus braços.

A enorme insegurança e o medo de me ver escapar fizeram Julian perder completamente a razão.

Ele voltou a olhar para mim, excessivamente na defensiva.

— Romper o vínculo? Está planejando fugir com meu filho e algum vampiro renegado?

Ele me acusou por entre os dentes, com os olhos avermelhados.

— Uma mulher fria e cruel como você não merece ser mãe. No instante em que esse bebê nascer, vou tirar sua guarda!

Então beijou os cabelos de Lilah, tentando me ferir da forma mais cruel possível.

— A única pessoa em quem confio para criar meu filho é Lilah.

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