Share

capítulo 8

Author: Danny Veloso
last update publish date: 2026-10-13 04:17:52

Acordei assustada no meio da noite.

Meu corpo tremia involuntariamente, como se estivesse sofrendo uma convulsão.

Eu não conseguia parar.

Não conseguia controlar meus músculos, nem respirar direito.

Onde eu estava?

Tudo estava escuro.

A escuridão.

Meu maior pesadelo agora.

Ela parecia diferente daquela vez. Mais ameaçadora. Mais sufocante.

Enquanto minha mente tentava compreender onde eu estava e meu corpo lutava para recuperar o controle, braços quentes envolveram meu corpo.

Um peito firme amparou minha cabeça.

— Shhh... está tudo bem — sussurrou uma voz grave junto ao meu ouvido.

Meu corpo ficou ainda mais rígido.

— É... mentira... vai me... machucar...

Minha voz saiu trêmula.

— Não. Você está segura. Eu não vou machucar você.

Aquela voz voltou a falar comigo com uma calma quase cuidadosa, como se tentasse tranquilizar uma criança assustada.

Mas eu não acreditava.

— Sei... que vai...

Eu havia sido vendida em um leilão de escravos.

Como poderia acreditar que alguém ali não queria me machucar?

— Não vou, Kassie. Eu prometo.

A voz dele estava ainda mais grave.

Embargada.

Havia alguma coisa naquela promessa que me fez parar por um instante.

Ergui a cabeça devagar.

Com cuidado.

Meu coração ainda batia descontrolado.

Tentei enxergar o rosto do homem que agora eu sabia ser meu dono.

Observei-o por alguns segundos na penumbra.

Então ele falou:

— Sou eu, fedelha.

A voz ficou mais familiar.

— Damon.

Meu coração parou.

— Você está segura agora.

— Damon... meu cunhado...

Tentei terminar a frase, mas não consegui.

Um nó se formou em minha garganta.

Apertou tanto que um som estranho escapou da minha boca, como se eu estivesse engasgando.

Como se fosse sufocar.

Eu não conseguia mais chorar.

Parecia que todas as lágrimas haviam secado.

Elas estavam presas dentro de mim, acumuladas no peito, tentando me sufocar por dentro.

— Acredite em mim. Você está a salvo agora.

Damon falou baixo.

— Eu vou cuidar de você. Você vai viver comigo e com Árion.

Fechei os olhos.

— Karyn...

O nome da minha irmã escapou dos meus lábios sem que eu percebesse.

Eu ainda não entendia nada.

Por que Damon estava ali?

Como havia me encontrado?

Por que queria que eu vivesse com ele?

Nada fazia sentido.

— Ela... se foi, fedelha.

A voz dele mudou.

Mesmo sem enxergar seu rosto direito, consegui sentir a dor escondida naquelas palavras.

— Eu sei...

Minha voz falhou.

— Eu...

Queria pedir desculpas.

Eu havia falhado com minha irmã.

Não consegui protegê-la.

Não consegui manter nenhuma de nós segura.

Se eu tivesse ficado calada naquele dia...

Talvez Karyn estivesse ali.

Viva.

Nos braços de Damon.

E não eu.

— Você fez o que podia.

A mão dele passou suavemente pelas minhas costas.

— Mais do que podia.

Sabia que ele estava tentando me consolar.

E fiquei surpresa com a tranquilidade dele.

Depois de tudo o que havia acontecido, ele ainda conseguia falar comigo daquele jeito.

— Árion...

Meu coração doeu.

— Ele está bem — respondeu Damon. — Ainda é pequeno demais para compreender a ausência dela.

Soltei um suspiro pesado.

— Sinto muito.

— Não sinta, fedelha.

Sua voz ficou firme.

— Você fez o seu melhor. E está aqui agora. Está segura. Eu vou cuidar de você.

Minha mente ainda estava confusa.

— Onde estamos?

Olhei ao redor, embora não conseguisse enxergar quase nada.

— Como eu cheguei aqui?

— Não se assuste. Esta é uma casa que aluguei aqui na América.

Fiquei imóvel.

— Estamos na América?

— Sim.

Meu coração apertou.

— Como cheguei aqui? Por que me exilaram novamente?

A mágoa apareceu em minha voz.

Damon respirou fundo.

— Você não foi exilada, Caroline.

Fez uma pausa.

— Você foi traficada para cá.

A palavra me atingiu.

Traficada.

Ele a pronunciou suavemente, como se tentasse diminuir o peso dela.

Não conseguiu.

— O contrato...

Minha respiração acelerou.

— O leilão!

Damon ficou em silêncio por um instante.

— Você sabia?

— Era o contrato ou a morte.

As palavras saíram baixas.

— Então você assinou.

Assenti.

— Entendo.

Ele respirou fundo.

— Não se preocupe com aquele contrato. Eu estou com ele.

Meu coração disparou.

— Você me...

Minha voz morreu.

— Você me comprou?

Permaneci encarando-o na escuridão.

Não conseguia distinguir completamente sua expressão.

Tentava encontrar alguma resposta em seus olhos, mas a pouca luz não permitia.

— Né.

A resposta veio firme.

— Eu estava procurando por você.

Meu peito apertou.

— O... obrigada.

Foi tudo o que consegui dizer.

Eu não sabia o que mais poderia falar.

— Não precisa agradecer.

O tom dele era grave.

Sério.

Eu queria acreditar.

Queria acreditar que Damon realmente estava falando a verdade.

Que ele cuidaria de mim.

Que eu estava segura.

Mas uma parte de mim ainda dizia que aquele não era o meu lugar.

Nunca havia sido.

Ele havia pagado uma fortuna para me tirar daquele lugar.

Provavelmente perdera dinheiro.

E tudo aquilo acontecera por minha causa.

Eu havia me precipitado.

Havia colocado Karyn em perigo.

E minha irmã havia morrido tentando me proteger.

Minha dívida com Damon parecia infinita.

Respirei profundamente.

Foi então que percebi o cheiro dele.

Cítrico.

Fresco.

Como o cheiro do oceano.

O calor de seu corpo envolvia o meu.

E, pela primeira vez em muito tempo, meu corpo começou a relaxar.

Eu havia acordado em meio a um ataque de pânico.

Estava perdida.

Confusa.

Apavorada.

Mas agora estava ali.

Protegida pelos braços de Damon.

Ouvindo sua respiração.

Sentindo as batidas firmes de seu coração.

Pouco a pouco, os tremores cessaram.

Não sei em que momento aconteceu.

Só sei que, de repente, o cansaço me venceu.

Meus olhos ficaram pesados.

E eu adormeci profundamente.

Mesmo dormindo, não o soltei.

Eu não queria.

Ainda estava escuro.

E eu não queria ficar sozinha.

Não depois de tudo.

Não depois de meses naquele porão.

Eu não suportava mais a escuridão.

Não suportava mais o silêncio.

Não suportava mais ser abandonada à minha própria sorte.

Então permaneci ali, encolhida nos braços do meu cunhado, ouvindo seu coração bater.

Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava sozinha.

***

O burburinho de vozes chegou aos meus ouvidos antes que eu conseguisse abrir os olhos.

Despertei lentamente.

Minhas mãos estavam inchadas, rígidas e doloridas. Percebi que meus dedos seguravam alguma coisa com força.

Demorei alguns segundos para compreender.

Era o tecido da camisa de...

Damon.

Meu coração disparou.

— Shhh... Vocês a acordaram! — A voz rouca dele repreendeu alguém.

Tentei me mexer, mas meu corpo ainda parecia pesado.

— Desculpa... Eu não estava bem...

Minha voz saiu baixa.

— A escuridão... eu não consigo suportar...

Damon respondeu imediatamente:

— Eu sei. Ela acordou sem saber onde estava, ficou apavorada. Estava escuro e teve uma crise de pânico.

Houve um pequeno silêncio.

— Acho que... sim... signomia — respondeu uma voz feminina, sem jeito.

— Não peça desculpas, fedelha. Não é culpa sua.

Reconheci aquela voz.

Era Maya.

— Senhorita Caroline... Graças a Deus encontraram você.

A velha criada estendeu a mão.

Soltei lentamente os dedos da camisa de Damon, que eu segurava como se fosse uma âncora, e aceitei a mão que ela me oferecia.

Tentei sorrir.

Realmente tentei.

Mas, pelo modo como Maya arregalou os olhos, aparentemente não fiz um bom trabalho.

Ela se aproximou ainda mais.

— Oh, minha querida... Tudo isso vai passar. Logo você voltará a sorrir como antes. Sua gargalhada alta e alegre vai novamente encher esta casa.

Suas palavras me deixaram estranha.

Eu nem lembrava mais como era rir daquele jeito.

Talvez nem soubesse mais sorrir.

— Senhorita Caroline, estou aliviado por encontrá-la a salvo e recuperada — comentou Dion.

Olhei em sua direção.

— Foi Dion quem encontrou você — explicou Damon. — Ele procurou por você durante todo esse tempo, sem descanso. Até planejou o seu resgate.

Meu peito apertou.

— Senhor Dion... Eu agradeço de verdade.

Ele balançou a cabeça.

— Não precisa de formalidade. Muito menos de agradecimentos. Sou apenas o chefe de segurança. Esse é o meu trabalho. Apenas cumpri as ordens do senhor Stark.

Ele deu de ombros, como se aquilo não significasse nada.

— Mesmo assim, eu sou grata. E quero que saiba disso.

Tentei encará-lo.

Mas não consegui.

Percebi que não conseguia olhar nos olhos de ninguém.

Não conseguia sequer levantar o rosto o suficiente para ultrapassar a altura de seus ombros.

Eu sabia que deveria olhar para uma pessoa enquanto conversava.

Principalmente alguém que conhecia.

Mas meu corpo não obedecia.

Forcei-me a erguer os olhos.

Os tremores começaram novamente.

Desviei o olhar imediatamente.

Então procurei a cama.

Damon estava ali.

Ergui os olhos até seu rosto.

Com ele, eu conseguia ir um pouco mais longe.

Conseguia chegar até sua boca antes de precisar desviar.

Aquilo era estranho.

Na escuridão da noite, eu havia conseguido olhar para seu rosto inteiro.

Mesmo sem realmente enxergá-lo.

Agora, sob a luz, parecia impossível.

Não disse nada.

Não queria estragar aquele momento com perguntas ou explicações que eu mesma não sabia responder.

— Caroline, precisamos ir embora logo — avisou Damon. — Você não tem visto de permanência para ficar aqui na América.

Pisquei algumas vezes.

— Oh...

Olhei ao redor.

— Estamos na América.

A constatação saiu quase como uma pergunta.

Não queria pensar na distância que havia percorrido.

Não queria imaginar como tinha sido trazida até ali sem sequer saber.

Muito menos lembrar que havia assinado um documento que, de alguma forma, permitira tudo aquilo.

— Sem seus documentos, podemos ter problemas — explicou Damon. — Entendeu, fedelha?

Assenti.

— Tome um banho e troque de roupa. Todos nós faremos o mesmo. Precisamos sair daqui o quanto antes.

Maya se aproximou.

— Venha, senhorita. Permita que eu a ajude a tomar banho e se arrumar para a viagem.

Não tive forças para discutir.

Apenas deixei que ela me ajudasse.

Enquanto Maya me conduzia para fora, tentei ignorar Damon se levantando completamente da cama.

Até aquele momento, ele permanecera deitado ali, ao meu lado.

Falando comigo com absoluta tranquilidade.

Como se não houvesse nada de estranho naquela situação.

Como se não tivesse passado a noite inteira me abraçando.

Eu deveria estar envergonhada.

Não ele.

Afinal, bastava olhar para a camisa dele.

As marcas dos meus dedos ainda estavam ali, deixando o tecido esticado e amassado onde eu havia me agarrado durante a noite.

Eu havia segurado Damon como se ele fosse a única coisa capaz de me manter segura.

E talvez...

Naquele momento, ele realmente tivesse sido.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Resgatada pelo meu cunhado bilionário grego    capítulo 10

    Assim que o avião pousou, percebi a primeira grande falha no meu plano.Caroline queria ir para casa.Para o próprio apartamento.Não podia permitir.Ela ainda estava fraca, fragilizada e emocionalmente devastada. Deixá-la sozinha seria uma péssima ideia.— Você não acha melhor ficar conosco por algum tempo? — sugeri, escolhendo cuidadosamente as palavras.Precisava que ela concordasse.Caroline me encarou sem expressão.— Meu apartamento foi vendido?— Não. Eu o mantive.Fiz uma pausa.— Você pode ir até lá, pegar suas roupas e tudo o que precisar. Mas não acho seguro que fique sozinha.Tentei falar com firmeza, mas sem parecer autoritário.— Meu trabalho...Ela começou a protestar, mas sua voz saiu tão baixa que pareceu apenas um comentário.— Você pode trabalhar de qualquer lugar. Foi uma viagem longa. Você passou por coisas demais.Abaixei um pouco o tom.— Apenas dê a si mesma algum tempo antes de tentar reorganizar tudo.Pedir não era algo que me deixava confortável.Eu não esta

  • Resgatada pelo meu cunhado bilionário grego    capítulo 9

    Eu ainda estava tentando assimilar a situação de Caroline.Ela estava ali, diante de mim, completamente fragilizada depois de tudo o que havia vivido.Parecia carregar uma falsa modéstia, um silêncio e uma docilidade que não pertenciam a ela.A Caroline Kass que eu conhecia era audaciosa, vibrante e enérgica. Não tinha o menor problema em dizer exatamente o que pensava ou fazer aquilo que desejava.Agora, porém, estava sentada em silêncio, permitindo que Maya a conduzisse, com os olhos baixos e o corpo estremecendo sempre que a escuridão se aproximava.Era doloroso vê-la daquela maneira.Pensei que encontrá-la tão frágil me faria lembrar de Karyn, que sempre fora doce e gentil.Mas não.Eram tipos completamente diferentes de doçura.A delicadeza de minha falecida esposa vinha de dentro. Da alma tranquila, gentil e pacífica que ela possuía.A de Caroline não era natural.Não combinava com ela.Era uma delicadeza construída pela dor.Antes, eu conseguia sentir a força daquela mulher mes

  • Resgatada pelo meu cunhado bilionário grego    capítulo 8

    Acordei assustada no meio da noite.Meu corpo tremia involuntariamente, como se estivesse sofrendo uma convulsão.Eu não conseguia parar.Não conseguia controlar meus músculos, nem respirar direito.Onde eu estava?Tudo estava escuro.A escuridão.Meu maior pesadelo agora.Ela parecia diferente daquela vez. Mais ameaçadora. Mais sufocante.Enquanto minha mente tentava compreender onde eu estava e meu corpo lutava para recuperar o controle, braços quentes envolveram meu corpo.Um peito firme amparou minha cabeça.— Shhh... está tudo bem — sussurrou uma voz grave junto ao meu ouvido.Meu corpo ficou ainda mais rígido.— É... mentira... vai me... machucar...Minha voz saiu trêmula.— Não. Você está segura. Eu não vou machucar você.Aquela voz voltou a falar comigo com uma calma quase cuidadosa, como se tentasse tranquilizar uma criança assustada.Mas eu não acreditava.— Sei... que vai...Eu havia sido vendida em um leilão de escravos.Como poderia acreditar que alguém ali não queria me

  • Resgatada pelo meu cunhado bilionário grego    capítulo 7

    Quando cheguei ao local, na data indicada no convite que Dion havia conseguido, descobri que tudo era ainda mais sórdido do que eu havia imaginado.Eu esperava encontrar mafiosos, criminosos e marginais.Estava enganado.As pessoas ali eram como eu.Homens e mulheres com dinheiro, influência e poder aquisitivo suficiente para comprar praticamente qualquer coisa que desejassem.A diferença era que aquelas pessoas eram tão arrogantes e egocêntricas que acreditavam que o dinheiro lhes dava o direito de transformar seres humanos em objetos, submetendo outras pessoas aos próprios caprichos como se estivessem comprando animais.Era repugnante.Ali, chamavam aquelas pessoas de peças.Mas não havia nome sofisticado que pudesse esconder a verdade.Aquilo era tráfico humano.Pessoas livres eram arrancadas de suas casas e vendidas para uma vida de servidão, sofrimento, dor e degradação.Assim que tirasse Caroline dali, eu denunciaria aquele lugar.Mas sabia que aquilo provavelmente era apenas a

  • Resgatada pelo meu cunhado bilionário grego    capítulo 6

    Quando acordei daquela vez, havia vozes por todos os lados.Muitas.Burburinhos, conversas, passos, murmúrios e uma confusão ensurdecedora que parecia girar ao meu redor.Meu estômago se revirou.Tive a impressão de que iria vomitar.Eu não estava mais naquele porão escuro e silencioso.Mas, depois de tanto tempo sozinha, meu cérebro parecia incapaz de processar tantas pessoas ao mesmo tempo.O som de dezenas de vozes me deixou ainda mais atordoada.Levei uma mão ao estômago.Meus braços estavam pesados, quase dormentes.Foi então que senti.As algemas.Eu ainda estava presa.Tentei movimentar os braços com cuidado. Meus pulsos estavam doloridos, mas havia algo diferente.As algemas pareciam revestidas por um material macio, estranho ao toque.Então uma voz masculina atravessou o tumulto.Em inglês.Sem sotaque.— Este é o lote final. Garota estrangeira, pouco mais de vinte anos, pele clara, cabelos cacheados, olhos azuis. Fala vários idiomas e possui comportamento social de alto níve

  • Resgatada pelo meu cunhado bilionário grego    capítulo 5

    Seis meses haviam se passado.Era estranho perceber como o mundo conseguia continuar girando como se nada tivesse acontecido.As pessoas continuavam comendo, dormindo, trabalhando, se apaixonando.Crianças nasciam.Casamentos eram celebrados.Negócios eram fechados.Eventos aconteciam.A vida seguia.O tempo não esperava por ninguém.E eu também precisei seguir.Não porque estivesse pronto, mas porque não tinha escolha.Precisava trabalhar.Precisava administrar meus negócios.Precisava criar meu filho.Precisava ser forte por Árion.Depois do que aconteceu, tomei medidas extremas de segurança. Reforcei a proteção da casa, mudei rotinas, aumentei a equipe e eliminei qualquer brecha que pudesse colocar meu filho em risco novamente.Eu não podia mudar o passado.Só podia tornar nosso presente e nosso futuro mais seguros.Mas havia uma coisa que eu não conseguia abandonar.Depois que minhas lágrimas finalmente secaram e eu me despedi de verdade da minha esposa, encontrar Caroline havia s

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status