LOGINDepois de tudo aquilo, pensei que Caroline me desprezaria.Eu teria entendido.Depois de tudo o que ela havia descoberto, de tudo o que precisou enfrentar e das feridas que carregava, eu não teria ficado surpreso se ela decidisse me afastar definitivamente.Mas aconteceu justamente o contrário.Caroline me permitiu consolá-la.Durante muitas noites, dormi com ela em meus braços, sentindo seu corpo finalmente relaxar contra o meu enquanto, pouco a pouco, as lembranças ruins deixavam de ocupar todo o espaço dentro dela.Eu conversava com nosso bebê, que crescia em seu ventre, e não poderia ter sido mais feliz por estar perto dos dois.Mesmo que Caroline ainda não tivesse se sentido pronta para voltar a fazer amor comigo.Eu não me importava.Não depois de tudo.Não havia pressa.Longe de sentir raiva, Caroline carregava apenas pena e repulsa por tudo o que Karyn havia feito.Por Átila.Por suas mentiras.Por seus enganos.E até pela maneira horrível como sua história havia terminado.Mi
— Dion, aconteceu — meu patrão falou pelo aparelho, e sua voz ansiosa foi suficiente para me colocar imediatamente em alerta.— Estou em posição, senhor! — respondi.Eos, entretanto, não fazia a menor ideia da seriedade daquela situação.Para ela, eu continuava sendo apenas um jornalista.Aquela conclusão parecia ter lhe dado liberdade suficiente para me agarrar pela gravata e me puxar novamente em sua direção.— Mentirosooo! Não está nadaaaa! Está é em cima de miiim, isso sim! — gritou a louca perto do aparelho.Fechei os olhos por um segundo.Tinha certeza absoluta de que meu chefe havia escutado.— Está tudo bem aí? Parece ter alguém gritando — perguntou o senhor Stamos.Praguejei mentalmente.— Está, sim, senhor. É só um contratempo insistente — respondi, lançando um olhar de advertência para Eos.Ela pareceu ofendida.— Contratempo? Você me seduziu e me prendeu aqui nesse carro contra a minha vontade! — reclamou, acusando-me de algo que eu tinha absoluta certeza de não ter feito.
Todo o plano de ação para manter Caroline segura estava pronto.Eu preferi ser cuidadoso, e o senhor Stamos pensava exatamente como eu. Então, foi assim que fizemos.Tudo estava organizado. Tudo estava funcionando às mil maravilhas.Até que outra reviravolta apareceu.Naquela noite, durante a festa, a estranha mulher de terninho preto impecavelmente alinhado, que havia sido chamada para arrumar Caroline, parou diante de mim depois que lhe entreguei o pagamento.Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ela ficou na ponta dos pés, apoiou uma das mãos em meu peito e me beijou suavemente nos lábios.Foi apenas um toque.Rápido.Gentil.Mas suficiente para me deixar completamente congelado.— Às vezes nos preocupamos demais com a vida dos outros e não vemos a nossa acontecer — sussurrou.Seus olhos verdes faiscaram como duas lanternas, enchendo-me de um pavor que não fazia sentido.Então ela simplesmente se virou e caminhou em direção à rua.Fiquei parado, olhando enquanto d
Pelado, eu fumava um cigarro deitado na minha cama, apreciando a brisa fria que tocava minha pele enquanto repassava mentalmente os últimos acontecimentos.Eu era um idiota fodido, com o coração partido.Fazia muito tempo que não me sentia tão miserável e infeliz quanto vinha me sentindo nos últimos dias.Quem mandou sonhar alto demais? Desejar algo que nunca poderia ter?Eu deveria ter entendido desde o começo. Deveria ter reconhecido meu lugar e simplesmente desistido.Mas não.Eu precisava insistir.Precisava continuar me machucando até não restar mais nenhuma ilusão.Eu era mesmo muito burro.Fui o único que não percebeu o que estava acontecendo entre aqueles dois.Luka, Maya e Íris tentaram me avisar inúmeras vezes, mas eu não quis ouvir. Preferi acreditar naquilo que me convenia, ignorando todos os sinais que estavam bem diante dos meus olhos.Era bem feito para mim.O patrão vinha me enfrentando o tempo inteiro por causa dela, sempre enciumado, irritado, possessivo. Eu, idiota
Naquele momento, eu queria avançar sobre aquele idiota e matá-lo com as próprias mãos.O que tinha acontecido entre ele e Karyn já não me importava.Ela havia feito suas escolhas.E recebera as consequências delas.O que estava me enlouquecendo era o que aquele homem estava fazendo com Caroline.Ele havia sequestrado uma mulher que não o queria, que não o amava, e a arrastado novamente para toda a lama de seu passado.Pior ainda, estava nos obrigando a mergulhar naquela história junto com ela.Caroline acabara de descobrir a traição da própria irmã.Descobrira que sua morte havia sido planejada.Descobrira que quase toda a sua vida tinha sido construída sobre mentiras.Ela devia estar em choque.Confusa.Assustada.Ferida.E eu tinha culpa em parte daquela dor.Mas nunca a havia machucado de propósito.Nunca.Eu havia errado por ignorância, por arrogância, por não enxergar o que estava diante dos meus olhos.Átila, não.Ele sabia exatamente o que estava fazendo.Assim como Karyn soube
— Não minta para mim. Eu vi você naquela noite! Só não sabia seu nome e não conseguia me lembrar do seu rosto... até agora — afirmei.Átila empalideceu.— Kassie, deixe-me explicar! Não me julgue antes de me ouvir, por favor!— Átila, por que você se aproximou de mim sem nunca me contar isso? Eu confiei em você! Contei meus segredos, meus sonhos, meus medos, meus problemas...— Sim! Eu sei! — interrompeu, desesperado. — Eu nunca fiz isso para machucar você. Quando ela me entregou seu livro, eu realmente percebi que você tinha talento. Isso nunca foi mentira!Senti como se um buraco tivesse se aberto no meio da nossa amizade.— Ela entregou meu livro a você?Precisava ter certeza de que havia ouvido direito.— Sim. Mas foi por um bom motivo! Ela queria que eu a ajudasse a se aproximar de você novamente.— Por que ela precisaria da sua ajuda? — perguntei, incrédula. — Era minha irmã! Poderia ter me ligado, escrito uma carta, mandado um e-mail, uma mensagem... qualquer coisa!— Kassie, e







