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Resistindo a ele
Resistindo a ele
Autor: Amanda Bittencourt

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last update Fecha de publicación: 2022-09-24 11:58:51

— Jenny, ursinha! — Eu ouvi um grito alto e gemi interiormente.

Me virei e olhei para o meu o melhor amigo, Adrian, que sempre pensou que poderia vir quando bem quisesse ao meu café.

— Sim, Adrian? — Eu perguntei sarcasticamente, sabendo que ele estava ali, provavelmente, porque tinha dado uma pausa no trabalho e queria me irritar. Eu não queria ser rude, ele era meu melhor amigo, afinal de contas, mas às vezes ele era um chato de galochas.

— Eu estou fazendo aquela lasanha que você adora hoje. — Ele sorriu, mas eu vi algo em seus olhos. E realmente não pude saber de primeira o que era.

— Qual é a ocasião? — Eu perguntei, guardando alguns arquivos.

Adrian desviou o olhar desconfortavelmente. Ele era, provavelmente, o cara mais fácil de conviver com o qual eu me deparei. Havia alguma coisa sobre o Adrian que me atraiu quase que instantaneamente. Era impossível não gostar dele. Ele era lindo, realmente lindo. Com sua linhagem meio francesa, meio italiana, ele definitivamente atraía os olhares por onde passava.

Seu cabelo era castanho escuro, seu rosto perfeitamente esculpido. Ele era, sem dúvida, um deus grego, e eu tinha certeza que poderia sentir alguma coisa por ele se ele não fosse gay. Mas Adrian, além de gay, era um gay não assumido. Não importava quantas vezes eu dissesse a ele que isso não importava para quem o amava de verdade, que sua sexualidade não era nada demais, ele se recusava a acreditar em mim.

— Ahm... — A voz de Adrian me tirou dos meus devaneios. Dei-lhe um olhar confuso. — Eu tenho que te perguntar uma coisa.

— E por que você não pode fazer isso agora? — Eu perguntei, franzindo a testa. Ele nunca era estanho, a menos que tivesse algum grande favor a me pedir.

— Porque eu estou esperando que você esteja feliz e bêbada o suficiente para me dizer sim. — disse ele timidamente.

Apertei os olhos para ele.

— Adrian Lawrence, o que diabos você está tramando?

Ele levantou-se.

— Tchau, Jenny! Te vejo no jantar! — Sem esperar que eu respondesse, ele saiu. Olhei para a porta, imaginando o que ele tinha em mente neste momento. A última vez que ele tinha feito algo assim, eu acabei em um clube de stripper. E isso era uma história que eu ficaria feliz se conseguisse esquecer.

O telefone tocou e eu atendi, usando o tom mais profissional que eu poderia.

— King's Coffee.

— Jennifer! — Minha mãe me cumprimentou e eu sorri. — Como você está? Você não atendeu o celular, então eu tive que ligar para o seu escritório. Você está ocupada?

— Oi mãe. — Eu respondi. — Eu não estou ocupada, estava apenas conversando com Adrian. O que foi?

— Eu só liguei para informá-la que você vai receber uma visita em breve. — Ela disse e eu fiz uma careta.

Percebendo que não seria ela a vir me ver, eu perguntei. — Uma visita de quem?

— Do Sr. Harrison. — ela disse e eu senti uma pontada de aborrecimento dentro de mim. Eu ouvi alguns baralhos em segundo plano, e depois um maldito som alto. — Oh querida, o seu pai conseguiu pregar o dedo com o martelo de novo, vou acalmá-lo, então até mais tarde. Tome cuidado querida!

—Tchau mãe. — Eu disse enquanto ela desligava. Coloquei o telefone de volta em seu lugar e resisti ao impulso de bater a cabeça na mesa. Eu tinha problemas suficientes na minha vida e o Sr. Harrison passou a ser mais um a somar-se a todos os outros. Ele estava convencido de que poderia resolver todos os meus problemas com o seu mágico toque de Midas e eu o odiava por isso.

— Srta. Kingsley? — A gerente do meu café, Nella, enfiou a cabeça no escritório. — Temos um cliente querendo vê-la.

Eu levantei minhas sobrancelhas. — Por quê?

— Ele disse que preferia discutir isso com você. — Ela disse e eu gemi, sabendo de quem se tratava. Levantei-me e saí do escritório, alisando minha saia lápis. O Sr. Harrison estava em pé no centro do café com um sorriso no rosto.

— O que você quer? — Eu perguntei, não me importando se pareci muito rude.

— Isso não é maneira de falar com seu... — ele começou e antes que pudesse continuar a sentença, eu olhei para ele, fazendo-o calar a boca.

— Olha, se você quiser beber alguma coisa, seja bem-vindo, mas estou ocupada agora, então me desculpe. — Com isso eu fui embora, deixando-o franzindo o cenho atrás de mim.

Eu me virei e olhei no espelho, perguntando-me se a minha bunda parecia muito grande no vestido. Eu estava toda arrumada para o jantar no apartamento do Adrian, pois não sabia se seríamos apenas nós dois naquela noite. Pessoalmente, eu preferia ir de roupão e chinelos macios.

Eu usava um vestido azul marinho com um decote largo, parando um pouco acima do joelho. Coloquei minhas sandálias de salto e levei apenas o meu celular. Assim que cheguei ao apartamento de Adrian, fiquei surpresa ao ver a porta já aberta.

— Adrian? — Gritei cautelosamente, procurando por qualquer cena de um possível assassinato ou por um ladrão.

— Eu estou me vestindo, Jenny! — Ele gritou. — Sirva-se de vinho. Ou o que você preferir.

Tirei as sandálias, sabendo agora que seríamos apenas nós. Eu devia ter ido de roupão mesmo e por isso o amaldiçoei, por não me dar mais detalhes sobre a noite. Andei até o seu armário de bebidas e tirei uma garrafa de uísque. Normalmente, eu não bebia nada muito forte, mas o estoque de bebidas que ele tinha em sua casa era limitado. Eu coloquei um pouco de uísque para mim, e logo depois vi Adrian entrar, vestindo apenas um calção. A visão dele daquele jeito faria qualquer mulher babar, mas eu estava muito além dessa fase. Eu levantei uma sobrancelha para ele.

— Você não poderia ter me dito que não estava vestido? — Eu disse e ele riu, colocando um copo de uísque para si mesmo.

— Mas é tão divertido ver a sua cara! Talvez possamos dar umas voltinhas pelas boates da cidade mais tarde. — Ele sugeriu, balançando as sobrancelhas de um lado para o outro.

— Não, obrigada. — Eu recusei. — O que você queria me dizer?

Ele colocou o copo na mesa. — Vamos jantar!

Apertei os olhos pelo seu comportamento suspeito, mas ele seguiu para a sala de jantar sem dizer mais nada. O que ele queria me dizer devia ser algo importante para ele agir dessa forma. E sua atitude estava me enchendo de curiosidade.

No meio do jantar eu já não aguentava mais. Então olhei para ele e exigi.

— Adrian Lawrence, — estalei, — é melhor me dizer neste instante o que está acontecendo, ou eu juro...

— Opa, calma aí, Jenny. — Disse ele, colocando as mãos para cima. — Só prometa não ficar louca.

Eu levantei uma sobrancelha, mas me mantive séria.

— Meus pais querem que eu vá para a casa deles. — Ele disse.

— E? — Eu disse, arrastando as palavras.

— Eu disse à minha mãe que tenho namorada, e ela disse que eu tenho que levá-la junto. Eu não posso dizer que não agora porque é tarde, já que o meu irmão também confirmou, então eu tenho que estar lá. — Ele disse tão rápido que eu tive que forçar meus ouvidos para entender as palavras.

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Último capítulo

  • Resistindo a ele   Epílogo

    Calma, Jennifer. Lembre-se de respirar. Você tem tempo. Eu repetia para mim mesma o tempo todo. O problema é que é difícil se concentrar nessas coisas quando você está sentindo uma dor horrível que parece que vai arrancar uma parte do seu corpo.— Eu estou aqui, cara.A voz calma e tranquilizadora do Pierre também não estava ajudando. Eu sabia que era para ser reconfortante, mas se ele dissesse isso mais uma vez, eu jogaria a primeira coisa que minha mão alcançasse na cabeça dele.Adrian estava dirigindo como um louco pela rua e eu não aguentava mais. Eu queria entrar logo na sala de cirurgia. Eu tinha sido teimosa e esperado até o último minuto, aparentemente. Se eu tivesse resolvido ir ao hospital na noite anterior, não estaríamos xingando motoristas lentos ou furando sinais ao meio dia.— Adrian, acelera mais. Ela está esmagando minha mão. — Pierre disse com a voz sofrida. Eu tinha pegado sua mão na hora em que entrei no carro e ela já devia estar branca por causa da minha pressão.

  • Resistindo a ele   71

    — Você vai se casar. — A voz de Adrian estava atordoada. Como se ele não soubesse de antemão, ou como se ele tivesse acabado de ouvir sobre isso.Eu levantei minhas sobrancelhas.— Por isso que estamos aqui, e eu estou em um vestido de casamento.— Merda. Você vai mesmo se casar. — ele repetiu.Eu franzi a testa e estava quase perguntando se ele ainda estava de ressaca, mas então ele falou novamente.— Você deveria continuar sendo uma solteirona cheia de gatos.— Eu odeio gatos, Adrian. — Eu ri para ele.— Ainda assim. Quem é estúpido o suficiente para se casar com você?— Seu irmão. Pare de bancar a cadela recalcada no meu casamento.— Eu não estou sendo recalcada. — Adrian sorriu para mim e depois me abraçou. — Você está linda. Meu irmão não vai saber o que o atingiu. Mas admito que estou com um pouquinho de inveja por você se casar e eu não.— Quem sabe você não consegue arrastar o Dylan para uma capelinha aqui em Vegas. Ele já descansou da viagem?Dylan não veio para Vegas conosco

  • Resistindo a ele   70

    Pierre ficou olhando para mim com expectativa. Eu estava com os olhos marejados e minhas palavras ficaram presas na garganta. Nem se eu quisesse, poderia dizer não. Sinceramente, quando conheci Pierre nunca imaginei, nem mesmo em meus melhores sonhos, que ele seria meu marido. E aqui estava ele agora, esperando uma resposta que com certeza estava clara no meu rosto como a lua lá fora.— Sim.Ele soltou um suspiro audível. Eu ri e afastei as lágrimas com as costas das mãos, em seguida, ele foi até a mesinha, abriu a caixinha e se ajoelhou.— Jennifer Kingsley Harrison, é uma enorme honra fazer de você minha noiva. Obrigada por aceitar fazer da minha vida uma vida mais feliz.Ele pôs o anel no meu dedo, se levantou e me puxou para si. Colamos nossos lábios e caminhamos até a cama.— Por que não me deixa colocar a lingerie daquela arara ali? — perguntei contra sua boca, enquanto ele me beijava.— Podemos pular essa parte. — ele enfiou as mãos pelas minhas costas e desabotoou meu sutiã. —

  • Resistindo a ele   69

    — Acorde, dorminhoca.Ouvi um barulho longe.— Eei. Acorde.Senti beijos suaves nas minhas costas.— Você vai mesmo querer ficar na cama com o dia que eu preparei para nós?Dentes começaram a brincar com a minha orelha. Mãos apalparam minha bunda e, em seguida, meus seios. Ok, agora eu estava muito acordada.— Huuum.— Até que enfim alguma resposta.E antão, as mãos sumiram.— Não era para você parar. — eu resmunguei.— Eu adoraria começar o dia com sexo, mas teremos um dia cheio. — Pierre riu, um som rouco e baixo. — Mas o que acha de adiarmos para o fim do dia e início da noite? Se tudo sair bem, espero estar dentro de você antes das nove.Virei a cabeça para trás e vi um pequeno sorriso travesso em seus lábios.— Pierre Lawrence, o que você está aprontando?— Levante-se. — ele respondeu apenas. Deu um beijo na minha testa e saiu da cama.Eu me alonguei ainda sob os lençóis e resolvi descobrir o que ele estava fazendo. Tomei um banho rápido e fui encontrá-lo na varanda do quarto. A

  • Resistindo a ele   68

    Eu não sabia muito o que dizer ao Pierre enquanto o mantinha em meus braços, mas eu queria curá-lo. Ficamos tanto tempo juntos, apenas abraçando um ao outro, que esquecemos a comida. E quando fomos para a cama, eu não consegui pregar o olho. A intensidade da situação que ele me contou ainda pesava sobre mim.Cansada de ficar rolando de um lado para o outro, e não querendo acordá-lo, pois sabia que momentos de sono tranquilo como ele estava tendo eram raros, eu calmamente escorreguei para fora dos lençóis e saí do quarto em direção à praia.Os grãos de areia penetraram meus pés enquanto eu andava. O único barulho que dava para ouvir era o das ondas e eu não poderia ser mais grata. Eu queria espairecer um pouco e aquilo era um calmante natural. A praia parecia mais bonita do que quando chegamos, com apenas o luar e as luzes do hotel refletindo na água.Agora eu entendia a aversão de Pierre à mãe e o motivo de Adrian parecer ser o queridinho dela. Ele tinha motivos para odiá-la. Mesmo a

  • Resistindo a ele   67

    — Jennifer, já chegamos.— E daí? — Eu virei o rosto para o outro lado da poltrona.— Você vai precisar de se levantar, querida.Abri meus olhos para ver seu lindo rosto sorrindo para mim, mas também um pouco de preocupação.— Vamos.Eu me sentei, penteei o cabelo com os dedos e fiz um rabo de cavalo.Ele pegou minha mão e nós saímos do jatinho. O ambiente era úmido e eu não reconheci. Então vi a placa no aeroporto.— Bali?Pierre sorriu. — Nada como a praia e o sol para fazer você se sentir melhor.Eu sorri, inclinando-me para beijá-lo. — Obrigada.O percurso até o hotel foi em silêncio, nós dois perdidos em nossos pensamentos. Eu sabia que ele estava pensando em Arianna. E eu estava pensando sobre essa história.Assim que nos instalamos, Pierre pediu serviço de quarto. Eu não queria comer fora, e foi muita gentileza dele perceber isso.— Você falou com seus pais? — senti a necessidade de falar, para quebrar o silêncio entre nós.— Falei. — ele parecia um pouco divertido com essa per

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